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Um editorial da realeza

Rich Allela e Kureng Dapel (respectivamente de Quênia e Nigéria). Esses foram os nomes das mentes que trabalharam por trás das câmeras do projeto chamado African Queens, que intuito de empoderar mulheres africanas de hoje. Allela e Dapel deram início ao projeto relembrando a história de um legado: Mnyazi Wa Menza, mais conhecida como Mekatilili Wa Menza.

“Isso representa a força da feminilidade e inspira a mulher africana a passar por cima da desigualdade e discriminação encarada todo dia”, diz Allela.

Menza era filha única em uma família de cinco filhos, tendo um de seus irmãos, Mwarandu, levado por escravas árabes e nunca mais visto. Nasceu na década de 1840, no Quênia e foi líder do povo Giriama, um dos nove grupos étnicos que compõem o Mijikenda (que literalmente se traduz em “nove cidades”) em uma rebelião no período administrativo colonial britânico. Tornou-se Mekatilili quando teve seu primeiro bebê Katilili. O prefixo “me” nas línguas de Mijikenda tem o significado de “mãe”. Até hoje é considerada profetisa pelo povo de Giriama.

Conheça mais sobre os trabalhos dos fotógrafos:

Rich Allela: https://www.richallela.com
Kureng Dapel: https://www.facebook.com/kurengworkx/

Sobre bloqueio criativo, síndrome do impostor e inseguranças

O famigerado papel em branco te encara, o tempo continua passando e aquela inspiração que você precisa não chega. O que fazer? Os prazos estão acabando, a agonia se intensificando, e as metas que você estabeleceu não estão sendo cumpridas. O que fazer?

Tem dias que você vai escrever sobre tudo e qualquer coisa, que as ideias irão pular pelos dedos aos borbulhões, que escrever será o ato mais fácil a se fazer. Outros não. Cada palavra será retirada a força, cada folha escrita, rasgada e jogada fora, cada parágrafo apagado sem dó, isso quando vc conseguir romper com a barreira do papel em branco.

A escritora Aline Valek fala sobre as armas das pessoas criativas aqui. Algumas dicas que tirei de lá e adequei a minha realidade:

1 Não espere a inspiração chegar. Comece. Agora.
2 Repertório ou bagagem criativa. Você aí, sim, você mesmo. Pare de rolar o feed do facebook e/ou instagram e vá ler, aprender, ver ou ouvir algo que aumente a sua carga para as escritas futuras. Se alimente de inspiração.
3 Se você tem um campo de interesse, se aprofunde nele, colha cada vez mais materiais de estudos e de diversas fontes distintas, se não quer ler sobre, assista a vídeos, escute podcasts e tente linkar fontes diversas para formar seu próprio entendimento sobre esse assunto.
4 Associação de ideias, linkar ou mixar. Faça a sua maneira, certamente seu cérebro possui um mecanismo de junção de coisas aparentemente desconexas. Comigo funciona na aula de inglês, como assisto muita série legendada e ouço muita música em inglês, quase sempre rola livre associação entre uma expressão nova e uma frase que ouvi em alguma letra ou diálogo.
5 Flow ou como falamos na comunicação: Brainstorm. Sem julgamentos, seu o do outro – sim, sei que é difícil. sei mesmo, confia, porque também ajo assim, toda acusatória comigo mesma – deixe fluir, daquela ideia mais estapafúrdia, pode surgir um texto/tema legal. Aline já deu a dica: seja água.
6 O mais difícil: Paciência. O seu tempo. Do seu jeito. Tudo está tão rápido que paciência está quase que escassa no mercado. Tudo é pra ontem, pra já. Maturar quase que não é mais um verbo. Achar o seu tempo será o mais difícil, quase tão difícil quanto não se comparar com outra pessoa.

Isso me leva ao outro tópico, a Síndrome do impostor.

Sabe aquela sensação de estar num lugar ao qual você acha que não pertence? Aquele convite que você recebe para falar em algum lugar sobre um assunto que você domina, que você estuda mas que quando você se depara com a situação que vai te expor, você pensa: Eu não sei nada, é agora que vão descobrir que sou uma fraude?

