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A coroação de quem acreditou | BK’ no Circo Voador

Histórico. O que vimos no circo voador naquela sexta feira foi realmente impactante. Pra quem gosta de assistir espetáculos sonoros, BK’ e sua banda realizaram um feito que era de alto risco, mas que foi muito bem executado

 

“Esse tipo de arte que a gente faz, eu acho que ela é mais duradoura do que um hit de verão. Acho que isso é pra quem realmente acredita nisso, pra quem gosta de conteúdo. O que essa rapaziada ta fazendo agora, é uma coisa realmente duradoura. Mais do que tomar de assalto a cena, acredito que a gente vá ter uma cena rica e eles vão contribuir muito para a música brasileira.” – Marcelo D2

O show começou de forma bem impactante.  Logo após o lançamento do álbum, Mano Brown mandou um áudio para BK’ elogiando o disco. Entre outras coisas, Brown dizia que ficou muito feliz pelas ideias passadas e, principalmente, pela sonoridade que tirava o artista da zona de conforto. BK’ e sua banda tiveram a genial ideia de utilizar esse áudio como abertura do show. A galera veio ao delírio e ficou aquecida para o inicio. “Novo Poder”, com seu beat enérgico, foi a melhor escolha para abrir o espetáculo, vindo acompanhada de “O próximo nascer do Sol”

A alquimia entre os álbuns “Gigantes” e “Castelos e Ruínas” foi muito bem pensada e executada para o show. As presenças de Juyê e JXNV$ nas dobras trouxeram calma e euforia para BK’ respectivamente. Enfrentar um circo lotado não é pra qualquer um e a ajuda deles e de sua banda deram a ele a confiança e segurança necessárias para seguir em frente.

 

“Mano e o mlk é isso, ele é um monstro. É um dos melhores liricistas do Brasil, que tem um flow diferenciado que é dele, bagulho característico. E o disco foi isso. Ele é um mlk que tem muita influencia musical e no disco ele botou um peso maior nas bases, tem uma produção muito maior que qualquer trabalho dele. É a coroação de um trabalho, no circo e na nossa área. – Sain

A correria e o risco em se montar uma banda para o lançamento da turnê, foi todo assumido por BK’ e sua equipe. Correria pelo tempo que tinham para montar o show (menos de duas semanas). E risco por escolher essa virada de jogo no lançamento do seu disco na sua cidade. O rolê de montar uma banda, principalmente de qualidade, é muito mais complicado do que qualquer pessoa possa imaginar e BK’ sentiu que aquele era o momento. Numa conversa informal com o cara que viria a ser o diretor musical do show, Theo Zagrae, BK’ lançou a ideia e Theo logo comprou a parada. Em menos de duas semanas eles se enfurnaram no estúdio, juntaram os melhores músicos que tinham em mente (Magno Brito no baixo, Pedro Malcher nos teclados, El Lif nos scratches, Juyê e JXNVS  nos vocais) e montaram um show coeso e direto, que foi dividido em 5 atos, como se fosse uma peça de teatro.

 

Os interlúdios de “Castelos e Ruinas” foram bem utilizados para mostrar ao público que uma outra onda sonora iria se iniciar. BK’ já impressionava os fãs em seus shows com o DJ El Lif virando as bases e JXNV$ fazendo as dobras. Nessa performances com banda  – que teve a honestidade e sagacidade em manter a mesma sonoridade ouvida nos álbuns – o resultado foi impulsionado para outros lugares, educando o seu público a querer ouvir rappers se apresentando naquele formato.

