Todas as matérias referente a opiniões

Domingo dia oficial de churrasco

Era domingo, dia oficial do churrasco e macarronada em família. Eu bem que poderia ter saído do quarto pra respirar o ar lá fora e ouvir junto com meus pais a coletânea de Fundo de Quintal, mas preferi ficar na minha ao som de Akua Naru, J Dilla e mais um hip jazz supimpa que esbarrei nesse negócio maravilhoso chamado Youtube apenas sinta:

Sabe aquele dia em que você acorda e se olha interiormente e sente que tem algo em si incomodando? Então, foi eu nesse dia. Domingo pra mim, além de ”almojantar” às 17h da tarde também é dia de faxinar, dar aquela arrumada no quarto e tal. Já dizia minha bisa e minha mãe vive dizendo: “casa bagunçada e roupa guardada do avesso atrai bagunça pra vida”. Foi aí que decidi arrumar meu guarda-roupa. Mas arrumar mesmo. Não pegar as roupas recém tiradas da corda e jogar na cadeira do esquecimento. Enfim. Tirei todas as roupas e pus na cama. Cabide pra lá e pra cá com uma mistura de uns “porra, achei a blusa!”, “por que eu ainda tenho isso, nem uso mais”… E na medida em que ia ajeitando e guardando as peças, fui separando umas roupas que já não cabiam mais em mim por 2 motivos: 1- contra fatos não há argumentos, engordei e 2- não me via mais refletida nelas (o mais importante). Pra uma taurina apegada às coisas como eu, dar tchau pra essas roupas foi bem fácil. Então se eu consegui você consegue também.

Na semana seguinte acabei comprando uma blusinha no brechó de uma amiga, voltei a usar uma calça que estava guardada faz tempos, dei uma calça pra uma outra amiga e de uma conversa bem natural ganhei mais duas peças de mais outra. O mundo é movido por energia e seu guarda-roupa não é diferente. A roupa que você veste representa teu estado de espírito. Se não está conseguindo conversar, se reconhecer nessa caixa cheia de compartimentos e cabides, é hora de fazer uma limpa. Existem histórias lá dentro e é bom revê-las pra saber se quer e precisa manter ou toca-las pra frente.

Doe, revenda, troque, customize. Só não jogue fora. Tem muita gente por aí precisando vestir história nova e você também.
Pra ouvir enquanto faxina teu guarda-história, deixo aqui o link de Find Yourself- Akua Naru:

Boa faxina.

O que falar de Rihanna que já não tenha sido dito?

O que falar de Rihanna que já não tenha sido dito? Como falar dessa mulher e não cair no senso comum?

Escolhi falar de números ou melhor, feitos incríveis:

Robyn Rihanna Fenty tem 29 anos

14 anos de carreira

8 álbuns lançados

54 milhões de álbuns vendidos

A artista mais jovem a emplacar 14 singles em 1º lugar no hot 100 da billboard

A artista digital mais vendida de todos os tempos

7 discos de platina nos EUA – com “ANTI” batendo recorde de tempo ao conquistar certificado em 1 dia

60 semanas no topo da Billboard Hot 100 com 14 músicas – superando Beatles – 27 músicas no Top 10 do ranking

8 grammys

Seu primeiro single foi Pon de Replay

Foi a música Good girl gone bad em 2007 que alavancou Rihanna ao posto de ícone

Foi com Umbrella que Rihanna ganhou seu primeiro grammy em 2008

Em 2012 embarca na turnê 777, onde faz 7 países em 7 dias, levando o lançamento do seu 7º álbum, Unapologetic

No mesmo ano ela faz sua estréia nas telas com o filme Battleship

Primeira artista solo feminina a vender 10 shows na Arena O2 em Londres

Em 2014 foi homenageada com o primeiro prêmio da America Music Awards e o recebeu das mãos de sua mãe Monica Braithwaite

Já foi capa de mais de 70 revistas especializadas de moda

Foi a cara da campanha da Balmain na primavera/verão de 2014

Foi o rosto da campanha 2014 da Mac

Em 2014 foi nomeada embaixadora global da Puma women’s training e atua como diretora criativa.

