O papel da DJ Trans é quebrar barreiras

Postado por 22/10/2019

Sábado, 19 de Outubro de 2019. Despretensiosamente, ela vem na minha direção pela Cinelândia, exalando espontaneidade e presença. Ed, que assina a fotografia do Radar, estava do seu lado. Os cliques já havia sido feitos e a comunicação que estabelecemos ao longo da semana fortaleceu o conhecimento sobre seu papel e importância na cultura como DJ, militante e mulher trans.

Pamela Belli Ramos Maia. Este é seu nome, e com um valor inestimável: só é possível por meio do provimento nº 73/2018, do Conselho Nacional de Justiça. Pamela me conta que sua família é sua mãe, uma mulher guerreira que até os dias de hoje faz parte de sua vida. Ela também lembra dois amigos próximos e importantes na sua vida pessoal e artística: Maira Gomes, grande colaboradora para o audiovisual e seus projetos, e o talentosíssimo DJ Júlio Rodrigues, professor que até os dias de hoje colabora para seu conhecimento musical.

 

Pamela tem grande influência da geração Disk MTV, mas também cita a Furacão 2000 como um marco para o início de sua curadoria musical. No boom das plataformas de streaming, Pamela passou a criar playlists que davam grande visibilidade, e, no meio disso, seu amigo Beto Artista a incentivou a se tornar DJ. Para ele, Pamela possui um excelente flow de pista, sabe da rua como ninguém e o sabe o que quem pisa nela quer ouvir. É verdade.

Um pouco mais na frente, Pamela começa a fazer sons na Casa Nem, que ficava no Beco do Rato, na Lapa. O tempo passou, e Pamela passou a adentrar mais os rolés como uma DJ e comunicadora de grande influência. Ela me conta sobre ensaios fotográficos e o contato com DJs importantes para a cena, como Tamy e Seven Beats.

 

Duas outras ocasiões que não saem da cabeça de Pam foi sua atuação como DJ na FAU (Feira de Ativação Urbana) e no Ganjah Lapa, fazendo um long set abrindo para a MC Carol.

Pensar na evolução de um artista é entender que fazer arte é não só contribuir com o próximo mas com seus desejos, sensações e verdades. Pamela decidiu se tornar uma DJ influente e levanta a bandeira LGBTQ com todas as forças, com contatos, parceiros, parceiras e seguidores que acompanham todas as suas fases e processos, desde a transição na adolescência até hoje, aos 26 anos, que vive de sua própria arte, quebrando os estereótipos sociais.

 

Atualmente, Pamela estuda produção musical. Seu objetivo é montar um estúdio e lançar artistas locais. Como moradora do centro, ela me conta, fumando um cigarro, que as pessoas que ela conhece nas ruas são talentosas e só precisam de espaço. Seu papel na arte é este: somar. 

Pamela admira os artistas que produzem seus próprios sons de forma independente. Nós a admiramos e, após uma longa conversa, percebemos a importância de agregar cada vez mais diferentes culturas, valores, experiências, sensações e vivências; conversando e dando espaço para pessoas incríveis que geram influência para outras que precisam de autoestima. É isso que faz o empoderamento de Pamela Belli. 

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