Sem beijo, sem abraço | Coluna da Taisa

Postado por 31/10/2019

Longe de mim usar uma coluna semanal como diário, mas se o que dentro de você te mata, o que fora de você te salva. Preciso confessar: tenho palmitado.

 

Pode me julgar, mas tem algo de mais leve em gostar de um cara branco, eu posso me render aos problemas inventados, tipo ciúme e outros dramas.

 

Diferentemente de quando eu namorava o Jorge, o mais gentil de todos os homens, embora ele não me desse nenhum trabalho, meu coração permanecia em constante palpitação, sempre acelerado e tenso.

 

Jorge é um homem retinto, tão preto quanto a noite, e cada vez que ele demorava pra chegar do trabalho vinha aquele frio na espinha.

 

Nunca dava tempo de pensar que ele tava comendo alguém ou bebendo em algum bar com os amigos. Meu pânico não tinha a ver com temer essas atitudes que dizem nascer das entranhas masculinas, meu pânico tinha a mais a ver com a realidade cotidiana do Rio de Janeiro. De maneira compulsiva e estridente, minha mente imaginava cenas intensas onde a polícia levava o meu homem de mim.

 

Não, nem faz essa cara aí, como se eu tivesse forçando a barra, ou como quem diz: “Pra ir parar na cadeia, boa coisa não fez”. 

 

A “coisa” que ele fez, foi nascer sendo quem ele é e polícia adora gente tipo ele: gente preta.

 

Na última terça quando a Lorenna (@badgallore) foi ao palco do Prêmio Multishow receber o prêmio de música do ano para “Vou parar na Gaiola”, do Rennan da Penha, DJ e produtor musical, minha cabeça foi longe. Se ela namorasse um cara branco, ela poderia ver o cara subindo no palco, fazendo um discurso emocionado. Ele quase choraria, agradeceria primeiro a Deus, depois mãe e equipe, e no final diria: “e minha amada esposa, que me apoiou em todos os momentos”. Ela se emocionaria pensando em toda batalha que eles passaram e depois, quando chegassem em casa, eles fariam o sexo da vitória cheio de paixão e ardor.

 

Mas não deu. Embora Rennan seja uma das pessoas mais importantes do entretenimento brasileiro hoje, é a cor da sua pele que não permite que Lorenna viva o sonho de curtir o prêmio do companheiro.

 

Não há espaços para a dúvida: com certeza Lorenna estava feliz. Mas e o discurso sendo citada como grande companheira? E o beijo apaixonado ao descer no palco?

 

A polícia pegou o homem dela.

 

Lorenna disse no instagram: “As grades não irão silenciar as batidas vindas dos becos e vielas da favela aceleradas, dos 150bpm que você ajudou a colocar na cena mundial e que agora, através de “Hoje eu vou parar na gaiola”, se torna canção do ano”. 

 

Sem beijo, sem abraço. Liberdade para o DJ Rennan da Penha 

*Coluna da Taisa

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