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Uma história de luta e liberdade em “Free Meek”

Hoje 09/08 a Amazon Prime disponibilizou o documentário FREE MEEK contando a história por trás dos acontecimentos que levaram a prisão do rapper e fundador da Dream Chasers Records Meek Mill.

Os fatos históricos por trás do acontecimento:

Em 2008 na Filadélfia estado da Pensilvânia Robert Rihmeek Williams A.K.A Meek MIll foi preso foi preso sob acusação de posse ilegal de arma de fogo após uma ronda da polícia que foi de encontro aos seus companheiros motociclistas. Nessa primeira ocasião além de ser preso, Meek Mill foi espancado. A foto desse acontecimento anos mais tarde se tornaria capa da mixtape DC4 e do próprio documentário disponibilizado pela Amazon.

Naquele período, Meek foi sentenciado em 11 meses de prisão em regime fechado só retornando em 2009 após um acordo de liberdade condicional de cinco anos.

Fora da prisão Meek Mill alcançou grande renome no cenário do rap Norte Americano com a mixtape DC (Dream Chasers) , o disco Dreams and Nightmares e seu contrato com Rick Ross assinando o selo MMG (Maybach Music Group).


Como todo caso de glória sempre possui uma reviravolta, com Meek não foi diferente. Em 2012 o rapper foi abordado pela polícia enquanto dirigia sob alegação de uso de maconha por seus companheiros, sendo o Meek liberado no dia seguinte, o que resultou em uma perda de imagem em cerca de 40 mil dólares em sua parceria com a PUMA, gerando uma revolta por parte do rapper e sua equipe que processou o departamento de polícia da Filadélfia pela violação dos direitos civis, invasão da privacidade e prisão falsa.

A partir daí o cenário começa a se estreitar para o chefe do selo DC e braço direito de Rick Ross, quando em 2012 ele foi impedido de viajar após não enviar um relatório sobre sua condicional devido a chegada de sua turnê, através de um comunicado que o rapper só poderia se manter na cidade da Filadélfia.


Em 2013 Meek volta aos tribunais sob alegação de violar a condicional mesmo com a equipe do rapper tendo fornecido ao departamento de polícia um itinerário e cronograma dos destinos. Nesse momento a justiça se mostrou totalmente displicente em relação às funções do rapper que também é empresário, cuidando naquele período de 7 artistas, um programa de rádio e inúmeras entrevistas agendadas. Esse caso ainda iria mais longe.

Em 2014 Meek foi declarado culpado pela violação da condicional conseguindo uma revogação da pena, logo após o rapper foi condenado a prisão domiciliar. 

 

Com o término da liberdade condicional Meek Mill mais uma vez seguiu em atividade trabalhando em suas mixtapes, clipes, álbuns, seu relacionamento com a rapper Nicki Minaj e família, tudo parecia caminhar em conformidade, pelo menos até o momento.

Em 2017 Meek Mill foi acusado injustamente de agredir um homem, onde o caso com vídeo registrado apresentou o rapper tentando não ser filmado por um segurança do aeroporto que insistiu em realizar as imagens enquanto Meek pediu que ele não o fizesse.

Ainda naquele ano, Meek foi condenado de dois a quatro anos de prisão pelo Juiz Brinkley, sendo considerado uma ameaça ao estado. Esse acontecimento ficou marcado em todo estado Norte Americano movimentando diversos artistas como Jay-z, o qual já possuía relações interessantes como a atual união da DC Records e a Roc Nation, Beyoncé com o verso:


“In the hood, hollerin’, “Free Meek”

Two deep, it’s just me and JAY

Just posted in them courtside seats.

Além de A$AP Ferg, Rick Ross, Pharell, Will Smith, entre outros artistas de renome.


No segundo semestre de 2018 Meek conseguiu sua liberdade após o peso das manifestações e da comunidade em seu apelo à conseguindo de forma definitiva,

Passado esse acontecimento, Meek Mill marcou sua volta com uma apresentação insana no Summer Jam Festival abrindo as portas para o documentário disponibilizado hoje.

 

O material tem entrevistas de Jay-Z, seus produtores, a equipe de Meek Mill e ativistas culturais afirmando o peso e a importância do rapper atualmente e afirmando que o sistema prisional Norte Americano precisa mudar. Se você é fã da cultura Hip Hop precisa assistir esse material.

 

 

 

A volta do Planet Hemp ao estúdio. Na hora e no momento certo

A atemporalidade sempre foi marca registrada do Planet Hemp. Seja na estética sonora, na atitude ou, infelizmente, nos assuntos que rondam cada época que os caras viveram. A fusão quente entre Rock, Rap, Samples, Reggae e qualquer outro rítmo urbano que der na telha dos caras, junto com todos os assuntos que revoltam os integrantes da banda fazem com que o Planet se torne uma banda que atravessa os tempos e seja uma pedra no sapato dos porcos fardados que comandam o Brasil.

Wilmore Oliveira

Após 20 anos sem lançar músicas novas, o Planet decidiu se reunir novamente em estúdio para criar uma obra que retrate o momento obscuro que vivemos atualmente. Marcelo D2, BNEGÃO, Formigão, Pedro e Nobru Pederneiras vão passar 10 dias enfurnados na Bahia gravando o seu mais novo álbum, ainda sem nome mas que será lançado ainda esse ano.

