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Um Rennan que não era só mais um silva

Desde que o mundo é mundo, tudo de criativo e grandioso que vem de fora de uma classe dominante gera falatório, olho torto e, principalmente, inveja. Desde a criação das Piramides do Egito até a chegada do samba. Com o funk não seria diferente.

Rennan da Silva Santos, mais conhecido como Rennan da Penha, tem 25 anos e é o maior DJ da sua geração de funk que tem o 150 BPM como o ditador das novas regras artísticas do gênero. O 150, que renovou o funk carioca de forma avassaladora, colocou a cidade no mapa novamente. Revelou novos MCs e catapultou o DJ ao velho protagonismo que a profissão tinha no início da jornada do funk e também do hip hop.

DJ há mais de 10 anos, Rennan inúmeras vezes contou casos de seu início de carreira em alguns dos seus posts do instagram. Certa vez lembrou de uma época em que tocava em eventos minúsculos na favela ou abrindo shows de grupos de pagode, onde era regra ter que tocar de tudo. Ou da vez em que ele compartilhou o presente que ganhou do seu empresário: Um par de toca discos mk2. Para ele, era um sonho ganhar aquele equipamento. DJ de verdade tinha que saber tocar nos toca discos.

Falo isso tudo pra afirmar que: Assim como Alok, Rennan da Penha tem profissão. E além de ter profissão, ele é extremamente bem sucedido no que faz. Possui agenda cheia (mais de 60 bailes por mês), tem endereço fixo, carro e casa própria. E é um dos organizadores do maior baile funk da atualidade, que é o Baile da Gaiola. Só que Rennan tem uma qualidade que pra muitos é um clássico problema. Rennan vive pelas suas raízes.

Rennan não namora a atriz loira global, fato comum entre personalidades negras que ascendem socialmente. Rennan já poderia ter a sua mansão na barra, mas ainda prefere viver na penha. Rennan distribuiu na sua comunidade materiais escolares para centenas de crianças, como uma forma de retribuir tudo o que de bom tem acontecido na sua vida. Rennan é o tipo de preto que nenhum setor de elite gosta. É extremamente inteligente, sabe e valoriza suas origens, dá o papo reto pra quem tiver que ouvir, sabe como movimentar milhares de pessoas através da música e dialoga com qualquer tipo de pessoa.

Setores de comando do país não aturam um DJ criado em comunidade tendo relações afetivas com pessoas que, por um motivo ou outro, tomaram outros rumos na vida. Mas aceitam o presidente da república e sua família tendo relações claras e óbvias com milicianos e assassinos de aluguel. É o tipo de hipocrisia que não queremos cair e nem acreditar que é comum.

Rennan é daquelas forças da natureza que temos que proteger. Para que não se frustre e não volte a ser só mais um silva.

 

 

Música. Os nossos melhores álbuns de 2018

Listas são polêmicas e nunca agradam a todos. 2018 veio pra mostrar que apesar de tudo que aconteceu socialmente e politicamente ao redor do mundo, a nossa maior forma de expressão nunca nos deixa só. A música sempre foi e sempre será uma das nossas mais efetivas armas de auto expressão e valorização. Esses são os álbuns que mais curtimos ao longo desse ano intenso. Inúmeras vertentes de música negra passam por aqui, sempre respeitando os nossos gostos e entendimentos. Tudo o que nos emocionou e segue nos impressionando está por aqui. Se você ainda não ouviu algum desses álbuns, corre pro Spotify e procura tudo. Vai valer a pena.

 

20 – Jacob Banks | Village

Jacob Banks se destaca como persona e como artista. Sua voz potente deixa marcado os ouvidos de quem curte a sua onda de soul e neo R$B. Em “Village” ele se mostra denso e também mais solto em faixas como “Mexico”.

 

19 – Nego Max | Afrokalipse

Uma grata surpresa. Lançado no final desse ano, “Afrokalipse” é o resultado de um trabalho muito coeso, direto e reto assim como o rap deve ser. Nego Max, um dos expoentes do rap do Vale do Paraíba, é um dos melhores MCs da cena nacional e traz rimas muito pesadas sobre tudo o que lhe envolve. A track “O rap é preto!” com o feat cabuloso de Preta Ary é um dos destaques.

 

18 – August Greene | August Greene

A junção entre Robert Glasper, Common e Karriem Riggins era impossível dar errado. 3 dos mais talentosos músicos dos EUA, formaram a August Greene que traz um álbum com o mesmo nome e uma fusão incrível entre Jazz, Soul e Rap. Tudo de forma orgânica e muito verdadeira. “Optimistic” é o destaque do álbum e vem com um feat incrível da Brandy.

 

 

17 – Anderson . Paak | Oxnard

Finalizando a trilogia de um dos mais talentosos artistas que apareceram nos últimos tempos, “Oxnard” não foi o melhor álbum dentre os 3 (os outros foram “Venice” e o incrível “Malibu”). O nível de exigência pós “Malibu” era gigantesco e .Paak voltou mais rapper do que nunca, provavelmente pela influencia de Dr. Dre na produção musical e executiva do álbum. Com mais rimas e menos sons melódicos, Anderson .Paak confirmou sua presença na industria como um dos mais versáteis e talentosos artistas da cena. A track “Trippy” com o feat do J. Cole é um dos destaques.

