Todas as matérias referente a resenhas

Vem dançar com a Elis

Ela ganhou o país aos 4 anos quando disse que o seu “cabelo não era piluca”. Desde então Elis Mc, dançarina e cantora de 6 anos, continuou na cena e produziu muita coisa boa. Uma delas é o single Vem dançar com a Elis, de autoria do músico e coreógrafo Luis Marques.

O título da música saiu do evento que Elis comanda desde 2017 com edições no Rio de Janeiro e São Paulo. A intenção do evento é levar dança para todas as crianças e suas famílias.

O evento serviu de grande inspiração e assim nascia o single. No beat da música, temos referência do funk melody dos anos 90 e um toque de atualidade na pegada do passinho carioca.

Uma música tão simples e tão forte ao mesmo tempo que precisava de um clipe a altura. Foram 30 dias de pesquisa e muita parceria para a realização desse projeto.

Referências da história negra construíram a cena e a leveza e alegria das crianças deram a energia para o clipe. Todo mundo foi convocado e a gravação aconteceu no Parque Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Foram mais de 40 crianças que participaram da gravação que durou 9 horas.

O lançamento aconteceu semana passada no canal Elis Mc.

A produção final é da 44Meia Produções e o single já está disponível nas principais plataformas.

O Vem dançar com a Elis é um levante infantil a favor da beleza natural.

A música e o clipe são para todas e todos. É um ode à liberdade e a felicidade.


Websérie Afronta – Pretos no Topo!

Pesquisa, curadoria, encontros, representações sobre Afrofuturismo.

Eu prefiro chamar de re-escrita de memória.

A diretora Juliana Vicente faz isso é muito mais com a sua série Documental Afronta, produzida pela PRETA PORTÊ FILMES, em coprodução com o canal Futura e lançada online no canal TV PRETA .

São 26 episódios com entrevistas de até 15 minutos com pretas e pretos que estão fazendo acontecer no mundo da música, do cinema, da moda, das artes, do lifestyle, da dança, da literatura, do empreendedorismo, pessoas que estão influenciando a sociedade e as redes, produzindo conteúdo, ditando tendências e pensado o país a partir de outros olhares e outras subjetividades.

O mote do programa são narrativas pessoais que passeiam pelo Afrofuturismo, são reflexões a cerca da criação e fortalecimento de redes que transcendem a internet e também sobre a pluralidade do Ser Negro no Brasil.

Afronta expõe a imensa capacidade de produzir que esses pensadores possuem, quando não estão mais limitados pelo olhar cerceador e pequeno, limitador e estereotipado de quem pensa que ser negro é ser uma coisa só. Ali estão indivíduos lotados de saberes próprios, complexos, belos e afetuosos em suas trocas e que por saberem que assim são, seguem influenciam pessoas. Na internet e fora dela.

Onde assistir?
TV PRETA
Futura Play 

Slam Brasil – A Poesia na Sua Melhor Forma

SLAM BR é o primeiro poetry slam (campeonato de poesia falada) nacional. Acontece anualmente e é organizado pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos/ZAP! SLAM.

Mas antes de falar o que acontece aqui de forma absurdamente potente, voltemos ao começo…

O Poetry Slam é a potência da palavra com algumas regrinhas que envolvem a performance e a poesia original produzida pelos participantes, um tempo limitado para as apresentações, um público com júri que pontua cada apresentação de 0 a 10, a ausência de música e/ou acessórios e premiação simbólica aos vencedores.

Não existem limitação de estilos ou tema adequados, existem sim várias linguagens possíveis, que vão variar de acordo com a diversidade dos participantes que fazem parte desse movimento.

O Poetry Slam é uma prática artística e performativa que surgiu em Chicago nos anos 80’ e está em todas as partes do mundo e a palavra SLAM refere-se a poesia autoral que é escrita para ser declamada por meio artístico e popular, fazendo com a potência da oralidade, a partilha de ideias e mensagens chegue a cada vez mais pessoas.

