Todas as matérias referente a resenhas

Oshun

Oshun é um duo americano de R&B formado pelas jovens Niambi e Thandi, elas interagem de forma mágica quase como um rio, com fluidez muito semelhante às águas da orixá yorubá que elas escolheram como nome.

Elas usam a música para compartilhar suas realidades e nenhum tópico fica para trás, com melodias sutis que dão uma sensação de calma constante elas expõem sobre eventos atuais, conhecendo sua história através dos estudos sobre o povo Yorubá e o povo Akan da África Ocidental e os triunfos e tribulações de ser jovens mulheres negras crescendo na sociedade de hoje.

A dupla é “Artivista” e acaba de lançar a música Not my president, permanecendo fiéis a si mesmas em um tempo em que a idéia de ser multifacetada é tantas vezes questionada.

Conheça o som de Oshun em: https://soundcloud.com/oshuniverse

Imagem: Face2face Studios

Chi-Raq – Filme

Em novembro de 2015 soube que Spike Lee tava fazendo um novo filme e que a estréia nos EUA seria em dezembro do mesmo ano. SPIKE LEE. Só de ler esse nome já fui correndo atrás de mais informações e a descrição do filme,que arranjei, era assim: “ Após perder mais uma criança vítima de bala perdida, um grupo de mulheres se organiza no combate à violência em Chicago. Baseado na peça Lysistrata de Aristophanes”.

O cartaz de divulgação tinha a maravilhosa da Teyonah Parris, com o punho pro alto com as cores do Panafricanismo atrás, só isso já me deixou com mais vontade de assistir ainda.

Corta pra abril de 2017. Assisti ele.

Só o Spike Lee pra me fazer assistir a um musical…que dependendo da crítica ora é tratado como um drama, ora como comédia. Mas vamos ao filme.

Chi-Raq começa jogando na nossa cara uma série de estatística sobre a violência armada, fazendo uma comparação entre a quantidade de mortes que acontecem na cidade de Chicago, no Afeganistão e no Iraque. Chicago é dividida entre duas gangues, a roxa Spartans e seus rivais, os Trojans, que usam laranja e quando mais uma criança é assassinada no meio dessa guerra, as mulheres da cidade decidem fazer uma greve de sexo para forçar os caras a pararem de se matar.

O que? Você deve estar se perguntando – Pois é. É real, a greve de sexo do filme é baseada em greves que mulheres de Togo fizeram para exigir a renúncia de um presidente (http://migre.me/wmqmd) e que as mulheres do Sudão do Sul fizeram para acabar com uma guerra (http://migre.me/wmqmT).

O filme muitas vezes paira entre a comédia pastelão de gosto duvidoso e um drama difícil de não se emocionar, pois fala de assassinatos que já vimos noticiados muitas e muitas vezes como Michael Brown, Eric Garner, Sandra Bland – entre tantos outros.

Mas é um musical rimado. Isso é bom? Há quem ache ótimo, eu que não suporto musicais, vi até o fim porque é Spike Lee, elenco predominantemente negro e quando tem a mão dele, eu não desprezo, mesmo saindo da minha zona de conforto.

Diga ai, se você assistiu Chi-Raq, o que achou?

Imagem: Vimeo

Location

Playlists são ótimas pra descobrirmos artistas novos e fuçando o spotify – isso não é post patrocinado – cheguei até a playlist Love, Sex & Water e na décima primeira música estava Location do Khalid.

Pausa, res(pira) e vai.

Estamos entre adultos, não é mesmo?!, dito isso, Location é envolvente, sensual. É quente.

Gosto muito de toda a playlist mais essa música é especial.

Khalid é um cantor de R&B do Texas que explodiu após o lançamento dessa música e acabou de botar nas ruas seu álbum de estréia American Teen, não vou entrar nos pormenores do álbum pois não sou especialista, o menino está começando a carreira, é bom. E convenhamos começar com 28 milhões de streams no soundcloud é pq a música pegou.

Imagem: The box

Akua Naru

Poesia. Só essa palavra consegue definir o que é Akua Naru. Conheci o som da Akua em 2011 com o álbum The journey Aflame que é uma viagem poética de quem é rapper e estudiosa da Herstory – história escrita de modo a enfatizar o papel da mulher na sociedade ao longo das décadas – e tive a oportunidade de ver o show dela em novembro de 2014 quando ela esteve no Rio.