““Vamos passar uns 10 dias gravando na Bahia. Vamos produzir esse disco. Estamos num momento político, econômico e social no país que envolve exatamente a temática do Planet e temos que escrever sobre isso”, conta Marcelo D2 sobre o que podemos esperar do que vem por aí.

É engraçado imaginar como deve ser o sentimento dos caras gravando um novo álbum hoje. Não sei se, há 20 anos atrás, D2 e BNEGÃO tinham a verdadeira esperança que a violência policial, a discussão sobre a legalização da maconha ou o momento político daquela época seriam melhores, mais bem discutidas ou solucionados 20 anos depois. A montanha russa de avanços e retrocessos desde aquela época foi tão grande que, provavelmente, eles devam estar se sentindo tão famintos por gritar as suas verdades quanto em 1999 quando lançaram “A Invasão do Sagaz Homem Fumaça”.

Mais maduros e calejados, sabendo o que conquistaram e a luta que ainda está por vir. Juntando todos os seus talentos e o tempero que o momento social e político brasileiro vivem, é muito provável que mais um álbum clássico do Planet invada os nossos ouvidos.

*Foto Wilmore Oliveira

*Errata: O guitarrista atual do Planet é o Nobru Pederneiras.

 

Uma análise sobre a colaboração entre Golf Le Fleur x Lacoste

No final do primeiro semestre desse ano, como religiosamente cumpre, Tyler nos apresentou seu novo material, IGOR. Um disco bem intimista, dentro de um universo amadurecido em relação a sua trajetória na música desde Bastard – 2009.
Algumas semanas depois, ele trouxe sua nova coleção de Primavera/Verão da GOLF Le Fleur, uma parceria interessante e inovadora junto da gigante converse.
Como se não bastasse, dia 17 de Julho ele está disponibilizando sua coleção em colaboração com a Lacoste, o que para alguns críticos, pode ser uma superestimação do designer. Sim, aqui Tyler não cumpre papel de músico, mas mostra uma versatilidade digna de grandes designers, como Virgil Abloh, Kanye West e ousaria dizer Patrick Kelly.
Aqui, a questão entra em um ponto muito comum nos dias de hoje, onde vemos uma cultura urbana cada vez mais crescente no topo das paradas e como a indústria cultural direciona esse conteúdo para às massas; Talvez, lá atrás, a moda não seria como é nos dias de hoje, tão acessível, se não fosse a união entre mídia e música. Run DMC, Dyamond John, Dapper Dan, Puff Daddy e diversos outros artistas contribuíram para às experiências que hoje, aplicamos e louvamos, pela ousadia, mas principalmente, representatividade.

É inegável que Tyler vem construindo um legado dentro da indústria da moda que foge da correnteza, vai na direção do novo e apela pro “estranho”. Entretanto, “estranho” é sinônimo de qualidade pois entra pela porta da frente do espaço que por séculos foi de propriedade das camadas elitizadas, indo em direção ao futuro, sem medo de errar e construindo inúmeros acertos, tanto em estética, quanto originalidade.

Apesar de Tyler em sua coleção colaborativa com a Lacoste não modificar muito o padrão da marca, ele consegue trazer tons de cor interessantes, numa referencia de uma partida de tênis oitentista, com forte influência de Yannick Noah, vencedor de Roland Garros em 83.

Precisamos ir além do que só  é apresentado como uma idealização inacessível, a criação existe. Tyler vem expandindo seus horizontes e assim como Virgil Abloh mescla Off White e Louis Vuitton encabeçando suas direções, Tyler cria uma peça interessante, esbanjando estética e experimentação.

Por fim, falar sobre o acesso dessas peças ou até mesmo da coleção completa aqui em solo Brasileiro ainda é uma dúvida que pode se tornar real na medida que o streetwear nacional avança. Nesse quesito, Emicida e a LAB tem cumprido um papel excelente, assim como diferentes mentes criativas fora do ciclo da mídia maior, influenciados de certa forma por Tyler que dá mais um passo na escalada da cultura urbana.

https://www.youtube.com/watch?v=N5mJ3p-0_q4

Um Rennan que não era só mais um silva

Desde que o mundo é mundo, tudo de criativo e grandioso que vem de fora de uma classe dominante gera falatório, olho torto e, principalmente, inveja. Desde a criação das Piramides do Egito até a chegada do samba. Com o funk não seria diferente.

Rennan da Silva Santos, mais conhecido como Rennan da Penha, tem 25 anos e é o maior DJ da sua geração de funk que tem o 150 BPM como o ditador das novas regras artísticas do gênero. O 150, que renovou o funk carioca de forma avassaladora, colocou a cidade no mapa novamente. Revelou novos MCs e catapultou o DJ ao velho protagonismo que a profissão tinha no início da jornada do funk e também do hip hop.

DJ há mais de 10 anos, Rennan inúmeras vezes contou casos de seu início de carreira em alguns dos seus posts do instagram. Certa vez lembrou de uma época em que tocava em eventos minúsculos na favela ou abrindo shows de grupos de pagode, onde era regra ter que tocar de tudo. Ou da vez em que ele compartilhou o presente que ganhou do seu empresário: Um par de toca discos mk2. Para ele, era um sonho ganhar aquele equipamento. DJ de verdade tinha que saber tocar nos toca discos.