 

 

“Acho que é o momento de tomar o que é nosso. Sempre foi nosso na realidade mas por um tempo nos foi tomado. Acho que estamos num momento lindo, dá pra bater no peito e de fato falar pretos no topo. Essa é a parte mais gratificante. Acredito que o que eu falo e o que o BK’ fala pessoas brancas podem ter empatia e gostar. Mas entender de fato e sentir na pele, só gente preta.” – Baco Exu do Blues

 

As participações foram os pontos altos do show. O lendário saxofonista Léo Gandelman foi o primeiro a subir no palco com o seu saxofone no pescoço e um na mão para dar de presente a BK’, que ficou visivelmente emocionado com aquilo. Quando a banda soltou a intro de “Vivos”, BK’ cantou uma parte de “Me desculpa JAY Z” preparando com classe a entrada de Baco. Marcelo D2 e Sain colaram para cantar “Falam” e juntos deram um abraço gigantesco em BK. Drik Barbosa subiu e a mulherada preta presente a recebeu com muitos aplausos. Junto com Akira e fizeram o remix de “Correria”.

 

O ultimo ato do show foi muito bem pensado. Com a confiança de que o público iria pedir Bis, BK’ volta ao palco com todos os integrantes da Piramide Perdida  subiram ao palco e cantaram todos os hits da banca. “Mec Life”, “Top Boys”, “$$$$$$$”, deram ao público a antiga formação de show do artista com o palco cheio de amigos e El Lif virando as bases. Sacada inteligente pra não fazer essa mudança de carreira de forma brusca. O clássico “KGL” abriu uma das maiores rodas que o Circo já viu, com a formação original do Néctar Gang.

 

No pós show, BK’ estava aéreo. Ainda processando tudo de mágico que tinha acontecido naquela noite. Até pouquíssimo tempo atrás, estávamos trabalhando na mesma festa juntos. Eu como DJ e ele como MC. Antes de “Castelos e Ruínas”, antes de AUR, ou de qualquer outro projeto mais ou menos realizado. Tudo era vontade, sonho e desejo de execução e realização. Ver o meu rapper favorito sendo coroado na casa mais foda da cidade é um triunfo enorme pra quem quer viver de arte. A inspiração que aquele show passou para quem estava por lá foi real e é isso que a gente precisa. Pessoas talentosas parecidas com nós, colocando a gente pra cima.

“O mesmo conselho que o BK de 2013 deu pra ele mesmo. Não desiste mano. É tudo ou nada mas de uma forma que não pareça que se você não conseguiu de uma vez, você não vai conseguir nunca. E isso não é real. É você insistir e sempre ver aonde você erra. Em “Castelos e Ruínas” eu vi onde eu errei e tentei melhorar, em “Gigantes” eu já sei onde eu errei e vou tentar melhorar no próximo álbum. É um papo meio cliche mas é um papo reto, é acreditar e botar a cara.” – BK’

 

Entrevista: Pedro Bonn

Fotos: Lucas Sá

Agradecimentos a Namoral Produções e ao  Circo Voador

Todas as nossas formas de expressão. AUR, Arte

 

Processo criativo envolve inúmeros sentimentos. Dores, amores, perdas, revoltas. Cada artista se inspira nas suas vivências para doar ao mundo o seu melhor. A sua arte. AUR, Arte é o mais novo programa do coletivo AUR, que tem o intuito de entender o que de mais fascinante existe em cada artista e mostrar ao público o seu processo criativo sendo executado naquele exato instante. Ilustradores, grafiteiros, desenhistas, designers e todos os tipos de fazedores de imagem passarão por aqui.

Jota Carneiro é uma artista plástica carioca de 28 anos, que aborda especialmente o erotismo em suas obras. Suas ilustrações focam na valorização feminina, brincando com surrealismo e um convite pela busca do prazer. Traz em suas artes a liberdade de uma mulher possível que trata todos os assuntos inerentes a ela com total atitude e personalidade.

Jota é a primeira convidada para a nossa estréia.

Ficha Técnica: Direção: Lucas Sá e Diego Padilha

Artista: Jota Carneiro (@jotacarneiro)

Captação de Imagem: Alexandre Marcondes, Diego Padilha e Lucas Sá

Edição e finalização: Lucas Sá

Participação: Carol Rocha e Wilmore Oliveira

Trilha: Bruk Vol. 3

Foto Lucas Sá – Jota

“O Baile Sempre Segue” é o mantra do novo trabalho de Nyl MC

O flow da vida através de ritmo e poesia.