 

16 – Thiaguinho | Tardezinha 2

Thiaguinho explora com maestria uma fórmula de sucesso que não tem como dar errado. Mais um álbum ao vivo que mistura clássicos do pagode dos anos 90, com belos arranjos e o carisma óbvio de Thiaguinho. “Tardezinha 2” é um daqueles álbuns que fica tocando ininterruptamente nos nossos churrascos de domingo com a nossa família. Pra quem gosta de pagode, é um belo trabalho. “Pé na areia”, originalmente conhecida na voz de Diogo Nogueira, ficou muito bem na voz de Thiaguinho e é um dos destaques.

 

15 – Jay Rock | Redemption

Jay Rock é um dos rappers mais fiéis as suas origens gangsta. Ele tem praticamente a mesma estética visual e musical desde “Follow me Home”, o seu primeiro álbum a chamar atenção da industria mais “comercial” americana. Para alguns, a falta de mudança entre os seus trabalhos pode parecer um suicídio. Mas ele desempenha esse papel tão verdadeiramente bem que os fãs de gangsta rap enxergam nele uma salvação dentro do rap mainstream vigente. “Redemption” é muito pesado e a track, com feat do Kendrick Lamar, “Wow Freestyle” é um hit e vem tocando em inúmeras festas e clubs ao redor do mundo.

14 – Recayd Mob | Calzone Tapes Vol. 2

A Recayd é uma das maiores afirmações do Trap brasileiro. Toda a vontade de fazer rap e expôr as mudanças que os próprios integrantes do coletivo querem para as suas vidas, é o que dá a sensação de pertencimento deles a sua realidade. Falar tão abertamente sobre drogas, sexo e dinheiro ainda continua sendo um tabu e eles passam por cima disso tudo com muita verdade em cima dos seus temas. Pode parecer fútil para alguns, mas o álbum simplesmente retrata a vontade de vitória de vários jóvens pretos talentosos. E isso é importantíssimo.

 

13 – Kamasi Washington – Heaven and Earth

O saxofonista, bandleader e compositor Kamasi Washington ratificou o seu nome como um dos expoentes do Urban Jazz mundial. Sua estética com uma identidade absurda e suas sonoridades o fazem ser comparado com outras referencias do Jazz americano. Em “Heaven and Earth”, Kamasi mescla várias referencias e traz participações incríveis como Terrace Martin e Thundercat. “Tiffakonkae” é a track que mais chamou a nossa atenção.

 

 

12 – Iza | Dona de Mim

Pra quem já acompanhava a Iza desde os tempos dos seus vídeos caseiros na internet, todos já tinham uma certeza: O seu sucesso era questão de tempo. As suas qualidades como beleza, presença e sua pele retinta estão do mesmo tamanho que sua qualidade maior, que é a sua voz. Iza se posiciona como uma artista genuína que muito provavelmente vai ser longeva na cena pop brasileira. “Dona de mim” é só o primeiro passo dentro de uma carreira muito promissora, que vai representar e impulsionar muitas mulheres por aqui.

 

11 – Marcelo D2 | Amar é para os fortes

D2 já se posiciona como um dos artistas mais respeitados do país há alguns anos. Em todos os seus trabalhos, desde a época do Planet, ele sempre preza por um teor artístico altíssimo musicalmente e visualmente falando. A sua notória vontade de sempre fazer parcerias com artistas de várias faixas etárias, o deixa sempre numa posição de vanguarda e referencia para quem quer realmente ser artista de verdade. “Amar é para os fortes” não é comercial, é um clássico visual, feito por várias mãos e capitaneado por um dos maiores defensores da verdadeira arte desse país.

 

10 – Solveris | Vida Clássica

Solveris traz um frescor estético e uma identidade musical muito bem desenhadas. Tudo faz sentido quando vemos e ouvimos Solveris, fruto da junção de 4 jóvens extremamente talentosos do Espírito Santo. “Vida Clássica” é uma fusão linda entre Soul, Rap e R&B que traz um bom gosto absurdo desde a capa até o principal, que é a música. Eles ainda não estão no famoso hype mas pelo talento que eles tem, eles brevemente vão formar o seu próprio hype e virar o jogo a favor deles. “Noite cubana” foi a track que mais chamou a nossa atenção, com um refrão bem surpreendente.

 

9 – The Internet | Hive Mind

A melhor notícia desse final de ano foi que em março do ano que vem, The Internet aterriza em solo brasileiro pra uma série de shows. Não é exagero dizer que eles hoje são a melhor banda de Soul e R&B do mundo e “Hive Mind” veio pra comprovar isso. A estética sonora continua parecida com os trabalhos anteriores e a liderança calma de Syd nos vocais se ratifica e a presença de Steve Lacy em “Roll (Burbank Funk)” é uma ótima surpresa. Eles se entendem muito bem juntos e também em seus trabalhos solos. Estamos ansiosamente esperando pela presença deles no ano que vem.