Em 2015 a Dior anuncia Rihanna como a cara de sua marca na campanha Secret Gardens

Em 2016 lança Anti, que vende 166 mil cópias na primeira semana

Work alcança o primeiro lugar no Itunes em 91 países em menos de 36 horas após seu lançamento

81 milhões de fãs no facebook

74 milhões no twitter

54 milhões no instagram

24 milhões de inscritos no youtube

A artista feminina mais ouvida do spotify

Ela ela usa toda essa influência para esforços de filantropia na Fundação Clara Lionel que leva os nomes dos seus avós e atua desde 2012 para melhorar a qualidade de vida nas comunidades de todo mundo nas áreas de saúde, educação, artes e cultura

E apesar de todas essas realizações, Rihanna está apenas começando. Ela está muito ocupada colocando mais funções no seu currículo: Produtora executiva, atriz, estilista, Girl boss…

Imagem:http://www.rihannanow.com/

Mulheres Negras e Tecnologia

Isso é uma chamada.

Uma chamada de mapeamento e de referências.

Deixa eu te explicar, se você escreve, produz, dialoga, desenvolve ou colabora com trampos de inovação e tecnologia, você precisa estar nessa rede de conhecimento, fortalecimento e referências de mulheres negras e indígenas na tecnologia.

Já está no ar o teaser da PretaLab que acredita que referências são fundamentais para inspirar. Pensando nisso, o Olabi lançará em julho, mês em que se comemora o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha, uma série de dez vídeos com mulheres negras que atuam no universo das tecnologias e da inovação, dirigidos pela cineasta Yasmin Thayná.

Os vídeos marcam a segunda etapa da PretaLab, que começou em março com um mapeamento que busca levantar dados e coletar histórias de meninas e mulheres negras e indígenas atuantes no campo das tecnologias no Brasil. O projeto é realizado pelo Olabi, com o apoio da Fundação Ford.

Ainda é tempo de registrar a sua história e para fazer o mapeamento, acesse: http://bit.ly/PretaLab

Festival Latinidades Afrolatinas

“Precisamos imaginar este tipo de sociedade em que queremos viver. Não precisamos simplesmente presumir que, de alguma forma, magicamente, vamos criar uma nova sociedade na qual haverá um novo tipo de seres humanos. Não, precisamos começar o processo de criar a sociedade em que queremos viver agora”. Angela Davis

O Festival Latinidades Afrolatinas é o maior festival de mulheres negras da América Latina e articula redes nacionais e internacionais, dando visibilidade para a produção artística, cultural, política e intelectual de mulheres negras em enfrentamento ao racismo e ao machismo.

O tema desse ano é:

Horizontes de liberdade: afrofuturismo nas asas da Sankofa

De 27 a 30 de julho de 2017 será realizada a 10ª edição do Festival Latinidades e para que isso aconteça o Festival precisa do apoio de todos.

Para a realização do projeto, o Festival conta com diversas parcerias. Em 2017, eles optaram também pela campanha de financiamento coletivo que tem como objetivo: financiar parte da programação artística, passagens e hospedagens de mulheres negras de diferentes regiões brasileiras que virão a Brasília acompanhar a programação.

Com o valor mínimo de R$ 10,00 você pode contribuir com o projeto. Como forma simbólica de agradecimento aos apoios, O Latinidades Afrolatinas tem 09 tipos de objetos, também chamados aqui de recompensas, para serem entregues durante o Festival, a quem contribuir com valores a partir de R$ 20,00.

Contribua!

https://www.catarse.me/festival_latinidades_10_anos_0a0f…

Mano Livre Brown

O maior objetivo de um artista é ser livre. Livre pra mostrar sua obra, seus sentimentos, suas ambições e devaneios. E essa liberdade é acompanhada pela vontade do artista em ser unânime. Dizemos que não mas ligamos muito para a opinião alheia. No final das contas, ser compreendido é basicamente o que queremos. Tudo aqui é tão denso e tão intenso que achamos que todos tem que aceitar e agregar aquilo que estamos jogando para fora.