A Síndrome Impostor é como os especialistas normalmente se referem à crença persistente de que você chegou ao ponto onde você está não através de suas próprias habilidades ou trabalho duro, mas tendo sorte e basicamente enganando as pessoas para que elas pensassem que você é melhor do que você é.

Essa sensação de inadequação, de estar num lugar que não é seu, de ser uma fraude. Essas sensações sempre vem acompanhadas de uma carga gigante de ansiedade e insegurança.

A Gabi Oliveira nesse vídeo traz um questionamento primordial sobre como os estudos sobre a síndrome embora possua dados de gênero, não entrecruzam esses dados com raça, porque sabemos bem, que escutamos desde crianças o quanto temos que ser boas, pelo menos 2x melhor.

O buzzfeed dá 17 dicas de como lidar com a síndrome aqui.

Falar sobre bloqueio criativo e síndrome do impostor, me levou ao terceiro tópico: A insegurança.

Eu acompanho um escritora americana pelo instagram chamada Alex Elle. Ela escreve sobre autocuidado, auto celebração e amor próprio, e eu costumo chamar ela de Minha Mentora, pois ela me coloca nesse lugar de ok, não preciso saber sobre tudo, não preciso ter todas as respostas, preciso relaxar e principalmente: tenho que respeitar meu tempo, a minha escrita.

O que me leva a essa nota que ela escreveu há pouco tempo:

“Notas sobre não saber.
A maior parte do tempo não faço ideia do que estou fazendo, só estou tentando descobrir e viver uma vida boa. E, as vezes, isso é o suficiente.
Temos tendência a colocar tanta pressão sobre nós mesmas para ter a certeza e para saber os próximos passos, mas por vezes, pode ser melhor ir e aprender ao longo do caminho.
Sem pressão, apenas a vontade de mostrar e descobrir o que está do outro lado…
Há poucas pessoas que admitem que não tem certeza. Se aprendi alguma coisa nessa vida, é que até o que pensamos que sabemos pode mudar.
Os sentimentos mudam, as perspectivas evoluem e o crescimento nos torna maleáveis de formas que podem fazer com que as nossas certezas se desenrolem.
E não faz mal. Não temos que saber sempre qual o próximo passo. Haverá momentos na vida em que temos que entrar no desconhecido e encontrar maneiras de aprender.
Tatuado no meu braço tenho: Encontre a tua luz. E isso é algo que faço diariamente.
Encontrar-me no meio do não-saber e viver para aprender é o que eu uso para me apoiar em momentos de incerteza”.

Espero que essas dicas, esse vídeos e esse texto sirvam para te mostrar que você não está sozinha e que essas inquietações que te assombram, elas pairam sobre todas nós, mas que compartilhando das nossas incertezas, as nossas dúvidas, quem sabe possamos nos fortalecer e fazer uma rede onde o que me potencializa, pode te potencializar também, afinal, já passamos de fase de tentarmos ser supermulheres. Só queremos Ser.

Ser quem nós quisermos ser.

A produção inovadora de Gabriel Marinho

Músico, produtor musical, compositor, DJ e gestor de conteúdo. Gabriel Marinho é uma das figuras mais presentes nos palcos, estúdios e escritórios do music business carioca. Com uma identidade única, suas produções vem inovando o cenário brasileiro, e abrindo caminhos em expressões urbanas como o Afrofuturismo.

Nascido em Salvador Bahia, Gabriel teve um contato fundamental com a percussão de sua terra ainda na infância, quando vivia na cidade de Castro Alves no recôncavo baiano, tornando-se baterista e percussionista autodidata. Ao se mudar para o Rio de Janeiro conheceu a cultura hip-hop, e na adolescência começou a produzir beats de rap. Após uma viagem de retorno a Salvador passou a utilizar sua habilidade com os tambores para criar sua identidade fincada em suas raízes baianas e africanas, influenciado por Ilê Ayê, Luiz Melodia, Ebo Taylor, Peter Tosh, indo até Madlib, Parteum e Flying Lotus.