Falo isso tudo pra afirmar que: Assim como Alok, Rennan da Penha tem profissão. E além de ter profissão, ele é extremamente bem sucedido no que faz. Possui agenda cheia (mais de 60 bailes por mês), tem endereço fixo, carro e casa própria. E é um dos organizadores do maior baile funk da atualidade, que é o Baile da Gaiola. Só que Rennan tem uma qualidade que pra muitos é um clássico problema. Rennan vive pelas suas raízes.

Rennan não namora a atriz loira global, fato comum entre personalidades negras que ascendem socialmente. Rennan já poderia ter a sua mansão na barra, mas ainda prefere viver na penha. Rennan distribuiu na sua comunidade materiais escolares para centenas de crianças, como uma forma de retribuir tudo o que de bom tem acontecido na sua vida. Rennan é o tipo de preto que nenhum setor de elite gosta. É extremamente inteligente, sabe e valoriza suas origens, dá o papo reto pra quem tiver que ouvir, sabe como movimentar milhares de pessoas através da música e dialoga com qualquer tipo de pessoa.

Setores de comando do país não aturam um DJ criado em comunidade tendo relações afetivas com pessoas que, por um motivo ou outro, tomaram outros rumos na vida. Mas aceitam o presidente da república e sua família tendo relações claras e óbvias com milicianos e assassinos de aluguel. É o tipo de hipocrisia que não queremos cair e nem acreditar que é comum.

Rennan é daquelas forças da natureza que temos que proteger. Para que não se frustre e não volte a ser só mais um silva.

 

 

Música. Os nossos melhores álbuns de 2018

Listas são polêmicas e nunca agradam a todos. 2018 veio pra mostrar que apesar de tudo que aconteceu socialmente e politicamente ao redor do mundo, a nossa maior forma de expressão nunca nos deixa só. A música sempre foi e sempre será uma das nossas mais efetivas armas de auto expressão e valorização. Esses são os álbuns que mais curtimos ao longo desse ano intenso. Inúmeras vertentes de música negra passam por aqui, sempre respeitando os nossos gostos e entendimentos. Tudo o que nos emocionou e segue nos impressionando está por aqui. Se você ainda não ouviu algum desses álbuns, corre pro Spotify e procura tudo. Vai valer a pena.

 

20 – Jacob Banks | Village

Jacob Banks se destaca como persona e como artista. Sua voz potente deixa marcado os ouvidos de quem curte a sua onda de soul e neo R$B. Em “Village” ele se mostra denso e também mais solto em faixas como “Mexico”.

 

19 – Nego Max | Afrokalipse

Uma grata surpresa. Lançado no final desse ano, “Afrokalipse” é o resultado de um trabalho muito coeso, direto e reto assim como o rap deve ser. Nego Max, um dos expoentes do rap do Vale do Paraíba, é um dos melhores MCs da cena nacional e traz rimas muito pesadas sobre tudo o que lhe envolve. A track “O rap é preto!” com o feat cabuloso de Preta Ary é um dos destaques.

 

18 – August Greene | August Greene

A junção entre Robert Glasper, Common e Karriem Riggins era impossível dar errado. 3 dos mais talentosos músicos dos EUA, formaram a August Greene que traz um álbum com o mesmo nome e uma fusão incrível entre Jazz, Soul e Rap. Tudo de forma orgânica e muito verdadeira. “Optimistic” é o destaque do álbum e vem com um feat incrível da Brandy.

 

 

17 – Anderson . Paak | Oxnard

Finalizando a trilogia de um dos mais talentosos artistas que apareceram nos últimos tempos, “Oxnard” não foi o melhor álbum dentre os 3 (os outros foram “Venice” e o incrível “Malibu”). O nível de exigência pós “Malibu” era gigantesco e .Paak voltou mais rapper do que nunca, provavelmente pela influencia de Dr. Dre na produção musical e executiva do álbum. Com mais rimas e menos sons melódicos, Anderson .Paak confirmou sua presença na industria como um dos mais versáteis e talentosos artistas da cena. A track “Trippy” com o feat do J. Cole é um dos destaques.

 

16 – Thiaguinho | Tardezinha 2

Thiaguinho explora com maestria uma fórmula de sucesso que não tem como dar errado. Mais um álbum ao vivo que mistura clássicos do pagode dos anos 90, com belos arranjos e o carisma óbvio de Thiaguinho. “Tardezinha 2” é um daqueles álbuns que fica tocando ininterruptamente nos nossos churrascos de domingo com a nossa família. Pra quem gosta de pagode, é um belo trabalho. “Pé na areia”, originalmente conhecida na voz de Diogo Nogueira, ficou muito bem na voz de Thiaguinho e é um dos destaques.

 

15 – Jay Rock | Redemption

Jay Rock é um dos rappers mais fiéis as suas origens gangsta. Ele tem praticamente a mesma estética visual e musical desde “Follow me Home”, o seu primeiro álbum a chamar atenção da industria mais “comercial” americana. Para alguns, a falta de mudança entre os seus trabalhos pode parecer um suicídio. Mas ele desempenha esse papel tão verdadeiramente bem que os fãs de gangsta rap enxergam nele uma salvação dentro do rap mainstream vigente. “Redemption” é muito pesado e a track, com feat do Kendrick Lamar, “Wow Freestyle” é um hit e vem tocando em inúmeras festas e clubs ao redor do mundo.