Fui ver o show incrivelmente bonito do Mano Brown, que apresentou o seu mais novo trabalho “Boogie Naipe”, e no meu rolé pela Lapa pós Circo Voador fiquei me perguntando por quanto tempo Brown segurou esse trabalho e aqueles sentimentos para si. Eu vi um Mano Brown sorrindo no Circo Voador. Alguém tem a verdadeira noção disso? Quem realmente o acompanha e segue a história e a luta dos Racionais, sabe o quão difícil seria ver aquela cena de um Mano Brown livre, sem amarras e demonstrando sentimentos que a gente não conhecia. Ou não queria conhecer.

Mano Brown é uma espécie de Mandela do Rap nacional. Sério. Mandela abdicou da sua vida pessoal e dedicou os seus esforços e sua luta a uma causa que era muito maior do que ele próprio. Acredito que se você quer ser referência e entrar realmente na história por ter deixado alguma verdadeira marca no mundo, algum grande sacrifício você terá que fazer. Algum preço alto você terá que pagar. Qual é o tamanho do seu sonho? Será que vale passar 27 anos na cadeia por ele? Será que vale a pena deixar seus sentimentos de “stand-by” por alguns longos anos até que chegue a hora certa de soltá-los para um público que você dedicou sua vida e que provavelmente não te entenderia?

Pro Mandela valeu a pena. Pro Mano Brown acho que tá valendo também. Ele tá menos agressivo, menos sisudo, menos intempestivo. Mas meu coração e intuição me dizem que ele está 10 vezes mais perigoso hoje, pelo simples fato de ter evoluído. Brown hoje ocupa espaços, atinge pessoas que quem tinha medo da mudança e revolução que o poder da palavra dele poderia causar não imaginaria. E é aí que tá o verdadeiro perigo para eles. Quando eles menos esperarem, Mano Brown assume de novo o seu papel revolucionário – que nunca deixou de existir – e passa essa mensagem de uma nova forma. Sempre eficaz e direta.

Tudo tem a hora exata para acontecer. Deixe o seu mito ser humano. Deixe o artista ser artista. Não fique esperando muito dele. Deixe ele sair da sua zona de conforto pra te tirar da tua zona de conforto. Todo mundo merece ser o que quiser e ser minimamente respeitado e admirado por isso. Se o seu sonho não te exige sacrifícios, alguma coisa tá errada por aí. Mandela se sacrificou e virou um mito. Mano Brown se sacrificou, virou um mito e tem a coragem de pôr isso em risco justamente para ser o que Mandela demorou 27 anos para ser. Livre.

Foto: Lucas Sá

“Inshalá Inshalá”

Vamos falar de dinheiro. Palavra que todo mundo quer ter mas que ninguém nesse país pode falar que quer ter. Porque a partir do momento que falamos que queremos viver uma vida minimamente confortável, parece que nos é apresentado o oitavo pecado capital e iremos arder no mármore do inferno. Somente por dizer que quer ser rico.

Ainda mais se essa pessoa for do gueto.É praticamente impossível para outra pessoa de uma classe social superior perceber que você possui desejos, ambições e responsabilidades com a sua própria vida e a da sua família. Parece que seu destino já foi definido antes mesmo de você nascer. Tu vai trabalhar exaustivamente a vida inteira de 8hs às 18hs, ter uma vida bem mediana e viver o sonho dos outros. E você ainda tem que agradecer por isso.

O poder supremo desse país sabe muito bem como o nosso povo é. Desde o início da nossa construção, todos que comandavam isso daqui sabiam do potencial e onde o nosso povo poderia chegar. Mas o poder e o sistema são tão maquiavélicos que eles se beneficiam da nossa notória bondade e humildade e transformam esses dois fatores em armas que sabotam a nós mesmos. Eu juro que consigo fechar os olhos e fazer um exercício de imaginação sobre o dia em que uns políticos e 7 ou 8 representantes de umas famílias extremamente ricas fizeram uma reunião conspiratória lá por volta de 1888 que moldaria as cabeças da população brasileira desde então. Vê se tu consegue me acompanhar:

É uma segunda feira simples e normal no império. Uma reunião secretíssima é convocada no Palácio do Catete para que o poder vigente pudesse discutir sobre os novos rumos do país. Muitas revoltas na rua, muitos progressistas. Alguma coisa não tava muito certa. Se aquele clima continuasse, em alguns anos o poder poderia ser dividido e pessoas de classes inferiores poderiam frequentar os mesmos lugares, comer as mesmas comidas e ser tão instruídos quanto a classe dominante. Olha que audácia.

