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O futuro é funk

O futuro, assim como a liberdade, é uma experiência. E o que eu mais curto nessa minha obsessão pelo funk carioca é que ele tá o tempo todo me fazendo sentir aquele friozinho na barriga, aquela ansiedade de saber o que tá rolando de novidade, já que tudo muda e uma onda pode ficar velha depois de três meses de existência. E eu tô sendo muito generosa: o futuro pra massa funkeira é logo ali, muito acelerado.

Este tipo de papo é bom de ter com funkeiro, porque geralmente quem não conhece a cena e ouve a gente dizer que o funk carioca é acelerado, automaticamente pensa nos 150bpm revolucionários que fazem geral chacoalhar os ombrinhos. Mas não dá pra parar por aí. Se eu fosse algum tipo de historiadora de arte eu ousaria dizer que o funk é a linguagem artística brasileira genuinamente afrofuturista, não só por aquelas coisas de estar sempre conectado com a tecnologia e fabricação de equipamentos, mas pela agilidade com que ele busca se transformar all the time.

Estamos no começo de uma nova era no funk carioca e quem não tá vendo é quem não tá interessado. Mais uma vez ele vai dar uma virada triunfal e ficar mais forte e, consequentemente, vai jorrar muito mais dinheiro dessa fonte milionária. Os produtores com o faro aguçado já estão trabalhando firme nessa nova direção.

A diversidade é novo foco do funk e tudo bem, porque é por aí mesmo, né. Uma linguagem pra ficar viva precisa acompanhar os acontecimentos, senão vira folclore.

Em janeiro de 2019 rolou a primeira Parada LGBT dentro de um baile funk de favela no Rio de Janeiro. Ali, um portal que já tava há muito tempo pra se abrir finalmente se rompeu.

As mulheres que estão na linha de frente do movimento desde os primórdios hoje não são mais vozes isoladas. Existe uma mudança de comportamento e vários MCs estão compreendendo que um funk sem misoginia é mais gostoso de dançar, o prazer feminino não fica mais solitário num lugar de reivindicação. Tati Quebra Barraco, Deize Tigrona e Valeska ensinaram direitinho. Os MCs espertos viram que “Surubinha de Leve” representava um tempo que as minas não aceitam mais, a favela entendeu o recado e está acontecendo, quem curte sabe. Os meninos estão ainda que lentamente mudando os processos de composição e as minas estão firmemente levantando a bandeira LGBT pra dentro da cena. Iasmin Turbininha já não é mais a única abertamente lésbica. São dançarinas, DJs, produtoras, geral saindo do armário, dando visibilidade pras pretas sapatão que curtem funk, sim. Sem falar na dona da porra toda: nossa pepita de ouro, Ludmilla, que desde 2018 escreve e emplaca sucessos na voz de outras funkeiras como “Cai de boca [no meu bucetão]”. Mesmo “vendendo” majoritariamente para o público hétero, também mostrou para o Brasil que o coração da mulher preta bate onde ela quiser!

O cheiro de novos tempos está no ar e daqui há, no máximo, dois anos a heteronormatividade não vai ser mais o único argumento do funk. Quando novos artistas alcançam posições de protagonismo suas ideias vêm junto com eles. E se o funk influencia o bregafunk, o lambadão, o pagodão, o rap e o sertanejo, tudo pode mudar.

Agora vou parar aqui, talvez este texto esteja otimista demais. Enquanto eu fico ansiosa aguardando o primeiro grande sucesso que vai rimar xota com xota, sem o contexto do fetiche masculino. Ou quando finalmente MCs como a Catten, que cantam putaria de bicha preta pra bicha preta ganharem os bailes e as rádios.

O cara que começou o movimento onde os produtores homens abraçam a causa está preso, limitado pela Justiça a construir seu movimento: o DJ Rennan da Penha. Rennan foi quem produziu vários desses sucessos de letra “feminista” e, logo depois de produzir um baile que levou mais 10 mil pessoas a viver a realidade LGBT na favela, declarou que continuaria a produzir eventos nessa pegada. Mas foi injustamente preso.

Na última terça-feira (13) foi divulgada uma carta em que Rennan da Penha agradece aos fãs e artistas amigos pelo carinho e por manterem vivos o seu nome. E por não deixarem o Brasil e o mundo esquecerem que se, por um lado a juventude preta, que empreende no mundo da arte e constrói o futuro cultural do país ainda está detida pelas garras do passado escravagista que o governo insiste em manter vivo, por outro nos mantemos vivos e conscientes. Como diz DJ Rennan da Penha: “O funk não tem fronteiras”.

Liberdade para o Dj Rennan da Penha. Liberdade para a juventude preta, liberdade para o futuro. Nós exigimos, nós alcançaremos.

A Casa do Meio e o progresso artístico da Zona Oeste

Um movimento é feito de pessoas. E o resultado disso sempre vem de um centro, um lugar de apoio, de troca e de impulsionamento de tudo e todos que estão ao redor de um objetivo. Um porto seguro. A Casa do Meio representa esse relevante legado na Zona Oeste.