Com referências que vão do Samba ao Indie Rock, aliando a estética dos anos 90,  Nyl MC lança seu novo trabalho “O Baile Sempre Segue”. Sob o instrumental de “Doomsday” clássico do rap underground de MF Doom, Nyl que é cria de Irajá, Zona Norte do Rio de Janeiro, versa sobre seguir a vida, ou seguir o baile, apesar dos obstáculos.

Gravada no Estúdio Modrá, com produção, mixagem, masterização de DJ Row G e distribuição pelo selo #NovaBlack a música traz o ar do rap carioca dos anos 90 e uma diversidade de referências, a começar pelo título: parafraseando “a vida sempre segue”, verso da música Nice Try, da banda indie Musa Híbrida.

Na parte visual a produtora BERRO. assina mais uma vez, trazendo agora um vídeo art “A ideia aqui é juntar diversas referências em uma vibe do rap carioca dos anos 90 para falar sobre transições. E acho ela ideal para abrir os lançamentos desse ano, com uma narrativa diferente dos últimos trabalhos: Afronta e Reparação do Olola Fa” afirma Nyl.

Como um bom MC, seguindo na vida.

Nyl sem dúvida está em constante movimento na cena alternativa do Rio de Janeiro. Há 10 anos em atividade, inserido na cultura Hip Hop, leva suas rimas para as rodas de samba do grupo Kebajê ou para os shows de hardcore da banda Bala N’agulha, abrindo diálogo com diversas manifestações culturais.

Atuando em outras frentes para difundir o Hip Hop e a cultura negra em geral, atualmente é um dos organizadores do festival Leopoldina Hip Hop, que acontece na Arena Carioca Dicró (Penha Circular) e está nos preparativos de lançar o canal caiXa pReta onde vai falar sobre produções negras na cultura pop, ao lado do produtor cultural e pesquisador Samuel Lima.

Produzindo seu novo disco e participando de outros projetos musicais, Nyl segue o seu baile, escrevendo sua história e verbalizando a essência das ruas.

 

“Quanto mais eu faço, melhor eu fico”

O ato da escrita sempre foi um prazer pra mim. Depois que a AUR, se tornou de fato um canal de comunicação com um site forte e redes sociais, eu me dediquei mais a isso e comecei a melhorar de fato naquilo que eu sempre gostei. Escrevi bons textos, comecei a ler mais e a melhorar as minhas técnicas de escrita. Daqui a pouco eu volto nesse assunto.

Quinta feira passada rolou o show de um dos caras que eu mais escutei de 2 anos pra cá.

Thundercat.
Baixista, cantor, compositor e um dos artistas mais versáteis e com personalidade que apareceram de uns tempos pra cá. De uns tempos pra cá, deixa uma margem que ele só brotou pra um público maior a pouco tempo, acho que errei. Com 16 anos se tornou baixista da respeitada banda de punk rock “Suicidal Tendences”, produziu nomes como Erykah Badu, Flying Lotus e Kendrick Lamar, e lançou dois aclamados discos: “Apocalypse” e o último “Drunk”. Um passeio entre inúmeros estilos musicais, mantendo sempre a sua personalidade forte como músico e como artista.

Francisco Costa – IHateFlash

O show.
Por sermos originalmente uma marca que tem a música como principal veículo de comunicação, mandei um e-mail pro Circo Voador e pra produtora do show do cara pedindo uma entrevista. Já tava bem desacreditado num possível papo com o cara – Um dos maiores baixistas/cantores do mundo vai falar comigo? – e só consegui as credenciais pro show muito em cima da hora.

Chegando no circo, encontro Paulo – O assessor de imprensa do show – me diz que de repente rolaria a entrevista. Eu gelei na hora. Fui totalmente desarmado pra aquilo. Passei o show inteiro bolando as perguntas na minha mente, de uma entrevista que ainda não acreditava que fosse rolar.

