AUR, Radar: A vivência de Thiago Raka

A cultura urbana respira em diferentes pontos, em cada quintal. A cada círculo a sociedade cria e nos mostra a necessidade da liberdade de expressão. Cada painel, cada eterno, cada sequência de nome carrega o orgulho e a vivência de quem tá no corre, nota-se que aqui não é pelo errado ou pelo certo, é pela rua, pela expressão, pela operação diabólica. Od2′ é a sigla dele, o nome? Bem, temos vários em diferentes vertentes da arte urbana, hoje vou falar um pouco sobre o Thiago Raka. 

 

 

 

 

Nascido e criado na zona norte carioca, Thiago tem 26, tá em todos os pontos possíveis da cidade, pelo street view do Google talvez você consiga enxergar ele por aí, seja na noite, no rolé, tomando um gelo ou em projetos sociais contribuindo pela cultura.

 

Em 2005, Thiago tacava ‘Lost’, e nessa fase os rolés se limitavam a rua e tinta, não existia uma pretensão sobre entender o que aquilo ia acrescentar no futuro. Anos mais tarde, 2008 pra ser mais exato, Thiago entra para o terceiro pelotão da Jovem Fla, torcida do Flamengo. Lá ele aprende mais, talvez por um caminho impetuoso, somado ao novo nome nas paredes. Nessa fase, Lost fica na gaveta, ou melhor, nos muros da cidade dando espaço para Raka que respira até hoje.

 

Entre 2008 e 2012, Raka fechava com a sigla Ln, Largados na Noite pros cria que sabe. 

 

A questão é, se você não estiver nesse universo talvez os nomes sejam só mais um rabisco. Na realidade essa visão é totalmente errônea, as paredes falam e as telhas ouvem cada pegada na calada da noite.

 

Em 2012, um clique: a morte de César José da Silva, seu avô paterno, homem misterioso como o próprio neto diz. César foi de grande influência para Thiago em pequenos detalhes, como a visão dele assistindo ao noticiário, os livros na estante sobre anarquia e política, as anotações, as saídas de branco às terças e de terno às quartas. Seu avô faz falta.

Em 2013 Thiago entra para a Anistia Internacional, uma ONG com atuação global  e fica lá até 2017. Entre experiências e manifestações em prol da causa preta, Thiago assina em 2013. Foi pego pela polícia lutando por seus ideais, fato que resultou em uma postura mais séria na sua empreitada social.

 

Entre trabalhos comunitários e troca de experiências enriquecedoras para sua formação, aprendendo mais sobre a cultura, sua cor, seu cabelo –  hoje já com dread, não por estética, mas pela liberdade de se fazer o que quiser com seu próprio corpo – Raka continua sua vivência.

 

Em 2016, muito influenciado pelas ações políticas e por seu avô, Thiago sente a necessidade de conversar com as crianças e um dos projetos mais enriquecedores de sua formação nasce: a participação no Emancipa, uma atividade cultural ministrada na Ilha do Governador. Nascia, então, uma ação conjunta com o Degase, a convite de Talita Gamboa, marcando um resgate às suas origens, dando às crianças algo que ele próprio não teve na escola, mas que aprendeu na rua.

 

Em 2018 Two Two, Vint2 ou Chp, como os amigos mais próximos o chamam, assina de novo, dessa vez pelo xarpi. Nessa situação, Ln não era mais a sigla, dessa vez Thiago tacava pela Operação Diabólica, ou Od2′ criada por Wboy pra quem sabe.

 

Atualmente, Thiago faz parte do laboratório Oi Kabum e está desenvolvendo uma pesquisa interessante sobre o street view. Seu objetivo é transmitir as relações interpessoais que acontecem na cultura, no caminho entre a ponte centro-subúrbio. Thiago e sua equipe unem tecnologia, arte e as conexões urbanas, culturais e sociais. Raka tá no corre.

@edi0ta

 

*Todas as fotos foram feitas por ED

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