Lucas Sá

Lucas Sá

 

Lucas Sá (@louquera)

De um espaço vago na sua casa, com ajudas e uma grana guardada do seu criador e comandante Rennan Guerra,  surge a Casa do Meio. Além de ser um estúdio de gravação,  a casa se posiciona como um espaço de criação e um verdadeiro polo criativo extremamente importante para os músicos da cena underground da Zona Oeste. Ali rolam filmagens, reuniões e trocas que ajudam e impulsionam os artistas e projetos que são curados dentro da casa. A facilidade que Rennan tem de dialogar com diferentes tipos de clientes – muito por sua vivencia, desde muito novo, sendo roadie de várias bandas de rock que faziam um barulho há 10 anos atrás – e a qualidade na entrega final do produto, que é a música, o faz ter uma percepção diferente e visionária sobre tudo de novo e interessante que possa chamar a sua atenção e resulta em um respeito e admiração dos seus amigos e parceiros.

 

Quando falamos sobre a percepção de Rennan sobre o que está a sua volta, focamos num dos programas de áudio visual que mais prestamos atenção por aqui. O Brasil Grime Show – criado e comandado por Yvie Oliveira, Antonio Constantino, Lucas Sá, Dini, Diego Padilha e pelo próprio Rennan – se posiciona como um dos mais interessantes cases de sucesso no YouTube, muito por conta da identidade empregada no programa e na pesquisa, descoberta e impulsionamento de inúmeros novos artistas da cena urbana carioca. Todo o áudio do programa é gravado, editado e mixado por Rennan e as imagens são captadas dentro do estúdio, gerando interação com o ambiente e fazendo com que todos os artistas que brotam no programa se sintam a vontade como se a gravação fosse na sua própria casa.

 

“O Grime, que era tão desconhecido, acabou salvando a minha vida, pois me deu um ar de empolgação num momento em que eu de fato precisava. Eu to ligado que dá pra melhorar o trabalho, mas tento ser o mais honesto possível e ainda sim a galera compra o barulho do que estamos fazendo aqui no estúdio.”

 

Já passaram por ali Akira Presidente, CHS, Scarlett Wolf, Juju Rude, SD, Leall, Fleezus, PhKbrum entre outros. Kbrum e SD gravaram seus EPs no estúdio e toda a cultura Grime, que era bem pequena no Rio de Janeiro pré Brasil Grime Show, tomou uma outra proporção pós a execução do programa no estúdio. Sem demagogia nenhuma, Rennan acredita que o grime salvou a sua vida por ter lhe dado um ar de empolgação e entusiasmo no momento exato em que ele precisava de um fôlego. Os números no YouTube e os feedbacks positivos do público dão impulso e visibilidade ao trabalho do estúdio e em todos os que estão a sua volta.

Além do Brasil Grime Show e da gravação de vários artistas da cena do grime, o estúdio também é curador do programa “Tem Como Apresenta”. O programa – criado por Mariozin, Lucas Sá, Diego Padilha e por Rennan – tem por objetivo dar palco e visibilidade aos DJs que são crias da Zona Oeste. Ser um “defensor da musicalidade” da Zona Oeste não é um objetivo da Casa do Meio mas o fato é: a escassez de cultura e ações áudio visuais na área é tanta que é inevitável entender o crescimento do estúdio como um ato quase político.

O “Tem Como” é como se fosse um videocast com os DJs fazendo os seus sets autorais, com total liberdade para mostrar os seus trabalhos. Tago, DJ Bala e o próprio Mariuzin já fizeram parte do programa que ainda tem muito mostrar.

O movimento que é feito por pessoas e precisa de um porto seguro, necessita de duas coisas pra seguir em frente e com qualidade. Trabalho e progresso. Executar bem, pensar á frente, manter relações verdadeiras e progredir. Assim que se cria um belo legado. Rennan Guerra e a Casa do Meio vem cumprindo bem esse papel.

Uma voz, um universo. Milton Nascimento

Existem muitos artistas geniais na música Brasileira. Dentre mentes brilhantes, compositores incríveis, cantores e cantoras sublimes, instrumentistas fantásticos, arranjadores geniais e mais inúmeras classificações de profissionais que compõem as engrenagens do nosso relógio analógico chamado de “MPB”, algumas pessoas possuem algo que parece vir de outro plano. Quando ouvimos algo que realmente nos toca profundamente, alimentamos nossa alma e temos a sensação de que estamos ficando fartos e satisfeitos, algo impossível de explicar totalmente com palavras.

Uma das vozes que mais me levam pra esse estado é a voz de Milton Nascimento. Não só a sua voz, mas também as suas composições, suas construções de melodia e harmonia e todo o universo que acontece quando a música dele está tocando. É uma reunião de qualidades que chamam atenção de gerações. Eu, pessoas mais velhas, mais novas, os mais importantes músicos e musicistas de Jazz de todo o mundo, críticos de música, pessoas que não entendem teoricamente de música, nomes da comunicação e por aí vai. Todos atentos a cada sentimento que será gerado a cada nota que ouvirem.