Um banquete é servido, mas ninguém toca na comida. Todos preocupadíssimos com as suas próximas gerações. Todos preocupadíssimos em manter as linhagens arianas e européias de suas famílias. Isso nunca poderia mudar. Tudo deveria ser como está. A minoria rica e instruída e a maioria trabalhando para que essa minoria se mantivesse abastada. O clima de tensão paira no ar.

Eis que surge um barulho de um garfo batendo três vezes numa taça de champagne. É pedida a palavra e aquela pessoa começa a expor as estratégias para que tudo continue nos trilhos. Uma oratória perfeita, poder de convencimento e persuasão incríveis. Resumidamente essa voz disse mais ou menos isso:

“ Gente, momento complicado mas não impossível de ser resolvido. Sabemos muito bem do potencial, talento, garra e vontade das classes inferiores. Se dermos ferramentas para crescerem, eles um dia estarão frequentando esta mesa conosco ou até mesmo os nossos privilégios diminuirão para que todos tenham uma vida mais igual. Isso é inadmissível. A tática é simples: Faremos com que eles nunca descubram esse potencial que sabemos que possuem. Faremos com que eles não conheçam a sua história para nunca saberem para onde querem ir. Faremos com que eles nunca tenham auto estima para que nunca tenham vontade de mudar. E o melhor de tudo, mesmo com toda a dificuldade faremos com que eles agradeçam constantemente pela dádiva de viver aquela vida, em um país lindo com belezas naturais e com um povo bom de coração que suprem todas as dificuldades para se viver. Se fizermos isso, eles trabalharão para nós a vida inteira e não teremos nenhum tipo de problema, revolta ou mudança pelos próximos 100 anos.”

Voilá! Todos aplaudem. O banquete é devorado, todos bebem e comem como se não houvesse amanhã. E a vida segue. Em cima uma pequena parcela da população rindo da parte de baixo que se ataca, não se conhece e não possui auto estima. Combinações perfeitas para essa população se tornar gado.

É fazendo esse exercício fictício com fortes indícios de verdade, que chegamos a conclusão do quão incrível é a cultura HIP HOP. O rap é uma das pouquíssimas expressões culturais que nos dá salvo conduto para falar abertamente sobre sucesso, seja ele financeiro ou emocional. Aqui não temos medo nem receio de falar que queremos sim ter uma vida melhor e é aqui que enxergo pessoas parecidas comigo falando uma linguagem de evolução e saída da zona da dificuldade. É o que eu chamo de socialização da imagem. A partir do momento em que olhamos ao nosso redor e enxergamos os nossos pares vivendo uma realidade que nos foi imposta, vemos também MCs/DJs/Bboys/Grafiteiros que estão inquietas e que querem mudar aquela realidade através do HIP HOP.

Pode soar como superficial, mas não é. Está muito longe de ser. Você pode ver aquele clipe bling bling com várias motos, carros, dinheiro voando, mulheres impossíveis, vidas inimagináveis e se perguntar se tudo aquilo ali é verdade. Se aquele MC que tá cantando aquele som tem realmente toda aquela grana ou se é tudo emprestado ou alugado. Pode até ser que seja. Mas já parou pra pensar em quantas mentiras e hipocrisias são impostas para que nós fiquemos sempre parados? Quantas vezes já nos foi dito que seria impossível ou inimaginável? Já que essa realidade que lhe foi imposta só o prejudica/deprime, agora ele vai em busca dessa ilusão e vai fazer de tudo pra transformar essa utopia em realidade.