 

8 – Attooxxa – Luvbox

Áttooxxa confirmou ser uma das maiores revelações musicais brasileiras em “Luvbox”. A mistura incrível entre Trap, House, Pagodão Baiano e Soul music resulta num som incrível, coeso e que faz todo o seu público balançar. A criatividade e perspicácia dos seus produtores surpreende positivamente quem ouve pela primeira vez e prende o ouvinte a querer conhecer mais o trabalho dos caras. Presença certa em inúmeros festivais ao redor do país, Attooxxa é daquelas bandas que queremos estreitar relações e trabalhar juntos em breve. “Eu juro (LuvBox) é a track que mais pegou a gente pela brasilidade, swing e balanço que ela provoca.

 

 

7 – Travis Scott – Astroworld

Travis Scott já era um dos maiores rappers dos EUA desde a explosão do seu primeiro álbum “Rodeo”. “Birds in the Trap sing McKnight” confirmou esse status e “Astroworld” veio pra ratificar ainda mais a presença de um artista que está se colocando dentro daquelas listas de GOAT que vemos sempre por aí. “Astroworld” é energeticamente muito comercial, aquele tipo de álbum que faz mais de 50 mil pessoas ficarem pulando num show por mais de 2 horas, liberando todos os seus demônios e angústias. É exatamente isso que Travis traz em suas letras e músicas. “Stop Trying to be God” é uma track que traz um clipe com vários significados e “Can’t Say”, com feat do Young Thug, é aquela track foda que ninguém ainda deu a devida atenção.

 

6 – Abstract Orchestra – Madvillain Vol. 1

O trabalho que a Abstract Orchestra vem realizando é tão incrível que é difícil de escrever sobre. A dificuldade de fazer uma releitura orgânica de trabalhos já consagrados do rap é tão grande que nos gerou uma estranheza antes de ouvirmos o primeiro trabalho da orquestra, que foi “Dilla” lançado em 2017. Quando paramos para ouvir, a surpresa foi tão grande que balançou os nossos corações tanto quanto os beats clássicos de J.Dilla, só que de uma forma diferente e ao mesmo tempo emocionante. Nesse ano a Abstract Orchestra assumiu mais um desafio e fez uma releitura incrível dos beats de MF-DOOM, um dos produtores/rappers mais undergrounds e respeitados do mundo. O resultado foi o “Madvillain Vol. 1”. É absolutamente genial.

 

5 – Baco Exu do Blues – Bluesman

“Bluesman” é um clássico. Ponto. A facilidade com que Baco passeia por assuntos extremamente densos como depressão, bipolaridade e ansiedade é tanta que identifica de forma rápida quem sofre dos mesmos problemas. O álbum é muito bem montado, onde é quase dividido como uma peça de teatro. Em atos e intervalos para melhor entendimento do público. O trabalho visual é magnífico e impulsiona as músicas para lugares inimagináveis. A luta e defesa de Baco perante o povo preto é a sua maior qualidade, dentre todas as dificuldades que é assumir essa tarefa. “Me desculpa JAY-Z” é o verdadeiro hit do álbum mas “Girassóis de Van Gogh” e “BB King” merecem a mesma atenção.

 

4 – Cory Henry and The Funk Apostles – Art of Love

Cory Henry tem uma história extensa dentro da música góspel americana. Já fez turnê com vários artistas consagrados do meio e já gravou com a respeitadíssima jazz band Snarky Puppy. Nesse ano ele lançou o seu primeiro álbum autoral que é uma fusão entre o góspel, funk e soul music. É incrível como ele canta com a mesma qualidade que toca o seu piano e dentro das tracks rolam umas jams muito bem ensaiadas. São 6 tracks de uma duração mais longa que demonstra o talento fervoroso que Cory possui. “Trade it all” abre o álbum de forma incrível e mostra o que está por vir.

 

3 – Djonga | O menino que queria ser deus

A mesma carga energética que Travis Scott coloca em seus trabalhos e em seus show, Djonga faz isso tão bem quanto o artista americano. “O menino que queria ser Deus” traz tantas metáforas geniais, tanta energia e tanto papo reto que é impossível qualquer jovem preto não se identificar com aquilo. Seus refrões fazem muito sentido, são extremamente melódicos e fáceis de se cantar, fazendo com que todo show de Djonga seja um ato negro épico. Os beats de Coyote são determinantes pro sucesso de um dos melhores discos de rap de todos os tempos.

 

2 – BK’ | Gigantes

A auto confiança é o motor o rap. Não adianta. BK’ dá uma aula sobre a realização dos seus próprios sonhos, o que inspira totalmente o seu público. Em “Gigantes” ele fala sobre como a tomada do poder para as nossas mãos, auto cobrança, os nossos reais tamanhos, guerras internas, festas, mulheres e, principalmente, vitórias. BK’ continua inspirando fortemente jóvens a serem maiores do que o teto que a elite vigente impôs. Ele é de fato o melhor rapper da sua geração.

1 – Luciane Dom | Liberte esse banzo

Há mais de 1 ano atrás, estávamos na casa de um grande amigo e lá conhecemos Luciane Dom. Trocamos uma ideia muito proveitosa e conversamos sobre o seu futuro álbum, sem ouvir nenhuma música. Demos algumas dicas sobre alguns caminhos que ela poderia seguir e mantivemos uma proximidade. Ao ouvir “Liberte esse Banzo” pela primeira vez, tudo o que apostávamos naquele papo que tivemos se confirmou de uma forma felizmente surpreendente. O álbum é extremamente diverso, traz elementos muito brasileiros como ijexá e ela como uma cantora de MPB, passeia muito bem pelo Soul, pelo Jazz e pelo Rock. Os assuntos densos e reais do álbum são muito bem trabalhados pelas suas melodias firmes e pela sua voz suave mas muito marcante. “Todo Cuidado”, “Quanto Pesa” e “Abraça, Menina” são tracks belíssimas que dão uma visão clara do que Luciane está querendo transmitir e fazem o público viajar. Luciane Dom é uma afirmação e 2019 é um ano de colheita desse álbum incrível.

