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Fortalecendo os espaços de pretitude: Conheça Malungüetú

Fortalecendo os espaços de pretitude: Conheça Malungüetú

Mais que uma manifestação de carnaval, afinal quantos pretos ocupam seu bloco favorito?

A história de fundação do Malungüetú começou com as trocas sobre questões raciais e processos de organização coletivas no carnaval de rua entre Diogo Rodrigues e Tarcísio Cisão. Neste momento, o questionamento girava em torno da ideia central da fundação no que se refere a quantidade de blocos brancos na região central. 

A diluição das pessoas negras dentro desses blocos nos atentam para a observação de como os negros seguram estruturalmente vários projetos. Contudo, não conseguiam ter representatividade ou ampliação dentro desse grupo. É o posicionamento silencioso e estático dos blocos de maioria branca em relação às questões raciais.

Diogo e os representantes do Malungüetú me contextualizaram que esse foi o motor para que pudessem convidar as pessoas negras que estavam nos demais blocos e eram ativistas das questões raciais nos seus espaços. 

A construção do nome surgiu de uma discussão ampla e coletiva. Segundo Diogo, os representantes rodearam em torno da palavra malungo – que significa irmãos – observado pela provocação através de uma pergunta: “Eu sou malungo e tu?” Até que em conjunto expandiram a palavra através da flexão de gênero e aglutinação dando vida a Malungüetú, utilizado e inserido como alicerce do projeto artístico.

Ao perguntar sobre qual foi o clique para a expressão artística utilizada, os representantes da Malungüetú me disseram que carnaval foi a primeira expressão do projeto e ela se deu pelo elemento integrativo entre os membros do grupo que é o de fazer carnaval de rua. 

Segundo Diogo e Tarcísio a forma da expressão do bloco busca a relação da música, performance, voz, textos, alinhados a um roteiro que passa por uma linha histórica que começa fazendo uma saudação a nossa ancestralidade, no bloco chamado Nossa História, passando pelo bloco Respeite Quem Pôde Chegar Onde a Gente Chegou e por último o bloco Afrofuturista, onde se saúdam.

O conteúdo que é transmitido pela Malungüetú passa por nossas músicas autorais e ritmos afrodiasporicos como sambas, mpb, rap, pop, black music e funk; Uma regra importante dentro do conteúdo é que todo o repertório precisa ter sido composto por pessoas negras.

O Malungüetú é um projeto com proposta ampla na conexão entre pessoas negras e a equipe que comanda o projeto artístico reforça:

“Sonhamos com o grupo de conversa do corpo negro, que começou a acontecer agora na quarentena, eventos, oficinas de carnaval para pessoas pretas e com um carnaval com mais blocos negros.”

Ao perguntar sobre momentos importantes que não podem faltar, ou melhor, momentos que as pessoas que estão descobrindo o projeto artístico precisam saber os entrevistados respondem:

Malungüetú não pode faltar o tal “sorriso negro” eternizado nos versos de Dona Ivone Lara. É de extrema importância que façamos dos nossos ambientes de ensaio, apresentações e confraternizações, espaços de felicidade e de acolhimento. 

A arte tem sua faceta de luta, no nosso caso, luta contra o racismo, mas também estamos na luta pela felicidade, por melhoria de auto estima, reconhecimento, representatividade e amor, amor preto!

Quem procura o Malungüetu precisa saber que somos um coletivo artístico que possui um compromisso político, mas também somos uma família, estamos construindo juntos, nos fortalecendo e nos amando,conectados pela nossa ancestralidade.”

 

O projeto artístico da Malungüetú visa ter uma escuta sensível para nossos irmãos e irmãs, as rodas de conversas visam compartilhar nossas histórias, transformar nossas memórias em música e vice versa, junto da performance e arte-resistência.

Ao finalizar a entrevista, fiquei curioso ao saber sobre sobre os futuros movimentos do bloco entendendo o cenário que estamos vivendo e a projeção pós pandemia e Diogo me respondeu: 

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“Não tem projeção pro pós pandemia, pois nossa urgência é o AGORA! Precisamos nos cuidar e sobreviver, por isso não conseguimos pensar como vai ser após a pandemia.”

 

Grande parte do fotográfico dos blocos e eventos da Malungüetú estão disponíveis em suas redes sociais e nas ruas ao longo dos carnavais que passaram e que virão..

Crédito das fotos:

Capa instagram: @mrngama 

Capa site: @daniel_lobo83 

Foto 1 do texto: @Malungüetú 

Foto 2 do texto: @ernesttoernestto
Foto 3 do texto: @edi0ta
Foto 4 do texto: @carolcoelho_photo

Foto 5 do texto: @amichavy
Foto 6 do texto: @mrngama

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