Todas as matérias referente a opiniões

As Novas Baianas

Duas cantoras que já indicamos aqui porque não saem dos nossos radinhos e um projeto comandado por duas minas que estão mudando o cenário cultural de Salvador.

Luedji Luna

Conheci a música de Luedji Luna quando a fotógrafa e cineasta baiana Safira Moreira me apresentou, eu estava passando pelo momento mais delicado e frágil da minha vida e a música “Dentro Ali” de Luedji foi que me acalentou.

Nascida no Cabula – Bahia e morando atualmente em São Paulo, Luedji canta as belezas da natureza entrelaçada em nossos corpos. Corpos que habitam as vastas, lotadas e por vezes solitárias metrópoles. Corpos que assim como os meu e o da própria Luedji se esbarram, sejam nas cidades de São Paulo, onde fui assistir o lançamento de seu cd na Aparelha Luzia ou em Brasília, onde tive o prazer de vê-la declamando e cantando lindos poemas.

“Eu sou um corpo
Um ser
Um corpo só
Tem cor, tem corte
E a história do meu lugar
Eu sou a minha própria embarcação
Sou minha própria sorte”




Xênia França

Xênia França é vocalista da Banda Aláfia e lançou seu primeiro cd solo “Xenia” no final de 2017. O cd foi e continua sendo muito aclamado, por crítica e pelo público, com 13 faixas que passam pelo jazz, com percussão baiana e ritmos cubanos, a voz de Xênia França é grito de força na potência do Disilenciar.

“Música preta, sou teu instrumento, vim pra te servir” canta Xênia que coloca a mulher negra no centro, com voz, com cor e com presença de quem sabe para o que veio e o que quer.

“Por que
Tu me chama
Se não me conhece?” é o refrão da faixa que abre o cd e segundo Xênia França em entrevista para a Vice: “Começo o meu disco pelo começo, referenciando os meus ancestrais, porque sei que a minha história não começa comigo.E é nessa linha que as faixas subsequentes vão se desenrolando: é um disco sobre afetividade, ancestralidade, intimidade, fé, inquietações e identidade. É como sobre como eu me autoafirmei na cidade de São Paulo.”

Luma Nascimento e Yasmin Reis – Circuito Rolezinho

Em junho de 2016 fui pra Salvador e depois de infinitas conversas virtuais, conheci Luma Nascimento que me recebeu em sua casa, em sua cidade. A mina é porreta demais, uma cabeça que não para, vários projetos, desejos e quereres e um deles junto com a Incrível Yasmin Reis saiu do papel e arrebatou a cidade de Salvador no fim de 2016.


O Circuito Rolezinho é um movimento cultural que enxerga futuros possíveis, que se propõe pensar e discutir novas ocupações de espaços, novas narrativas, diálogos, protagonismos, conteúdo audiovisual nos ciberespaços, retirando os corpos negros do lugar de marginalização em que foram alocados.  

São encontros de Diáspora Negra, com Trocas, Debates, Rodas, Aprendizados e Shows em Três pilares: Moda, audiovisual e política.

As novas baianas já chegaram.

Próxima Parada Fashion: Nigéria

Hoje esse texto vai para os designers de moda, para o que sonham em trabalhar com moda, para os estudantes de moda, para os estudantes que sonham em trabalhar com design de moda em outro país, para os que querem ir pra África.

Enfim… para sonhadores fazedores que respiram moda.

Bora dar uma pausa da alta costura made in Europa para abrir os olhos e se encantar com a alta costura feita na Mãe África? Sério, precisamos apreciar e falar sobre Africa Fashion Week Nigeria.

“Você é um designer de moda? Tem sonhos de se apresentar na maior plataforma da África ao lado dos melhores designers de moda do continente? Tem produtos que projetam a África, sua hereditariedade, cultura e beleza? Amaria contribuir enquanto mostramos o melhor da moda africana para o mundo? Aqui está sua chance!”