E falando no universo de Milton, o próprio está agora em turnê pelo Brasil e pelo mundo cantando músicas dos aclamados álbuns “Clube da Esquina” (1972) e “Clube da Esquina 2” (1978). Eu recomendo que você ouça esses dois álbuns, estão disponíveis online. Não vou contar aqui a história toda do Clube da Esquina, a internet já está cheia de informações, pesquisas e documentários (inclusive muito bons), sobre isso. Em uma pesquisada rápida você conhecerá mais sobre esse momento tão fantástico na história da música Brasileira.
Mas aqui cabe uma brevíssima introdução:

“O Clube da Esquina foi um movimento musical brasileiro surgido na década de 1960 em Belo Horizonte – Minas Gerais, onde jovens músicos começaram a se reunir. Seu som se fundia com as inovações trazidas pela Bossa Nova a elementos do jazz, do rock – principalmente os Beatles –, música folclórica dos negros mineiros com alguns recursos de música erudita e música hispânica. Nos anos 70, esses artistas tornaram-se referência de qualidade na MPB pelo alto nível de performance e disseminaram suas inovações e influência a diversos cantos do país e do mundo.”
(Fonte: Wikipedia)

 

Alguns desses jovens geniais eram: Milton Nascimento, e os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô), Wagner Tiso, Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes e os letristas Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Tavito, e Murilo Antunes, e outros nomes de grandes instrumentistas, interpretes foram se achegando e tornando o grupo ainda mais plural e maior. Cada um desses nomes, merece a sua atenção como ouvinte. Dão uma vida inteira de degustação musical.

Meu primeiro contato maior com a obra de Milton, foi quando eu ouvi a música “Fé cega, faca amolada”, do álbum “Minas” (1975), essa música que é um rock piscodélico misturado a vários outros elementos, me chamou a atenção e me fez querer entrar no mar profundo que é a obra do Milton. Na verdade, pra quem está em contato com a arte é interessante ouvir as referências das suas referências. E foi dessa maneira que conheci pessoas que são pilares fundamentais da música.

Essa matéria breve é um convite pra você se alimentar e conhecer mais (Se ainda não conhece) da obra do Milton. Se permita sentir as mensagens e sensações da maneira mais simples possível. A internet nos permite ouvir discos fantásticos, mesmo sem tê-los fisicamente. Depois de ler essa matéria,te convido pra ouvir 12 músicas do Milton que me chamam muita atenção (Acaso você ainda não tenha ouvido). Cada uma com sua característica:

*”Tudo o que você podia ser”.
*”Travessia.
*Ponta de Areia.
*Fé cega, faca amolada.
*”Milagre dos peixes.
*Para Lennon e McCartney.
*Clube da Esquina N°2.
*Cravo e Canela.
*Os escravos de Jó.
*Canção do Sal.
*Vera Cruz
*Bicho Homem

Se curtir, procure saber mais, vá aos shows se puder. Fará um bem para os seus ouvidos e alma.

 

Música. Os nossos melhores álbuns de 2018

Listas são polêmicas e nunca agradam a todos. 2018 veio pra mostrar que apesar de tudo que aconteceu socialmente e politicamente ao redor do mundo, a nossa maior forma de expressão nunca nos deixa só. A música sempre foi e sempre será uma das nossas mais efetivas armas de auto expressão e valorização. Esses são os álbuns que mais curtimos ao longo desse ano intenso. Inúmeras vertentes de música negra passam por aqui, sempre respeitando os nossos gostos e entendimentos. Tudo o que nos emocionou e segue nos impressionando está por aqui. Se você ainda não ouviu algum desses álbuns, corre pro Spotify e procura tudo. Vai valer a pena.

 

20 – Jacob Banks | Village

Jacob Banks se destaca como persona e como artista. Sua voz potente deixa marcado os ouvidos de quem curte a sua onda de soul e neo R$B. Em “Village” ele se mostra denso e também mais solto em faixas como “Mexico”.

 

19 – Nego Max | Afrokalipse

Uma grata surpresa. Lançado no final desse ano, “Afrokalipse” é o resultado de um trabalho muito coeso, direto e reto assim como o rap deve ser. Nego Max, um dos expoentes do rap do Vale do Paraíba, é um dos melhores MCs da cena nacional e traz rimas muito pesadas sobre tudo o que lhe envolve. A track “O rap é preto!” com o feat cabuloso de Preta Ary é um dos destaques.

 

18 – August Greene | August Greene

A junção entre Robert Glasper, Common e Karriem Riggins era impossível dar errado. 3 dos mais talentosos músicos dos EUA, formaram a August Greene que traz um álbum com o mesmo nome e uma fusão incrível entre Jazz, Soul e Rap. Tudo de forma orgânica e muito verdadeira. “Optimistic” é o destaque do álbum e vem com um feat incrível da Brandy.

 

 

17 – Anderson . Paak | Oxnard

Finalizando a trilogia de um dos mais talentosos artistas que apareceram nos últimos tempos, “Oxnard” não foi o melhor álbum dentre os 3 (os outros foram “Venice” e o incrível “Malibu”). O nível de exigência pós “Malibu” era gigantesco e .Paak voltou mais rapper do que nunca, provavelmente pela influencia de Dr. Dre na produção musical e executiva do álbum. Com mais rimas e menos sons melódicos, Anderson .Paak confirmou sua presença na industria como um dos mais versáteis e talentosos artistas da cena. A track “Trippy” com o feat do J. Cole é um dos destaques.

