Conheça: Xandy MC

Não é bom quando vamos em algum lugar novo e nos deparamos com um artista verdadeiro? Aquele que você sabe que nasceu pra aquilo, que cativa, que enfrenta e te faz enxergar aquela arte com outros olhos? Isso aconteceu comigo.

Conheci o Xandy há uns 2 meses atrás numa pequena apresentação do Terra do Rap, comandado por um cara sangue bom a vera que logo após disso iria virar meu amigo e incentivador da AUR, VINICIUS TERRA. Era um evento de rap num local meio que aristocrático da tijuca. Ia rolar um show de música clássica logo após o Terra, então já da pra imaginar a faixa etária e o perfil do público naquele dia. São nesses momentos que o artista é realmente posto à prova onde provavelmente ele será o primeiro condutor a apresentar a cultura Hip Hop para aquelas pessoas. Se os caras forem ruins, aquele público vai manter os seus estereótipos em cima do rap e se o cara for bom é bem capaz da senhorinha de 70 anos chegar em casa, ligar pro neto de 17 e dizer que viu um show legal do tal do rap que ele escuta.

Falando diretamente sobre esse dia, Vinicius Terra trouxe alguns MCs da roda do PacStão, que é um coletivo formado por jovens das favelas do Jacarezinho, Mandela, Arará, Complexo do Alemão entre outros lugares. A maior proposta deles é reunir todos os jovens ligados a cultura urbana e intervir dentro das favelas onde moram, levando arte, poesia de rua e cultura Hip Hop para quem não tem acesso pelas dificuldades que todos conhecemos. Eles já fizeram intervenções com crianças nos colégios da área, se apresentaram no CRIAAD – uma instituição do Degase – para realizar a real função do Hip Hop, entre outras ações. Dentre os ótimos MCs do coletivo (Thai Flow é uma delas, guarde esse nome), o que mais me chamou atenção foi o Xandy. Letras concisas, voz fina, com personalidade e reta, rimas que transcendem a obviedade que algumas vezes vemos por aí. Tanto em cima do beat, quanto acapella, quanto fazendo freestyle, ele chamou muito a minha atenção pela presença com o mic na mão e por ter a certeza de saber o que estava fazendo e passando naqueles momento. Ele não tava ali por acaso.

Comecei a acompanhar o seu trabalho pelas redes sociais e nessa semana ele lançou o som e o clipe “Um dia da varanda”. Produção do seu irmão, DJ, beatmaker e sócio na Endola Records, Chris Beats ZN. Letra que traz metáforas bem construídas, métricas muito bem alinhadas e Clipe que mostra a sua vivência em manguinhos, o seu estúdio que foi construìdo junto com Chris, e uma parte muito foda que traz um vídeo bem caseiro – e muito real – de várias crianças da sua área pedindo pra ele descer de casa pra rimar. Isso demonstra claramente o peso que Xandy já exerce na sua comunidade, afetando diretamente a mulecada que já enxerga a sua poesia como meio de diversão e conhecimento.

Xandy e Chris escolheram batizaram o seu selo de Endola Records propositalmente para mostrar que eles não são bandidos, são músicos. Sabemos, acreditamos e vamos fortalecer muito isso.

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