O SLAM é a mistura perfeita de competição e batalha com a intensidade e sensibilidade da poesia e chegou ao Brasil através da atriz e MC Roberta Estrela D’alva em 2008.

Conheça o SLAM BR

São Paulo concentra a maior quantidade de Slams do Brasil e foi sede da competição nacional de 2017 que consagrou a pernambucana Isabella Puente como vencedora da edição, como prêmio ela garantiu uma vaga para o campeonato Mundial em Paris, que acontecerá em maio.

Bell Puente, ganhadora da edição nacional de 2017

Aqui no Rio, a MC Martina se destaca

A Herança e o Legado histórico no livro O Caminho de Casa de Yaa Gyasi

Num belo dia de 2017 estava na Livraria da Travessa da sete de setembro esperando o Di Cândido – um grande parceiro desse site – quando me deparei com o livro O Caminho de Casa de Yaa Gyasi, olhei para a capa e duas mulheres negras estavam lá, primeiro passo: verificar quem era a autora – porque sim, estou priorizando autoras negras, leia bem, não disse que não leio autoras não-negras, disse que estou PRIORIZANDO autoras negras – Yaa Gyasi, escritora nascida em Gana e criada no Alabama, foi reconhecida como uma das escritoras mais proeminentes de 2016 ganhando o maior prêmio de literatura com seu livro de estréia e de cara entrou para o rol dos 100 livros mais importantes do ano.

A sinopse?
Com uma narrativa poderosa e envolvente que começa no século XVIII, numa tribo africana e vai até os Estados Unidos dos dias atuais, Yaa Gyasi descreve as consequências do comércio de escravizados dos dois lados do Atlântico ao acompanhar a trajetória de duas meias-irmãs desconhecidas uma da outra e das gerações seguintes dessa linhagem separada pela escravidão.

Uma das minhas reclamações mais recorrentes, e de vários amigos meus também, era estarmos meio que cansados de ler sobre narrativas de sofrimento, quando vamos ver personagens negros em livros que não falem sobre escravidão, dor e luto? Porque é tão difícil achar livros de qualquer segmento literário que não associem pessoas negras a tristeza?

Cadê os livros onde os pretos estão felizes e plenos?
Esses foram uns dos motivos que fizeram eu não levar o livro.
Pula pra 2018, mais precisamente 15 de janeiro, o dia que comecei a ler O Caminho de Casa em pdf e não consegui parar até dar cabo das 443 páginas, escrever sobre ele em dois posts do facebook e dois posts do instagram, e vir pra cá contar de forma detalhada por que esse livro foi o meu segundo livro lido de 2018 e já está na lista dos mais importantes da minha vida juntinho com Um Defeito de Cor de Ana Maria Gonçalves.

O livro começa com uma árvore genealógica que vai te fazer voltar nela a cada capítulo e que me fez indagar várias e várias vezes o privilégio de quem pode e consegue montar a sua própria árvore conseguindo ir além dos avós.

A grande sacada do livro é nos fazer perceber de forma contundente, dolorida e real, – quase que desenhando pra quem custa a entender – como os males da escravidão são sentidos até hoje, ilustrando como o trauma é sentido hoje porque ele é passado de geração a geração, mesmo sem saber nomeá-lo.

Yaa Gyasi conta a história do sistema mais perverso, cruel e desumanizante que já existiu: a escravidão. Através de duas irmãs que não se conheceram e foram separadas por uma grande tragédia, o destino delas duas traça toda a narrativa, com cada capítulo sendo sobre a vida do seus descendentes pelas sete gerações seguintes.

Do Continente Africano, especificamente em Gana, por meio de duas tribos diferentes, os Fanti e os Axânti até a América, passando por várias cidades, a história é contada como quem conta perdas, vidas arrancadas, e a falta de escolhas quando tudo que o colonizador consegue ver em pessoas negras são lucros, coisas e algo em que ele pode usar pra se sentir maior, mais forte e poderoso, dominando, exterminando, humilhando e subjugando. All the time.