 

Eu te conhecia, Marielle

Sim, eu te conhecia Marielle. Sem mesmo nunca ter te visto. Sem mesmo nunca ter trocado duas palavras ou ter tomado algumas cervejas regadas a risadas que, com toda certeza do mundo, daríamos. Eu te conhecia. De algum outro plano, de alguma outra vida. Eu te conhecia. Essa conexão a gente sabe de onde vem.
Fico preocupado ao enxergar que nem todo mundo tem essa sensação de proximidade com você. Julgo até mesmo aonde vão e o que sentem os corações de pessoas que não se enchem de ternura ao ver o seu sorriso e não se sentem minimamente protegidos ao ver a sua foto. Será que eu e essas pessoas somos tão diferente assim? Será que verdade e empatia só é sentido por pessoas como nós? Será que as dores, desafios, dificuldades e perigos nos uniam de tal forma que não precisaria a gente se conhecer de fato para se gostar?

Eu não sei Marielle. Eu só sei que tudo isso que vem acontecendo não é sobre lados, não é sobre política. É sobre o certo e o errado. Sobre aquilo que a gente aprende desde pequenininho com os nossos pais e com as pessoas boas que eles escolhem para ficar ao nosso redor. E quem não se sente pelo menos angustiado com a sua morte, tá longe de fechar com o certo. Aquele certo que você sempre defendeu, aquele certo que faz com que pessoas se transformem em bons cidadãos que não precisam saber de onde você veio, a sua cor ou a sua orientação sexual. Aquele certo que simplesmente se deixa levar pelo seu sorriso e confia na tua porque sabe que você nunca vai fechar com o errado.

Você vai fazer falta Marielle.
Mesmo sem te conhecer, eu sei que você era muito importante para quem estava ao seu lado. Você era aquela pessoa que fazia a diferença de fato. Fazia o que todos nós cobramos do outro, mas que nunca tomamos a iniciativa de fazer. E o trabalho que naturalmente já era três vezes mais correria pra gente, a partir de hoje vai ser 6 vezes mais. Mas agora com mais um propósito, mais uma dedicatória de vitória que será pra você. Eu simplesmente sei que você ainda está aqui. Você era a nossa Nakia da vida real. O seu sorriso era o da Karina, a sua presença era a da minha mãe e a sua luz era a de Deus. E eu falo com ela todo dia.

Eu te conhecia, Marielle.

Mulheres do Backstage

Uma coisa não podemos negar, amamos um glamour, um editorial foda de lindo, uma roupa babadeira com ótimo caimento no nosso templo chamado corpo, aquela peça coringa, uns textos informativos que só agregam e uns eventos supimpas pra saber as novidades do mundo da moda.

Mas você já se perguntou quem tá por trás disso tudo? Em especial ao mês das mulheres, eis aqui uma listinha das manas que botam a cara no backstage e a mão na massa.

1- Mofe Bamuyiwa
Fotógrafa nigeriana com foco em casamentos, beleza e família, capta leveza com um toque de realeza através de seus cliques que parecem pinturas. Seus trabalhos você encontra aqui: Instagram | Site

2- Solange Knowles
Você sabia que esse ícone de mulher além de, cantora, compositora, produtora, atriz e também DJ, lançou uma linha de tênis junto com a Puma tendo o Brasil como inspiração? Pois é! Em 2013, a marca convocou Solange para ser a nova diretora de arte e consultora criativa. Sua estréia na área foi o lançamento da linha Girls of Blaze Disc do tênis Disc Blaze, o pioneiro da marca sem cadarço voltado para corrida (inclusive, o tênis da foto é um dos modelos). A bonita também faz a blogueirinha aqui. | Instagram

3- Ruth E. Carter
O que é o que é: aquilo que você olha, baba e fica querendo durante e depois do filme pro resto da vida? O figurino do filme Pantera Negra! Isso mesmo, gente, o figurino. E quem assina os trajes maravilhosos de Wakanda é essa rainha aí da foto. Ps. Ruth também assinou figurinos de filmes como Selma, dirigido pela extraordinária Ava Duvernay e Do The Right Thing, dirigido por Spike Lee. Você encontra ela por aqui: Instagram | Site

4- Suyane Ynaya
Fashion stylist e diretora criativa do coletivo MOOC, tem em seu portfólio -maravilhoso- produções na revista Elle e revista Glamour, desta vez estampada babadeiramente por Karol Conka (o styling nem preciso dizer de quem é, né). Você encontra ela aqui: Instagram

5- Rihanna
Eu nem vou me prolongar muito porque no final das contas qualquer coisa que a gente vá falar sobre Rihanna o resumo é sempre “rainha, né mores”, porque é isso mesmo. A Fenty, além de se jogar nas Beauty, está apostando em lingerie. Ainda não temos muitas notícias, mas segundo fontes, em parceria com o grupo TechStyle, Riri tem desenvolvido a linha a cerca de mais ou menos um ano.

