Todas as matérias referente a resenhas

Série Insecure (HBO)

Wikipreta. Você já ouviu esse termo? Dá pra entender um pouquinho do que ele significa em Insecure.

As problemáticas de relacionamento, as amigas malucas – Broken Pussy- as fases não tão maduras assim pela quais passamos. Está tudo aqui, recheado por uma trilha sonora que leva a direção de Solange.

Issa Dee é a protagonista da série ao lado da melhor amiga Molly, elas discutem o que é ser mulher negra na América e todos aqueles assuntos relacionados ao ser mulher – carreira, família, amigos relacionamentos – que muitas vezes só discutimos quando estamos entre mulheres.

A familiaridade das situações cotidianas me fez questionar várias vezes se não estava vendo minha vida – privada – na tela. Isso que faz a diferença na série, ela te coloca no espaço da normalidade e determinadas situações que a gente achava que só acontecia conosco, mostra que somos muito mais parecidas do que imaginávamos.

A segunda temporada já foi confirmada e estreia em 23 de julho.

Imagem: HBO UK

Xamã e Estudante

Dj Tamy lançou um set lá nosso canal do Soundcloud (https://soundcloud.com/aurmusic/aur-dj-tamy) e a partir dele foi como uma surpresa boa que conheci Pedras de março dos rappers Xamã e Estudante.

Subverter uma letra clássica da MPB como Águas de março e ainda citar Construção (Chico Buarque) na letra foi uma ótima forma de hackear com a concepção do “ser clássico” para chancelar essa ou aquela música como boa.

Xamã trouxe para dentro do underground a melodia de uma música que foi escrita em 1972 com versos tão atuais quanto: Alguém me rola um cigarro divide o copo de vinho / A consciência da moca a vida não dá um carinho / É quadrada na cara é o esculacho no preto / É Buarque bambaataa é o manifesto do gueto.

Surpresa boa e ao contrário do que dizem por aí, o bom rap ainda vive.

Imagem: Google

Hiatus Kaiyote

Lembro que cheguei até o Hiatus Kaiyote porque estava procurando sons do Q-Tip, e ele ao gravar com a banda o som Nakamarra indicava Hiatus como o ‘novo’ Jamiroquai.

Pra quem é mais aberto a experimentações o som de Hiatus Kaiyote pega de primeira, o quarteto é australiano e a voz de Nai Palm é muito maravilhosa e sinceramente a banda tem um estilo que não é facilmente identificável, não consigo por exemplo, fazer uma comparação entre ela e outro som que seja parecido.

Segundo Nai Palm a banda é influenciada por Stevie Wonder, Otis Redding, Flying Lotus, música flamenca, música tradicional do Mali e da Colômbia, ou seja, ouça Hiatus Kaiyote e tire suas próprias conclusões.

Indicação especial para a faixa Molasses que tem o mesmo sample que a faixa Without You do Anderson Paak.


Imagem: Culture Collide

Drake

Drake, até o lançamento de More Life, sempre foi um artista mediano – e aqui eu não preciso dizer que isso é uma opinião pessoal, única e exclusivamente baseada em gosto e falta de conhecimento – eu o escutava a partir da participação dele em músicas de outros artistas ou nas mais tocadas.

No dia do lançamento de More Life, eu estava fuçando o perfil da Nai Palm, vocalista do Hiatus Kaiyote – no instagram – quando vi que o vídeo que ela tinha acabado de postar era do Drake escutando a introdução de Building A Ladder, faixa do álbum Choose Your Weapon (2015) da banda.

Aí fui correndo atrás do álbum e desde então é o que mais tenho escutado. Drake faz um trabalho ótimo de colocar a música no topo, como atração principal mesmo, mais do que colocar sua cara – afinal ele se encontra num patamar de sucesso onde não precisa mais provar nada pra ninguém – em More Life vemos um ode aos samples inesquecíveis, tais quais:

1 Building a ladder (Hiatus Kaiyote) na faixa Free smoke que abre o álbum;

2 All night long (Lionel Richie) na faixa Blem;

3 If you had my love (Jennifer Lopez) na faixa Teenage Fever;

4 Pony (Ginuwine) na faixa Fake Love

Essas são os samples/faixas que reconheci, mas o genius faz um trabalho de dissecar todas as faixas no link abaixo:

E o menino Drake acaba de ganhar mais uma fã, com esse trabalho primoroso que espero ainda escutar nas pistas, principalmente a faixa Do Not Disturb.

Imagem: StereoDay

Série Queen Sugar

A sinopse que li começava mais ou menos assim: Pai morre e deixa uma fazenda de cana de açúcar para os 3 filhos administrar. Não tive a mínima vontade assistir até ver que a produção era da Oprah Winfrey e a direção geral da Ava DuVernay.

Em tempos onde levantamos a discussão sobre o papel da mulher negra como protagonista, a série traz em seus 13 episódios da primeira temporada, mulheres na direção, todas elas trabalhando em co-direção com Ava DuVernay. E aqui estamos falando não na exclusão de homens, mas sim na participação de mais mulheres nos espaços onde até então elas não eram admitidas, por exemplo, em 3 temporadas de GoT, nenhum dos episódios foram dirigidos por uma mulher, a questão aqui é equidade.

O elenco de Queen Sugar é todo preto. Falando sobre as problemáticas que acompanham o ser negro, sem nem verbalizar os problemas raciais, jogada de mestre que só essas duas juntas souberam executar.

Agora melhorando um pouco essa sinopse completamente desinteressante, Queen Sugar fala sobre os conflitos de 3 irmãos da família Borderlon, Nova – Ativista social, escritora e herbalista -, Charley – Manager do marido, jogador de basquete – e Raph-Angel – O irmão problema recém saído da prisão – que após a morte do pai, recebem como herança uma fazenda de 800 acres de cana de açúcar em Nova Orleans.

Esse conflitos são o ambiente maior, porém existem os micro conflitos, como, o fato de serem herdeiros de uma fazenda no meio de homens brancos milionários, a superexposição do meio esportivo, as problemáticas de um relacionamento afetivo, como vencer uma batalha pelo direito de produção da terra quando querem te tomar ela?, dentre tantos outros.

Queen Sugar é viciante.

Assista o trailer:

Imagem: IndieWire