Essa é a chamada feita na Fanpage do grande evento criado pela advogada e empresária de moda Ronke Ademiluyi (e também idealizadora do Africa Fashion Week London), a AFWN, já em sua 5ª edição, disponibiliza uma plataforma para designers que não possuem verba suficiente para exibirem suas obras nos grandes eventos internacionais, gerando empoderamento, criando oportunidades de trabalhos e assim, também apoiando educação, realizando treinamento de capacitação em moda e competições como Nigeria’s Next Top Designer.

Para acompanhar mais sobre o evento: Site | Facebook | Instagram | Twitter | Youtube

Para maiores informações de formas de participação do AFWN, mande um email para curator@africafashionweeknigeria.com com o assunto DESIGNER’S PACK.

Para maiores informações sobre Africa Fashion Week London: Site | Facebook | Instagram | Twitter

Que essa afroinformação te inspire. Te anime. Te leve a tirar teus sonhos do papel.

Que te leve a Nigéria, Londres… que te leve pro mundo! Um beijo grande. Um mega abraço e um mundo de novas e incríveis oportunidades pra nós.
Feliz 2018.

Isso é muito Black Mirror

Porque a melhor série da atualidade é da netflix e porque é Black Mirror?
Sim, só se fala disso, vários sites, as conversas com amigos, os spoilers inescapáveis em todas as redes sociais.

Insira aqui aquela descrição clássica do que é Black Mirror – não farei isso por motivos de: Preguiça de escrever mais do mesmo, o que quero mesmo é falar sobre: Rankings!!!

Essa lista vai ser polêmica? Vai. Provavelmente você vai discordar? Também. Porque né, opinião sabe como é…

Do pior para o melhor de todas as quatro temporadas e com descrições que caberiam em um tweet. Bora?

Contém GIGANTES SPOILERS.

19 #Momento Waldo – Ep 3, 2ª Temporada
Muita crítica política específica inglesa e pouco desgraçamento tecnológico.

18 #Metalhead – Ep 5, 4ª Temporada
Estética em preto e branco muito bonita, mas o que aconteceu aqui mesmo?

17 #Versão de Testes – Ep 2, 3ª Temporada
Existe limite entre ficção e realidade? Sim ,mas com tantas idas e vindas, ficou cansativo.

16 #Odiados pela Nação – Ep 6, 3ª Temporada
Ser odiado e odiar nas redes sociais, pode te levar a morte. Literalmente.

15 #Volto Já – Ep 1, 2ª Temporada
Estar com saudades de quem já morreu e trazê-lo de volta a vida pode não ser uma boa ideia.

14 #USS Callister – Ep 1, 4ª Temporada
Me trate mal que te faço no The Sims e de quebra ainda te deixo sem genitálias.

13 #Quinze Milhões de Méritos – Ep 2, 1ª Temporada
Como sair de uma alienação e entrar em outra, apenas andando de bicicletas. Me pergunte como.

12 #Engenharia Reversa – Ep 5, 3ª Temporada
Alguns seres humanos são tratados como baratas e outros, aqueles que nem as baratas querem ser.

11 #Manda Quem Pode – Ep 3, 3ª Temporada
Qual é o segredo que você está disposto a fazer qualquer coisa para proteger?.

10 #Hino Nacional – Ep 1, 1ª Temporada
Como chocar as pessoas comendo um porco e sem usar os talheres ou O que não pega bem na frente das câmeras, mesmo sendo um político.

9 #Toda a sua História – Ep 3, 1ª Temporada
Quando a intuição aponta, é certeiro! Pode apostar que tem coisa aí, não é coisa da sua “cabeça”.

8 #Crocodile – Ep 3, 4ª Temporada
Bendito Porquinho da índia! Ou Como se transformar de cúmplice de assassinato em serial killer em 4 passos.

7 # Arkangel – Ep 2, 4ª Temporada
Mãeeee! Cadê aquela privacidade que eu deixei aqui?  

6 #Queda Livre – Ep 1, 3ª Temporada
Só te digo uma coisa: Se tu não é popular nas estrelinhas, xiiii, o futuro vai ser um pouquinho complicado pra ti.