Acumulando colaborações com nomes como Angélique Kidjo do Benin, 3 vezes ganhadora do Grammy, com quem se apresentou na Roundhouse em Londres no dia 12 de Novembro, Tássia Reis, no premiado álbum “Outra Esfera”, André Sampaio com quem co produziu a trilha da exposição “Povo Insônia” do grafiteiro Toz, e com quem apresenta o programa Mandinga Beat na rádio online Blá FM. Excursionou por Paris com os artistas Carta na Manga e Descolados, onde palestrou no CentQuatre (104) maior centro de cultura urbana da Europa. Durante as Olimpíadas do Rio 2016 foi DJ exclusivo da delegação Alemã na Deutsche Haus, e já assinou trabalhos com Aori, Donatinho, Julia Vargas, BK’, Zola Star (Congo) e Folakemi (Inglaterra), entre outros. Dirigiu e compôs o autoral curta/EP “Rumpi Mondé”, exibido em países como Kenya, México, USA e França e em diversas cidades brasileiras.

(Rumpi Mondé 2013 – Filme dirigido e trilha composta por Gabriel Marinho)

Nyl Mc e o seu “Afronta”

Direto de Irajá, Zona Norte do Rio, Nyl MC lança seu mais novo clipe “Afronta”. Integrante do selo #NovaBlack Produções, do grupo de rap Olola Fa e do coletivo Resistência Cultural, o artista mostra em seu novo trabalho a potencialidade das culturas que possuem matrizes africanas.

Com uma letra agressiva e desafiadora, aliada a performances que mergulham na ancestralidade das danças afro, passando pela capoeira e ao passinho do Funk, o clipe vem ressaltar a importância da população negra na construção da cidade do Rio de Janeiro. Através da empatia e do direito a diferença de cada indivíduo, também se torna um chamado para a luta contra o racismo.

Transpiro o conflito que passa na pele

O instrumental da música é produzido por Gabriel Marinho, músico e produtor baiano radicado no Rio, que imprime na faixa seus conhecimentos como percussionista e de beatmaker. DJ Row G, fundador do selo NovaBlack, foi o responsável pela mixagem e masterização. O clipe foi produzido pela Berro e teve direção de Priscila Martinho.

Nyl está em atividade desde 2007 e vem a cada dia se destacando. Em 2016 se apresentou em um dos palcos oficiais dos Jogos Olímpicos com seu show “Um Novo Amanhecer”, onde apresentou pela primeira vez a música “Afronta” e mostrou não só a sua evolução como artista, mas também o que virá no seu próximo disco “A.L.M.A.”, previsto para 2018.

Assista ao clipe Afronta

Reage, Vogue!

É provável que durante a leitura você fique pensando “novembro tá quase acabando e ela só veio falar disso agora?” Eu sei. E realmente poderia ter dito tudo isso no começo do mês, mas tem coisas que a gente precisa relembrar, puxar pra pauta e não deixar cair no esquecimento, porque uma boa reflexão é atemporal. Mas vem comigo!

Sabe aquela peça de roupa que você vem desejando a tempos e que só encontra se garimpar muito muito muito bem, e quando esse date acontece dá vontade de fazer dela uniforme e sair por aí desfilando pra todo mundo ver?! Então… comprar revistas de moda brasileiras com modelos e celebridades negras é a mesma sensação. Pena que não dá pra ter essa sensação com a Vogue de novembro. Não só desse ano, mas dos outros também.

É engraçado a revista escolher o mês de novembro para celebrar há cerca de 28 anos o Rio, quando o aniversário e protagonismo da cidade maravilhosa é logo no começo do primeiro semestre. “Mas Laíse, novembro é lançamento de tendências alto verão e festa de final de ano. É normal associarem ao Rio…”. Ok, na moda, mês de novembro dá entrada ao verão e Rio de Janeiro é quente, cidade turística e bla bla bla Whiskas sachê. Mas não é no mínimo curioso saber que de 2013 pra cá a revista estampou apenas 6 celebridades/modelos negras? E pior, ainda que fosse apenas para tentar “amenizar o preconceito” nenhuma delas foi capa do mês onze.

Na edição deste ano, a capa da vez foi essa Angel aqui:

“Ok, é a Candice Swanepoel. O que tem demais dessa vez?”
Te digo: Segundo um estudo acadêmico de 2016, realizado pela Anna Orthofer, pós-graduanda na Universidade Stellenbosch, 10% dos sul-africanos, em sua maioria brancos, são donos de mais de 90% da riqueza nacional e cerca de 80% da população, em sua maioria negra, não possui bem algum. Candice é supermodelo, Angel da Victoria’s Secret, loira, beleza padrão e… sul-africana.