O show foi muito mais incrível do que eu imaginava. A abertura foi do DJ que nunca erra, Daniel Tamenpi. Ele sempre sabe o que tocar e como assumir a responsa de abrir grandes shows internacionais. Uma entrada simples marcou o início do show. O PA do circo tava muito pesado e colocava em sinergia os teclados de Dennis Hamm, a bateria de Justin Brown e o baixo e a voz de Thundercat. Cenário muito simples, mas com uma iluminação muito boa, que dava o verdadeiro protagonismo que os 3 mereciam. Eles emendaram, já na segunda música, “Uh Uh”, que é um som instrumental do álbum “Drunk” e isso me deixou particularmente surpreso. Eles alongaram a track, parecendo que estavam fazendo uma simples jam sessions, tamanho o entrosamento entre os 3. E fazer isso já no segundo som de um show, é de se surpreender. “Lava Lamp” me deixou emocionado ouvindo ao vivo, pela sinceridade da letra e como ela foi perfomada. O som que eu mais gosto “Lone Wolf and Cub” foi tocado e me surpreendeu bastante pois é uma track que é pouco conhecida entre os fãs. Uma parceria incrível entre ele e Flying Lotus com um forte swing e soul. “Jethro”, a minha preferida do “Drunk” deu um balanço muito foda na pista e o salve que ele deu pro Kendrick em “These Walls” (Vencedora do Grammy de melhor colaboração na categoria Rap em 2017) e “Complexion” me deixaram sem palavras.

O amor dele pela cultura asiática foi muito bem explicado por ele mesmo em “Tokyo”, quando ele praticamente declamou o segundo verso da música em que explica a primeira vez que foi a cidade quando tinha 18 anos, e em “Friend Zone” em que ele ratifica a paixão maluca por games e desenhos japoneses, especialmente “Dragon Ball Z”. Para se ter uma noção, o vilão mais icônico do desenho (Freeza) tava perfeitamente desenhado em seu All Star vermelho. A última música do BIS, pedido incessantemente pelo público, foi “Them Changes” que deixou a pista quente pro Tamenpi voltar e finalizar a noite. Foi o melhor show que vi nos últimos meses, desde Snarky Puppy também no circo.

Francisco Costa – IHateFlash

O momento.
Antes do show Paulo havia me dito para, depois do show, ficar naquele fosse do Circo ao lado dos banheiros, onde os artistas geralmente vão falar com os fãs após os shows. Fiquei lá e encontrei meu amigo DJ Tucho com o Disco de “Drunk” para um possível autógrafo. Paulo aparece e chama eu e o fotógrafo Francisco Costa do Ihateflash para subir ao camarim. Na minha cabeça veio um “FUDEU” gigante e tinha certeza que iria tremer na frente do cara.

No camarim, vejo um Thundercat deitado no sofá, descalço e tranquilão vendo o seu celular. Aquilo já me deixou muito mais tranquilo. Francisco começou a fazer as fotos e ele super solícito não viu problemas em ser fotografado deitadão tranquilão daquele jeito. Dalí eu já comecei a trocar uma ideia com ele.

Francisco Costa – IHateFlash

Começo elogiando a sua personalidade ao se vestir, ele fica amarradão e eu já me tranquilizo mais. A primeira pergunta foi sobre a importância de rappers como Kendrick Lamar e J. Cole pelos assuntos abordados por eles em momentos complicados para os negros ao redor do mundo.

“É importantíssimo termos vozes como as deles em momentos que acontecem as piores situações na américa e que ainda são justificadas. Eu sinto que não é somente sobre as pessoas pretas. É sim a nossa história mas pessoas como J. Cole e Kendrick fazem qualquer um sentir, ouvir e entender o que está sendo dito e isso é o mais importante. Caras como Kendrick são muito especiais pois são diferentes.”

Pergunto sobre um dos meus ídolos e digo que na minha opinião devemos demonstrar amor e carinho pra ele num momento difícil que está passando. Sobre Kanye:

“Pra ser muito honesto mano, ele precisa crescer. Quando você se torna extremamente famoso sua mente pode pirar. É muito do que eu penso. Sua nova família, seus novos pensamentos são estranhos pra quem ouviu “Graduation” incessantemente.”