 

16 – Thiaguinho | Tardezinha 2

Thiaguinho explora com maestria uma fórmula de sucesso que não tem como dar errado. Mais um álbum ao vivo que mistura clássicos do pagode dos anos 90, com belos arranjos e o carisma óbvio de Thiaguinho. “Tardezinha 2” é um daqueles álbuns que fica tocando ininterruptamente nos nossos churrascos de domingo com a nossa família. Pra quem gosta de pagode, é um belo trabalho. “Pé na areia”, originalmente conhecida na voz de Diogo Nogueira, ficou muito bem na voz de Thiaguinho e é um dos destaques.

 

15 – Jay Rock | Redemption

Jay Rock é um dos rappers mais fiéis as suas origens gangsta. Ele tem praticamente a mesma estética visual e musical desde “Follow me Home”, o seu primeiro álbum a chamar atenção da industria mais “comercial” americana. Para alguns, a falta de mudança entre os seus trabalhos pode parecer um suicídio. Mas ele desempenha esse papel tão verdadeiramente bem que os fãs de gangsta rap enxergam nele uma salvação dentro do rap mainstream vigente. “Redemption” é muito pesado e a track, com feat do Kendrick Lamar, “Wow Freestyle” é um hit e vem tocando em inúmeras festas e clubs ao redor do mundo.

14 – Recayd Mob | Calzone Tapes Vol. 2

A Recayd é uma das maiores afirmações do Trap brasileiro. Toda a vontade de fazer rap e expôr as mudanças que os próprios integrantes do coletivo querem para as suas vidas, é o que dá a sensação de pertencimento deles a sua realidade. Falar tão abertamente sobre drogas, sexo e dinheiro ainda continua sendo um tabu e eles passam por cima disso tudo com muita verdade em cima dos seus temas. Pode parecer fútil para alguns, mas o álbum simplesmente retrata a vontade de vitória de vários jóvens pretos talentosos. E isso é importantíssimo.

 

13 – Kamasi Washington – Heaven and Earth

O saxofonista, bandleader e compositor Kamasi Washington ratificou o seu nome como um dos expoentes do Urban Jazz mundial. Sua estética com uma identidade absurda e suas sonoridades o fazem ser comparado com outras referencias do Jazz americano. Em “Heaven and Earth”, Kamasi mescla várias referencias e traz participações incríveis como Terrace Martin e Thundercat. “Tiffakonkae” é a track que mais chamou a nossa atenção.

 

 

12 – Iza | Dona de Mim

Pra quem já acompanhava a Iza desde os tempos dos seus vídeos caseiros na internet, todos já tinham uma certeza: O seu sucesso era questão de tempo. As suas qualidades como beleza, presença e sua pele retinta estão do mesmo tamanho que sua qualidade maior, que é a sua voz. Iza se posiciona como uma artista genuína que muito provavelmente vai ser longeva na cena pop brasileira. “Dona de mim” é só o primeiro passo dentro de uma carreira muito promissora, que vai representar e impulsionar muitas mulheres por aqui.

 

11 – Marcelo D2 | Amar é para os fortes

D2 já se posiciona como um dos artistas mais respeitados do país há alguns anos. Em todos os seus trabalhos, desde a época do Planet, ele sempre preza por um teor artístico altíssimo musicalmente e visualmente falando. A sua notória vontade de sempre fazer parcerias com artistas de várias faixas etárias, o deixa sempre numa posição de vanguarda e referencia para quem quer realmente ser artista de verdade. “Amar é para os fortes” não é comercial, é um clássico visual, feito por várias mãos e capitaneado por um dos maiores defensores da verdadeira arte desse país.

 

10 – Solveris | Vida Clássica

Solveris traz um frescor estético e uma identidade musical muito bem desenhadas. Tudo faz sentido quando vemos e ouvimos Solveris, fruto da junção de 4 jóvens extremamente talentosos do Espírito Santo. “Vida Clássica” é uma fusão linda entre Soul, Rap e R&B que traz um bom gosto absurdo desde a capa até o principal, que é a música. Eles ainda não estão no famoso hype mas pelo talento que eles tem, eles brevemente vão formar o seu próprio hype e virar o jogo a favor deles. “Noite cubana” foi a track que mais chamou a nossa atenção, com um refrão bem surpreendente.

 

9 – The Internet | Hive Mind

A melhor notícia desse final de ano foi que em março do ano que vem, The Internet aterriza em solo brasileiro pra uma série de shows. Não é exagero dizer que eles hoje são a melhor banda de Soul e R&B do mundo e “Hive Mind” veio pra comprovar isso. A estética sonora continua parecida com os trabalhos anteriores e a liderança calma de Syd nos vocais se ratifica e a presença de Steve Lacy em “Roll (Burbank Funk)” é uma ótima surpresa. Eles se entendem muito bem juntos e também em seus trabalhos solos. Estamos ansiosamente esperando pela presença deles no ano que vem.

 

8 – Attooxxa – Luvbox

Áttooxxa confirmou ser uma das maiores revelações musicais brasileiras em “Luvbox”. A mistura incrível entre Trap, House, Pagodão Baiano e Soul music resulta num som incrível, coeso e que faz todo o seu público balançar. A criatividade e perspicácia dos seus produtores surpreende positivamente quem ouve pela primeira vez e prende o ouvinte a querer conhecer mais o trabalho dos caras. Presença certa em inúmeros festivais ao redor do país, Attooxxa é daquelas bandas que queremos estreitar relações e trabalhar juntos em breve. “Eu juro (LuvBox) é a track que mais pegou a gente pela brasilidade, swing e balanço que ela provoca.