Dentro desta edição tem algumas entrevistas e Tais Araújo é uma das entrevistadas. Tem também alguns editoriais e a funkeira Jojo Maronttinni, vulgo Jojo Todynho está em um deles. Tais Araújo, 39 anos, preta, atriz, jornalista, apresentadora, cria do bairro da zona norte Méier, e junto com seu marido também ator, Lázaro Ramos, forma um dos casais negros mais influentes no mundo, segundo a ONU. Jojo Todynho, viral nas redes sociais, 20 anos, cria do bairro da zona oeste Bangu, funkeira, preta e gorda. Negras, influentes e cariocas. Poderiam ter sido capas, mas ambas foram ‘’escondidas’’ dentro da revista.

Essa capa é a representação daquelas pessoas brancas que usam palavras como “afro” pra tudo e falam aquelas famosas e hilárias frases como “mas eu até tenho amigos negros”, “meu tataratataratataratatara avô semi-deus era negro”, “eu não tenho preconceito. Já namorei uma pessoa assim, mais escurinha”, na tentativa de parecerem menos preconceituosas, menos racistas. Essa capa é a representação daquelas pessoas que usufruem de uma determinada cultura e esquecem de dar credibilidade e real conhecimento de sua origem. A propósito, percebeu ali no lado esquerdo da capa o “estilo hip hop”? Doze de novembro comemora-se o dia mundial do Hip Hop. Que coincidência!

Em 2015 também teve coincidência na capa de novembro. A supermodelo gaúcha Carol Trentini. Magra, loira e com uns dreads no cabelo, era a cara do Rio. A cara do verão. Outra coisa curiosa é que pelo menos de 2013 até agora, nenhuma capa “especial Rio” teve rosto carioca.

Até quando a Vogue BR vai ficar nessa demonstração embranquecida de amor ao Rio e nesse roubo de protagonismo? É falta de modelo brasileira negra famosa? Tem Laís Ribeiro, supermodelo e também Angel. É falta de atrizes negras? Tem Tais Araújo, Jéssica Ellen, Nayara Justino (atriz e modelo), Sheron Menezzes, Adriana Alves (atriz e modelo), Jéssica Barbosa (atriz e bailarina), Érika Janusa (atriz e modelo), Cris Vianna (atriz e ex- modelo), Juliana Alves (atriz e modelo), Pathy Dejesus (atriz, modelo, dj e apresentadora) e muitas outras. Reage,Vogue!

Novembro é mês da consciência negra. Todos sabem… menos você.

AUR, 1 ano.

Lucas Sá foi o responsável pelas fotos do nosso último evento – AUR, ATMOSFERA, que foi também nosso aniversário de 1 ano.

Aconteceu no dia 12 de novembro no FRONT, um lugar massa no centro do Rio de Janeiro.

Se liguem nas fotos:

Elza Soares ressignificando a Carne Negra

No dia 20 de novembro é comemorado o dia de Zumbi dos Palmares e dia Nacional da Consciência Negra, consciência essa que ainda hoje, em 2017, se faz necessária.

No audiovisual a imagem do negro – com raras exceções – é vinculada a um lugar de subalternidade, de subserviência e inferioridade.

Era, até hoje. Elza Soares e Rafaela Silva contam a partir desse clipe, outra perspectiva. Duas gerações de mulheres negras incríveis que através de suas trajetórias individuais mas que reverberam no coletivo, subverteram a “ordem natural” das coisas e com um elenco poderosíssimo colocam nas telas corpos negros potentes, em primeira pessoa, que contam que a carne mais barata do mercado ERA a carne negra.

Sim, vamos falar de representatividade, porque tem gente preta na frente e atrás das câmeras:
Coletivo MOOC assina a direção, o figurino e o styling
Brenno Melo assina a beleza/maquiagem
O elenco: Loic Koutana, Gabi Ziriguidum, Aisha Fikula, Paulo Guidely, Ana Paula Patrocinio, Vitor Castro, Willian Severo, Renata Terra, Ébano Gama, Arthur Figueiredo, Uyll Neto, Matheus Fox, Carol Dall Farras, Sandra Regina dos Santos, Guilerme Blum, Ayana Amorim, Athanazio de Oliveira Filho, Isabele Czar, Sabrina Ginga e Nirvana Gonçalves de Souza.