5 #Natal – Ep 4, 2ª Temporada
Sabe a tecnologia? Então ela juntou 3 histórias e de quebra ficou num looping infinito.

4 #Urso Branco – Ep 2, 2ª Temporada
Como criar uma personagem que te encha de empatia e depois você ficar confusa no seu julgamento.

3 #San Junipero – Ep 4, 3ª Temporada
A história de amor entre duas mulheres que ultrapassa o tempo e o espaço, fazendo da terra, o céu de cada uma.

2 #Hang the DJ – Ep 4, 4ª Temporada
Cadê meu Tinder com voz da Siri? Ninguém sai!

1 #Black Museum – Ep 6, 4ª Temporada
Três histórias que dariam 3 eps completos… se não fosse pela bela Nish e sua vingança recheada referências.

No aguardo – ansiosamente e com o celular na mão – da 5ª Temporada.

Se conselho fosse som, que som seria?

Nessas de retrospectiva 2017 e tals, listas dos melhores cds, melhores cantores, melhores músicas, melhores, maiores e superlativos… A nossa será de indicações dos sons que mais ouvimos em 2017, que serviram para desanuviar a mente, colocar as ideias no lugar, descansar a mente, ou só relaxar.

Tem sons lançados no fim de 2016 mais que persistiram em 2017, sons que foram lançados só depois da metade do ano mas ficaram no nosso radinho eternamente, sons que foram lançados agora, quase no fim do ano e no entanto seguem sendo tocados infinitamente.

Tá uma listinha bonita de se ver – ouvir – com muita música gringa e também com uma galera nacional que despontou lindamente em 2017.

Abra seus ouvidos…

Julio Rodrigues
Redbone – Childish Gambino
Something New – Wiz Khalifa feat Ty Dolla

Lucas Sá
Aurora Boreal – Rael
Flor do Gueto – Mano Brown

Laíse Neves
Legendary – Joey Bada$$ feat J Cole
The Motive/ Used To The Melody – SPZRKT & Sango

Renan Almeida
Free – 6lack
Yellow tape  – Chris Brown

Izabella Suzart
Um corpo no mundo – Luedji Luna
Garganta – Xênia França

Juliana Reis
Amores vícios e obsessões – BK
Machado de Xangô – Juçara Marçal

Eve
F MY EX – Lady Leshurr
Oi Sumido – Dream Team do Passinho

Nathan Mafra
If – Davido
Fall – Davido

Tamy Reis
Pesadão – Iza

Pedro Bonn
Element – Kendrick Lamar
Amor e som – Fabriccio

Me (Karina Vieira)
Aquela Fé – Don L feat Nego Gallo
Tru – Lloyd

 

canal colors

Não sou das maiores consumidoras do youtube, sigo pouquíssimos canais, contudo, os que sigo assisto praticamente todos os vídeos e fico pensando: o mundo precisa conhecer um trampo tão foda assim.

O Colors é um desses projetos, uma cor pra cada artistas, uns já conhecidos, outros nem tanto.

Tem para todos os gostos ou ritmos: funk, soul, R&B, rap… e se você também gosta de desbravar uns sons novos e está aberto a experimentações… conheça o Colors.

Feliz Roupa Nova – Parte II Brechós!

No post anterior, lancei algumas marcas de roupas, sapato, cabelo e acessórios fodas como dica para renovar o seu guarda-roupa e/ou presentear alguém, seja no final do ano ou em qualquer época.

Hoje, no Feliz Roupa Nova Parte II, tem dicas de brechós daqui do RJ e de fora pra você fazer aquele garimpo maroto, comprando muito por menos. Se liga nessa listinha aqui.

Seção garimpando bem, roupa tu tem:

BLACKCHÓ
Brechozão com precinho raiz. Cria da ZN do RJ. Envia para todo o BR

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BREXIXE
Brechó online, mas também entrega em mãos na BXD, Duque de Caxias- RJ

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LOADING BRECHÓ
Um brechozão desses, bicho. RJ

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BRECHÓ DI QUEBRADA
Itinerante, de perifa real oficial, da zona leste de SP.