14 – Recayd Mob | Calzone Tapes Vol. 2

A Recayd é uma das maiores afirmações do Trap brasileiro. Toda a vontade de fazer rap e expôr as mudanças que os próprios integrantes do coletivo querem para as suas vidas, é o que dá a sensação de pertencimento deles a sua realidade. Falar tão abertamente sobre drogas, sexo e dinheiro ainda continua sendo um tabu e eles passam por cima disso tudo com muita verdade em cima dos seus temas. Pode parecer fútil para alguns, mas o álbum simplesmente retrata a vontade de vitória de vários jóvens pretos talentosos. E isso é importantíssimo.

 

13 – Kamasi Washington – Heaven and Earth

O saxofonista, bandleader e compositor Kamasi Washington ratificou o seu nome como um dos expoentes do Urban Jazz mundial. Sua estética com uma identidade absurda e suas sonoridades o fazem ser comparado com outras referencias do Jazz americano. Em “Heaven and Earth”, Kamasi mescla várias referencias e traz participações incríveis como Terrace Martin e Thundercat. “Tiffakonkae” é a track que mais chamou a nossa atenção.

 

 

12 – Iza | Dona de Mim

Pra quem já acompanhava a Iza desde os tempos dos seus vídeos caseiros na internet, todos já tinham uma certeza: O seu sucesso era questão de tempo. As suas qualidades como beleza, presença e sua pele retinta estão do mesmo tamanho que sua qualidade maior, que é a sua voz. Iza se posiciona como uma artista genuína que muito provavelmente vai ser longeva na cena pop brasileira. “Dona de mim” é só o primeiro passo dentro de uma carreira muito promissora, que vai representar e impulsionar muitas mulheres por aqui.

 

11 – Marcelo D2 | Amar é para os fortes

D2 já se posiciona como um dos artistas mais respeitados do país há alguns anos. Em todos os seus trabalhos, desde a época do Planet, ele sempre preza por um teor artístico altíssimo musicalmente e visualmente falando. A sua notória vontade de sempre fazer parcerias com artistas de várias faixas etárias, o deixa sempre numa posição de vanguarda e referencia para quem quer realmente ser artista de verdade. “Amar é para os fortes” não é comercial, é um clássico visual, feito por várias mãos e capitaneado por um dos maiores defensores da verdadeira arte desse país.

 

10 – Solveris | Vida Clássica

Solveris traz um frescor estético e uma identidade musical muito bem desenhadas. Tudo faz sentido quando vemos e ouvimos Solveris, fruto da junção de 4 jóvens extremamente talentosos do Espírito Santo. “Vida Clássica” é uma fusão linda entre Soul, Rap e R&B que traz um bom gosto absurdo desde a capa até o principal, que é a música. Eles ainda não estão no famoso hype mas pelo talento que eles tem, eles brevemente vão formar o seu próprio hype e virar o jogo a favor deles. “Noite cubana” foi a track que mais chamou a nossa atenção, com um refrão bem surpreendente.

 

9 – The Internet | Hive Mind

A melhor notícia desse final de ano foi que em março do ano que vem, The Internet aterriza em solo brasileiro pra uma série de shows. Não é exagero dizer que eles hoje são a melhor banda de Soul e R&B do mundo e “Hive Mind” veio pra comprovar isso. A estética sonora continua parecida com os trabalhos anteriores e a liderança calma de Syd nos vocais se ratifica e a presença de Steve Lacy em “Roll (Burbank Funk)” é uma ótima surpresa. Eles se entendem muito bem juntos e também em seus trabalhos solos. Estamos ansiosamente esperando pela presença deles no ano que vem.

 

8 – Attooxxa – Luvbox

Áttooxxa confirmou ser uma das maiores revelações musicais brasileiras em “Luvbox”. A mistura incrível entre Trap, House, Pagodão Baiano e Soul music resulta num som incrível, coeso e que faz todo o seu público balançar. A criatividade e perspicácia dos seus produtores surpreende positivamente quem ouve pela primeira vez e prende o ouvinte a querer conhecer mais o trabalho dos caras. Presença certa em inúmeros festivais ao redor do país, Attooxxa é daquelas bandas que queremos estreitar relações e trabalhar juntos em breve. “Eu juro (LuvBox) é a track que mais pegou a gente pela brasilidade, swing e balanço que ela provoca.

 

 

7 – Travis Scott – Astroworld

Travis Scott já era um dos maiores rappers dos EUA desde a explosão do seu primeiro álbum “Rodeo”. “Birds in the Trap sing McKnight” confirmou esse status e “Astroworld” veio pra ratificar ainda mais a presença de um artista que está se colocando dentro daquelas listas de GOAT que vemos sempre por aí. “Astroworld” é energeticamente muito comercial, aquele tipo de álbum que faz mais de 50 mil pessoas ficarem pulando num show por mais de 2 horas, liberando todos os seus demônios e angústias. É exatamente isso que Travis traz em suas letras e músicas. “Stop Trying to be God” é uma track que traz um clipe com vários significados e “Can’t Say”, com feat do Young Thug, é aquela track foda que ninguém ainda deu a devida atenção.

 

6 – Abstract Orchestra – Madvillain Vol. 1

O trabalho que a Abstract Orchestra vem realizando é tão incrível que é difícil de escrever sobre. A dificuldade de fazer uma releitura orgânica de trabalhos já consagrados do rap é tão grande que nos gerou uma estranheza antes de ouvirmos o primeiro trabalho da orquestra, que foi “Dilla” lançado em 2017. Quando paramos para ouvir, a surpresa foi tão grande que balançou os nossos corações tanto quanto os beats clássicos de J.Dilla, só que de uma forma diferente e ao mesmo tempo emocionante. Nesse ano a Abstract Orchestra assumiu mais um desafio e fez uma releitura incrível dos beats de MF-DOOM, um dos produtores/rappers mais undergrounds e respeitados do mundo. O resultado foi o “Madvillain Vol. 1”. É absolutamente genial.

