AUR, Radar: O grafismo de Raphael Cruz

Postado por 20/08/2019

Raphael Cruz tem 28 anos. Me lembro do nosso primeiro encontro há oito anos, quando ambos começamos a trilhar o caminho que percorremos hoje. 

Com um sorriso no rosto, Cruz lembra da infância, conta sobre histórias pessoais, família e a importância de seus pais, Andrea e Roberto Cruz, referências na sua busca pela liberdade e foi ali onde tudo começou. 

 

Como um bom e velho capoeirista, resolve seus assuntos com gingado. Inicia a correria no Xarpi e logo migra pro grafite. Naquele primeiro momento, Cruz não tinha espaço dentro do mercado que é, em maioria, feito por brancos financeiramente estabelecidos. Porém seu sonho não acaba ali, muito pelo contrário: se impulsiona. 

Por observação e prática, começa a experimentar o audiovisual e fotografia, onde por volta de 2011 e 2012 estuda no Observatório de Favelas, onde o interesse virou prática.  

 

Entre 2012 e 2013, Cruz frequenta a Oi Kabum e nesse período faz parte da ocupação no Hotel da Loucura. Lá, desenvolve projetos interessantes como o Cinegrada e o Afrontamento, entendendo seu lugar dentro da arte e da cultura. 

Cruz começa a explorar seu lado mais pessoal dentro da arte a partir das exposições junto do coletivo Crua, produzindo  um documentário com material de grande valor sobre os quilombos do Brasil, passando pelo Bracuí e pela Fazenda da Caixa, ambos em Paraty; além do Caçandoca, em Ubatuba, e outros. 

 

Podemos perceber que a partir de 2012 a vida do Cruz não parou por um minuto sequer e o aluno da arte que antes tinha interesse em aprender, mantém essa essência e começa a dar aula passando pela escola SESC como professor de Audiovisual.

Em 2017, Cruz começa a aprofundar seus projetos pessoais e embarca na pintura corporal. Tem em Aninha uma grande motivadora desse corre, realizando sua expressão na pele, com amor. 

 

O grafismo de Raphael e Rack soam como a liberdade em forma de arte. Mãos sujas de tinta e corações preenchidos com aquela curiosidade da infância. Indo cada vez mais fundo naquilo que ambos acreditam, formam o coletivo Rato Preto, um verdadeiro laboratório de experiências artísticas, quase uma dimensão paralela dentro do estado caótico do Rio de Janeiro atualmente.

Em 2018, Cruz faz parte do Setembro Doce na galeria Z42 no Cosme Velho e continua produzindo suas telas. Faz parte do Festival de Inverno no Sesc de Friburgo tendo grande influência na projeção mapeada, onde Jeferson Arcanjo contribuiu fortemente para seu aprendizado nesse caminho.

 

Do ano passado para cá, o Coletivo Rato Preto migra para seu segundo pico, uma casa ainda na Baixa do Sapateiro, onde nos recebeu junto a seu braço direito.

Este ano ainda não chegou em seu final e Cruz já realizou inúmeras atividades. Ele cita sua viagem para Berlim onde aprendeu mais sobre a cultura local e compartilhou sua correria. Cruz voltou da Alemanha colocando em prática projetos que estavam engavetados. Ele me conta sobre a vontade de subverter os retratos de família tradicionais da década de 50 para fotos com famílias pretas, vestidas com sua arte. 

Atualmente, o Coletivo Rato Preto vem captando editais e recursos para a promoção de ações sociais, oficinas e a produção de conteúdo, como a captação de Roupas para  a companhia de dança do ventre Belly Black.

 

Fazia tempo que eu não ia até a Maré e com certeza esse contato vai ficar marcado pra sempre, como as artes que Cruz pinta e tatua na pele de todos que passam por lá.

 

*Todas as fotos são de Edson Jonatan

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