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BRECHAVE
Como o próprio já diz: os panos mais chaves, por um preço suave. De SP para o BR todo. Aceita cartão.

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ORIGINAL FAVELA
Brechó itinerante localizado em Essipê

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BRECHÓ RUDSTYLE
Também de SP. Aceita cartão e envia por SEDEX

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HEY FELLAS
Entregas pelo nosso RJ.

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BRECHÓ MRS. GUETTO
Entregas do terminal do Cecap até o terminal do Centro de Piracicaba/SP. Envia pelos correios também.

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BRECHÓ MOOI
Precinho gostosinho no azeite. RJ. Envia para todo o Brasil.

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MARIOCA
Brechó e acessórios bafônicos. RJ/SP

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GALDINO BRECHÓ
Itinerante e online. Entregas em Niterói-RJ.

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OFFENSIVE FASHION
Entrega para todo o Brasil. Ponto físico na loja Old Skate Bar.

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BRECHOLEIRAS
Todo sábado na CUFA, Madureira -RJ

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As dicas tão aí. Agora é fé no pai que nesse garimpo peça nova sai!

Quem diria?

Como um simples reposicionamento de mercado, muda os objetivos e metas dos criadores. Final dos anos 90 e início dos anos 2000. Cultura sneaker fervendo na gringa, rappers lançando suas próprias marcas de roupas (g-unit, rocawear, billionaire boys club) e pessoas enxergando que o poder do Hip Hop poderia ir muito além da música. Isso já era um presságio desde o início dos anos 90 com RUN DMC fazendo umas 8 mil pessoas tirar os seus Adidas Superstar dos pés e empunhar eles no alto. Tudo isso em pleno Madison Square Garden.

O contato das grandes labels esportivas (Nike, Adidas, Rebook) com a cultura urbana já era latente, principalmente pela conexão do basquete com o Hip Hop. Vários dos sneakers criados primeiramente para as quadras foram incorporados na cultura Hip Hop (o clássico Air Force 1 é um dos maiores exemplos). Então, por essa proximidade, era de se esperar que essas marcas lançassem produtos diretamente voltados para os consumidores da cultura de rua.

Essas marcas conseguem dialogar com esse público por que elas sempre estiveram por ali. Mas onde poderíamos imaginar que Balenciaga, Gucci, Louis Vuitton fossem criar (ou re-criar) produtos voltados ao público consumidor de cultura urbana? Até que ponto isso é foda e até que ponto isso é extremamente sufocante para novos criadores?

Naquela entrevista clássica do Kanye West no Sway in The Morning, Kanye dá um grito quando o Sway faz um indagação bem pertinente sobre a relação dele com as marcas. Sway pergunta por que Kanye, que já tinha um patamar de magnata tanto como um cara criativo quanto como um cara que já tinha grana, ainda precisava dessas grandes marcas se ele sozinho já poderia assumir toda a parte de produção e distribuição dos seus produtos. Era um momento complicado na vida do Kanye pois ele tinha acabado de encerrar o contrato que tinha com a Nike. Kanye deu a clássica resposta em forma de grito:

“ YOU AIN’T GOT THE ANSWERS SWAY”

Você não possui as respostas Sway. Você é muito pequeno e não entende como o jogo funciona, foi mais ou menos isso que Kanye quis falar nessa frase. E ao mesmo tempo que Kanye deixou isso bem claro, ele também se colocou como pequeno perante toda uma indústria gigantesca que influencia e produz de forma global. Mesmo Kanye com toda a sua influencia e com toda a sua grana, é impossível ele entrar em competição com uma Adidas, por exemplo. É mais vantajoso pro Kanye se aliar com a marca do que lançar a própria coleção dele pela marca dele. Foda mas também sufocante.

