Precisamos falar sobre Insecure

Postado por 18/09/2017

Wikipreta. Você já ouviu esse termo? Dá pra entender um pouquinho do que ele significa em Insecure.
As problemáticas de relacionamento, as amigas malucas – Broken Pussy- as fases não tão maduras assim pela quais passamos. Está tudo aqui, recheado por uma trilha sonora que leva a colaboração de Solange.

Issa Dee é a protagonista da série ao lado da melhor amiga Molly, elas discutem o que é ser mulher negra na América e todos aqueles assuntos relacionados ao ser mulher – carreira, família, amigos relacionamentos – que muitas vezes só discutimos quando estamos entre mulheres.

A familiaridade das situações cotidianas me fez questionar várias vezes se não estava vendo minha vida – privada – na tela. Isso que faz a diferença na série, ela te coloca no espaço da normalidade e determinadas situações que a gente achava que só acontecia conosco, mostra que somos muito mais parecidas do que imaginávamos.

Esse foi o micro-texto que fiz após assistir a primeira temporada. A segunda temporada acabou na semana passada e precisamos falar sobre porque Insecure é a melhor série quando se trata de falar sobre as diferenças e similaridades entre mulheres negras.
E para instigar mais sobre como fazer uma série com “representatividade”.

Issa, Molly, Lawrence, Daniel, Dro, Kelly, Tiffany, personagens que colocam na tela a multiplicidade sobre o ser negro, sem estereótipos negativos, sem corpos padronizados, sem cair no lugar comum que às produções nacionais insistem em nos colocar, faça um exercício mental e tente se lembrar quais papéis majoritariamente os atores e atrizes negros fazem.

Sem dar spolier dos episódios, todos os personagens passam por situações comuns a nossa realidade: problemas de relacionamento, conflitos no trabalho, diferença salarial entre negros e brancos, conversas sobre sexualidade, choros desenfreados, trocas de “contatinhos”, encontros que acabam não dando tão certo assim, dúvidas e inseguranças quanto ao futuro e entrando em problemas específicos, gentrificação do bairro e especulação imobiliária, com a Issa, por exemplo e sobre “escolher” com quem se quer trabalhar, com a Molly.

Insecure é uma série que denota cuidado sobre a imagética negra nas telas, desde a construção dos personagens, vide a diversidade de papéis, até a luz, quando uma lente específica é utilizada para que as cores sobre a pele negra esteja de forma correta.

Vamos falar de “representatividade”?

Insecure é escrito e protagonizado por Issa Rae, alguns episódios são dirigidos por Melina Matsoukas (procurem essa mulher já!) que é uma das produtoras executivas e já trabalhou com Rihanna, Beyoncé – Formation foi ela quem dirigiu – e a Trilha sonora de toda a série, que dialoga com todos os episódios – é maravilhosa demais e está disponível no Spotify – é assinada por Raphael Saadiq e tem como colaboradora Solange.

Obs: Eu não poderia deixar de falar sobre o figurino da Issa. O que são as camisetas dela? Quero todas.

Obs 2: O nome de Issa é Jo-Issa Rae Diop

Insecure é a nossa cara na tela, nossas inseguranças, furadas, relações, dúvidas e a possibilidade real de se ver sem ser em personagens estereotipados.

Imagem: Zimbio

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