6-Luciane Barros
Cansada -nós também, mana- de ver só manequim 34, Luciane, queria consumir apenas de empreendedores afros, mas que também só faziam roupas para pessoas magras, deu o primeiro passo apresentando-os ao mundo plus size. A situação deu tão certo que além de ter modelado para as marcas, decidiu criar a agência de casting Afrika Plus Size Brasil.

7- Luanda Vieira
É fotógrafa e também repórter de moda na revista Glamour. A entrevista da Conka é toda dela. Cata lá pra ler.

Bom, depois dessa listinha podemos reforçar e relembrar que: 

Temos (Con)Cursos!

Começo de 2018 tá aí, vários planejamentos sendo feitos… Talvez aquele empurrãozinho para voltar ou começar a estudar aquilo que sempre sonhou, tentar uma área nova ou  até mesmo criar um projeto e se jogar num concurso, possa estar aqui. O ano já começou com oportunidades: cursos profissionalizantes gratuitos e concursos relacionados ao mundo da moda. Chega mais!

No final de 2017, SENAI CETIQT disponibilizou vagas gratuitas para alguns cursos em parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro. Este ano, 1655 vagas serão disponibilizadas no total, mas as datas ainda não foram divulgadas. Para maiores informações, fique atentx aqui.

A IFRJ de Belford Roxo também oferece cursos de qualificação profissionalizante, como adereços de carnaval, gestão de vendas e negócios de moda, ecodesign de acessórios de moda e outros. Também  não há data prevista para inscrições, mas para saber sobre todos os cursos e continuar acompanhando, clique aqui.

O Sindcon (Sindicato das indústrias de confecções de Roupas e Chapéus de Senhoras de Petrópolis), através do Programa de Qualificação Setorial do Senai, disponibiliza vagas gratuitas para cursos de modelista e costura com duração de 3 meses. Para maiores informações, clique aqui.

A Killing é uma empresa indústria química com anos no mercado produzindo colagem e pintura, que com o apoio da Assintecal (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), criou o 1º Desafio Kisafix de Design Calçadista. Um concurso de moda que tem como objetivo dar acesso às novas tecnologias da linha Kisafix para os profissionais criativos da área e também fortalecer o desenvolvimento do mercado brasileiro de calçados. O ganhador do desafio será premiado com uma viagem para Itália e será capa na revista Lançamentos Trends da edição de junho/julho de 2018. Não é necessário ter formação ou atuar na área. Inscrições estarão abertas até 11 de março de 2018. Maiores informações, clique aqui.

Concurso dos Novos 2018. É considerado o maior concurso de moda autoral para estudantes da América Latina, criado pelo Dragão Fashion Brasil, um dos maiores e mais conceituados eventos de moda do país. Como premiação, além dos Troféu DFB, a instituição ganhadora levará R$ 10.000,00. As inscrições estarão abertas a partir de 26/02/2018 e acabam no dia 08/03/2018. Para maiores informações sobre regulamentos, clique aqui.

E aí, bora tirar os planos do papel?

(Então precisamos ficar criativos).

4 Coletivos se juntaram e fizeram outro Carnaval

A ideia era uma só: Juntar o carnaval com o hip-hop e fazer uma festa incrível para aqueles que se sentem órfãos do boom-bap, do trap, do rap, do soul, do deep house e das demais vertentes que compõe esse grande caldeirão que é o hip-hop.
Isso tudo na terça feira de carnaval, quando geral tá focado nos tradicionais desfiles dos Blocos Afros que rolam pra fechar o carnaval.

Para isso, nós da AUR, nos somamos a 3 festas grandiosas aqui do Rio de janeiro:

– BREAKZ
– BRUK // Broken Beats
– CLASSY

Pois bem, a festa rolou e foi lindo. Muito mais do que esperávamos, muito mais do que imaginávamos.

O Ganjah Lapa cedeu o espaço e a fotógrafa Clara Sthel fez a cobertura – Incrível – que você vê a seguir:

Nosso agradecimento a quem pode colar e no próximo carnaval: Vai ser melhor, vai ser maior.

Pantera Negra, o filme mais aguardado dos últimos tempos

Em 9 de junho de 2017 a Marvel soltou o primeiro trailer de Pantera Negra, em 16 de outubro soltou o trailer oficial do filme e a internet foi a loucura! A cada foto que aparecia a ansiedade dos fãs crescia mais e mais, pegando até quem não era consumidor do universo das HQs.
Foi anunciado que a direção musical seria de ninguém menos que Kendrick Lamar e ai, não teve quem não tivesse um siricutico para fevereiro chegar logo.