Esse cara da foto de abertura se chama Salehe Bembury. Ele é um dos designers do YEEZY e foi descoberto por Kanye quando trabalhava na incrível e revolucionária marca “Greats”. Nascida no Brooklin, a Greats foi criada em 2012 o intuito de criar os melhores sneakers para homens e mulheres e vender diretamente para o seu consumidor. Sem distribuidores, a marca garantiria o melhor preço dos seus sneakers e tinha Salehe como seu designer principal antes de ele ser contratado por Kanye. Greats foi extremamente elogiada por inúmeras publicações (Vogue, Complex, GQ, Esquire) pela sua coragem e arrojo no seu design e principalmente pelo seu modelo de negócio. Quando ainda estava na Greats, Salehe deu uma entrevista bem interessante para a plataforma de empregos Monster e deu a seguinte declaração:

“Quando você está em uma grande empresa você faz parte desta máquina que, na teoria, pode seguir em frente sem você, enquanto que, aqui na Greats, são sete pessoas. Todos somos igualmente importantes”.

Na Greats ele tinha a liberdade de criar o que ele acreditava e tinha proximidade extrema com seus líderes e seus consumidores. Esse era o grande diferencial de se trabalhar numa marca com potencial extremo de crescimento mas que ainda não era uma gigante do mercado. Logo após ser contratado por Kanye para ser um dos designers do YEEZY, Salehe assinou um contrato com a italiana e gigante de alta costura Versace. Isso mesmo, a Versace contratou um designer negro de Nova York para comandar a sua linha de sneakers.

A cultura negra (Hip Hop = Negro) é tão absurdamente forte que faz mudar paradigmas onde nem as vezes quem faz parte dessa cultura percebe o tamanho do impacto que causamos. Quem diria que a Gucci faria roupas especificamente para rappers (2 Chainz só usa Gucci) para atingir o público que o MC influencia. Quem diria que a Versace criaria uma linha de sneaker para atingir um público voraz que consome a cultura urbana, não necessariamente sendo negros mas que foram totalmente influenciados por eles. Ou quem diria que o incrível e revolucionário Dapper Dan, fosse hoje – já bem coroa – respeitado e convidado para desfiles das grandes marcas que ele um dia copiou.

A necessidade de inclusão e a sensação de pertencimento fazem com que criadores empreendam nos seus sonhos e tenham o objetivo de mudar algo que já esteja em vigor. Sempre foi assim na visionária cultura Hip Hop. Quando quem sempre determinou regras e valores de consumo se rende a nossa criatividade e poder de mudança, é de se achar incrível num primeiro momento mas extremamente limitador num segundo. Ocupamos o espaço que sempre disseram que não era para nós mas deixamos de fortalecer o espaço que nos colocou em destaque. Foda mas sufocante.

Um editorial da realeza

Rich Allela e Kureng Dapel (respectivamente de Quênia e Nigéria). Esses foram os nomes das mentes que trabalharam por trás das câmeras do projeto chamado African Queens, que intuito de empoderar mulheres africanas de hoje. Allela e Dapel deram início ao projeto relembrando a história de um legado: Mnyazi Wa Menza, mais conhecida como Mekatilili Wa Menza.

“Isso representa a força da feminilidade e inspira a mulher africana a passar por cima da desigualdade e discriminação encarada todo dia”, diz Allela.

Menza era filha única em uma família de cinco filhos, tendo um de seus irmãos, Mwarandu, levado por escravas árabes e nunca mais visto. Nasceu na década de 1840, no Quênia e foi líder do povo Giriama, um dos nove grupos étnicos que compõem o Mijikenda (que literalmente se traduz em “nove cidades”) em uma rebelião no período administrativo colonial britânico. Tornou-se Mekatilili quando teve seu primeiro bebê Katilili. O prefixo “me” nas línguas de Mijikenda tem o significado de “mãe”. Até hoje é considerada profetisa pelo povo de Giriama.