Akua Naru possui uma voz profunda com a qual joga no mundo as sua letras com forte crítica social e histórica, precisão lírica e a experiência de vida de ser uma mulher negra dentro do hip hop e no mundo.

“Escrevo para preencher o vazio que precisa ser preenchido pela voz feminina sempre tão limitada dentro do hip hop”. A cantora declara a sua intenção de ser um corpo de conhecimento e honrar as mulheres negras que vieram antes dela.

Em The world is Listening, ela elenca uma série de mcs como Queen Latifah, Mc Lyte, Mc Shante, Bahamadia, Lauryn Hill, Heather B, Jean Grae, E-V-E, Nikki D, Salt-N-Pepa, Apani B, Missy Elliott, Lil Kim, Rah Digga, Rage, Left Eye, Yo-Yo, Paula Perry, Nonchalant, Jane Doe, dentre tantas outras que não são lembradas dentro do Rap.

Akua Naru estará em São Paulo dia 28 de abril e no Rio de Janeiro, dia 11 de maio. Então se liguem e não deixem de assistir ao show dela.

Imagem: The BackPackerz

Cosmo Pyke

Está passando no seu feed uma das melhores descobertas de 2017: Cosmo Pyke.

Multi-instrumentista, compositor, cantor e modelo de 18 anos (sim, você leu isso mesmo), nascido e criado em Peckham- Sul de Londres, Cosmo recentemente lançou seu EP “Just Cosmo” e classifica sua música como “excêntrica, bonita e relaxante”. Suas influências musicais vão de muito reggae, Michael Jackson, Joni Mitchell, The Kooks a Hiatus Kaiyote (na música Chronic Sunshine a influência de Hiatus é bem perceptível).

Através de seu perfil no Instagram é notável que Pyke tenha um certo apreço pela década de 70 -tendência de 2017- com suas calças xadrez, meias com sandálias e all stars, casacos, suéteres e blusas poly jersey com estampas floridas/tropicais. No clipe da música ‘Social Sites’ os anos 70 entra ainda mais em evidência, o cenário utilizado foi a própria casa de sua avó.

E se você é fã de Frank Ocean e acompanha os clipes desse Blond maravilhoso, então é muito provável que já tenha visto Pyke em seu vídeo “Nikes” logo nos primeiros segundos:

Frank Ocean – ‘Nikes’ from aubrey woodiwiss on Vimeo.

Bora abrir o coração pra esse prodígio musical e pra essa tendência super confortável?!

Vídeo de ‘Social Sites’:

Imagem: Kathryn Younger

Série Insecure (HBO)

Wikipreta. Você já ouviu esse termo? Dá pra entender um pouquinho do que ele significa em Insecure.

As problemáticas de relacionamento, as amigas malucas – Broken Pussy- as fases não tão maduras assim pela quais passamos. Está tudo aqui, recheado por uma trilha sonora que leva a direção de Solange.

Issa Dee é a protagonista da série ao lado da melhor amiga Molly, elas discutem o que é ser mulher negra na América e todos aqueles assuntos relacionados ao ser mulher – carreira, família, amigos relacionamentos – que muitas vezes só discutimos quando estamos entre mulheres.

A familiaridade das situações cotidianas me fez questionar várias vezes se não estava vendo minha vida – privada – na tela. Isso que faz a diferença na série, ela te coloca no espaço da normalidade e determinadas situações que a gente achava que só acontecia conosco, mostra que somos muito mais parecidas do que imaginávamos.

A segunda temporada já foi confirmada e estreia em 23 de julho.

Imagem: HBO UK

Xamã e Estudante

Dj Tamy lançou um set lá nosso canal do Soundcloud (https://soundcloud.com/aurmusic/aur-dj-tamy) e a partir dele foi como uma surpresa boa que conheci Pedras de março dos rappers Xamã e Estudante.

Subverter uma letra clássica da MPB como Águas de março e ainda citar Construção (Chico Buarque) na letra foi uma ótima forma de hackear com a concepção do “ser clássico” para chancelar essa ou aquela música como boa.

Xamã trouxe para dentro do underground a melodia de uma música que foi escrita em 1972 com versos tão atuais quanto: Alguém me rola um cigarro divide o copo de vinho / A consciência da moca a vida não dá um carinho / É quadrada na cara é o esculacho no preto / É Buarque bambaataa é o manifesto do gueto.

Surpresa boa e ao contrário do que dizem por aí, o bom rap ainda vive.