Eu dei essa volta gigante pra dizer que o Akira Presidente dá esse papo de uma forma muito reta no seu novo trabalho, “Fa7her” pela Piramide Perdida. Ele coloca muito bem tudo isso em forma de metáforas e punch lines mostrando todas as ambições e contradições de um homem feito. É um dos melhores discos nacionais do ano. E a faixa “$$$$$” com o Bk’ foi a que me fez cuspir esse texto. Primeiro pelo refrão viciante que é o retrato do Bloco 7. Segundo por toda a produção, mixagem e masterização geniais de El Lif e Arthur Luna que refletem bem o bom momento que o rap nacional passa na parte da produção musical. Sempre houve uma lacuna gigantesca entre a qualidade de som dos americanos e a nossa. Essa distância diminuiu muito nos últimos anos e mostra a dedicação e estudo dos novos produtores da cena. Terceiro pelo flow Zidane que Bk’ mais uma vez mostrou nessa participação. A forma como ele rima define que você vai dançar de umas 4 formas diferentes dentro das suas 16 barras e os seus versos soam como hino de evolução que certamente será gritado nos próximos shows do Bloco.

Todas as participações são muito pontuais e chamam bastante atenção, onde cada convidado mostra a sua identidade nos sons. Brill se porta como um dos rappers mais autênticos da cena atual, tendo um flow muito característico. Luccas Carlos se firma cada vez mais como um dos melhores na hora do refrão, conseguindo manter as suas rimas no topo. JXNV$ surpreende cada vez mais ao mostrar rimas concisas e metáforas bem inteligentes. Sain sempre se destaca e Djonga se consolida como realidade. Todos na dose certa, deixando o protagonismo merecido pro dono do trabalho.

Ao mesmo tempo que quer grana, Akira quer principalmente o melhor pra sua família. É isso que a capa de “Fa7her” mostra e é isso que o HIP HOP prega. Que somos acima de tudo seres humanos. Erramos, seguimos caminhos tortos, tomamos atitudes às vezes erradas mas que no final das contas moldam a nossa visão de mundo e nos fazem enxergar o que é realmente importante. Todo mundo merece sonhar e ter a vida que quiser ter. E o Akira mostrou muito bem isso.

Tu merece, eu mereço. Inshalá.

Imagem: Divulgação

Donald Glover

Sabe aquela pessoa que é //? Tipo faz mil e uma coisas ao mesmo tempo e faz muito bem essas mil e uma coisas? Esse é o Donald Glover, quando Mc é o mcDJ e quando cantor, é o Childish Gambino e além disso, é ator, escritor, produtor, comediante e compositor, ou seja, muitas //.

Conheci o Donald Glover por uma série de coincidências – será? – soberbas, (1) a série Atlanta – Criada e estrelada pelo próprio Donald Glover, que conta a história de dois primos que sonham em se destacar no cenário rap de Atlanta, em um esforço para melhorar suas vidas e de suas famílias – , (2) a capa estupenda do seu álbum de 2016, Awaken, My love, que meus amigos estavam postando enlouquecidos no instagram, (3) a faixa Sober do mesmo álbum que estava escutando no spotify e (4) o belíssimo clipe que ele fez com Chance The Rapper , assita abaixo:

Donald Glover é multi-talentoso e se permite explorar todos os seus talentos, numa era onde é possível utilizar das // ao nosso favor. A geração anterior estava bem preocupada em ser algo, alguma coisa, uma só coisa com excelência, já a geração seguinte, consegue e realiza bem a multiplicidade de ser várias coisas ao mesmo tempo, em campos variáveis ou no mesmo campo, as artes por exemplo, como o Donald Glover.

Curiosidade: Donald Glover escolheu seu nome de cantor (Childish Gambino) no gerador de nomes do Wu Tang Cla (http://www.mess.be/inickgenwuname.php).

Imagem:MePlusTv

Falar de beleza também é falar de moda

Lembro que em 2015, escrevi um texto como trabalho de uma disciplina na faculdade. Foi sobre a falta de produtos de cabelo e cosméticos para negras e representatividade neste nicho. Hoje em dia tô mais feliz por ver empresas se posicionando a respeito.

Agora em 2017, no dia 4 de abril, a empresa brasileira de produtos de cabelo Salon Line, apresentou a cantora Ludmilla como a mais nova Embaixadora da marca. A cantora está passando por transição capilar e particularmente achei esse casamento maravilhoso, pois atualmente é a empresa que mais investe em cabelos crespos e cacheados, tendo a linha #Todecachos como a mais famosa.