 

5 – Baco Exu do Blues – Bluesman

“Bluesman” é um clássico. Ponto. A facilidade com que Baco passeia por assuntos extremamente densos como depressão, bipolaridade e ansiedade é tanta que identifica de forma rápida quem sofre dos mesmos problemas. O álbum é muito bem montado, onde é quase dividido como uma peça de teatro. Em atos e intervalos para melhor entendimento do público. O trabalho visual é magnífico e impulsiona as músicas para lugares inimagináveis. A luta e defesa de Baco perante o povo preto é a sua maior qualidade, dentre todas as dificuldades que é assumir essa tarefa. “Me desculpa JAY-Z” é o verdadeiro hit do álbum mas “Girassóis de Van Gogh” e “BB King” merecem a mesma atenção.

 

4 – Cory Henry and The Funk Apostles – Art of Love

Cory Henry tem uma história extensa dentro da música góspel americana. Já fez turnê com vários artistas consagrados do meio e já gravou com a respeitadíssima jazz band Snarky Puppy. Nesse ano ele lançou o seu primeiro álbum autoral que é uma fusão entre o góspel, funk e soul music. É incrível como ele canta com a mesma qualidade que toca o seu piano e dentro das tracks rolam umas jams muito bem ensaiadas. São 6 tracks de uma duração mais longa que demonstra o talento fervoroso que Cory possui. “Trade it all” abre o álbum de forma incrível e mostra o que está por vir.

 

3 – Djonga | O menino que queria ser deus

A mesma carga energética que Travis Scott coloca em seus trabalhos e em seus show, Djonga faz isso tão bem quanto o artista americano. “O menino que queria ser Deus” traz tantas metáforas geniais, tanta energia e tanto papo reto que é impossível qualquer jovem preto não se identificar com aquilo. Seus refrões fazem muito sentido, são extremamente melódicos e fáceis de se cantar, fazendo com que todo show de Djonga seja um ato negro épico. Os beats de Coyote são determinantes pro sucesso de um dos melhores discos de rap de todos os tempos.

 

2 – BK’ | Gigantes

A auto confiança é o motor o rap. Não adianta. BK’ dá uma aula sobre a realização dos seus próprios sonhos, o que inspira totalmente o seu público. Em “Gigantes” ele fala sobre como a tomada do poder para as nossas mãos, auto cobrança, os nossos reais tamanhos, guerras internas, festas, mulheres e, principalmente, vitórias. BK’ continua inspirando fortemente jóvens a serem maiores do que o teto que a elite vigente impôs. Ele é de fato o melhor rapper da sua geração.

1 – Luciane Dom | Liberte esse banzo

Há mais de 1 ano atrás, estávamos na casa de um grande amigo e lá conhecemos Luciane Dom. Trocamos uma ideia muito proveitosa e conversamos sobre o seu futuro álbum, sem ouvir nenhuma música. Demos algumas dicas sobre alguns caminhos que ela poderia seguir e mantivemos uma proximidade. Ao ouvir “Liberte esse Banzo” pela primeira vez, tudo o que apostávamos naquele papo que tivemos se confirmou de uma forma felizmente surpreendente. O álbum é extremamente diverso, traz elementos muito brasileiros como ijexá e ela como uma cantora de MPB, passeia muito bem pelo Soul, pelo Jazz e pelo Rock. Os assuntos densos e reais do álbum são muito bem trabalhados pelas suas melodias firmes e pela sua voz suave mas muito marcante. “Todo Cuidado”, “Quanto Pesa” e “Abraça, Menina” são tracks belíssimas que dão uma visão clara do que Luciane está querendo transmitir e fazem o público viajar. Luciane Dom é uma afirmação e 2019 é um ano de colheita desse álbum incrível.

 

Eu te conhecia, Marielle

Sim, eu te conhecia Marielle. Sem mesmo nunca ter te visto. Sem mesmo nunca ter trocado duas palavras ou ter tomado algumas cervejas regadas a risadas que, com toda certeza do mundo, daríamos. Eu te conhecia. De algum outro plano, de alguma outra vida. Eu te conhecia. Essa conexão a gente sabe de onde vem.
Fico preocupado ao enxergar que nem todo mundo tem essa sensação de proximidade com você. Julgo até mesmo aonde vão e o que sentem os corações de pessoas que não se enchem de ternura ao ver o seu sorriso e não se sentem minimamente protegidos ao ver a sua foto. Será que eu e essas pessoas somos tão diferente assim? Será que verdade e empatia só é sentido por pessoas como nós? Será que as dores, desafios, dificuldades e perigos nos uniam de tal forma que não precisaria a gente se conhecer de fato para se gostar?

Eu não sei Marielle. Eu só sei que tudo isso que vem acontecendo não é sobre lados, não é sobre política. É sobre o certo e o errado. Sobre aquilo que a gente aprende desde pequenininho com os nossos pais e com as pessoas boas que eles escolhem para ficar ao nosso redor. E quem não se sente pelo menos angustiado com a sua morte, tá longe de fechar com o certo. Aquele certo que você sempre defendeu, aquele certo que faz com que pessoas se transformem em bons cidadãos que não precisam saber de onde você veio, a sua cor ou a sua orientação sexual. Aquele certo que simplesmente se deixa levar pelo seu sorriso e confia na tua porque sabe que você nunca vai fechar com o errado.