Imagem: Google

Hiatus Kaiyote

Lembro que cheguei até o Hiatus Kaiyote porque estava procurando sons do Q-Tip, e ele ao gravar com a banda o som Nakamarra indicava Hiatus como o ‘novo’ Jamiroquai.

Pra quem é mais aberto a experimentações o som de Hiatus Kaiyote pega de primeira, o quarteto é australiano e a voz de Nai Palm é muito maravilhosa e sinceramente a banda tem um estilo que não é facilmente identificável, não consigo por exemplo, fazer uma comparação entre ela e outro som que seja parecido.

Segundo Nai Palm a banda é influenciada por Stevie Wonder, Otis Redding, Flying Lotus, música flamenca, música tradicional do Mali e da Colômbia, ou seja, ouça Hiatus Kaiyote e tire suas próprias conclusões.

Indicação especial para a faixa Molasses que tem o mesmo sample que a faixa Without You do Anderson Paak.


Imagem: Culture Collide

Drake

Drake, até o lançamento de More Life, sempre foi um artista mediano – e aqui eu não preciso dizer que isso é uma opinião pessoal, única e exclusivamente baseada em gosto e falta de conhecimento – eu o escutava a partir da participação dele em músicas de outros artistas ou nas mais tocadas.

No dia do lançamento de More Life, eu estava fuçando o perfil da Nai Palm, vocalista do Hiatus Kaiyote – no instagram – quando vi que o vídeo que ela tinha acabado de postar era do Drake escutando a introdução de Building A Ladder, faixa do álbum Choose Your Weapon (2015) da banda.

Aí fui correndo atrás do álbum e desde então é o que mais tenho escutado. Drake faz um trabalho ótimo de colocar a música no topo, como atração principal mesmo, mais do que colocar sua cara – afinal ele se encontra num patamar de sucesso onde não precisa mais provar nada pra ninguém – em More Life vemos um ode aos samples inesquecíveis, tais quais:

1 Building a ladder (Hiatus Kaiyote) na faixa Free smoke que abre o álbum;

2 All night long (Lionel Richie) na faixa Blem;

3 If you had my love (Jennifer Lopez) na faixa Teenage Fever;

4 Pony (Ginuwine) na faixa Fake Love

Essas são os samples/faixas que reconheci, mas o genius faz um trabalho de dissecar todas as faixas no link abaixo:

E o menino Drake acaba de ganhar mais uma fã, com esse trabalho primoroso que espero ainda escutar nas pistas, principalmente a faixa Do Not Disturb.

Imagem: StereoDay

Série Queen Sugar

A sinopse que li começava mais ou menos assim: Pai morre e deixa uma fazenda de cana de açúcar para os 3 filhos administrar. Não tive a mínima vontade assistir até ver que a produção era da Oprah Winfrey e a direção geral da Ava DuVernay.

Em tempos onde levantamos a discussão sobre o papel da mulher negra como protagonista, a série traz em seus 13 episódios da primeira temporada, mulheres na direção, todas elas trabalhando em co-direção com Ava DuVernay. E aqui estamos falando não na exclusão de homens, mas sim na participação de mais mulheres nos espaços onde até então elas não eram admitidas, por exemplo, em 3 temporadas de GoT, nenhum dos episódios foram dirigidos por uma mulher, a questão aqui é equidade.

O elenco de Queen Sugar é todo preto. Falando sobre as problemáticas que acompanham o ser negro, sem nem verbalizar os problemas raciais, jogada de mestre que só essas duas juntas souberam executar.

Agora melhorando um pouco essa sinopse completamente desinteressante, Queen Sugar fala sobre os conflitos de 3 irmãos da família Borderlon, Nova – Ativista social, escritora e herbalista -, Charley – Manager do marido, jogador de basquete – e Raph-Angel – O irmão problema recém saído da prisão – que após a morte do pai, recebem como herança uma fazenda de 800 acres de cana de açúcar em Nova Orleans.

Esse conflitos são o ambiente maior, porém existem os micro conflitos, como, o fato de serem herdeiros de uma fazenda no meio de homens brancos milionários, a superexposição do meio esportivo, as problemáticas de um relacionamento afetivo, como vencer uma batalha pelo direito de produção da terra quando querem te tomar ela?, dentre tantos outros.

Queen Sugar é viciante.

Assista o trailer:

Imagem: IndieWire