Todas as matérias referente a resenhas

Feliz Roupa Nova!

Mês de dezembro, AKA momento pra relaxar, traçar novas metas, rever o que ainda fica e o que vai (falo um pouco disso aqui). Época de comprar presentes pra si, pra família, pros amigos e pro @, caso esteja merecendo…

Espia esse afro-empreendimento:

Seção marcas de roupas que todo mundo deveria conhecer:

ALEA
Sofisticação é a palavra certa para essa marca. Sob os comandos de Marina Trindade, Alea foi feita para mulheres cosmopolitas, trazendo em suas peças conforto e designs diferenciados.

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MARIA CHANTAL
Nome da marca (e da criadora) de camisas e turbantes artesanais que dá um tapa sem mão na cara dos racistas com suas estampas de frases afirmativas de autoestima preta.

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SNIPPER
E tem marca pros boys ficarem na beca fina também! Snipper é uma slow fashion fruto do blogueiro, fotógrafo e produtor de moda Jota C.

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LEWÁ AFRO BRASIL
Monografia e oportunidade, as duas coisas misturadas e o resultado foi Lewá Afro Brasil, marca que tem como inspiração principal os Orixás femininos em suas produções. Lewá traz estampas e designs diferenciados e é comandado pela estilista Carolina Bezerra.

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DNG
É identidade que chama, né? Grife D’Negro a.k.a DNG, é uma marca periférica carioca criada em 2006, que carrega consigo o conceito “não seja um outdoor de quem não te representa”. DNG possui loja física no bairro mais preto e gostoso desse Ridijaneiro, Madureira. Rappers internacionais como Ja Rule e Wiz Khalifa já possuem algumas peças, falta você.

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BAOBÁ-BRASIL
Após sua viagem para Moçambique, Tenka Dara voltou para casa com novos olhares para moda. Quando teve a percepção do vazio da moda brasileira e da necessidade de identificação/ referência ancestral, a multiartista paulistana, diante de uma oportunidade no mercado, criou em 2006 a Baobá.

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DRESSCORAÇÃO
Partindo da filosofia de que roupa não é só para vestir e sim para decorar nossa casa chamada corpo, criada por Loo Nascimento, a Dress é uma marca baianíssima que não segue tendências, apenas o coração.

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AFROBEACHBRASIL
Pra quem está procurando moda praia com estampas diferentes e principalmente por peças para o corpo de qualquer mulher que seja livre e confiante, como diz a própria designer Edna Correa, Afrobeach é a marca certa.

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XIU!
Tássia Reis: cantora, musicista, dançarina e também formada Tecnologia em Design de Moda. A mulher multiartista que não tolera mais xiu dos que querem nos calar, vem com mais um pisão artístico lançando sua marca de roupas, a Xiu!, juntamente com um clipe do single do mesmo nome.

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LAB
Um dos projetos integradores do coletivo, selo, gravadora e produtora independente Laboratório Fantasma, a LAB é uma grife de roupa que já deu oque falar (tem texto sobre bem aqui), composta de peças despojadas femininas e masculinas, do tamanho P ao 5G.

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MEDU$A.CLOTHING
Nascida em 2016, anos depois de um projeto fotográfico com o mesmo nome e sob os comandos de Fhelipe Marques e Scarllet Tainara, MEDU$A é uma marca de streetwear que tem como proposta trazer a mitologia para o urbano.

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MATAMBA ATELIÊ
Brincos, batas, saias para dançar maracatu e jongo, turbantes, bolsas, colares em madeira e sementes, tudo isso você encontra na Matamba.

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VB Atelier
Marca de Afaiataria, vestuário feminino e masculino sob medida, feitos com tecidos nativos ressaltando a moda afro-brasileira baseada na cultura africana.

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AFROJÔ
Jaquetas sob encomenda, conjuntos e peças com renda francesa para o público feminino e masculino você encontra nessa marca.

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BANTU
Roupas femininas e acessórios contemporâneos é o que podemos encontrar na BANTU, marca que a cada coleção se inspira em uma mulher afro-brasileira que já contribuiu ou contribui para melhorar o mundo.

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Seção acessórios que reluzem o teu brilho:

QUIXOTESCA
De sua identificação com Dom Quixote, surgiu o nome dessa marca babadeira de acessórios. Angel Guizino a.k.a Angel Quixotesca, produz suas peças artesanalmente e é adepta do upcycling (processo de transformar/reaproveitar resíduos ou produtos considerados inúteis e descartáveis em material novo e de valor). A Quixô tem como carro-chefe suas argolas. Uma mais maravilhosa que a outra! Dá um confere aqui embaixo e corre logo pra comprar.

