Quando o algoritmo não é a resposta

Qual o tipo de dado que me faz decidir pela leitura de um livro ou não?
Bem, certamente não são os algoritmos, mas sim qual tema que o livro aborda, quem escreveu e o mais importante: Qual a relevância dele para mexer com o meu estômago. Porque sim, leitura boa é aquela que embrulha a minha barriga, no sentido de mexer comigo e deixar lembrança e não no sentido de me deixar enjoada. Compreendido?

Voltando aos algoritmos…
As melhores coisas da vida não são quantificáveis, como por exemplo, o sentimento de você descobrir que aquele tipo de livro que você nunca deu bola pode te revelar uma ótima  surpresa – “auto ajuda” por exemplo, considerada “baixa literatura (aqui falo com conhecimento de causa de quem já foi livreira) me revelou UM DOS MELHORES LIVROS QUE LI ANO PASSADO, O INCRÍVEL O ANO EM QUE DISSE SIM, da Shonda Rhimes, falei dele aqui, e que certamente se eu dependesse de um site de buscas, ele não seria uma das respostas apresentadas, exatamente por não se encaixar na categoria de livros que comumente eu leio.

A abordagem dos sites de compras e do Pinterest  “se você gosta disso, pode gostar disso também” pode ser reconfortante para aqueles avessos aos riscos, como executivos de empresas da década de 80, que procuram ordem e segurança. Entretanto faz muitas vezes a gente não sair da zona de conforto e arriscar navegar por mares que antes sequer viram os nossos barquinhos.

Então, algoritmos são ruins. Porém, depende.



Porque o youtube também é adepto dessa abordagem, mas aqui no caso, vou depor contra a minha própria escrita – sim, vou me contradizer – me apresentou a Serena Assumpção quando procurei Mateus Aleluia, me apresentou a Tiganá Santana quando procurei Xênia França. OBS: se você assim como eu, é caçador de pessoas fenomenais, ouça esses quatro cantores.

Agora se imagine no Facebook e faça um exercício de memória sobre as páginas que você curte, as músicas que você ouve, os vídeos que você posta e principalmente sobre as postagens que curte e comenta, as que mais tem interação. Resultado: bolha. Porque de acordo com os algoritmos, vc certamente está cercado de pessoas que pensam, ouvem, lêem e discutem basicamente as mesmas coisas que você, as pessoas que pensam um pouquinho diferente, os algoritmos fazem com que pouco a pouco elas se afastem umas das outras, lembra da abordagem lá de cima: “Se você gosta disso, pode gostar disso também”.

É arriscado não ter dados, estar sem os números quando você quer achar algo parecido com que já comprou, algum cantor similar aquele que você gosta ou mesmo um livro que te devolva aquela mesma sensação do livro lido no verão de 2016, porque achamos que sabemos exatamente o que queremos, mas a minha esperança é que permaneçamos cada vez mais corajosas para quebramos regras, nos abrirmos para o novo e que nos lembremos sempre que cliques, avaliações e estrelas ainda não são as medidas capazes de nos fazer esquecer que:

Algoritmos nem sempre são a resposta.

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