Abaixo, algumas passagens do livro:

“Você quer saber o que é fraqueza? Fraqueza é tratar alguém como se pertencesse a você. Força é saber que cada pessoa pertence a si mesma”. Página 63.

“Antes de Esi sair, aquele chamado governador olhou para ela e sorriu. Era um sorriso simpático, compadecido, porém verdadeiro. Mas, pelo resto da sua vida, Esi veria um sorriso no rosto de um branco e se lembraria do sorriso que o soldado lhe deu antes de levá-la para o seu alojamento; de como o sorriso dos homens brancos significava simplesmente que mais maldade viria com a próxima onda”. Página 80

“Os brancos têm escolhas. Eles podem escolher o emprego, escolher a casa. Eles podem fazer filhos negros e depois desaparecer como se nunca tivessem estado por ali, pra começo de conversa. Como se essas negras com quem  eles tinham ido pra cama ou que tinham estuprado tivessem dormido consigo mesmas e ficado grávidas. Os brancos também escolhem pelos negros. Antes, eles os vendiam. Agora, simplesmente mandam pra cadeia, como fizeram com o meu pai”. Página 388

E vou parar por aqui, pra não dar mais nenhum detalhe e pra você não perder a magia dessa leitura que já se tornou uma das minhas preferidas.

Minha primeira Música – Kim Camargo

Eu me lembro de várias cantoras em vários momentos da minha vida, em crescimentos e conhecimentos que tive e ainda estou tendo. Lembrar de uma música em específico ficou muito difícil e desafiador.

Lembro de quando eu deveria ter uns 11 anos e estar em casa com a minha mãe, escutando rádio e brincando ou me preparando para ir para a escola, de ouvir centenas de mulheres de vozes inigualáveis cantarem e de querer ser melhor amigo de alguma delas.

De fato, uma das cantoras que mais marcou a minha vida foi Helen Folasade Adu. A famosa Sade, quanto tocava na JB fm me fazia estagnar no tempo e tentar entender o que ela queria dizer com toda aquela canção, e o melhor: para quem?

Eu sei que ouvir ao saxofone e a voz dela pareciam tão naturais como se eu já conhecesse Sade por muitos anos. O incrível é que nós nos perdemos durante um tempo e nos reencontramos anos depois quando ela entrou em turnê, e um dos shows que aconteceu no Rio de Janeiro chamado Bring Me Home em 2011, no qual me arrependo de não ter ido, me fez sentir como um grande traidor. Cheguei a chorar e me isolar durante uma semana. Até hoje guardo essa tristeza dentro de mim.

Sade foi uma cantora que me fez conectar com uma paz e um amor que jovem eu não entendia e que agora, um pouco mais velho, entendo e quero viver. Aquelas letras sobre amores que curam, que fortalecem, que independente de estragos que possam acontecer, sempre os (re)encontros de você com um alguém que te conecta ao mundo.

Your Love Is King foi, de fato, é uma das primeiras músicas que eu ouvi e que me marcaram. O difícil é escolher uma só música de Sade quando se fala da deusa negra do amor.

Kim Camargo – Administrador por formação e amante das artes por vocação e admiração.

Feliz Roupa Nova!

Mês de dezembro, AKA momento pra relaxar, traçar novas metas, rever o que ainda fica e o que vai (falo um pouco disso aqui). Época de comprar presentes pra si, pra família, pros amigos e pro @, caso esteja merecendo…

Espia esse afro-empreendimento:

Seção marcas de roupas que todo mundo deveria conhecer:

ALEA
Sofisticação é a palavra certa para essa marca. Sob os comandos de Marina Trindade, Alea foi feita para mulheres cosmopolitas, trazendo em suas peças conforto e designs diferenciados.