A última pergunta foi a que fez sentido no título do texto e me deu mais um aprendizado. Thundercat é notoriamente um gênio como instrumentista e isso é demonstrado sempre nos seus discos e no seu show. Não necessariamente, ele é um aventureiro como cantor. Muito pelo contrário. Sua forma de cantar deixa essa identidade que eu citei milhares de vezes nesse texto, ainda mais evidente. Pergunto a ele quando que ele se deu conta que também era um grande cantor:

“Eu não sei mano. Eu me sinto bem quando eu canto, nunca é fácil pois são duas diferentes situações. Mas eu acho que quanto mais eu faço, melhor eu fico. Não tem outro jeito a não ser fazer. É não ter medo, ir e fazer.”

Essa foi a grande lição da noite. É chegar, acreditar e fazer. Foi assim que aconteceu essa entrevista, assim que conheci um grande cara que já era fã e assim que volto a escrever por aqui. E assim que Thundercat se destaca cada vez mais como músico e como artista. Fazendo, repetindo, refazendo e simplesmente acreditando. É por isso que estamos aqui.

Agradecimentos
Circo Voador
Dell’Arte Soluções Culturais

A Jornada – O Filme

A Jornada é a parte visual do Álbum Trilogia do Amor – Parte 1 do músico e pianista Jonathan Ferr e se baseia na canção “Luv is the way”.

O curta – clip afrofuturista conta a história de ONA, um jovem negro que encontra em AYE, o amor e o sentido de sua existência. A Jornada de ONA está ameaçada por ALAISAN, cujo olhar é a própria manifestação da maldade. O curta se passa em eras diferentes, apresentando uma África mítica e imaginária que ora é passado e futuro, ora é sonho e realidade, abençoada pela Rainha de IYA.

O curta – clip possui questões que permeiam o nosso tempo, é a junção de passado e presente desenhando possibilidades de futuro outros que não somente aqueles imaginados para nós, mais sim imaginado por nós.

Li uma frase uma vez da qual não recordo a autoria, mas cabe muito para a proposta que A Jornada se propõe: “Você não pode imaginar o que não conhece” e conhecer outras possibilidades de ser e estar presente no mundo, enquanto corpos negros, nos permite agarrar toda a potencialidade que nos cabe, contar as nossas histórias, exibir as nossas narrativas e sermos protagonistas daquilo que até bem pouco tempo, eram os outros que contavam por nós.

O filme estreia no Rio de Janeiro, dia 03 de abril no Cinema Nosso, Lapa.

Segue a ficha técnica completa:
ELENCO
Bruno Silva
William Tolbert B.
Ana Paula Patrocinio
Isa Oliveira
Rubens Barbot

Direção: Jonathan Ferr
Roteiro: Quesia Pacheco
Direção de produção: Erika Candido
Assistente de produção : Leandro Vieira
Produção Executiva : Jonathan Ferr/ Tânia Artur / Neon Entretenimento
 
1 º Assistente de Direção : Erika Candido
2 º Assistente de Direção : Beny Cazim
Figurino: Marah Silva
Produção de figurino : Quesia Pacheco
Direção de Fotografia/ Câmera: Luis Gomes
Assistente de Câmera/Fotografia: Flávio Cabral
 
Direção de Arte: Quesia Pacheco
Assistente de arte e Figurino: Victor Cantuaria
Direção de arte na locação Terreiro Contemporâneo : Gatto Larsen e Rubens Barbot
Pintura corporal : Rphel Cruz
Maquiagem : Isabelle Freitas
Still / Making of : Victor Hugo
Motoristas – Alex Sanots / Paulo Jorge
 
Edição – Beny Cazim / Cazim Filmes
Pós Produção : Cazim Filmes/ Neon Entretenimento
Colorista : Marcos Reis
Designer gráfico/Logo/ Artes gráficas : Jesus Paixão
Diretora de comunicação: Karina Vieira
 
