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Conheça o corre: Diazz | AUR, Radar

Conheça o corre: Diazz | AUR, Radar

A jornada de trabalho de um artista é incrível, quando digo artista, me refiro a todos os campos que a arte move e os profissionais que ocupam os espaços que a arte se movimenta. Na rua ou nos eventos fechados, o papel de uma produção é tão importante quanto o do artista que toca, mas e quando o mesmo profissional ocupa as duas funções, como ele se articula?

O Radar no ano de 2020 terá como objetivo apresentar o trabalho de profissionais que estão nos bastidores e conciliam suas atividades com outros campos, como é o papel de Tiago Diaz, ou como usa seu nome artístico: Diazz.

Acompanho o trabalho do Tiago desde o início da última década. Tivemos parcerias interessantes antes de muita coisa no eixo centro-zona sul ser alcançável e como de costume, a arte acaba menos acessível para quem produz na Baixada Fluminense.

Diazz nasceu em São João de Meriti. Logo no início da conversa, ele me fala da importância de Bruno Mendonça (Bubu) um grande amigo que já não está mais entre nós mas deu muita motivação para o desempenho de seus papéis tanto como DJ e Produtor de eventos. 

E por falar em eventos, Diazz conta que seu primeiro evento oficial aconteceu por volta de 2011, buscando referências na cultura local predominante, (O funk) criando assim um vínculo com seu lugar de ocupação.

Como o início de qualquer artista independente de baixa renda, Tiago precisou encaixar em seu tempo estudos e trabalhos para outras empresas, momento este em que o produtor passa a estudar radiologia por cerca de dois anos. 

O ponto de virada para que Diazz decidisse viver apenas daquilo que produz foi por volta de 2012, quando junto de Bruno Mendonça abre uma pequena empresa de Bartender chamada Frozen King, e, junto de uma festa local que acontecia em São João de Meriti, Diazz começa a ganhar espaço e ser visto por outros produtores.

Por volta de 2013, Tiago Diaz por algumas divergências corta o vínculo com a empresa que criou ao lado do amigo e dá nome a um projeto seu, Hangover.  Diazz passa não só a produzir o evento como também atacar de Dj.

Com o passar do tempo, o vínculo com artistas e amigos do eixo centro-zona sul passou a se expandir. Diazz decide ir morar na Glória que, como o mesmo diz, foi algo crucial para que sua carreira tivesse um gás já que morando na baixada ele perdia cerca de quatro horas diárias em transportes públicos, passando assim a utilizar seu tempo de forma mais útil.

Apesar da facilidade de locomoção como em todo lugar outros problemas existem. O primeiro que Diazz comenta comigo foi a luta para arrumar um espaço no qual ele pudesse fazer seu evento, já que vindo da baixada ele não tinha a credibilidade de outras festas que já surgiram no centro.

Diazz comenta sobre essa dificuldade de forma positiva. Seu objetivo sempre foi furar as panelas que cercavam seu trabalho, e, reforça que hoje em 2020 estamos em um período de vacas magras mas quem fez a lição de casa direitinho desde aquela época consegue se manter como resistência.

Já morando no centro, produzindo seus eventos e ganhando experiência como DJ, Diazz lembra dos contatos que teve com MSE antes da parceria dos dois em dias atuais. Ele me conta que conheceu MSE na Roda de rima de São João e começaram a dividir experiência somente quando tocaram em um evento no Arco do Teles no Rio de Janeiro.

Diazz considera MSE um grande irmão. MSE sempre apresentou suas visões sobre música e esteve aberto para aprender sobre produção de eventos com ele. Hoje, Diazz e MSE juntos formam uma dupla importante para a cena urbana carioca.

Diazz comenta também sobre a importância do Bloco 7 para essa geração do Rap Nacional. Me diz que sempre acompanhou o trabalho do Néctar, e com o passar do tempo passou a ter mais afinidade com o Bloco através do MSE que sempre ressaltou pros artistas do selo a vontade que Diazz tinha de produzir.

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Tiago Diaz criou junto com MSE o Baile do Faraó evento este que já teve cobertura da AUR, (https://www.youtube.com/watch?v=o9l_OMjmXNY&t=3s). O Baile do Faraó trouxe artistas muito importantes da cena nacional para o Rio de Janeiro e sempre manteve a essência de trazer novos artistas para os palcos. 

Tiago me conta que apesar de ter produzido vários eventos o que ele considerou um sonho realizado foi no Viaduto de Madureira quando ele trouxe Akira e BK’ sendo a segunda maior lotação da casa, ficando atrás somente de um show do Racionais, marcando assim seu território nessa nova geração.

Logo após essa fase Diazz passa a trabalhar com BK’. Ele me conta que vem adquirindo cada vez mais experiências, já que aqui ele ocupa papel de produção artística, e, além disso, estuda diferentes festivais e eventos por todo o Brasil.

Apesar do reflexo positivo que seu trabalho vem gerando para a cultura, Diazz me mostra sua insatisfação com o surto fascista que diversas vezes prejudicou seu trabalho. Ao longo dos últimos anos, vários eventos que ele produziu foram derrubados por bots e outros boicotados, justamente pelo fato da cultura independente não ter apoio dos políticos cumprindo mandato.

Para finalizar, Tiago Diaz me conta que seu objetivo principal hoje é se manter atento no que vem acontecendo. Ele visa sempre seguir na sombra buscando chutar a bola para o lado certo, sem medo de errar mas usando a experiência de quem tá no corre há uma década.

As fotos são do Ihateflash e João Victor Medeiros

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