O Projeto “A Carne” é da Conspiração Filmes em parceria com Bradesco, conta com o documentário dirigido pela Banzai Studio e clipe pela MOOC.

A proposta é a transformação de um cenário audiovisual que impacte diretamente na vida daqueles que operam a câmera e também na vida daqueles que assistem nas telas uma outra representação do negro.

Afinal, só sabemos que é possível ocupar algum lugar, se vemos um de nós lá.

Assista a essa obra de arte, aqui:
A Carne – Elza Soares (Videoclipe – Nova Versão)

Futuros Possíveis

Tenho visto de forma cada vez mais recorrente com amigas e conhecidas e é também uma inquietação minha, uma “reclamação” por outras narrativas de histórias de/sobre as pessoas negras.

Seja no áudio visual, seja na literatura, no HQ, nas artes.

A gente entende e respeita todo o legado histórico – é por esse legado que continuamos e seguimos aqui – contudo, podemos e queremos nos ver retratadas de outra forma que não só a partir do sofrimento e da dor.

Acabei de ler um livro chamado The Underground Railroad – Os caminhos para a liberdade e não foi diferente de qualquer narrativa que já tenha lido sobre escravidão.

Cansa sabe? E numa dessas coisas que aparecem pra dar um pouco de esperança, me deparei com um vídeo do TED da incrível Wanuri Kahiu e AfroBubbleGum, uma arte africana, vibrante, iluminada e sem agenda política rígida.

Wanuri Kahiu

Os 3 princípios da AfroBubbleGum são:

1 – Essa obra tem 2 ou mais pessoas negras saudáveis?

2 – Essas pessoas possuem estabilidade financeira e não necessitam de salvação?

3 – Essas pessoas estão se divertindo e aproveitando a vida?

Arte pela arte. Arte nos mostrando que ser leve também é pra gente, que sorrir é legado nosso e que não podemos e não precisamos ser duros o tempo todo.

Por outros futuros possíveis e que só são possíveis se não abandonarmos o exercício de imaginação.
Afinal, só nos espelhamos e inspiramos pelo que nós vemos.

O que te motiva?

No dia 12 de novembro, aconteceu a comemoração do primeiro ano da AUR, e teve uma roda de conversa, com essa que vos escreve convidando Dj Tamy, Izabella Suzart e Laíse Neves, chamada TROCA.

TROCA = no sentido de falar e escutar, de passar alguma informação e absorver informações do outro, de compartilhar o que te amplia enquanto indivíduo, de perceber no outro aquilo que também está em você: as aflições, as angústias, os métodos e principalmente as inseguranças.

Sim, as inseguranças. Quem se sente a vontade de falar em público, de apresentar um projeto, de expor uma opinião, de se colocar sob o julgo do outro? Desconforto, timidez, negação e vontade de não ir, não fazer, não se expor. Você já se questionou de onde vem esse medo ou o que te faz ser refém daquilo que te paralisa?

Processos Criativos e Inspiracionais, esse foi o tema da TROCA.

MotivAção.
Quais são as suas inspirações para o exercício da sua criatividade? Quais processos te tira da procrastinação?
O que te causa start pra levantar e começar a fazer? Quais são as estratégias usadas por você para alcançar algum objetivo?

Não tem uma receita certa, não existe algo que responda a todas essas perguntas, o que existe são possibilidades de: o que funcionou para uma pessoa pode funcionar para outra com a adição de outros elementos e assim sucessivamente, de forma que cada um ache o seu caminho, sem que ele seja necessariamente o caminho já trilhado.

Falando assim, fica tudo no campo da subjetividade e do pouco palpável, porém essa introdução serviu para trazer como ilustração um TED inspirador e que me starta todas as vezes que me pego sem motivação:

TED Girl Trek

T. Morgan Dixon e Vanessa Garrison são as CEOs do projeto Girl Trek, um projeto que estimula as mulheres negras a caminhar e assim baixar os índices de doenças e mortalidade em decorrência dessas doenças, estimula as mulheres negras a mudarem o seu entorno comunitário, a começarem por elas mesmas.