Conheça mais sobre os trabalhos dos fotógrafos:

Rich Allela: https://www.richallela.com
Kureng Dapel: https://www.facebook.com/kurengworkx/

Sobre bloqueio criativo, síndrome do impostor e inseguranças

O famigerado papel em branco te encara, o tempo continua passando e aquela inspiração que você precisa não chega. O que fazer? Os prazos estão acabando, a agonia se intensificando, e as metas que você estabeleceu não estão sendo cumpridas. O que fazer?

Tem dias que você vai escrever sobre tudo e qualquer coisa, que as ideias irão pular pelos dedos aos borbulhões, que escrever será o ato mais fácil a se fazer. Outros não. Cada palavra será retirada a força, cada folha escrita, rasgada e jogada fora, cada parágrafo apagado sem dó, isso quando vc conseguir romper com a barreira do papel em branco.

A escritora Aline Valek fala sobre as armas das pessoas criativas aqui. Algumas dicas que tirei de lá e adequei a minha realidade:

1 Não espere a inspiração chegar. Comece. Agora.
2 Repertório ou bagagem criativa. Você aí, sim, você mesmo. Pare de rolar o feed do facebook e/ou instagram e vá ler, aprender, ver ou ouvir algo que aumente a sua carga para as escritas futuras. Se alimente de inspiração.
3 Se você tem um campo de interesse, se aprofunde nele, colha cada vez mais materiais de estudos e de diversas fontes distintas, se não quer ler sobre, assista a vídeos, escute podcasts e tente linkar fontes diversas para formar seu próprio entendimento sobre esse assunto.
4 Associação de ideias, linkar ou mixar. Faça a sua maneira, certamente seu cérebro possui um mecanismo de junção de coisas aparentemente desconexas. Comigo funciona na aula de inglês, como assisto muita série legendada e ouço muita música em inglês, quase sempre rola livre associação entre uma expressão nova e uma frase que ouvi em alguma letra ou diálogo.
5 Flow ou como falamos na comunicação: Brainstorm. Sem julgamentos, seu o do outro – sim, sei que é difícil. sei mesmo, confia, porque também ajo assim, toda acusatória comigo mesma – deixe fluir, daquela ideia mais estapafúrdia, pode surgir um texto/tema legal. Aline já deu a dica: seja água.
6 O mais difícil: Paciência. O seu tempo. Do seu jeito. Tudo está tão rápido que paciência está quase que escassa no mercado. Tudo é pra ontem, pra já. Maturar quase que não é mais um verbo. Achar o seu tempo será o mais difícil, quase tão difícil quanto não se comparar com outra pessoa.

Isso me leva ao outro tópico, a Síndrome do impostor.

Sabe aquela sensação de estar num lugar ao qual você acha que não pertence? Aquele convite que você recebe para falar em algum lugar sobre um assunto que você domina, que você estuda mas que quando você se depara com a situação que vai te expor, você pensa: Eu não sei nada, é agora que vão descobrir que sou uma fraude?

A Síndrome Impostor é como os especialistas normalmente se referem à crença persistente de que você chegou ao ponto onde você está não através de suas próprias habilidades ou trabalho duro, mas tendo sorte e basicamente enganando as pessoas para que elas pensassem que você é melhor do que você é.

Essa sensação de inadequação, de estar num lugar que não é seu, de ser uma fraude. Essas sensações sempre vem acompanhadas de uma carga gigante de ansiedade e insegurança.

A Gabi Oliveira nesse vídeo traz um questionamento primordial sobre como os estudos sobre a síndrome embora possua dados de gênero, não entrecruzam esses dados com raça, porque sabemos bem, que escutamos desde crianças o quanto temos que ser boas, pelo menos 2x melhor.

O buzzfeed dá 17 dicas de como lidar com a síndrome aqui.

Falar sobre bloqueio criativo e síndrome do impostor, me levou ao terceiro tópico: A insegurança.

Eu acompanho um escritora americana pelo instagram chamada Alex Elle. Ela escreve sobre autocuidado, auto celebração e amor próprio, e eu costumo chamar ela de Minha Mentora, pois ela me coloca nesse lugar de ok, não preciso saber sobre tudo, não preciso ter todas as respostas, preciso relaxar e principalmente: tenho que respeitar meu tempo, a minha escrita.