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MARIA CHANTAL
Nome da marca (e da criadora) de camisas e turbantes artesanais que dá um tapa sem mão na cara dos racistas com suas estampas de frases afirmativas de autoestima preta.

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SNIPPER
E tem marca pros boys ficarem na beca fina também! Snipper é uma slow fashion fruto do blogueiro, fotógrafo e produtor de moda Jota C.

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LEWÁ AFRO BRASIL
Monografia e oportunidade, as duas coisas misturadas e o resultado foi Lewá Afro Brasil, marca que tem como inspiração principal os Orixás femininos em suas produções. Lewá traz estampas e designs diferenciados e é comandado pela estilista Carolina Bezerra.

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DNG
É identidade que chama, né? Grife D’Negro a.k.a DNG, é uma marca periférica carioca criada em 2006, que carrega consigo o conceito “não seja um outdoor de quem não te representa”. DNG possui loja física no bairro mais preto e gostoso desse Ridijaneiro, Madureira. Rappers internacionais como Ja Rule e Wiz Khalifa já possuem algumas peças, falta você.

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BAOBÁ-BRASIL
Após sua viagem para Moçambique, Tenka Dara voltou para casa com novos olhares para moda. Quando teve a percepção do vazio da moda brasileira e da necessidade de identificação/ referência ancestral, a multiartista paulistana, diante de uma oportunidade no mercado, criou em 2006 a Baobá.

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DRESSCORAÇÃO
Partindo da filosofia de que roupa não é só para vestir e sim para decorar nossa casa chamada corpo, criada por Loo Nascimento, a Dress é uma marca baianíssima que não segue tendências, apenas o coração.

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AFROBEACHBRASIL
Pra quem está procurando moda praia com estampas diferentes e principalmente por peças para o corpo de qualquer mulher que seja livre e confiante, como diz a própria designer Edna Correa, Afrobeach é a marca certa.

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XIU!
Tássia Reis: cantora, musicista, dançarina e também formada Tecnologia em Design de Moda. A mulher multiartista que não tolera mais xiu dos que querem nos calar, vem com mais um pisão artístico lançando sua marca de roupas, a Xiu!, juntamente com um clipe do single do mesmo nome.

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LAB
Um dos projetos integradores do coletivo, selo, gravadora e produtora independente Laboratório Fantasma, a LAB é uma grife de roupa que já deu oque falar (tem texto sobre bem aqui), composta de peças despojadas femininas e masculinas, do tamanho P ao 5G.

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MEDU$A.CLOTHING
Nascida em 2016, anos depois de um projeto fotográfico com o mesmo nome e sob os comandos de Fhelipe Marques e Scarllet Tainara, MEDU$A é uma marca de streetwear que tem como proposta trazer a mitologia para o urbano.

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MATAMBA ATELIÊ
Brincos, batas, saias para dançar maracatu e jongo, turbantes, bolsas, colares em madeira e sementes, tudo isso você encontra na Matamba.

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VB Atelier
Marca de Afaiataria, vestuário feminino e masculino sob medida, feitos com tecidos nativos ressaltando a moda afro-brasileira baseada na cultura africana.

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AFROJÔ
Jaquetas sob encomenda, conjuntos e peças com renda francesa para o público feminino e masculino você encontra nessa marca.

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BANTU
Roupas femininas e acessórios contemporâneos é o que podemos encontrar na BANTU, marca que a cada coleção se inspira em uma mulher afro-brasileira que já contribuiu ou contribui para melhorar o mundo.

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Seção acessórios que reluzem o teu brilho:

QUIXOTESCA
De sua identificação com Dom Quixote, surgiu o nome dessa marca babadeira de acessórios. Angel Guizino a.k.a Angel Quixotesca, produz suas peças artesanalmente e é adepta do upcycling (processo de transformar/reaproveitar resíduos ou produtos considerados inúteis e descartáveis em material novo e de valor). A Quixô tem como carro-chefe suas argolas. Uma mais maravilhosa que a outra! Dá um confere aqui embaixo e corre logo pra comprar.