Você vai fazer falta Marielle.
Mesmo sem te conhecer, eu sei que você era muito importante para quem estava ao seu lado. Você era aquela pessoa que fazia a diferença de fato. Fazia o que todos nós cobramos do outro, mas que nunca tomamos a iniciativa de fazer. E o trabalho que naturalmente já era três vezes mais correria pra gente, a partir de hoje vai ser 6 vezes mais. Mas agora com mais um propósito, mais uma dedicatória de vitória que será pra você. Eu simplesmente sei que você ainda está aqui. Você era a nossa Nakia da vida real. O seu sorriso era o da Karina, a sua presença era a da minha mãe e a sua luz era a de Deus. E eu falo com ela todo dia.

Eu te conhecia, Marielle.

Mulheres do Backstage

Uma coisa não podemos negar, amamos um glamour, um editorial foda de lindo, uma roupa babadeira com ótimo caimento no nosso templo chamado corpo, aquela peça coringa, uns textos informativos que só agregam e uns eventos supimpas pra saber as novidades do mundo da moda.

Mas você já se perguntou quem tá por trás disso tudo? Em especial ao mês das mulheres, eis aqui uma listinha das manas que botam a cara no backstage e a mão na massa.

1- Mofe Bamuyiwa
Fotógrafa nigeriana com foco em casamentos, beleza e família, capta leveza com um toque de realeza através de seus cliques que parecem pinturas. Seus trabalhos você encontra aqui: Instagram | Site

2- Solange Knowles
Você sabia que esse ícone de mulher além de, cantora, compositora, produtora, atriz e também DJ, lançou uma linha de tênis junto com a Puma tendo o Brasil como inspiração? Pois é! Em 2013, a marca convocou Solange para ser a nova diretora de arte e consultora criativa. Sua estréia na área foi o lançamento da linha Girls of Blaze Disc do tênis Disc Blaze, o pioneiro da marca sem cadarço voltado para corrida (inclusive, o tênis da foto é um dos modelos). A bonita também faz a blogueirinha aqui. | Instagram

3- Ruth E. Carter
O que é o que é: aquilo que você olha, baba e fica querendo durante e depois do filme pro resto da vida? O figurino do filme Pantera Negra! Isso mesmo, gente, o figurino. E quem assina os trajes maravilhosos de Wakanda é essa rainha aí da foto. Ps. Ruth também assinou figurinos de filmes como Selma, dirigido pela extraordinária Ava Duvernay e Do The Right Thing, dirigido por Spike Lee. Você encontra ela por aqui: Instagram | Site

4- Suyane Ynaya
Fashion stylist e diretora criativa do coletivo MOOC, tem em seu portfólio -maravilhoso- produções na revista Elle e revista Glamour, desta vez estampada babadeiramente por Karol Conka (o styling nem preciso dizer de quem é, né). Você encontra ela aqui: Instagram

5- Rihanna
Eu nem vou me prolongar muito porque no final das contas qualquer coisa que a gente vá falar sobre Rihanna o resumo é sempre “rainha, né mores”, porque é isso mesmo. A Fenty, além de se jogar nas Beauty, está apostando em lingerie. Ainda não temos muitas notícias, mas segundo fontes, em parceria com o grupo TechStyle, Riri tem desenvolvido a linha a cerca de mais ou menos um ano.

6-Luciane Barros
Cansada -nós também, mana- de ver só manequim 34, Luciane, queria consumir apenas de empreendedores afros, mas que também só faziam roupas para pessoas magras, deu o primeiro passo apresentando-os ao mundo plus size. A situação deu tão certo que além de ter modelado para as marcas, decidiu criar a agência de casting Afrika Plus Size Brasil.

7- Luanda Vieira
É fotógrafa e também repórter de moda na revista Glamour. A entrevista da Conka é toda dela. Cata lá pra ler.

Bom, depois dessa listinha podemos reforçar e relembrar que: 

Temos (Con)Cursos!

Começo de 2018 tá aí, vários planejamentos sendo feitos… Talvez aquele empurrãozinho para voltar ou começar a estudar aquilo que sempre sonhou, tentar uma área nova ou  até mesmo criar um projeto e se jogar num concurso, possa estar aqui. O ano já começou com oportunidades: cursos profissionalizantes gratuitos e concursos relacionados ao mundo da moda. Chega mais!

No final de 2017, SENAI CETIQT disponibilizou vagas gratuitas para alguns cursos em parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro. Este ano, 1655 vagas serão disponibilizadas no total, mas as datas ainda não foram divulgadas. Para maiores informações, fique atentx aqui.

A IFRJ de Belford Roxo também oferece cursos de qualificação profissionalizante, como adereços de carnaval, gestão de vendas e negócios de moda, ecodesign de acessórios de moda e outros. Também  não há data prevista para inscrições, mas para saber sobre todos os cursos e continuar acompanhando, clique aqui.

O Sindcon (Sindicato das indústrias de confecções de Roupas e Chapéus de Senhoras de Petrópolis), através do Programa de Qualificação Setorial do Senai, disponibiliza vagas gratuitas para cursos de modelista e costura com duração de 3 meses. Para maiores informações, clique aqui.