O que a empresa – e nem eu – não esperava, era a chuva de críticas sobre a escolha na representatividade. Mesmo com a explicação muito bem explícita no texto, muitas mulheres disseram que a cantora não tinha nada a ver, que ela só usa perucas e tranças s e que deveriam chamar a Sheron Menezes ou outras artistas mencionadas nos comentários.

Pera aí, gente! A mina tá passando por transição! Para muitas é complicado, difícil e um processo lento, sendo artista nacionalmente conhecida ou não. A gente vive diariamente em processo de aceitação. Já parou pra pensar nisso?

A sensação que tenho é que tá tudo muito 8/80 pras pretas. Ou é isso ou é aquilo. Nadinha de diversificar por um tempo. Tá tendo muita imposição dentro de alguns discursos de liberdade e isso tem acontecido na maioria das vezes com pretas mais retintas. Porque Sheron Menezzes, atriz da Globo, preta de pigmentação mais clara logo de cara e não Ludmilla, preta de pigmentação mais escura, cantora de pop-funk?

Por quê?

Link do vídeo abaixo:

Imagem: Facebook Salon Line

Neto

Estava fazendo umas pesquisas sobre canais de rap no youtube e consegui acessar 4 muito bons, com matérias, resenhas e opiniões sobre o rap e seus derivados. Fui olhar a caixa de comentários dos vídeos que mais me chamaram atenção – sim, olho caixas de comentário e pelo menos desses canais, as caixas são muito bem frequentadas – e todas elas tinham em comum pedidos massivos para entrevistar o Neto do Síntese.

O nome não me era estranho, então lembrei que ele que ele participou da faixa Plano de Voo do Álbum Convoque seu Buda do Criolo (2014), com versos que despertaram meu interesse por fugirem da “tríade do mal” vigente no Rap – Drogas, festas e sexo -.

Neto é cria de São José dos Campos – Vale do Paraíba (SP) e de 2010 até 2012 formou com o Leonardo Irian a dupla de rap, Síntese, que após um recesso em 2012, volta somente com o Neto , que preferiu manter o nome Síntese por entender que a mensagem que ele se propõe a passar é maior do que ele.

Neto canta sobre transcender, sobre espiritualidade, canta sobre fé mas sem se alinhar a alguma religião, sobre conexão com algo que não vemos mas que sabemos existir – algumas pessoas dão o nome, deus, outras, energia, outras universo -, canta sobre os diversos níveis de consciência e contextos sociais.

Em uma das inúmeras entrevistas que vi com Neto, ele diz que foi diagnosticado esquizofrênico com 18 anos por causa dos pensamentos frenéticos, constantes e por sentir em demasia o que ninguém ensina nas escolas. Em qualquer vídeo de entrevista com o Neto é impossível não ficar surpresa com a quantidade de informação e conhecimento que ele carrega, não reparar que ele deixa todos os entrevistadores sem palavras. Ele tem uma parada de pregador, de quem fala com propriedade de assuntos e lugares que poucas pessoas vão acessar.

O Neto é um agente de transformação. Ele é um rapper que está muito além do seu tempo, é possível que as palavras e as informações que ele transforma em música seja de difícil assimilação para muita gente, contudo vale a pena tentar ouvir e se deixar ser tocado. Neto celebra a vida e quer mudar o mundo.

“Hoje em dia a sensibilidade das pessoas tá sendo colocada a serviço do que não é relevante, do que arrasta. Nosso sopro é um tufão da vida de um muleque de 15 anos que tá vendo noiz, o muleque vai reparar em cada pedacinho do nosso corpo, em cada trejeito, tudo é uma sugestão.”