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ATELIER DÚ ORÍ
Já percebeu que falta pouquinho pro carnaval? A Dú Orí, já! Marca artesanal maravilhosa de acessórios com foco carnavalesco, criada por Winnie Nicolau.

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CRIOULA CRIATIVA
Marca artesanal de acessórios exclusivos afro-brasileiros feitos de tecidos. Na Criativa você encontra cluchts, bolsas, turbantes, faixas, laços, flores de cabelo, brincos e colares.

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VIZE AFRO
Marca de acessórios femininos que também segue a linha de inspirações africanas.

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ACORDA
Produção slow fashion, sustentável, pecinhas exclusivas e uma pegada contemporânea e urbana. Cê quer mais o quê? Luana Maria e Michelle Andrade colocam tudo isso na Acorda, marca carioquíssima criada em 2014.

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LUMINOSIDADE DAS IALODÊ
Criada por Anailda Charmite em 1980, é dois em um: marca de acessórios afros e curso de História e Construção de Artesanato Afro-Brasileiro. A riqueza desta marca é em dobro. Vale a pena conferir.

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ADORNO
É uma collab de acessórios slow fashion e artesanal entre Kelly Melchiades (Estúdio Criativo Sorte A Nossa) e Angel Guizino (Quixotesca)

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ALLECRIM DOURADO
Marca carioca nascida em 2015, itinerante e de acessórios exclusivos e artesanais.

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GABI MONTEIRO
Criada pela designer Gabi Monteiro, a marca que carrega seu nome é artesanal, conceitual, e traz além de modelagens muito bem elaboradas, acessórios exclusivos.

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UZURI
Coloque uma pitada de exagero e glamour. Pronto, nasceu a Uzuri, marca de acessórios feita para ressaltar a beleza de mulheres negras e suburbanas.

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Seção seu cabelo é sua coroa

AFRÔBOX

Da necessidade de ver de fato a palavra diversidade posta em prática, criada em 2015 por Élida Aquino, Bárbara Vieira, Graucianna Santos e Saulo Batista, a Afrô é o primeiro clube de caixas por assinatura no Brasil com foco em beleza negra e na variedade de cabelos afro.

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Seção que pisão!

A-AURORA
E por último, mas não menos importante, vos apresento a marca de sapatos da nossa querida diretora de moda, Izabella Suzart. Sapatos altamente artesanais, atemporais e exclusivos. É isso que Iza produz! Aliás, se você viu um sapato bafônico logo nos primeiros minutos do clipe Xiu!, de Tássia Reis, então você viu um A-aurora. As obras de Iza são tão sensacionais que, além de serem calçadas por artistas incríveis, uma de suas peças está no calendário internacional #365daysofshoes, Workman.

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Boas compras e feliz roupa nova!

Ela quer tudo – AUR

O nome dela é Nola Darling (DeWanda Wise) é o tudo que ela quer é autonomia emocional, liberdade sexual e pleno direito de viver a sua vida sem a interferência/julgamento de absolutamente ninguém, inclusive dos homens com os quais ela se relaciona.

Quando li sobre o filme “She’s gotta have it”, alguns sites definiam o filme como a busca de uma mulher negra por emancipação sexual e relacionamentos não-monogâmicos e logo após assisti-lo, a minha maior preocupação foi a demarcação e reafirmação de estereótipos negativos, como por exemplo, a mulher negra hipersexualizada e colocada no lugar de promíscua.  
Me enganei redondamente. Nola Darling fala por si, conta a sua história, sem intermediário, olhando direto nos nossos olhos.