E chegou.
– Chegou em grande estilo pelas mãos de Ryan Coogler na direção e parte do roteiro. Coogler que com apenas 31 anos já dirigiu Fruitvale Station: A Última Parada (2013), e recebeu diversos prêmios e também escreveu e dirigiu o sétimo filme da saga Rocky, Creed (2015), ambos estrelados por Michael B. Jordan que em Pantera Negra é anti-herói Killmonger. E segundo Jordan uma das suas inspirações para a construção de seu personagem veio de “Cidade de Deus”:

“Quando a gente fez “Fruitvale Station” vimos o filme várias vezes. E pensamos em como nós, frutos do gueto, conseguíamos entender, até sem som, os personagens do Rio de Janeiro. Fiz pesquisa para meu personagem vendo o filme de Fernando Meirelles e Kátia Lund, e ele se tornou um de meus favoritos na vida. Quando Ryan disse que ele queria que os meninos de “Cidade de Deus” se vissem na tela em “Pantera negra” ele resumiu de uma forma bem crua o sumo deste nosso papo.” disse o ator.
fonte: aqui

– Pelos figurinos grandiosos de Ruth E. Carter que trabalhou em: Mais e melhor Blues (1990), Tina (1993), Amistad (1998), Malcolm (1993), Raízes (2006) e Selma (2015):

“Meu maior orgulho nesse filme foi desenhar as roupas da Dora Milaje, a guarda real do Pantera, feita só por mulheres negras, entre elas a minha linda amiga Danai Gurira”, disse Ruth. “O desafio era criar um uniforme de guerra que tivesse um apelo bélico aos olhos do público, sobretudo para quem é leitor das HQs Marvel, e que conseguisse realçar a beleza das mulheres. A beleza como força feminina”.
fonte:aqui 

– Pelo olhar acurado e primoroso de Hannah Beachler que fez Creed (2015), Moonlight (2016), Lemonade – álbum visual (2016) e que conseguiu em Wakanda uma noção fiel da realidade, ambientando os espaços externos e internos de referências perfeitamente possíveis. Quem não se lembra das pinturas lindíssimas que estão nas paredes do super Lab da Shuri?

Chadwick Boseman é T’Challa, um rei político que ainda está se descobrindo, mais centrado, mais sofrido com a perda recente do pai e entendendo o peso das obrigações que estão nas suas costas e em contrapartida nós temos um incrível Killmonger (Michael B. Jordan) muito mais multifacetado, que crescendo num conjunto habitacional na América desenvolveu uma sagacidade maior e que por ter perdido tanto, se joga com muito mais vigor nos seus desejos e na vontade de pegar Wakanda para si.

E eu nem vou entrar no mérito das suas razões e justificativas, o que faz dele um personagem que inspira empatia o tempo todo.

O filme possui algumas camadas, num primeiro momento você acha que está assistindo, ou melhor, que será apresentado somente ao um filme de super herói, até que você percebe as nuances e chega as demais camadas, que é toda a complexidade dos diversos povos mostrados, como: Os Mursi do Vale do Omo; Os Fula ou Fulani de Mali, Nigéria e Bissau; Os Massai do Quênia e Tanzânia; Os Himba de Angola e Namíbia; Os Amazulu ou Zulu da África do Sul; Os Ashanti de Ghana e por fim e não menos importante, As Ahosi, mulheres guerreiras Fon do antigo reino do Daomé em Benin (fonte: aqui) e quais as discussões sociais e políticas fazem Wakanda ser a nação mais poderosa e com a melhor tecnologia existente.

O respeito as tradições, a ancestralidade e o peso do legado – como chegar aos pés de quem foi o rei perfeito antes de ti?- gritam o tempo todo de uma forma belíssima com o olhar de só quem é filho do Continente pode sentir.

Pantera Negra é pioneiro e tem levado os negros da diáspora e do Continente a aclamá-lo tanto por alguns motivos:

1 Foi escrito em 1966
2 É o primeiro protagonista de filmes de super heróis que  tem ascendência Africana e Não Americana
3 Surge antes de Falcão (1969) e Luke Cage (1972)
4 Ele é o primeiro personagem negro de quadrinhos que antes de ser super Herói não teve um passado pautado na violência, ou seja, ele mostra outras possibilidade de ser negro, outro passado e consequentemente outro futuro
5 Ele é nobre, com família estruturada e sem vínculos estereotipados
6 Ele é herdeiro da nação mais poderosa tecnologicamente
7 O primeiro filme de super heróis da Marvel a ter um elenco majoritariamente negro.

Elencar os marcos raciais do filme é reconhecer a homogeneidade dos seus predecessores da Marvel (Houve 17!!!!! filmes).

Personagens femininas

O que são às guerreiras Dora Milaje?
Principal exército de Wakanda e responsáveis pela guarda pessoal de T’Challa, sendo comandadas pela general Okoye interpretada pela fantástica Danai Gurira é umas das personagens que dá sustentação a trama de forma absurda e mostra como é possível, assim como todas às demais, a criação de personagens femininas múltiplas e longe de estereótipos. Danai falou sobre a importância das personagens femininas para que Wakanda fosse a nação mais poderosa do mundo:
“É realmente algo onde se pode aprender quando as mulheres são capazes de entender e atualizar sua grandeza e seu total potencial sem que seja algo ressaltado de forma exagerada,” disse Gurira. “Apenas está lá, apenas é o que é e todos entendem – o rei entende, os homens entendem, todo mundo entende. Isso é o que permite nossa nação avançar e ter progresso para estar na linha de frente.”
“Esse realmente é o negócio,” adiciona ela. “Queremos progresso? Se queremos progredir, deixe as mulheres serem tudo o que elas podem ser. Não entre em seu caminho.”
fonte: aqui

Ramonda interpretada pela belíssima Angela Bassett é o suporte de T’challa, é o conselho e a sabedoria que chega, todas às vezes que ele se sente perdido.
Nakia (Lupita Nyong’o) é a espiã que equilibra lindamente o amor pelo seu país com o dever de ajudar os mais fracos.
Shuri (Letitia Wright) é a princesa mais fantástica, a menina por trás de toda tecnologia das roupas, carros e armas que estão a disposição de T’Challa. É o vigor, e o sopro de esperança em Wakanda.