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ATELIER DÚ ORÍ
Já percebeu que falta pouquinho pro carnaval? A Dú Orí, já! Marca artesanal maravilhosa de acessórios com foco carnavalesco, criada por Winnie Nicolau.

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CRIOULA CRIATIVA
Marca artesanal de acessórios exclusivos afro-brasileiros feitos de tecidos. Na Criativa você encontra cluchts, bolsas, turbantes, faixas, laços, flores de cabelo, brincos e colares.

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VIZE AFRO
Marca de acessórios femininos que também segue a linha de inspirações africanas.

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ACORDA
Produção slow fashion, sustentável, pecinhas exclusivas e uma pegada contemporânea e urbana. Cê quer mais o quê? Luana Maria e Michelle Andrade colocam tudo isso na Acorda, marca carioquíssima criada em 2014.

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LUMINOSIDADE DAS IALODÊ
Criada por Anailda Charmite em 1980, é dois em um: marca de acessórios afros e curso de História e Construção de Artesanato Afro-Brasileiro. A riqueza desta marca é em dobro. Vale a pena conferir.

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ADORNO
É uma collab de acessórios slow fashion e artesanal entre Kelly Melchiades (Estúdio Criativo Sorte A Nossa) e Angel Guizino (Quixotesca)

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ALLECRIM DOURADO
Marca carioca nascida em 2015, itinerante e de acessórios exclusivos e artesanais.

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GABI MONTEIRO
Criada pela designer Gabi Monteiro, a marca que carrega seu nome é artesanal, conceitual, e traz além de modelagens muito bem elaboradas, acessórios exclusivos.

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UZURI
Coloque uma pitada de exagero e glamour. Pronto, nasceu a Uzuri, marca de acessórios feita para ressaltar a beleza de mulheres negras e suburbanas.

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Seção seu cabelo é sua coroa

AFRÔBOX

Da necessidade de ver de fato a palavra diversidade posta em prática, criada em 2015 por Élida Aquino, Bárbara Vieira, Graucianna Santos e Saulo Batista, a Afrô é o primeiro clube de caixas por assinatura no Brasil com foco em beleza negra e na variedade de cabelos afro.

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Seção que pisão!

A-AURORA
E por último, mas não menos importante, vos apresento a marca de sapatos da nossa querida diretora de moda, Izabella Suzart. Sapatos altamente artesanais, atemporais e exclusivos. É isso que Iza produz! Aliás, se você viu um sapato bafônico logo nos primeiros minutos do clipe Xiu!, de Tássia Reis, então você viu um A-aurora. As obras de Iza são tão sensacionais que, além de serem calçadas por artistas incríveis, uma de suas peças está no calendário internacional #365daysofshoes, Workman.

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Boas compras e feliz roupa nova!

Ela quer tudo – AUR

O nome dela é Nola Darling (DeWanda Wise) é o tudo que ela quer é autonomia emocional, liberdade sexual e pleno direito de viver a sua vida sem a interferência/julgamento de absolutamente ninguém, inclusive dos homens com os quais ela se relaciona.

Quando li sobre o filme “She’s gotta have it”, alguns sites definiam o filme como a busca de uma mulher negra por emancipação sexual e relacionamentos não-monogâmicos e logo após assisti-lo, a minha maior preocupação foi a demarcação e reafirmação de estereótipos negativos, como por exemplo, a mulher negra hipersexualizada e colocada no lugar de promíscua.  
Me enganei redondamente. Nola Darling fala por si, conta a sua história, sem intermediário, olhando direto nos nossos olhos.

 #SeJoga (Doutrina)

Esse é o nome do primeiro episódio da série pela Netflix – no total de 10 episódios – cuja protagonista é uma jovem pintora que entre os três relacionamentos – com o maduro Jamie Overstreet, o narcisista Greer Childs e o jovem Mars Blackmon – relata a crueldade que é não poder, enquanto mulher negra, andar tranquilamente pelas ruas da cidade, em virtude da quantidade absurda, invasiva e agressiva de cantadas que recebe.