 #SeJoga (Doutrina)

Esse é o nome do primeiro episódio da série pela Netflix – no total de 10 episódios – cuja protagonista é uma jovem pintora que entre os três relacionamentos – com o maduro Jamie Overstreet, o narcisista Greer Childs e o jovem Mars Blackmon – relata a crueldade que é não poder, enquanto mulher negra, andar tranquilamente pelas ruas da cidade, em virtude da quantidade absurda, invasiva e agressiva de cantadas que recebe.

Alguns fatos técnicos:

O filme foi lançado em agosto de 1986.
Foi o primeiro longa metragem do diretor Spike Lee, que também assina o roteiro, a produção e o papel de um dos protagonistas, o engraçado, Mars Blackmon.
She’s gotta have it foi inovador na representação dos negros no cinema norte americano, retratando mulheres e homens não como cafetões e garotas de programa, mas sim como jovens bem sucedidos e moradores do bairro Fort Greene/Brooklyn.

*SPOILER DO FILME – SE VOCÊ NÃO VIU O FILME E A SÉRIE PARE POR AQUI *

Em entrevista ao Huffington Post em maio de 2014, Spike Lee se disse extremamente arrependido de ter escrito e dirigido a cena de estupro do filme, é que no especial que ele filmou pra tv logo depois, a cena não se repetiria.

*CABÔ SPOILER*

Obs: o que é a trilha sonora da série? E as capas dos  cds que aparecem assim que a música para de tocar? Nomes como: The Isley Brothers, Maxwell, Mary J. Blige, Jill Scott, misturados com referências do basquete e membros da militância negra americana.

Isso só no primeiro episódio. Spike Lee produziu um belíssimo trabalho.

Rapper paulista Rappin’ Hood assina coleção

O rapper paulista Rappin’ Hood assina seu nome na coleção Hoodwear da marca também paulista, Fatal. A ideia da colab partiu de um projeto de realizar ações sociais nas comunidades em que ao mesmo tempo, fossem criadas peças que se conectem com a massa urbana.

A coleção conta com bonés, camisetas, regatas e bermudas e tem como inspirações o basquete, grafite e as mensagens sociais que o Rap transmite.

O lançamento será em outubro, no dia 12, numa festa do Dia das Crianças, promovida pela própria marca, alguns parceiros e pela direção do Parque Fongaro, cujo mesmo mantém uma escolinha de futebol com o mesmo nome, recebendo 350 crianças, sendo o próprio Rappin Hood um dos padrinhos deste projeto.

Série Black-Ish

A primeira série que vi protagonizada por uma família negra, foi Um maluco no pedaço, logo depois, Eu,a patroa e as crianças, Todo mundo odeia o Cris e por fim Empire.

Dentro de suas particulares – Um maluco no pedaço, Eu, a patroa e as crianças e Todo mundo odeia o Cris, são séries de comédia e Empire é uma série mais puxada para o drama – todas as séries citadas eram basicamente sobre o Ser, muitas vezes racializando as pautas dos episódios, outras vezes pontuando algumas situações diárias.

Pula para 2017 e temos Black-Ish.

A série começou a ser exibida em 2014 e a quarta temporada começa em outubro.

Black-Ish é um projeto de Kenya Barris que tem no currículo as direções de Um salão do barulho 3, America’s next Top Model e o filme Girls Trip que estreia ainda esse ano.

A série é sobre o cotidiano da família Johnson sob o olhar de Dre Johnson, publicitário, que tenta passar seus valores culturais e conhecimentos para os 4 filhos, Zoey, Junior, Diane e Jack com a ajuda de sua esposa, a médica Rainbow.

Dre é o cara que cresceu no subúrbio, criado pela mãe e com um pai relapso, viciado em tênis e responsável pelas campanhas publicitárias de uma agência.
Rainbow é a médica anestesista, filha de mãe negra e pai branco que é azucrinada pela sogra.
Zoey é a filha mais velha, consumista e viciada em redes sociais.
Junior é o filho nerd que está tentando se achar no mundo.
Diane é a gêmea de Jack, as melhores tiradas são delas, a menina mais parece um alienígena encarnado e é engraçada a forma como ela espezinha a todos com um senso de importância afiadíssimo.
Jack é o dançarino e o que consegue manter a inocência de uma criança comparado a sua irmã, a mini-adulta.