 

 

7 – Travis Scott – Astroworld

Travis Scott já era um dos maiores rappers dos EUA desde a explosão do seu primeiro álbum “Rodeo”. “Birds in the Trap sing McKnight” confirmou esse status e “Astroworld” veio pra ratificar ainda mais a presença de um artista que está se colocando dentro daquelas listas de GOAT que vemos sempre por aí. “Astroworld” é energeticamente muito comercial, aquele tipo de álbum que faz mais de 50 mil pessoas ficarem pulando num show por mais de 2 horas, liberando todos os seus demônios e angústias. É exatamente isso que Travis traz em suas letras e músicas. “Stop Trying to be God” é uma track que traz um clipe com vários significados e “Can’t Say”, com feat do Young Thug, é aquela track foda que ninguém ainda deu a devida atenção.

 

6 – Abstract Orchestra – Madvillain Vol. 1

O trabalho que a Abstract Orchestra vem realizando é tão incrível que é difícil de escrever sobre. A dificuldade de fazer uma releitura orgânica de trabalhos já consagrados do rap é tão grande que nos gerou uma estranheza antes de ouvirmos o primeiro trabalho da orquestra, que foi “Dilla” lançado em 2017. Quando paramos para ouvir, a surpresa foi tão grande que balançou os nossos corações tanto quanto os beats clássicos de J.Dilla, só que de uma forma diferente e ao mesmo tempo emocionante. Nesse ano a Abstract Orchestra assumiu mais um desafio e fez uma releitura incrível dos beats de MF-DOOM, um dos produtores/rappers mais undergrounds e respeitados do mundo. O resultado foi o “Madvillain Vol. 1”. É absolutamente genial.

 

5 – Baco Exu do Blues – Bluesman

“Bluesman” é um clássico. Ponto. A facilidade com que Baco passeia por assuntos extremamente densos como depressão, bipolaridade e ansiedade é tanta que identifica de forma rápida quem sofre dos mesmos problemas. O álbum é muito bem montado, onde é quase dividido como uma peça de teatro. Em atos e intervalos para melhor entendimento do público. O trabalho visual é magnífico e impulsiona as músicas para lugares inimagináveis. A luta e defesa de Baco perante o povo preto é a sua maior qualidade, dentre todas as dificuldades que é assumir essa tarefa. “Me desculpa JAY-Z” é o verdadeiro hit do álbum mas “Girassóis de Van Gogh” e “BB King” merecem a mesma atenção.

 

4 – Cory Henry and The Funk Apostles – Art of Love

Cory Henry tem uma história extensa dentro da música góspel americana. Já fez turnê com vários artistas consagrados do meio e já gravou com a respeitadíssima jazz band Snarky Puppy. Nesse ano ele lançou o seu primeiro álbum autoral que é uma fusão entre o góspel, funk e soul music. É incrível como ele canta com a mesma qualidade que toca o seu piano e dentro das tracks rolam umas jams muito bem ensaiadas. São 6 tracks de uma duração mais longa que demonstra o talento fervoroso que Cory possui. “Trade it all” abre o álbum de forma incrível e mostra o que está por vir.

 

3 – Djonga | O menino que queria ser deus

A mesma carga energética que Travis Scott coloca em seus trabalhos e em seus show, Djonga faz isso tão bem quanto o artista americano. “O menino que queria ser Deus” traz tantas metáforas geniais, tanta energia e tanto papo reto que é impossível qualquer jovem preto não se identificar com aquilo. Seus refrões fazem muito sentido, são extremamente melódicos e fáceis de se cantar, fazendo com que todo show de Djonga seja um ato negro épico. Os beats de Coyote são determinantes pro sucesso de um dos melhores discos de rap de todos os tempos.

 

2 – BK’ | Gigantes

A auto confiança é o motor o rap. Não adianta. BK’ dá uma aula sobre a realização dos seus próprios sonhos, o que inspira totalmente o seu público. Em “Gigantes” ele fala sobre como a tomada do poder para as nossas mãos, auto cobrança, os nossos reais tamanhos, guerras internas, festas, mulheres e, principalmente, vitórias. BK’ continua inspirando fortemente jóvens a serem maiores do que o teto que a elite vigente impôs. Ele é de fato o melhor rapper da sua geração.

1 – Luciane Dom | Liberte esse banzo

Há mais de 1 ano atrás, estávamos na casa de um grande amigo e lá conhecemos Luciane Dom. Trocamos uma ideia muito proveitosa e conversamos sobre o seu futuro álbum, sem ouvir nenhuma música. Demos algumas dicas sobre alguns caminhos que ela poderia seguir e mantivemos uma proximidade. Ao ouvir “Liberte esse Banzo” pela primeira vez, tudo o que apostávamos naquele papo que tivemos se confirmou de uma forma felizmente surpreendente. O álbum é extremamente diverso, traz elementos muito brasileiros como ijexá e ela como uma cantora de MPB, passeia muito bem pelo Soul, pelo Jazz e pelo Rock. Os assuntos densos e reais do álbum são muito bem trabalhados pelas suas melodias firmes e pela sua voz suave mas muito marcante. “Todo Cuidado”, “Quanto Pesa” e “Abraça, Menina” são tracks belíssimas que dão uma visão clara do que Luciane está querendo transmitir e fazem o público viajar. Luciane Dom é uma afirmação e 2019 é um ano de colheita desse álbum incrível.