Alguns fatos técnicos:

O filme foi lançado em agosto de 1986.
Foi o primeiro longa metragem do diretor Spike Lee, que também assina o roteiro, a produção e o papel de um dos protagonistas, o engraçado, Mars Blackmon.
She’s gotta have it foi inovador na representação dos negros no cinema norte americano, retratando mulheres e homens não como cafetões e garotas de programa, mas sim como jovens bem sucedidos e moradores do bairro Fort Greene/Brooklyn.

*SPOILER DO FILME – SE VOCÊ NÃO VIU O FILME E A SÉRIE PARE POR AQUI *

Em entrevista ao Huffington Post em maio de 2014, Spike Lee se disse extremamente arrependido de ter escrito e dirigido a cena de estupro do filme, é que no especial que ele filmou pra tv logo depois, a cena não se repetiria.

*CABÔ SPOILER*

Obs: o que é a trilha sonora da série? E as capas dos  cds que aparecem assim que a música para de tocar? Nomes como: The Isley Brothers, Maxwell, Mary J. Blige, Jill Scott, misturados com referências do basquete e membros da militância negra americana.

Isso só no primeiro episódio. Spike Lee produziu um belíssimo trabalho.

Rapper paulista Rappin’ Hood assina coleção

O rapper paulista Rappin’ Hood assina seu nome na coleção Hoodwear da marca também paulista, Fatal. A ideia da colab partiu de um projeto de realizar ações sociais nas comunidades em que ao mesmo tempo, fossem criadas peças que se conectem com a massa urbana.

A coleção conta com bonés, camisetas, regatas e bermudas e tem como inspirações o basquete, grafite e as mensagens sociais que o Rap transmite.

O lançamento será em outubro, no dia 12, numa festa do Dia das Crianças, promovida pela própria marca, alguns parceiros e pela direção do Parque Fongaro, cujo mesmo mantém uma escolinha de futebol com o mesmo nome, recebendo 350 crianças, sendo o próprio Rappin Hood um dos padrinhos deste projeto.

Série Black-Ish

A primeira série que vi protagonizada por uma família negra, foi Um maluco no pedaço, logo depois, Eu,a patroa e as crianças, Todo mundo odeia o Cris e por fim Empire.

Dentro de suas particulares – Um maluco no pedaço, Eu, a patroa e as crianças e Todo mundo odeia o Cris, são séries de comédia e Empire é uma série mais puxada para o drama – todas as séries citadas eram basicamente sobre o Ser, muitas vezes racializando as pautas dos episódios, outras vezes pontuando algumas situações diárias.

Pula para 2017 e temos Black-Ish.

A série começou a ser exibida em 2014 e a quarta temporada começa em outubro.

Black-Ish é um projeto de Kenya Barris que tem no currículo as direções de Um salão do barulho 3, America’s next Top Model e o filme Girls Trip que estreia ainda esse ano.

A série é sobre o cotidiano da família Johnson sob o olhar de Dre Johnson, publicitário, que tenta passar seus valores culturais e conhecimentos para os 4 filhos, Zoey, Junior, Diane e Jack com a ajuda de sua esposa, a médica Rainbow.

Dre é o cara que cresceu no subúrbio, criado pela mãe e com um pai relapso, viciado em tênis e responsável pelas campanhas publicitárias de uma agência.
Rainbow é a médica anestesista, filha de mãe negra e pai branco que é azucrinada pela sogra.
Zoey é a filha mais velha, consumista e viciada em redes sociais.
Junior é o filho nerd que está tentando se achar no mundo.
Diane é a gêmea de Jack, as melhores tiradas são delas, a menina mais parece um alienígena encarnado e é engraçada a forma como ela espezinha a todos com um senso de importância afiadíssimo.
Jack é o dançarino e o que consegue manter a inocência de uma criança comparado a sua irmã, a mini-adulta.

Tem os personagens secundários, como os pais do Dre, sua irmã e o seu melhor amigo, o debochado Charlie.

Black-Ish é uma série de comédia que reflete os problemas de seu tempo a cada episódio, como por exemplo, a eleição de Trump, a importância da igreja para os negros americanos, a discussão Dark-skin X Light-Skin, a falta de bonecas negras, relacionamentos inter raciais, violência policial, entre tantos outros pontos.

Em um dos episódios mais emblemáticos, a família Johnson discutia sobre política, a saída de Barack Obama e a entrada de Donald Trump, logo depois o atual presidente americano twittou que a série era racista pq não existe uma série chamada White-ish…(hahahahahahaha)

Enfim, Barack Obama and Family amam a série e isso que importa.