Tem os personagens secundários, como os pais do Dre, sua irmã e o seu melhor amigo, o debochado Charlie.

Black-Ish é uma série de comédia que reflete os problemas de seu tempo a cada episódio, como por exemplo, a eleição de Trump, a importância da igreja para os negros americanos, a discussão Dark-skin X Light-Skin, a falta de bonecas negras, relacionamentos inter raciais, violência policial, entre tantos outros pontos.

Em um dos episódios mais emblemáticos, a família Johnson discutia sobre política, a saída de Barack Obama e a entrada de Donald Trump, logo depois o atual presidente americano twittou que a série era racista pq não existe uma série chamada White-ish…(hahahahahahaha)

Enfim, Barack Obama and Family amam a série e isso que importa.

Black-Ish é vencedora de vários prêmios, aclamada por críticos e pelo público e abre precedente sobre como uma família negra pode ser representada fora do escopo de sempre: desestabilizada, ligada a criminalidade e a pobreza.

A Nossa Senhora da Make: nosso sincero obrigada

 

No dia 07/09 o mundo comprovou que nem só de ‘Wild Thoughts’ se vive Rihanna. E quando o assunto é quebrar a internet sabemos que ela quebra com maestria! A notícia da vez foi o lançamento de sua própria linha de maquiagens, a Fenty Beauty. Marca que conta com diversos produtos e tem como carro-chefe suas bases de – PREPARA O CORAÇÃO – 40 tonalidades diferentes. Eis aqui um exemplo digno de diversidade posta em prática sem demagogias.

Em seu site, Rihanna deixa um pequeno recado: “Fenty Beauty foi criada para todas: para mulheres de todas as cores, personalidades, atitudes, culturas e raças. Eu queria que todas se sentissem incluídas. Essa é a real razão de ter criado essa linha”.
É ótimo saber que tem alguém que pensou em você. Melhor ainda é saber que pensaram em você aqui no Brasil também.

A blogueira carioca Rosangela Jose da Silva, mais conhecida como Negra Rosa lançou sua marca de maquiagem em 2016 com o mesmo nome, e no primeiro semestre deste ano lançou a linha de bases exclusivas para pele negra, livre de componentes de origem animal, com cobertura soft matte e oil free.
Mas Rosa não foi a primeira a pensar e a realizar produtos de beleza para nós, meninas mulheres da pele preta. Há mais de 20 anos, a Paulista Maria do Carmo criou Muene, a primeira marca de cosméticos para pretas desse Brasil brasileiro. Muene vai de cremes hidratantes à paletas de sombra e tons variados de pó compacto. Recentemente, Maria foi nomeada como a Primeira Comendadora Fundadora na categoria moda/estética e beleza pela Premiação JK.

E por mais felizes que possamos ficar ao saber da existência dessas duas marcas brasileiras, o fato de termos apenas duas representatividades também nos faz pensar por quanto tempo estivemos e ainda estamos em segundo plano para as grandes marcas nacionais, mesmo cientes de que somos mais da metade da população.

Lá fora há outras celebridades negras (Iman Mohamed e Tyra Banks se encontram nessa listinha) que criaram linhas de cosméticos com o mesmo intuito, mas nenhuma causou tanto impacto a ponto de grandes e posicionadas marcas “de repente” enxergarem pretas como consumidoras em potencial de produtos para beleza em questão de dias após seu lançamento.

Já cantava Riri: “You needed me”. E já digo: “Sim, nós precisávamos mesmo.

Para saber mais sobre esses produtos, acesse:

www.fentybeauty.com

www.negrarosaloja.com.br

www.facebook.com/Muene-Cosméticos-175690202566341/