 

“Quanto mais eu faço, melhor eu fico”

O ato da escrita sempre foi um prazer pra mim. Depois que a AUR, se tornou de fato um canal de comunicação com um site forte e redes sociais, eu me dediquei mais a isso e comecei a melhorar de fato naquilo que eu sempre gostei. Escrevi bons textos, comecei a ler mais e a melhorar as minhas técnicas de escrita. Daqui a pouco eu volto nesse assunto.

Quinta feira passada rolou o show de um dos caras que eu mais escutei de 2 anos pra cá.

Thundercat.
Baixista, cantor, compositor e um dos artistas mais versáteis e com personalidade que apareceram de uns tempos pra cá. De uns tempos pra cá, deixa uma margem que ele só brotou pra um público maior a pouco tempo, acho que errei. Com 16 anos se tornou baixista da respeitada banda de punk rock “Suicidal Tendences”, produziu nomes como Erykah Badu, Flying Lotus e Kendrick Lamar, e lançou dois aclamados discos: “Apocalypse” e o último “Drunk”. Um passeio entre inúmeros estilos musicais, mantendo sempre a sua personalidade forte como músico e como artista.

Francisco Costa – IHateFlash

O show.
Por sermos originalmente uma marca que tem a música como principal veículo de comunicação, mandei um e-mail pro Circo Voador e pra produtora do show do cara pedindo uma entrevista. Já tava bem desacreditado num possível papo com o cara – Um dos maiores baixistas/cantores do mundo vai falar comigo? – e só consegui as credenciais pro show muito em cima da hora.

Chegando no circo, encontro Paulo – O assessor de imprensa do show – me diz que de repente rolaria a entrevista. Eu gelei na hora. Fui totalmente desarmado pra aquilo. Passei o show inteiro bolando as perguntas na minha mente, de uma entrevista que ainda não acreditava que fosse rolar.

O show foi muito mais incrível do que eu imaginava. A abertura foi do DJ que nunca erra, Daniel Tamenpi. Ele sempre sabe o que tocar e como assumir a responsa de abrir grandes shows internacionais. Uma entrada simples marcou o início do show. O PA do circo tava muito pesado e colocava em sinergia os teclados de Dennis Hamm, a bateria de Justin Brown e o baixo e a voz de Thundercat. Cenário muito simples, mas com uma iluminação muito boa, que dava o verdadeiro protagonismo que os 3 mereciam. Eles emendaram, já na segunda música, “Uh Uh”, que é um som instrumental do álbum “Drunk” e isso me deixou particularmente surpreso. Eles alongaram a track, parecendo que estavam fazendo uma simples jam sessions, tamanho o entrosamento entre os 3. E fazer isso já no segundo som de um show, é de se surpreender. “Lava Lamp” me deixou emocionado ouvindo ao vivo, pela sinceridade da letra e como ela foi perfomada. O som que eu mais gosto “Lone Wolf and Cub” foi tocado e me surpreendeu bastante pois é uma track que é pouco conhecida entre os fãs. Uma parceria incrível entre ele e Flying Lotus com um forte swing e soul. “Jethro”, a minha preferida do “Drunk” deu um balanço muito foda na pista e o salve que ele deu pro Kendrick em “These Walls” (Vencedora do Grammy de melhor colaboração na categoria Rap em 2017) e “Complexion” me deixaram sem palavras.

O amor dele pela cultura asiática foi muito bem explicado por ele mesmo em “Tokyo”, quando ele praticamente declamou o segundo verso da música em que explica a primeira vez que foi a cidade quando tinha 18 anos, e em “Friend Zone” em que ele ratifica a paixão maluca por games e desenhos japoneses, especialmente “Dragon Ball Z”. Para se ter uma noção, o vilão mais icônico do desenho (Freeza) tava perfeitamente desenhado em seu All Star vermelho. A última música do BIS, pedido incessantemente pelo público, foi “Them Changes” que deixou a pista quente pro Tamenpi voltar e finalizar a noite. Foi o melhor show que vi nos últimos meses, desde Snarky Puppy também no circo.

Francisco Costa – IHateFlash

O momento.
Antes do show Paulo havia me dito para, depois do show, ficar naquele fosse do Circo ao lado dos banheiros, onde os artistas geralmente vão falar com os fãs após os shows. Fiquei lá e encontrei meu amigo DJ Tucho com o Disco de “Drunk” para um possível autógrafo. Paulo aparece e chama eu e o fotógrafo Francisco Costa do Ihateflash para subir ao camarim. Na minha cabeça veio um “FUDEU” gigante e tinha certeza que iria tremer na frente do cara.

No camarim, vejo um Thundercat deitado no sofá, descalço e tranquilão vendo o seu celular. Aquilo já me deixou muito mais tranquilo. Francisco começou a fazer as fotos e ele super solícito não viu problemas em ser fotografado deitadão tranquilão daquele jeito. Dalí eu já comecei a trocar uma ideia com ele.