MÚSICA
“Luv is the Way ” by Ferr
Piano/Rhodes/Synths : Jonathan Ferr
Talk Box : Donatinho
Voz: Alma Thomas
baixo: Facundo Estefanell
Bateria: Caio Oica
Engenheiro de gravação/ Mixagem: Vini Machado
 
Gravado no studios:
Estúdio 496 Santa Teresa
Synth Love
 
“Why are you crying?” by Ferr
Piano e arranjos de cordas: Jonathan Ferr
Voz : Mariana Milani
Engenheiro de gravação/ Mixagem: Vini Machado
 
Produção musical : Jonathan Ferr e Vini Machado

Lá Dó Si Lar – Maíra Freitas

Quando a música está em casa: Lá Dó Si Lar estréia segunda temporada.

A web série musical apresentada pela cantora e pianista Maíra Freitas passeia por diferentes estilos musicais.

“Reunir amigos e fazer um ‘bem bolado'”, essa é a partitura da série musical Lá Dó Si Lar, um programa totalmente original lançado semanalmente no youtube. A cada semana um artista é convidado a passar uma tarde bem a vontade na casa de Maíra Freitas.

A segunda temporada da série traz um belo acorde com os cantores Alanito Sonhador, Alberto Salgado, Jonas Sá, Josyara, Nilze Carvalho, Simone Mazzer, além da poeta Letícia Brito.

Misturando o clássico, o regional, o samba e o alternativo de maneira única.

“A ideia do programa surgiu a partir de uma gravação que fizemos com o Wilson das Neves, que eu admirava tanto. Nós curtimos tanto trazer esse ícone para ‘dentro de casa’ que resolvemos abrir o nosso ‘lar doce lar’ e convidar o público para curtir essas versões inéditas”, conta Maíra Freitas.

“A concepção do programa é feita com canções autorais, entre novos e consagrados artistas da música brasileira. A Maíra faz a curadoria dos artistas e eles escolhem três composições suas, e nós fazemos os arranjos trazendo versões inéditas, das originais”, completa Julio Alecrim, diretor musical do programa.

Os noves episódios foram filmado no aconchego da casa da Maíra, que fica no Alto da boa Vista, entre um café e um bolo despretensiosamente tirando um som. “A nossa casa fica um caos, delicioso, porque recebemos a cada temporada nove artistas e inúmeros músicos, mas tudo é feito com muito amor
e prazer. A ideia do Lá Dó Si Lar era ser um programa semanal, mas como todo projeto independente, a verba é sempre um problema, por isso gravamos cada temporada em quatro dias corridos”, diz Mario Rocha, diretor geral do programa.

“Durante a primeira temporada, nós abrimos as portas da nossa casa para nomes como Hamilton de Holanda, Julia Bosco, Pedro Luis, Áurea Martins, Vidal Assis, Matheus VK, Jessica Passos, Moreno Veloso e João Cavalcanti”, conta Maíra.

O programa Lá Dó Si Lar é produzido pela Danada Produções e Arquitetura Musical e vai ao ar no Youtube às terças e quintas.

Vem dançar com a Elis

Ela ganhou o país aos 4 anos quando disse que o seu “cabelo não era piluca”. Desde então Elis Mc, dançarina e cantora de 6 anos, continuou na cena e produziu muita coisa boa. Uma delas é o single Vem dançar com a Elis, de autoria do músico e coreógrafo Luis Marques.

O título da música saiu do evento que Elis comanda desde 2017 com edições no Rio de Janeiro e São Paulo. A intenção do evento é levar dança para todas as crianças e suas famílias.

O evento serviu de grande inspiração e assim nascia o single. No beat da música, temos referência do funk melody dos anos 90 e um toque de atualidade na pegada do passinho carioca.

Uma música tão simples e tão forte ao mesmo tempo que precisava de um clipe a altura. Foram 30 dias de pesquisa e muita parceria para a realização desse projeto.

Referências da história negra construíram a cena e a leveza e alegria das crianças deram a energia para o clipe. Todo mundo foi convocado e a gravação aconteceu no Parque Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Foram mais de 40 crianças que participaram da gravação que durou 9 horas.

O lançamento aconteceu semana passada no canal Elis Mc.