Black-Ish é vencedora de vários prêmios, aclamada por críticos e pelo público e abre precedente sobre como uma família negra pode ser representada fora do escopo de sempre: desestabilizada, ligada a criminalidade e a pobreza.

A Nossa Senhora da Make: nosso sincero obrigada

 

No dia 07/09 o mundo comprovou que nem só de ‘Wild Thoughts’ se vive Rihanna. E quando o assunto é quebrar a internet sabemos que ela quebra com maestria! A notícia da vez foi o lançamento de sua própria linha de maquiagens, a Fenty Beauty. Marca que conta com diversos produtos e tem como carro-chefe suas bases de – PREPARA O CORAÇÃO – 40 tonalidades diferentes. Eis aqui um exemplo digno de diversidade posta em prática sem demagogias.

Em seu site, Rihanna deixa um pequeno recado: “Fenty Beauty foi criada para todas: para mulheres de todas as cores, personalidades, atitudes, culturas e raças. Eu queria que todas se sentissem incluídas. Essa é a real razão de ter criado essa linha”.
É ótimo saber que tem alguém que pensou em você. Melhor ainda é saber que pensaram em você aqui no Brasil também.

A blogueira carioca Rosangela Jose da Silva, mais conhecida como Negra Rosa lançou sua marca de maquiagem em 2016 com o mesmo nome, e no primeiro semestre deste ano lançou a linha de bases exclusivas para pele negra, livre de componentes de origem animal, com cobertura soft matte e oil free.
Mas Rosa não foi a primeira a pensar e a realizar produtos de beleza para nós, meninas mulheres da pele preta. Há mais de 20 anos, a Paulista Maria do Carmo criou Muene, a primeira marca de cosméticos para pretas desse Brasil brasileiro. Muene vai de cremes hidratantes à paletas de sombra e tons variados de pó compacto. Recentemente, Maria foi nomeada como a Primeira Comendadora Fundadora na categoria moda/estética e beleza pela Premiação JK.

E por mais felizes que possamos ficar ao saber da existência dessas duas marcas brasileiras, o fato de termos apenas duas representatividades também nos faz pensar por quanto tempo estivemos e ainda estamos em segundo plano para as grandes marcas nacionais, mesmo cientes de que somos mais da metade da população.

Lá fora há outras celebridades negras (Iman Mohamed e Tyra Banks se encontram nessa listinha) que criaram linhas de cosméticos com o mesmo intuito, mas nenhuma causou tanto impacto a ponto de grandes e posicionadas marcas “de repente” enxergarem pretas como consumidoras em potencial de produtos para beleza em questão de dias após seu lançamento.

Já cantava Riri: “You needed me”. E já digo: “Sim, nós precisávamos mesmo.

Para saber mais sobre esses produtos, acesse:

www.fentybeauty.com

www.negrarosaloja.com.br

www.facebook.com/Muene-Cosméticos-175690202566341/

Precisamos falar sobre Insecure

Wikipreta. Você já ouviu esse termo? Dá pra entender um pouquinho do que ele significa em Insecure.
As problemáticas de relacionamento, as amigas malucas – Broken Pussy- as fases não tão maduras assim pela quais passamos. Está tudo aqui, recheado por uma trilha sonora que leva a colaboração de Solange.

Issa Dee é a protagonista da série ao lado da melhor amiga Molly, elas discutem o que é ser mulher negra na América e todos aqueles assuntos relacionados ao ser mulher – carreira, família, amigos relacionamentos – que muitas vezes só discutimos quando estamos entre mulheres.

A familiaridade das situações cotidianas me fez questionar várias vezes se não estava vendo minha vida – privada – na tela. Isso que faz a diferença na série, ela te coloca no espaço da normalidade e determinadas situações que a gente achava que só acontecia conosco, mostra que somos muito mais parecidas do que imaginávamos.

Esse foi o micro-texto que fiz após assistir a primeira temporada. A segunda temporada acabou na semana passada e precisamos falar sobre porque Insecure é a melhor série quando se trata de falar sobre as diferenças e similaridades entre mulheres negras.
E para instigar mais sobre como fazer uma série com “representatividade”.

Issa, Molly, Lawrence, Daniel, Dro, Kelly, Tiffany, personagens que colocam na tela a multiplicidade sobre o ser negro, sem estereótipos negativos, sem corpos padronizados, sem cair no lugar comum que às produções nacionais insistem em nos colocar, faça um exercício mental e tente se lembrar quais papéis majoritariamente os atores e atrizes negros fazem.