Francisco Costa – IHateFlash

Começo elogiando a sua personalidade ao se vestir, ele fica amarradão e eu já me tranquilizo mais. A primeira pergunta foi sobre a importância de rappers como Kendrick Lamar e J. Cole pelos assuntos abordados por eles em momentos complicados para os negros ao redor do mundo.

“É importantíssimo termos vozes como as deles em momentos que acontecem as piores situações na américa e que ainda são justificadas. Eu sinto que não é somente sobre as pessoas pretas. É sim a nossa história mas pessoas como J. Cole e Kendrick fazem qualquer um sentir, ouvir e entender o que está sendo dito e isso é o mais importante. Caras como Kendrick são muito especiais pois são diferentes.”

Pergunto sobre um dos meus ídolos e digo que na minha opinião devemos demonstrar amor e carinho pra ele num momento difícil que está passando. Sobre Kanye:

“Pra ser muito honesto mano, ele precisa crescer. Quando você se torna extremamente famoso sua mente pode pirar. É muito do que eu penso. Sua nova família, seus novos pensamentos são estranhos pra quem ouviu “Graduation” incessantemente.”

A última pergunta foi a que fez sentido no título do texto e me deu mais um aprendizado. Thundercat é notoriamente um gênio como instrumentista e isso é demonstrado sempre nos seus discos e no seu show. Não necessariamente, ele é um aventureiro como cantor. Muito pelo contrário. Sua forma de cantar deixa essa identidade que eu citei milhares de vezes nesse texto, ainda mais evidente. Pergunto a ele quando que ele se deu conta que também era um grande cantor:

“Eu não sei mano. Eu me sinto bem quando eu canto, nunca é fácil pois são duas diferentes situações. Mas eu acho que quanto mais eu faço, melhor eu fico. Não tem outro jeito a não ser fazer. É não ter medo, ir e fazer.”

Essa foi a grande lição da noite. É chegar, acreditar e fazer. Foi assim que aconteceu essa entrevista, assim que conheci um grande cara que já era fã e assim que volto a escrever por aqui. E assim que Thundercat se destaca cada vez mais como músico e como artista. Fazendo, repetindo, refazendo e simplesmente acreditando. É por isso que estamos aqui.

Agradecimentos
Circo Voador
Dell’Arte Soluções Culturais

Lá Dó Si Lar – Maíra Freitas

Quando a música está em casa: Lá Dó Si Lar estréia segunda temporada.

A web série musical apresentada pela cantora e pianista Maíra Freitas passeia por diferentes estilos musicais.

“Reunir amigos e fazer um ‘bem bolado'”, essa é a partitura da série musical Lá Dó Si Lar, um programa totalmente original lançado semanalmente no youtube. A cada semana um artista é convidado a passar uma tarde bem a vontade na casa de Maíra Freitas.

A segunda temporada da série traz um belo acorde com os cantores Alanito Sonhador, Alberto Salgado, Jonas Sá, Josyara, Nilze Carvalho, Simone Mazzer, além da poeta Letícia Brito.

Misturando o clássico, o regional, o samba e o alternativo de maneira única.

“A ideia do programa surgiu a partir de uma gravação que fizemos com o Wilson das Neves, que eu admirava tanto. Nós curtimos tanto trazer esse ícone para ‘dentro de casa’ que resolvemos abrir o nosso ‘lar doce lar’ e convidar o público para curtir essas versões inéditas”, conta Maíra Freitas.

“A concepção do programa é feita com canções autorais, entre novos e consagrados artistas da música brasileira. A Maíra faz a curadoria dos artistas e eles escolhem três composições suas, e nós fazemos os arranjos trazendo versões inéditas, das originais”, completa Julio Alecrim, diretor musical do programa.

Os noves episódios foram filmado no aconchego da casa da Maíra, que fica no Alto da boa Vista, entre um café e um bolo despretensiosamente tirando um som. “A nossa casa fica um caos, delicioso, porque recebemos a cada temporada nove artistas e inúmeros músicos, mas tudo é feito com muito amor
e prazer. A ideia do Lá Dó Si Lar era ser um programa semanal, mas como todo projeto independente, a verba é sempre um problema, por isso gravamos cada temporada em quatro dias corridos”, diz Mario Rocha, diretor geral do programa.

“Durante a primeira temporada, nós abrimos as portas da nossa casa para nomes como Hamilton de Holanda, Julia Bosco, Pedro Luis, Áurea Martins, Vidal Assis, Matheus VK, Jessica Passos, Moreno Veloso e João Cavalcanti”, conta Maíra.

O programa Lá Dó Si Lar é produzido pela Danada Produções e Arquitetura Musical e vai ao ar no Youtube às terças e quintas.

Vem dançar com a Elis

Ela ganhou o país aos 4 anos quando disse que o seu “cabelo não era piluca”. Desde então Elis Mc, dançarina e cantora de 6 anos, continuou na cena e produziu muita coisa boa. Uma delas é o single Vem dançar com a Elis, de autoria do músico e coreógrafo Luis Marques.

O título da música saiu do evento que Elis comanda desde 2017 com edições no Rio de Janeiro e São Paulo. A intenção do evento é levar dança para todas as crianças e suas famílias.

O evento serviu de grande inspiração e assim nascia o single. No beat da música, temos referência do funk melody dos anos 90 e um toque de atualidade na pegada do passinho carioca.