A produção final é da 44Meia Produções e o single já está disponível nas principais plataformas.

O Vem dançar com a Elis é um levante infantil a favor da beleza natural.

A música e o clipe são para todas e todos. É um ode à liberdade e a felicidade.


Websérie Afronta – Pretos no Topo!

Pesquisa, curadoria, encontros, representações sobre Afrofuturismo.

Eu prefiro chamar de re-escrita de memória.

A diretora Juliana Vicente faz isso é muito mais com a sua série Documental Afronta, produzida pela PRETA PORTÊ FILMES, em coprodução com o canal Futura e lançada online no canal TV PRETA .

São 26 episódios com entrevistas de até 15 minutos com pretas e pretos que estão fazendo acontecer no mundo da música, do cinema, da moda, das artes, do lifestyle, da dança, da literatura, do empreendedorismo, pessoas que estão influenciando a sociedade e as redes, produzindo conteúdo, ditando tendências e pensado o país a partir de outros olhares e outras subjetividades.

O mote do programa são narrativas pessoais que passeiam pelo Afrofuturismo, são reflexões a cerca da criação e fortalecimento de redes que transcendem a internet e também sobre a pluralidade do Ser Negro no Brasil.

Afronta expõe a imensa capacidade de produzir que esses pensadores possuem, quando não estão mais limitados pelo olhar cerceador e pequeno, limitador e estereotipado de quem pensa que ser negro é ser uma coisa só. Ali estão indivíduos lotados de saberes próprios, complexos, belos e afetuosos em suas trocas e que por saberem que assim são, seguem influenciam pessoas. Na internet e fora dela.

Onde assistir?
TV PRETA
Futura Play 

Slam Brasil – A Poesia na Sua Melhor Forma

SLAM BR é o primeiro poetry slam (campeonato de poesia falada) nacional. Acontece anualmente e é organizado pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos/ZAP! SLAM.

Mas antes de falar o que acontece aqui de forma absurdamente potente, voltemos ao começo…

O Poetry Slam é a potência da palavra com algumas regrinhas que envolvem a performance e a poesia original produzida pelos participantes, um tempo limitado para as apresentações, um público com júri que pontua cada apresentação de 0 a 10, a ausência de música e/ou acessórios e premiação simbólica aos vencedores.

Não existem limitação de estilos ou tema adequados, existem sim várias linguagens possíveis, que vão variar de acordo com a diversidade dos participantes que fazem parte desse movimento.

O Poetry Slam é uma prática artística e performativa que surgiu em Chicago nos anos 80’ e está em todas as partes do mundo e a palavra SLAM refere-se a poesia autoral que é escrita para ser declamada por meio artístico e popular, fazendo com a potência da oralidade, a partilha de ideias e mensagens chegue a cada vez mais pessoas.

O SLAM é a mistura perfeita de competição e batalha com a intensidade e sensibilidade da poesia e chegou ao Brasil através da atriz e MC Roberta Estrela D’alva em 2008.

Conheça o SLAM BR

São Paulo concentra a maior quantidade de Slams do Brasil e foi sede da competição nacional de 2017 que consagrou a pernambucana Isabella Puente como vencedora da edição, como prêmio ela garantiu uma vaga para o campeonato Mundial em Paris, que acontecerá em maio.

Bell Puente, ganhadora da edição nacional de 2017

Aqui no Rio, a MC Martina se destaca

A Herança e o Legado histórico no livro O Caminho de Casa de Yaa Gyasi

Num belo dia de 2017 estava na Livraria da Travessa da sete de setembro esperando o Di Cândido – um grande parceiro desse site – quando me deparei com o livro O Caminho de Casa de Yaa Gyasi, olhei para a capa e duas mulheres negras estavam lá, primeiro passo: verificar quem era a autora – porque sim, estou priorizando autoras negras, leia bem, não disse que não leio autoras não-negras, disse que estou PRIORIZANDO autoras negras – Yaa Gyasi, escritora nascida em Gana e criada no Alabama, foi reconhecida como uma das escritoras mais proeminentes de 2016 ganhando o maior prêmio de literatura com seu livro de estréia e de cara entrou para o rol dos 100 livros mais importantes do ano.

