Minha Primeira Música – Camilla Ribeiro

Nunca demonstrei gostar de algo que transcedesse o tempo e o espaço…. e não tenho costume de ouvir música enquanto pratico outras atividades, prefiro permanecer atenta a tudo e elas sempre me desfocavam.

Em 2014, em um musical chamado Se eu Fosse Você, o mundo pareceu entender o que eu sentia através da música, ou pelo menos de uma específica. No espetáculo, homenageava-se Rita Lee, sendo assim todas as músicas eram dela, que eu já conhecia, só que dentre todas as músicas uma em especial, estava ouvindo pela primeira vez e pasmem já aos prantos. Parecia em conexão direta e única com aquela artista! Tudo me tocou, a letra, a melodia e a interpretação fantástica de uma atriz que parecia narrar o que eu sentia .

Na música fala-se do sentimento ou modo referente a Mutação… mudamos o tempo inteiro, evoluímos… e tem horas que tanta evolução não acompanha os passos de quem está conosco… talvez o tamanho que enxergam a gente, a grandeza de um ideal de uma nova mulher periférica e mentora de ideias revolucionárias não nos deixa caber num ideal de mulheres românticas, que querem ser cuidadas.

Muitos não entendem e deixam sentimentos jogados e estagnados na estante… Nos deixam ilhadas… mesmo cercadas de gente, um único sentimento paira sobre a gente, a solidão.

“KISS-ME baby, Kiss me! Pena que você não me quis, não me suicidei por um triz” Não é um pensamento de morte… mas sim por quase deixarmos de lado a grandiosidade do que somos ou do que queremos pra caber no sentimento, na vida, na expectativa do outro… suicidando assim quem realmente somos, o que foi construído…

A gente segue o caminho, segue a vida, mudando em evolução, mas acreditando num romantismo sem a diminuição da mulher preta, sem a diminuição da grandiosidade em que somos.

Nesse momento, dessa música que eu repeti um milhão de vezes seguidas… me senti compreendida, talvez encontrado a letra e melodia certa pra traduzir o que sentia, talvez romantizando tudo isso dizendo ser compreendida pelo mundo. Mas acalentada… ali sim, eu vi o poder que a música tem.

Camilla Ribeiro – Professora, Mãe da Bia e Produtora do Samblack JPA.

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