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Sobre bloqueio criativo, síndrome do impostor e inseguranças

O famigerado papel em branco te encara, o tempo continua passando e aquela inspiração que você precisa não chega. O que fazer? Os prazos estão acabando, a agonia se intensificando, e as metas que você estabeleceu não estão sendo cumpridas. O que fazer?

Tem dias que você vai escrever sobre tudo e qualquer coisa, que as ideias irão pular pelos dedos aos borbulhões, que escrever será o ato mais fácil a se fazer. Outros não. Cada palavra será retirada a força, cada folha escrita, rasgada e jogada fora, cada parágrafo apagado sem dó, isso quando vc conseguir romper com a barreira do papel em branco.

A escritora Aline Valek fala sobre as armas das pessoas criativas aqui. Algumas dicas que tirei de lá e adequei a minha realidade:

1 Não espere a inspiração chegar. Comece. Agora.
2 Repertório ou bagagem criativa. Você aí, sim, você mesmo. Pare de rolar o feed do facebook e/ou instagram e vá ler, aprender, ver ou ouvir algo que aumente a sua carga para as escritas futuras. Se alimente de inspiração.
3 Se você tem um campo de interesse, se aprofunde nele, colha cada vez mais materiais de estudos e de diversas fontes distintas, se não quer ler sobre, assista a vídeos, escute podcasts e tente linkar fontes diversas para formar seu próprio entendimento sobre esse assunto.
4 Associação de ideias, linkar ou mixar. Faça a sua maneira, certamente seu cérebro possui um mecanismo de junção de coisas aparentemente desconexas. Comigo funciona na aula de inglês, como assisto muita série legendada e ouço muita música em inglês, quase sempre rola livre associação entre uma expressão nova e uma frase que ouvi em alguma letra ou diálogo.
5 Flow ou como falamos na comunicação: Brainstorm. Sem julgamentos, seu o do outro – sim, sei que é difícil. sei mesmo, confia, porque também ajo assim, toda acusatória comigo mesma – deixe fluir, daquela ideia mais estapafúrdia, pode surgir um texto/tema legal. Aline já deu a dica: seja água.
6 O mais difícil: Paciência. O seu tempo. Do seu jeito. Tudo está tão rápido que paciência está quase que escassa no mercado. Tudo é pra ontem, pra já. Maturar quase que não é mais um verbo. Achar o seu tempo será o mais difícil, quase tão difícil quanto não se comparar com outra pessoa.

Isso me leva ao outro tópico, a Síndrome do impostor.

Sabe aquela sensação de estar num lugar ao qual você acha que não pertence? Aquele convite que você recebe para falar em algum lugar sobre um assunto que você domina, que você estuda mas que quando você se depara com a situação que vai te expor, você pensa: Eu não sei nada, é agora que vão descobrir que sou uma fraude?

A Síndrome Impostor é como os especialistas normalmente se referem à crença persistente de que você chegou ao ponto onde você está não através de suas próprias habilidades ou trabalho duro, mas tendo sorte e basicamente enganando as pessoas para que elas pensassem que você é melhor do que você é.

Essa sensação de inadequação, de estar num lugar que não é seu, de ser uma fraude. Essas sensações sempre vem acompanhadas de uma carga gigante de ansiedade e insegurança.

A Gabi Oliveira nesse vídeo traz um questionamento primordial sobre como os estudos sobre a síndrome embora possua dados de gênero, não entrecruzam esses dados com raça, porque sabemos bem, que escutamos desde crianças o quanto temos que ser boas, pelo menos 2x melhor.

O buzzfeed dá 17 dicas de como lidar com a síndrome aqui.

Falar sobre bloqueio criativo e síndrome do impostor, me levou ao terceiro tópico: A insegurança.

Eu acompanho um escritora americana pelo instagram chamada Alex Elle. Ela escreve sobre autocuidado, auto celebração e amor próprio, e eu costumo chamar ela de Minha Mentora, pois ela me coloca nesse lugar de ok, não preciso saber sobre tudo, não preciso ter todas as respostas, preciso relaxar e principalmente: tenho que respeitar meu tempo, a minha escrita.

O que me leva a essa nota que ela escreveu há pouco tempo:

“Notas sobre não saber.
A maior parte do tempo não faço ideia do que estou fazendo, só estou tentando descobrir e viver uma vida boa. E, as vezes, isso é o suficiente.
Temos tendência a colocar tanta pressão sobre nós mesmas para ter a certeza e para saber os próximos passos, mas por vezes, pode ser melhor ir e aprender ao longo do caminho.
Sem pressão, apenas a vontade de mostrar e descobrir o que está do outro lado…
Há poucas pessoas que admitem que não tem certeza. Se aprendi alguma coisa nessa vida, é que até o que pensamos que sabemos pode mudar.
Os sentimentos mudam, as perspectivas evoluem e o crescimento nos torna maleáveis de formas que podem fazer com que as nossas certezas se desenrolem.
E não faz mal. Não temos que saber sempre qual o próximo passo. Haverá momentos na vida em que temos que entrar no desconhecido e encontrar maneiras de aprender.
Tatuado no meu braço tenho: Encontre a tua luz. E isso é algo que faço diariamente.
Encontrar-me no meio do não-saber e viver para aprender é o que eu uso para me apoiar em momentos de incerteza”.

Espero que essas dicas, esse vídeos e esse texto sirvam para te mostrar que você não está sozinha e que essas inquietações que te assombram, elas pairam sobre todas nós, mas que compartilhando das nossas incertezas, as nossas dúvidas, quem sabe possamos nos fortalecer e fazer uma rede onde o que me potencializa, pode te potencializar também, afinal, já passamos de fase de tentarmos ser supermulheres. Só queremos Ser.

Ser quem nós quisermos ser.