#WakandaForever é a possibilidade nas telas de vermos e identificarmos uma nação potente que poderia ter sido cada país do Continente, se não fosse o roubo, a exploração e ação doente do colonizador.

Curiosidades sobre Pantera Negra
   
1 As cachoeiras magníficas de Wakanda são planos filmados nas cataratas do Iguaçu, no lado argentino.
2 Tanto o personagem Pantera Negra que foi criado pelo escritor e editor Stan Lee e pelo escritor e ilustrador Jack Kirby, como a Organização dos Panteras Negras surgiram no mesmo ano, em 1966 e reza a lenda que um não tem nada a ver com o outro.
3 O idioma africano falado no filme, ou seja, a língua oficial do reino Wakanda, é uma língua Bantu chamada IsiXhosa, Prima da língua Zulu, ambas da África do Sul, e recheada de cliques da língua dos povos Khoisan (Bosquimanos).
4 Durante a Saga Guerra Civil, T’Challa se casou com Ororo Monroe, a Tempestade, no evento que ficou conhecido como O Casamento do Século.
5 Black Panther: The Album, trilha sonora de Pantera Negra produzida por Kendrick Lamar, atingiu o topo da Billboard 200 esta semana. O disco vendeu o equivalente a 154 mil unidades, sendo que 52 mil foram vendas físicas.
6 O Filme estreou em 15 de fevereiro e 3 dias depois já ostentava o título de 8ª maior bilheteria de um único dia na história ($75.8 milhões)
7 Ryan Coogler e Michael B. Jordan possuem planos de filmarem juntos a história de Mansa Musa I de Mali – o obscuro rei africano do século 14 que foi a pessoa mais rica de toda a história, com uma fortuna ajustada à inflação de US$ 400 bilhões.

 

#WakandaForever 

KL JAY e Baco Exu do Blues

Como assim KL JAY tem um canal no youtube e eu não sabia disso? É a pergunta que me fiz assim que descobri essa preciosidade.

Qual não foi maior ainda a minha surpresa quando vi o convidado do episódio 06 – Estamos Vivos – que foi ao ar dia 02 de janeiro: Baco Exu do Blues falando um pouco das suas inspirações e de como tomou de assalto a cena de rap nacional que como sabemos é beeeeeeemmm centralizada no Sudeste, fazendo com que muitas vezes esqueçamos que existem cantores de rap incríveis em outros estados.

Sem mais delongas, se liguem na entrevista e tem palhinha de um outro Rapper foda:

E KLJAY está muito além da música e do rap e tem muito mais a nos oferecer e ensinar…

O Cara é vegetariano há mais de 25 anos, extremamente espiritualizado e ligado nas energias e fato de ter uma alimentação mais regrada e livre de carnes animais foi primordial pra ele se juntar a Öus e lançar Maestro, o tênis que leva a sua assinatura.

“Os caras – da Öus – são de Curitiba e tal, são brasileiros, e estão com essa marca aí. Gostei do formato do tênis e comecei a comprar algumas peças, mas o número de peças que eu comprava era muito limitado porque muitos tênis tinham couro e eu não uso roupas assim. Comecei a usar camisa, moletom, e aí acho que o Parteum, que tem colaboração com eles, deu um toque: “O KL Jay usa nossas roupas, o que vocês acham de chamá-lo?” Comecei a usar a roupa porque eu gostei, não para chamar atenção nem nada, e aí eles me convidaram para a colaboração”.

Leia a entrevista completa que ele deu pra Rolling Stone aqui.

E assista a uma entrevista que ele discorre mais sobre a espiritualidade e as energias e a forma como elas nos afetam:

Escritas Pretas

Volta e meia eu acabo falando sobre um assunto dentro da moda que eu amo a beça: revista, seja aqui ou pelas conversas offline. E parei pra perceber que – infelizmente- quando o assunto é esse, sempre tende a ir para o lado da problematização (falo um pouco disso aqui). Mas hoje, vamos falar de prosperidade, vamos comemorar!

Se quando vemos alguns pretos numa capa, campanha publicitária ou sendo entrevistados em matéria positiva de alguma revista já ficamos felizes, imagine saber que tem preto conquistando espaço no backstage…

Recentemente a jornalista e Content Maker, Luiza Brasil a.k.a Mequetrefismos, publicou em seu instagram a notícia maravitcherry de que é a mais nova colunista da revista Glamour Brasil. Mas não só Luiza! A mequetrefista integra ao time juntinho de Maraisa Fidelis, outra pérola negra. Maraisa é formada em Marketing e é dona do blog Beleza Interior.