A Killing é uma empresa indústria química com anos no mercado produzindo colagem e pintura, que com o apoio da Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), criou o 1º Desafio Kisafix de Design Calçadista. Um concurso de moda que tem como objetivo dar acesso às novas tecnologias da linha Kisafix para os profissionais criativos da área e também fortalecer o desenvolvimento do mercado brasileiro de calçados. O ganhador do desafio será premiado com uma viagem para Itália e será capa na revista Lançamentos Trends da edição de junho/julho de 2018. Não é necessário ter formação ou atuar na área. Inscrições estarão abertas até 11 de março de 2018. Maiores informações, clique aqui.

Concurso dos Novos 2018. É considerado o maior concurso de moda autoral para estudantes da América Latina, criado pelo Dragão Fashion Brasil, um dos maiores e mais conceituados eventos de moda do país. Como premiação, além dos Troféu DFB, a instituição ganhadora levará R$ 10.000,00. As inscrições estarão abertas a partir de 26/02/2018 e acabam no dia 08/03/2018. Para maiores informações sobre regulamentos, clique aqui.

E aí, bora tirar os planos do papel?

(Então precisamos ficar criativos).

4 Coletivos se juntaram e fizeram outro Carnaval

A ideia era uma só: Juntar o carnaval com o hip-hop e fazer uma festa incrível para aqueles que se sentem órfãos do boom-bap, do trap, do rap, do soul, do deep house e das demais vertentes que compõe esse grande caldeirão que é o hip-hop.
Isso tudo na terça feira de carnaval, quando geral tá focado nos tradicionais desfiles dos Blocos Afros que rolam pra fechar o carnaval.

Para isso, nós da AUR, nos somamos a 3 festas grandiosas aqui do Rio de janeiro:

– BREAKZ
– BRUK // Broken Beats
– CLASSY

Pois bem, a festa rolou e foi lindo. Muito mais do que esperávamos, muito mais do que imaginávamos.

O Ganjah Lapa cedeu o espaço e a fotógrafa Clara Sthel fez a cobertura – Incrível – que você vê a seguir:

Nosso agradecimento a quem pode colar e no próximo carnaval: Vai ser melhor, vai ser maior.

Pantera Negra, o filme mais aguardado dos últimos tempos

Em 9 de junho de 2017 a Marvel soltou o primeiro trailer de Pantera Negra, em 16 de outubro soltou o trailer oficial do filme e a internet foi a loucura! A cada foto que aparecia a ansiedade dos fãs crescia mais e mais, pegando até quem não era consumidor do universo das HQs.
Foi anunciado que a direção musical seria de ninguém menos que Kendrick Lamar e ai, não teve quem não tivesse um siricutico para fevereiro chegar logo.

E chegou.
– Chegou em grande estilo pelas mãos de Ryan Coogler na direção e parte do roteiro. Coogler que com apenas 31 anos já dirigiu Fruitvale Station: A Última Parada (2013), e recebeu diversos prêmios e também escreveu e dirigiu o sétimo filme da saga Rocky, Creed (2015), ambos estrelados por Michael B. Jordan que em Pantera Negra é anti-herói Killmonger. E segundo Jordan uma das suas inspirações para a construção de seu personagem veio de “Cidade de Deus”:

“Quando a gente fez “Fruitvale Station” vimos o filme várias vezes. E pensamos em como nós, frutos do gueto, conseguíamos entender, até sem som, os personagens do Rio de Janeiro. Fiz pesquisa para meu personagem vendo o filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund, e ele se tornou um de meus favoritos na vida. Quando Ryan disse que ele queria que os meninos de “Cidade de Deus” se vissem na tela em “Pantera negra” ele resumiu de uma forma bem crua o sumo deste nosso papo.” disse o ator.
fonte: aqui

– Pelos figurinos grandiosos de Ruth E. Carter que trabalhou em: Mais e melhor Blues (1990), Tina (1993), Amistad (1998), Malcolm (1993), Raízes (2006) e Selma (2015):

“Meu maior orgulho nesse filme foi desenhar as roupas da Dora Milaje, a guarda real do Pantera, feita só por mulheres negras, entre elas a minha linda amiga Danai Gurira”, disse Ruth. “O desafio era criar um uniforme de guerra que tivesse um apelo bélico aos olhos do público, sobretudo para quem é leitor das HQs Marvel, e que conseguisse realçar a beleza das mulheres. A beleza como força feminina”.
fonte:aqui 

– Pelo olhar acurado e primoroso de Hannah Beachler que fez Creed (2015), Moonlight (2016), Lemonade – álbum visual (2016) e que conseguiu em Wakanda uma noção fiel da realidade, ambientando os espaços externos e internos de referências perfeitamente possíveis. Quem não se lembra das pinturas lindíssimas que estão nas paredes do super Lab da Shuri?

Chadwick Boseman é T’Challa, um rei político que ainda está se descobrindo, mais centrado, mais sofrido com a perda recente do pai e entendendo o peso das obrigações que estão nas suas costas e em contrapartida nós temos um incrível Killmonger (Michael B. Jordan) muito mais multifacetado, que crescendo num conjunto habitacional na América desenvolveu uma sagacidade maior e que por ter perdido tanto, se joga com muito mais vigor nos seus desejos e na vontade de pegar Wakanda para si.