A sinopse?
Com uma narrativa poderosa e envolvente que começa no século XVIII, numa tribo africana e vai até os Estados Unidos dos dias atuais, Yaa Gyasi descreve as consequências do comércio de escravizados dos dois lados do Atlântico ao acompanhar a trajetória de duas meias-irmãs desconhecidas uma da outra e das gerações seguintes dessa linhagem separada pela escravidão.

Uma das minhas reclamações mais recorrentes, e de vários amigos meus também, era estarmos meio que cansados de ler sobre narrativas de sofrimento, quando vamos ver personagens negros em livros que não falem sobre escravidão, dor e luto? Porque é tão difícil achar livros de qualquer segmento literário que não associem pessoas negras a tristeza?

Cadê os livros onde os pretos estão felizes e plenos?
Esses foram uns dos motivos que fizeram eu não levar o livro.
Pula pra 2018, mais precisamente 15 de janeiro, o dia que comecei a ler O Caminho de Casa em pdf e não consegui parar até dar cabo das 443 páginas, escrever sobre ele em dois posts do facebook e dois posts do instagram, e vir pra cá contar de forma detalhada por que esse livro foi o meu segundo livro lido de 2018 e já está na lista dos mais importantes da minha vida juntinho com Um Defeito de Cor de Ana Maria Gonçalves.

O livro começa com uma árvore genealógica que vai te fazer voltar nela a cada capítulo e que me fez indagar várias e várias vezes o privilégio de quem pode e consegue montar a sua própria árvore conseguindo ir além dos avós.

A grande sacada do livro é nos fazer perceber de forma contundente, dolorida e real, – quase que desenhando pra quem custa a entender – como os males da escravidão são sentidos até hoje, ilustrando como o trauma é sentido hoje porque ele é passado de geração a geração, mesmo sem saber nomeá-lo.

Yaa Gyasi conta a história do sistema mais perverso, cruel e desumanizante que já existiu: a escravidão. Através de duas irmãs que não se conheceram e foram separadas por uma grande tragédia, o destino delas duas traça toda a narrativa, com cada capítulo sendo sobre a vida do seus descendentes pelas sete gerações seguintes.

Do Continente Africano, especificamente em Gana, por meio de duas tribos diferentes, os Fanti e os Axânti até a América, passando por várias cidades, a história é contada como quem conta perdas, vidas arrancadas, e a falta de escolhas quando tudo que o colonizador consegue ver em pessoas negras são lucros, coisas e algo em que ele pode usar pra se sentir maior, mais forte e poderoso, dominando, exterminando, humilhando e subjugando. All the time.

Abaixo, algumas passagens do livro:

“Você quer saber o que é fraqueza? Fraqueza é tratar alguém como se pertencesse a você. Força é saber que cada pessoa pertence a si mesma”. Página 63.

“Antes de Esi sair, aquele chamado governador olhou para ela e sorriu. Era um sorriso simpático, compadecido, porém verdadeiro. Mas, pelo resto da sua vida, Esi veria um sorriso no rosto de um branco e se lembraria do sorriso que o soldado lhe deu antes de levá-la para o seu alojamento; de como o sorriso dos homens brancos significava simplesmente que mais maldade viria com a próxima onda”. Página 80

“Os brancos têm escolhas. Eles podem escolher o emprego, escolher a casa. Eles podem fazer filhos negros e depois desaparecer como se nunca tivessem estado por ali, pra começo de conversa. Como se essas negras com quem  eles tinham ido pra cama ou que tinham estuprado tivessem dormido consigo mesmas e ficado grávidas. Os brancos também escolhem pelos negros. Antes, eles os vendiam. Agora, simplesmente mandam pra cadeia, como fizeram com o meu pai”. Página 388

E vou parar por aqui, pra não dar mais nenhum detalhe e pra você não perder a magia dessa leitura que já se tornou uma das minhas preferidas.