Sem dar spolier dos episódios, todos os personagens passam por situações comuns a nossa realidade: problemas de relacionamento, conflitos no trabalho, diferença salarial entre negros e brancos, conversas sobre sexualidade, choros desenfreados, trocas de “contatinhos”, encontros que acabam não dando tão certo assim, dúvidas e inseguranças quanto ao futuro e entrando em problemas específicos, gentrificação do bairro e especulação imobiliária, com a Issa, por exemplo e sobre “escolher” com quem se quer trabalhar, com a Molly.

Insecure é uma série que denota cuidado sobre a imagética negra nas telas, desde a construção dos personagens, vide a diversidade de papéis, até a luz, quando uma lente específica é utilizada para que as cores sobre a pele negra esteja de forma correta.

Vamos falar de “representatividade”?

Insecure é escrito e protagonizado por Issa Rae, alguns episódios são dirigidos por Melina Matsoukas (procurem essa mulher já!) que é uma das produtoras executivas e já trabalhou com Rihanna, Beyoncé – Formation foi ela quem dirigiu – e a Trilha sonora de toda a série, que dialoga com todos os episódios – é maravilhosa demais e está disponível no Spotify – é assinada por Raphael Saadiq e tem como colaboradora Solange.

Obs: Eu não poderia deixar de falar sobre o figurino da Issa. O que são as camisetas dela? Quero todas.

Obs 2: O nome de Issa é Jo-Issa Rae Diop

Insecure é a nossa cara na tela, nossas inseguranças, furadas, relações, dúvidas e a possibilidade real de se ver sem ser em personagens estereotipados.

Imagem: Zimbio

A importância de falar sobre saúde mental no hip hop

Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Ocorre no mês de setembro, desde 2014, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, somente no Brasil, 32 pessoas tiram suas vidas. Todos os dias. E 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos se essas pessoas soubessem que elas podem ser ajudadas e onde buscar ajuda.

Mas você deve estar se perguntando: O que cargas d’água o hip hop tem a ver com isso?

Cada vez mais rappers vêm expressando suas opiniões sobre saúde mental, é uma das últimas demonstrações públicas foi durante o VMA da MTV, quando Lil Uzi Vert cantou sobre contemplar a morte depois de um relacionamento falido em sua música “XO TOUR Llif3”.

Muitos Rappers já falam sobre suas batalhas com a depressão, mas com o hip hop reinando como o maior gênero musical, eles estão usando todas as suas plataformas para não falar apenas de si mesmos, mas para falar por muitos ouvintes que se sentem sem voz.

A indústria da música e especialmente o hip hop tem se libertado de estigma das doenças mentais e é importante que cada vez mais falemos sobre isso e alguns rappers têm rompido barreiras através da única forma que eles sabem: suas músicas.

Listamos abaixo 10 deles

  1. Notorious B.I.G. – Suicidal Thoughts
    2. DMX – Slippin
    3. Kanye West – Clique
    4. Lil Wayne – Mad
    5. Kid Cudi – The Prayer
    6. Kendrick Lamar – U
    7. Joe Budden – Only Human
    8. Logic – Anziety
    9. Isaiah Rashad – AA
    10. Scarface – Mind Playing Tricks 94

De acordo com uma pesquisa feita pela Universidade de Cambridge, as letras de hip hop podem ajudar as pessoas a se abrirem sobre seus próprios problemas de saúde mental. E se olharmos para as origens do movimento hip hop é visível o quanto a saúde mental sempre esteve em seu núcleo, já que que o movimento surge ao sul do Bronx nos anos 70 no contexto de alta vulnerabilidade social.

Há aqui uma dicotomia que começa a ser rompida, onde as letras falam sobre esses problemas e os rappers que as cantam, por causa de uma cultura extremamente machista, se mostravam cada vez mais resistentes e sem sinais considerados de fraqueza.

Embora falar sobre saúde mental seja algo que muitas pessoas ainda não façam, especialmente na comunidade negra, que encara como muito fora da norma, homens negros procurarem um terapeuta, nomes como Kid Cudi, J Cole e o próprio Kendrick Lamar em To Pimp a Butterfly tornaram públicos seus demônios internos e também a importância de se discutir as masculinidades.

Listagem adquirida no vibe.com

Você tem dinheiro pra comprar um Air Max?