“O Síntese é isso, essa mensagem, essa ideia, esse compromisso com a verdade. É a verdade, as consciências, independente da nossa conduta, é a urgência da luta. Sempre foi o rap,né? Os mazeladão com a vida, no tratar das consciências e com dificuldade para se expressar ainda, eu creio que seja isso, tá ligado? É o que noiz consegue preservar de pureza no meio desse labirinto, sabe, é um depósito de pureza, é uma delicadeza, olha como são os brutos homens, que faz música, que faz rap e olha como a poesia é delicada, tá ligado? Eu acredito que seja muito sagrado isso e que eu quero levar essa energia, esse espírito de transformação que é o Síntese acima de tudo, é esse espírito da renovação que me pede uma conduta na minha vida, eu tenho que tá morrendo e renascendo todo dia

pra eu poder fazer show do Síntese, tá ligado? Pra eu poder levar esse espírito de transformação para as pessoas, pra executar essa obra que tá contida toda essa energia de transformação, de morte e renascimento e ressurreição”.

Citações da Entrevista do Neto para o Rap Box:

“Rap pra mudar o mundo. Essa é a missão do Sìntese.

Verso, Verdade & Vida. De São José pra reacender sua fé.

Sinta-se.

Amem. Amém

Imagem: RND

O Lázaro se parece comigo

As suas referências te norteiam. É incrível quando essas referências que você adquire ao longo da sua trajetória te mostram além do que você imaginava para aquele momento do encontro ao vivo. Por muitas vezes nos decepcionamos e descobrimos que aquele ídolo que seguíamos não era tão maneiro e legal assim.

As minhas referências (fora mãe e pai) sempre foram muito reais e possíveis. Sempre admirei alguém próximo que trabalhava muito para realizar um objetivo, um amigo que tinha um bom coração e que tava dando a vida para realizar os seus sonhos ou algum rapper brasileiro que, pela cena ser bem acessível, uma hora ou outra eu iria acabar me encontrando e trocando algumas ideias olho no olho com ele. Meus ídolos sempre foram pessoas que estavam e estão próximo, me mostrando dia após dia que é possível realizar algo. Minhas unicas referencias minimamente utópicas (Kendrick, Obama, Kanye, Denzel, Angela Davis) tão bem distantes de mim. Parece loucura, mas – por algum motivo que eu não sei explicar – eu tenho a quase certeza de que vou conhecer todos ou uma boa parte desses ídolos distantes ao longo da minha vida. Tomara que isso se realize.

Lázaro Ramos era meio que uma referência utópica. Mesmo tendo alguns amigos em comum e morando na mesma cidade, ele não é tão acessível como os meus rappers brasileiros favoritos. Ontem (02/05) fui a uma palestra dele na PUC onde o tema era o protagonismo negro na arte e ele. Inevitavelmente ele mesmo seria o tema da palestra. É muito curioso e intrigante pensar pela cabeça do artista. A gente sempre se coloca ludicamente na posição de destaque deles e fazemos um exercício mental para saber que posições tomaríamos se fossemos eles. As perguntas passaram muito por aí. Angústias, solidão, construção de personagens, criação dos filhos, peso de ser referência, relacionamento com outra referência, etc. Para cada resposta, Lázaro foi real.

A sensação de ver um dos maiores atores brasileiros – tanto pela sua luta e principalmente pelo seu talento – sendo verdadeiro, foi o que me fez enxergar o quanto eu era parecido com aquela minha referência. Não somente parecido esteticamente (fato que é extremamente importante), mas parecido como ser humano. Como mesmo ele tendo sua vida financeira e afetiva praticamente resolvida, ainda assim possui medos e angústias que não o fazem parar no tempo. Que não o faz se acomodar com o status de maior referência negra na dramaturgia. E que ele não deixa sua vaidade e ego serem maiores do que suas lutas e seu propósito na vida, que é viver e utilizar a arte como um meio de mudança.

Falo sobre referência. Poderia tentar transcrever aqui tudo o que me marcou nessa noite, mas acho que não conseguiria ser tão verdadeiro. Acho que só quem tava lá conseguiu absorver toda a energia e confiança que nos foram impostas desde a primeira vez que ele pegou no microfone. E é basicamente disso que a gente precisa. Por que assim como ele, estamos trabalhando para também sermos referências e precisamos ser tão verdadeiros quanto Lázaro para influenciarmos futuros Pedros, Karinas e Nathans.

Eu sou muito parecido com o Lázaro e ele se parece muito comigo. Eu tenho muito orgulho disso.

Imagem: Pinterest