O projeto Girl Trek trabalha sob 4 pilares:

1- Não espere
2- Quando aprender o que precisa, volte e pegue uma “irmã” que ficou para trás
3- Reúna seus aliados
4- Encontre alegria e siga

Essas foram e seguem sendo etapas motivacionais utilizadas por mim para qualquer projeto que precise sair do papel, mas que pode servir como motivação para qualquer pessoa.

Aliado a esses pilares, utilizo também o que chamo de motivação por espelho, que consiste basicamente em me cercar de pessoas inspiracionais, isso me baseando numa máxima do campo do desenvolvimento humano que afirma que: “Você é a média das cinco pessoas com quem passa mais tempo”.

Se cerque de pessoas inspiracionais, seja na vida real ou da vida virtual,
Pratique os 4 pilares,
Ache aquilo que você se destaca, aquilo que você faria mesmo sem benefício financeiro,
E lembre-se: se você não caiu até agora, nada te derruba.

 

Flying Lotus/Moonlight e construção de narrativas centralizadas

Lembro que ano passado quando Moonlight foi lançado eu enlouqueci, pela história contada, pela perspectiva centralizada, por colocar em questão a construção de masculinidades negras, pelo elenco, tanto na frente das câmeras quanto por trás serem majoritariamente negros.

Quando a representatividade – essa palavrinha da moda – é discutida, é pra longe de ser só protagonismo negro nas telas, é o questionamento de quem está pensando, roteirizando, dirigindo as produções que visam ser minimamente inclusivas.

Mas enfim – voltando – analisando o filme, as cenas, a fotografia, comecei a buscar material audiovisual que tivesse essa mesma pegada, com uma narrativa focalizada, com os corpos negros ocupando outros espaços, contando outras histórias e mais do que isso, que se a violência estivesse presente, ela fosse direcionada de outra forma, que não incidisse diretamente nos corpos negros, colocando eles como propagadores dessa violência.

Quem é da comunicação, sabe o poder das imagens, como é possível influenciar pessoas, direcionar olhares, sem dizer nenhuma palavra, de como as imagens repetidas à exaustão são capazes de reforçar o nosso olhar sob determinados estereótipos que as pessoas negras são encaixadas.

Qual não foi a minha surpresa quando fazendo pesquisa pra inspiração e ideias de curtas, me deparei com um clip chamado “Until The Quiet Comes” do Flying Lotus lançado em 2012, com cenas, fotografia, cores e narrativa muito similar a Moonlight (2016), que até então foi o que tinha despertado meu olhar pra essa questão do lugar dos corpos negros e das narrativas centralizadas.

Flying Lotus é Steven Ellison sobrinho neto da pianista Alice Coltrane, esposa do lendário jazzista John Coltrane, ele é o cara quando se trata de unir dois gêneros musicais que até então andavam separados, o eletrônico e o jazz. O som que o Flying Lotus – que é produtor, DJ, filmmaker e rapper – produz é pura experimentação, e conta com a colab de nomes como Thundercat e Erikah Badu.

Outro clip do Flying Lotus que dialoga com essa questão do protagonismo dos corpos negros em perspectivas centralizadas é o “Never Cat Me” com feat poderoso de Kendrick Lamar e ainda temos o angustiante – pois fala de morte, tema que ninguém gosta de abordar – “Coronus, The Terminator”, que mostra a morte na visão de quem parte e de quem fica de uma forma reflexiva e inquieta através da experiência de novas e diferentes dimensões.

Indo na onda da multiplicidade de plataformas na hora de pesquisar/falar sobre às diversas construções de masculinidades negras, ainda temos o filme Código de silêncio, da netflix, que aborda como as fraternidades nas universidades americanas são espaços de manutenção de estereótipos masculinos e femininos e como esses mesmos estereótipos são altamente violentos.

E pra fechar, uma última dica, o diretor Kahlil Joseph é o cara por trás do clip “Until The Quiet Comes” e também é o diretor de um dos últimos trabalhos visuais do Sampha.

Assista abaixo:

Imagem: WARP