Há aproximadamente um mês, Emicida fez uma postagem em seu twitter que acabou virando meme na boca do pessoal que veste a camisa “é tudo mimimi”. Confesso que não lembro com exatidão essas palavras, mas era sobre ele achar o Batman um super-herói branco privilegiado financeiramente e que não via graça nem novidade nisso. O que lembro muito bem é de uma crítica sendo reproduzida: fala do Batman, mas vende uma roupa por mais de R$300.

Vejamos: além de passar por diversos processos a produção de uma roupa custa e, adivinha, custa dinheiro. Principalmente quando todos os processos estão dentro de leis e éticas trabalhistas. O mercado da moda é o segundo maior mercado do mundo e pasme – ou não, é um dos que mais utiliza (infelizmente) mão de obra escrava. Se a tua ‘brusinha’ comprada num fast fashion custou cinco, sete temers, pare pra refletir sobre seu custo de produção. Se não tinha pensado sobre, essa é minha deixa pra isso.

Mas outro dia entro mais a fundo neste assunto. Voltemos a falar um pouco mais de Emicida e a Lab Fantasma. Esse ano desfilou no SPFW a coleção Avuá, com peças minimalistas e algumas customizadas, feitas à mão tendo azul como cor protagonista. “A gente ficou viajando nessa história de futuro e foi assim que a gente chegou no vôo. Mas precisávamos de um signo forte que tivesse atrelado à história do Laboratório Fantasma. Chegamos nos pássaros, que voam em bando. E a LAB é isso, um sonho em coletivo. A gente sonha em bando.” explica Emicida numa entrevista para a revista Estilo.

No desfile teve modelo ex-empregada brilhando e esbanjando beleza na passarela, teve Mc Carol mostrando que preto gordo e favelado consome e se veste bem, teve o pessoal da LAB cantando em bando e teve Fióti, sócio e irmão de Emicida, barrado na entrada de seu próprio desfile.

O pessoal da crítica lá em cima vai dizer que somos muito mimizentos ao falarmos que esse ato foi racista. Mas a verdade é que o povo se choca quando vê um preto atingindo o topo. Se choca vendo um ou um bando de preto representando com a primeira grife preta desfilando num espaço totalmente embranquecido. E se choca ao ver que Lázaro Ramos está certo em dizer que toda exceção confirma a regra em seu novo livro.

Já disse por aqui num texto sobre afro-empreendimento que preto não é vendido. Preto vende. Mas por que questionar sem pensar duas vezes o valor de uma peça de grife preta? Afinal, você não tem dinheiro pra comprar um Air Max?!

Imagem: Lab Fantasma

Documentário Deixa na Régua

Os salões de barbeiro das favelas e dos subúrbios são os lugares onde a nova estética da periferia nasce e se expande. Ponto de encontro dos jovens, os “barbeiros” se tornaram espaços de troca da juventude.

O Doc Deixa na Régua entra nesse universo e, entre cortes, giletes e tesouradas, mostra o que se passa na cabeça dos barbeiros e de seus clientes.

O filme será exibido hoje no Odeon – Centro do Rio de Janeiro – as 21hs e está dentro da programação do Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul – Brasil, África e Caribe que está completando 10 anos e vai até dia 09 de setembro.

Imagem: Divulgação

Solána Imani Rowe é SZA (/sizə/)

Cantora americana de Neo soul, R&B alternativo, witch house e chillwave, SZA lançou seu primeiro ep em 2013 e seu álbum de estréia foi o Ctrl em junho de 2017.

Filha de mãe cristã e pai muçulmano, ela é praticante da fé islâmica de onde veio o indicativo de seu nome artístico retirado do Alfabeto Supremo (um sistema de interpretação do texto e com um significado mais profundo nas 120 lições escritas por Elijah Muhammad e Wallace Fard Muhammad, atribuindo significados às letras do alfabeto romano),
S= savior/sovereign= Salvador/soberano; Z=Zig-zag=Do conhecimento a sabedoria, da sabedoria ao entendimento e A=Allah=O pai do universo.

SZA já fez parcerias com Rihanna, Chance the Rapper, Jill Scott, sua música Sobriety de 2014 foi produzida pelo Thundercat e o álbum Ctrl tem participações de Isaiah Rashad, Travis Scott e Kendrick Lamar.

Seu próximo clip – The Weekend – terá como diretora a incrível criativa Solange.

Imagem: Acclaim magazine