Uma música tão simples e tão forte ao mesmo tempo que precisava de um clipe a altura. Foram 30 dias de pesquisa e muita parceria para a realização desse projeto.

Referências da história negra construíram a cena e a leveza e alegria das crianças deram a energia para o clipe. Todo mundo foi convocado e a gravação aconteceu no Parque Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Foram mais de 40 crianças que participaram da gravação que durou 9 horas.

O lançamento aconteceu semana passada no canal Elis Mc.

A produção final é da 44Meia Produções e o single já está disponível nas principais plataformas.

O Vem dançar com a Elis é um levante infantil a favor da beleza natural.

A música e o clipe são para todas e todos. É um ode à liberdade e a felicidade.


Minha Primeira Música – DJ Sem Vulgo

Desde criança minha família sempre foi muito religiosa, meus pais e a maioria dos familiares são cristãos protestantes e há 15 anos atrás as igrejas eram bem mais mente fechada para outros movimentos que não fossem os tradicionais, mas foi ali dentro que eu ouvi o que eu considero a minha primeira música, antes dela eu realmente não lembro de nenhuma outra ( parece exagero mas juro que é verdade ) foi ali, dentro de uma igreja que tudo começou pra mim.

Lembro-me como fosse ontem, no ano de 2004 quando eu tinha apenas 10 anos de idade e era totalmente excluído do mundo lá fora, não sabia oq era HIP-HOP, FUNK, etc…. minha vida se resumia a corinhos da harpa cristã e ali minha tia ( Tia Lú ) me apresentou o RAP, DJ ALPISTE era o nome, cara, ali tudo fez sentido, pq quando eu ouvi a primeira música do cd que era gravado no formato acústico eu não conseguia descrever oq eu sentia, era muito intenso e logo na introdução ele falou uma frase que eu nunca vou esquecer na vida

– “Seja bem-vindo a uma viagem super sônica chamada HIP-HOP” e ali começou realmente essa viagem, a partir desse cd tudo começou, juntei uma pá de mlk que fechava comigo apresentei isso e montamos um grupo de dança chamado New Life (b-boys), a partir disso eu comecei a discotecar nas famosas Gospel Nights, até me atrevi a montar uma banda aonde eu era o vocalista e cantávamos RAP GOSPEL;  só que a viagem era realmente grande e as paredes da igreja eram pequenas para conter um jovem que queria conhecer o mundo e esse mundo era o HIP-HOP.

Hoje estamos em 2017 e eu ainda estou dentro desse trem aprendendo mais a cada estação do mundo HIP-HOP e estamos só aquecendo os motores.

 DJ Sem Vulgo – Designer e dj da AUR,.

canal colors

Não sou das maiores consumidoras do youtube, sigo pouquíssimos canais, contudo, os que sigo assisto praticamente todos os vídeos e fico pensando: o mundo precisa conhecer um trampo tão foda assim.

O Colors é um desses projetos, uma cor pra cada artistas, uns já conhecidos, outros nem tanto.

Tem para todos os gostos ou ritmos: funk, soul, R&B, rap… e se você também gosta de desbravar uns sons novos e está aberto a experimentações… conheça o Colors.

A produção inovadora de Gabriel Marinho

Músico, produtor musical, compositor, DJ e gestor de conteúdo. Gabriel Marinho é uma das figuras mais presentes nos palcos, estúdios e escritórios do music business carioca. Com uma identidade única, suas produções vem inovando o cenário brasileiro, e abrindo caminhos em expressões urbanas como o Afrofuturismo.

Nascido em Salvador Bahia, Gabriel teve um contato fundamental com a percussão de sua terra ainda na infância, quando vivia na cidade de Castro Alves no recôncavo baiano, tornando-se baterista e percussionista autodidata. Ao se mudar para o Rio de Janeiro conheceu a cultura hip-hop, e na adolescência começou a produzir beats de rap. Após uma viagem de retorno a Salvador passou a utilizar sua habilidade com os tambores para criar sua identidade fincada em suas raízes baianas e africanas, influenciado por Ilê Ayê, Luiz Melodia, Ebo Taylor, Peter Tosh, indo até Madlib, Parteum e Flying Lotus.

Acumulando colaborações com nomes como Angélique Kidjo do Benin, 3 vezes ganhadora do Grammy, com quem se apresentou na Roundhouse em Londres no dia 12 de Novembro, Tássia Reis, no premiado álbum “Outra Esfera”, André Sampaio com quem co produziu a trilha da exposição “Povo Insônia” do grafiteiro Toz, e com quem apresenta o programa Mandinga Beat na rádio online Blá FM. Excursionou por Paris com os artistas Carta na Manga e Descolados, onde palestrou no CentQuatre (104) maior centro de cultura urbana da Europa. Durante as Olimpíadas do Rio 2016 foi DJ exclusivo da delegação Alemã na Deutsche Haus, e já assinou trabalhos com Aori, Donatinho, Julia Vargas, BK’, Zola Star (Congo) e Folakemi (Inglaterra), entre outros. Dirigiu e compôs o autoral curta/EP “Rumpi Mondé”, exibido em países como Kenya, México, USA e França e em diversas cidades brasileiras.

(Rumpi Mondé 2013 – Filme dirigido e trilha composta por Gabriel Marinho)