O que me leva a essa nota que ela escreveu há pouco tempo:

“Notas sobre não saber.
A maior parte do tempo não faço ideia do que estou fazendo, só estou tentando descobrir e viver uma vida boa. E, as vezes, isso é o suficiente.
Temos tendência a colocar tanta pressão sobre nós mesmas para ter a certeza e para saber os próximos passos, mas por vezes, pode ser melhor ir e aprender ao longo do caminho.
Sem pressão, apenas a vontade de mostrar e descobrir o que está do outro lado…
Há poucas pessoas que admitem que não tem certeza. Se aprendi alguma coisa nessa vida, é que até o que pensamos que sabemos pode mudar.
Os sentimentos mudam, as perspectivas evoluem e o crescimento nos torna maleáveis de formas que podem fazer com que as nossas certezas se desenrolem.
E não faz mal. Não temos que saber sempre qual o próximo passo. Haverá momentos na vida em que temos que entrar no desconhecido e encontrar maneiras de aprender.
Tatuado no meu braço tenho: Encontre a tua luz. E isso é algo que faço diariamente.
Encontrar-me no meio do não-saber e viver para aprender é o que eu uso para me apoiar em momentos de incerteza”.

Espero que essas dicas, esse vídeos e esse texto sirvam para te mostrar que você não está sozinha e que essas inquietações que te assombram, elas pairam sobre todas nós, mas que compartilhando das nossas incertezas, as nossas dúvidas, quem sabe possamos nos fortalecer e fazer uma rede onde o que me potencializa, pode te potencializar também, afinal, já passamos de fase de tentarmos ser supermulheres. Só queremos Ser.

Ser quem nós quisermos ser.

A produção inovadora de Gabriel Marinho

Músico, produtor musical, compositor, DJ e gestor de conteúdo. Gabriel Marinho é uma das figuras mais presentes nos palcos, estúdios e escritórios do music business carioca. Com uma identidade única, suas produções vem inovando o cenário brasileiro, e abrindo caminhos em expressões urbanas como o Afrofuturismo.

Nascido em Salvador Bahia, Gabriel teve um contato fundamental com a percussão de sua terra ainda na infância, quando vivia na cidade de Castro Alves no recôncavo baiano, tornando-se baterista e percussionista autodidata. Ao se mudar para o Rio de Janeiro conheceu a cultura hip-hop, e na adolescência começou a produzir beats de rap. Após uma viagem de retorno a Salvador passou a utilizar sua habilidade com os tambores para criar sua identidade fincada em suas raízes baianas e africanas, influenciado por Ilê Ayê, Luiz Melodia, Ebo Taylor, Peter Tosh, indo até Madlib, Parteum e Flying Lotus.

Acumulando colaborações com nomes como Angélique Kidjo do Benin, 3 vezes ganhadora do Grammy, com quem se apresentou na Roundhouse em Londres no dia 12 de Novembro, Tássia Reis, no premiado álbum “Outra Esfera”, André Sampaio com quem co produziu a trilha da exposição “Povo Insônia” do grafiteiro Toz, e com quem apresenta o programa Mandinga Beat na rádio online Blá FM. Excursionou por Paris com os artistas Carta na Manga e Descolados, onde palestrou no CentQuatre (104) maior centro de cultura urbana da Europa. Durante as Olimpíadas do Rio 2016 foi DJ exclusivo da delegação Alemã na Deutsche Haus, e já assinou trabalhos com Aori, Donatinho, Julia Vargas, BK’, Zola Star (Congo) e Folakemi (Inglaterra), entre outros. Dirigiu e compôs o autoral curta/EP “Rumpi Mondé”, exibido em países como Kenya, México, USA e França e em diversas cidades brasileiras.

(Rumpi Mondé 2013 – Filme dirigido e trilha composta por Gabriel Marinho)