Eu te conhecia, Marielle

Sim, eu te conhecia Marielle. Sem mesmo nunca ter te visto. Sem mesmo nunca ter trocado duas palavras ou ter tomado algumas cervejas regadas a risadas que, com toda certeza do mundo, daríamos. Eu te conhecia. De algum outro plano, de alguma outra vida. Eu te conhecia. Essa conexão a gente sabe de onde vem.
Fico preocupado ao enxergar que nem todo mundo tem essa sensação de proximidade com você. Julgo até mesmo aonde vão e o que sentem os corações de pessoas que não se enchem de ternura ao ver o seu sorriso e não se sentem minimamente protegidos ao ver a sua foto. Será que eu e essas pessoas somos tão diferente assim? Será que verdade e empatia só é sentido por pessoas como nós? Será que as dores, desafios, dificuldades e perigos nos uniam de tal forma que não precisaria a gente se conhecer de fato para se gostar?

Eu não sei Marielle. Eu só sei que tudo isso que vem acontecendo não é sobre lados, não é sobre política. É sobre o certo e o errado. Sobre aquilo que a gente aprende desde pequenininho com os nossos pais e com as pessoas boas que eles escolhem para ficar ao nosso redor. E quem não se sente pelo menos angustiado com a sua morte, tá longe de fechar com o certo. Aquele certo que você sempre defendeu, aquele certo que faz com que pessoas se transformem em bons cidadãos que não precisam saber de onde você veio, a sua cor ou a sua orientação sexual. Aquele certo que simplesmente se deixa levar pelo seu sorriso e confia na tua porque sabe que você nunca vai fechar com o errado.

Você vai fazer falta Marielle.
Mesmo sem te conhecer, eu sei que você era muito importante para quem estava ao seu lado. Você era aquela pessoa que fazia a diferença de fato. Fazia o que todos nós cobramos do outro, mas que nunca tomamos a iniciativa de fazer. E o trabalho que naturalmente já era três vezes mais correria pra gente, a partir de hoje vai ser 6 vezes mais. Mas agora com mais um propósito, mais uma dedicatória de vitória que será pra você. Eu simplesmente sei que você ainda está aqui. Você era a nossa Nakia da vida real. O seu sorriso era o da Karina, a sua presença era a da minha mãe e a sua luz era a de Deus. E eu falo com ela todo dia.

Eu te conhecia, Marielle.

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