Beatriz Franck e Super Fashionn. Dois nomes para você gravar. A mais nova de 9 filhos, nascida em Cabinda, Angola, é dona de uma trajetória inspiradora e também da revista Super Fashionn. No desejo não realizado de possuir a Vogue África, Franck resolveu criar a sua própria revista com foco na moda angolana (bem melhor, né?!). Hoje, a Super Fashion conta com 17 pessoas em sua produção e entre seus cinco anos, recebeu o prêmio de Melhor Comunicador de Moda de Angola em 2013.

Uma pequena curiosidade sobre Beatriz: ela já morou no Brasil quando mais nova e foi miss de Cabinda e além da Super Fashionn, possui lojas de departamentos.

Curiosidade extra: em uma de suas entrevistas, Franck disse que angolanos recebiam muita influência de moda brasileira devido às novelas que eram/são transmitidas por lá.

Enquanto a Vogue Brasil permanece com suas “cotas de capas”, a Vogue Britânica toma um passo à frente e escala Edward Enninful, natural de Gana, como editor- chefe, sendo assim, o primeiro editor-chefe homem e negro da revista britânica.

“Ok, tô amando isso, Laíse. Mas quando vão criar uma revista com produção negra focada em mulheres negras por aqui?” TÁ ATENTX??? Foca aqui:

Agora temos Pretas, a revista criada por Thais Silveira e Renata Lopes, jornalistas e também produtoras do Encrespa Geral Porto Alegre. A revista gaúcha é nova e teve seu lançamento impresso no dia 26/08/17.

E por fim, mas não menos importante, temos influência preta no mundo das moda teen!

Conheça Elaine Welteroth.


A primeira negra a ter ocupado o cargo de editora de beleza na revista Teen Vogue, estando agora sob o comando da mesma, mas dessa vez como editora-chefe, sendo a segunda mulher negra a ocupar este cargo no grupo Condé Nast (grupo que comanda a Vogue e outras) durante seus 107 anos de existência. Elaine tem 30 anos e há 5 trabalha na Teen Vogue. Com mais de 6 milhões de acessos únicos no site da revista -que passou a ser online- logo após ter ocupado o cargo há pouco mais de um ano, fica difícil dizer que representatividade não importa, não é mesmo?!

Pode falar, também se emocionou aí, né?!

Quando o algoritmo não é a resposta

Qual o tipo de dado que me faz decidir pela leitura de um livro ou não?
Bem, certamente não são os algoritmos, mas sim qual tema que o livro aborda, quem escreveu e o mais importante: Qual a relevância dele para mexer com o meu estômago. Porque sim, leitura boa é aquela que embrulha a minha barriga, no sentido de mexer comigo e deixar lembrança e não no sentido de me deixar enjoada. Compreendido?

Voltando aos algoritmos…
As melhores coisas da vida não são quantificáveis, como por exemplo, o sentimento de você descobrir que aquele tipo de livro que você nunca deu bola pode te revelar uma ótima  surpresa – “auto ajuda” por exemplo, considerada “baixa literatura (aqui falo com conhecimento de causa de quem já foi livreira) me revelou UM DOS MELHORES LIVROS QUE LI ANO PASSADO, O INCRÍVEL O ANO EM QUE DISSE SIM, da Shonda Rhimes, falei dele aqui, e que certamente se eu dependesse de um site de buscas, ele não seria uma das respostas apresentadas, exatamente por não se encaixar na categoria de livros que comumente eu leio.

A abordagem dos sites de compras e do Pinterest  “se você gosta disso, pode gostar disso também” pode ser reconfortante para aqueles avessos aos riscos, como executivos de empresas da década de 80, que procuram ordem e segurança. Entretanto faz muitas vezes a gente não sair da zona de conforto e arriscar navegar por mares que antes sequer viram os nossos barquinhos.

Então, algoritmos são ruins. Porém, depende.



Porque o youtube também é adepto dessa abordagem, mas aqui no caso, vou depor contra a minha própria escrita – sim, vou me contradizer – me apresentou a Serena Assumpção quando procurei Mateus Aleluia, me apresentou a Tiganá Santana quando procurei Xênia França. OBS: se você assim como eu, é caçador de pessoas fenomenais, ouça esses quatro cantores.

Agora se imagine no Facebook e faça um exercício de memória sobre as páginas que você curte, as músicas que você ouve, os vídeos que você posta e principalmente sobre as postagens que curte e comenta, as que mais tem interação. Resultado: bolha. Porque de acordo com os algoritmos, vc certamente está cercado de pessoas que pensam, ouvem, lêem e discutem basicamente as mesmas coisas que você, as pessoas que pensam um pouquinho diferente, os algoritmos fazem com que pouco a pouco elas se afastem umas das outras, lembra da abordagem lá de cima: “Se você gosta disso, pode gostar disso também”.

É arriscado não ter dados, estar sem os números quando você quer achar algo parecido com que já comprou, algum cantor similar aquele que você gosta ou mesmo um livro que te devolva aquela mesma sensação do livro lido no verão de 2016, porque achamos que sabemos exatamente o que queremos, mas a minha esperança é que permaneçamos cada vez mais corajosas para quebramos regras, nos abrirmos para o novo e que nos lembremos sempre que cliques, avaliações e estrelas ainda não são as medidas capazes de nos fazer esquecer que:

Algoritmos nem sempre são a resposta.