E eu nem vou entrar no mérito das suas razões e justificativas, o que faz dele um personagem que inspira empatia o tempo todo.

O filme possui algumas camadas, num primeiro momento você acha que está assistindo, ou melhor, que será apresentado somente ao um filme de super herói, até que você percebe as nuances e chega as demais camadas, que é toda a complexidade dos diversos povos mostrados, como: Os Mursi do Vale do Omo; Os Fula ou Fulani de Mali, Nigéria e Bissau; Os Massai do Quênia e Tanzânia; Os Himba de Angola e Namíbia; Os Amazulu ou Zulu da África do Sul; Os Ashanti de Ghana e por fim e não menos importante, As Ahosi, mulheres guerreiras Fon do antigo reino do Daomé em Benin (fonte: aqui) e quais as discussões sociais e políticas fazem Wakanda ser a nação mais poderosa e com a melhor tecnologia existente.

O respeito as tradições, a ancestralidade e o peso do legado – como chegar aos pés de quem foi o rei perfeito antes de ti?- gritam o tempo todo de uma forma belíssima com o olhar de só quem é filho do Continente pode sentir.

Pantera Negra é pioneiro e tem levado os negros da diáspora e do Continente a aclamá-lo tanto por alguns motivos:

1 Foi escrito em 1966
2 É o primeiro protagonista de filmes de super heróis que  tem ascendência Africana e Não Americana
3 Surge antes de Falcão (1969) e Luke Cage (1972)
4 Ele é o primeiro personagem negro de quadrinhos que antes de ser super Herói não teve um passado pautado na violência, ou seja, ele mostra outras possibilidade de ser negro, outro passado e consequentemente outro futuro
5 Ele é nobre, com família estruturada e sem vínculos estereotipados
6 Ele é herdeiro da nação mais poderosa tecnologicamente
7 O primeiro filme de super heróis da Marvel a ter um elenco majoritariamente negro.

Elencar os marcos raciais do filme é reconhecer a homogeneidade dos seus predecessores da Marvel (Houve 17!!!!! filmes).

Personagens femininas

O que são às guerreiras Dora Milaje?
Principal exército de Wakanda e responsáveis pela guarda pessoal de T’Challa, sendo comandadas pela general Okoye interpretada pela fantástica Danai Gurira é umas das personagens que dá sustentação a trama de forma absurda e mostra como é possível, assim como todas às demais, a criação de personagens femininas múltiplas e longe de estereótipos. Danai falou sobre a importância das personagens femininas para que Wakanda fosse a nação mais poderosa do mundo:
“É realmente algo onde se pode aprender quando as mulheres são capazes de entender e atualizar sua grandeza e seu total potencial sem que seja algo ressaltado de forma exagerada,” disse Gurira. “Apenas está lá, apenas é o que é e todos entendem – o rei entende, os homens entendem, todo mundo entende. Isso é o que permite nossa nação avançar e ter progresso para estar na linha de frente.”
“Esse realmente é o negócio,” adiciona ela. “Queremos progresso? Se queremos progredir, deixe as mulheres serem tudo o que elas podem ser. Não entre em seu caminho.”
fonte: aqui

Ramonda interpretada pela belíssima Angela Bassett é o suporte de T’challa, é o conselho e a sabedoria que chega, todas às vezes que ele se sente perdido.
Nakia (Lupita Nyong’o) é a espiã que equilibra lindamente o amor pelo seu país com o dever de ajudar os mais fracos.
Shuri (Letitia Wright) é a princesa mais fantástica, a menina por trás de toda tecnologia das roupas, carros e armas que estão a disposição de T’Challa. É o vigor, e o sopro de esperança em Wakanda.

#WakandaForever é a possibilidade nas telas de vermos e identificarmos uma nação potente que poderia ter sido cada país do Continente, se não fosse o roubo, a exploração e ação doente do colonizador.

Curiosidades sobre Pantera Negra
   
1 As cachoeiras magníficas de Wakanda são planos filmados nas cataratas do Iguaçu, no lado argentino.
2 Tanto o personagem Pantera Negra que foi criado pelo escritor e editor Stan Lee e pelo escritor e ilustrador Jack Kirby, como a Organização dos Panteras Negras surgiram no mesmo ano, em 1966 e reza a lenda que um não tem nada a ver com o outro.
3 O idioma africano falado no filme, ou seja, a língua oficial do reino Wakanda, é uma língua Bantu chamada IsiXhosa, Prima da língua Zulu, ambas da África do Sul, e recheada de cliques da língua dos povos Khoisan (Bosquimanos).
4 Durante a Saga Guerra Civil, T’Challa se casou com Ororo Monroe, a Tempestade, no evento que ficou conhecido como O Casamento do Século.
5 Black Panther: The Album, trilha sonora de Pantera Negra produzida por Kendrick Lamar, atingiu o topo da Billboard 200 esta semana. O disco vendeu o equivalente a 154 mil unidades, sendo que 52 mil foram vendas físicas.
6 O Filme estreou em 15 de fevereiro e 3 dias depois já ostentava o título de 8ª maior bilheteria de um único dia na história ($75.8 milhões)
7 Ryan Coogler e Michael B. Jordan possuem planos de filmarem juntos a história de Mansa Musa I de Mali – o obscuro rei africano do século 14 que foi a pessoa mais rica de toda a história, com uma fortuna ajustada à inflação de US$ 400 bilhões.

 

#WakandaForever