As Novas Baianas

Duas cantoras que já indicamos aqui porque não saem dos nossos radinhos e um projeto comandado por duas minas que estão mudando o cenário cultural de Salvador.

Luedji Luna

Conheci a música de Luedji Luna quando a fotógrafa e cineasta baiana Safira Moreira me apresentou, eu estava passando pelo momento mais delicado e frágil da minha vida e a música “Dentro Ali” de Luedji foi que me acalentou.

Nascida no Cabula – Bahia e morando atualmente em São Paulo, Luedji canta as belezas da natureza entrelaçada em nossos corpos. Corpos que habitam as vastas, lotadas e por vezes solitárias metrópoles. Corpos que assim como os meu e o da própria Luedji se esbarram, sejam nas cidades de São Paulo, onde fui assistir o lançamento de seu cd na Aparelha Luzia ou em Brasília, onde tive o prazer de vê-la declamando e cantando lindos poemas.

“Eu sou um corpo
Um ser
Um corpo só
Tem cor, tem corte
E a história do meu lugar
Eu sou a minha própria embarcação
Sou minha própria sorte”




Xênia França

Xênia França é vocalista da Banda Aláfia e lançou seu primeiro cd solo “Xenia” no final de 2017. O cd foi e continua sendo muito aclamado, por crítica e pelo público, com 13 faixas que passam pelo jazz, com percussão baiana e ritmos cubanos, a voz de Xênia França é grito de força na potência do Disilenciar.

“Música preta, sou teu instrumento, vim pra te servir” canta Xênia que coloca a mulher negra no centro, com voz, com cor e com presença de quem sabe para o que veio e o que quer.

“Por que
Tu me chama
Se não me conhece?” é o refrão da faixa que abre o cd e segundo Xênia França em entrevista para a Vice: “Começo o meu disco pelo começo, referenciando os meus ancestrais, porque sei que a minha história não começa comigo.E é nessa linha que as faixas subsequentes vão se desenrolando: é um disco sobre afetividade, ancestralidade, intimidade, fé, inquietações e identidade. É como sobre como eu me autoafirmei na cidade de São Paulo.”

Luma Nascimento e Yasmin Reis – Circuito Rolezinho

Em junho de 2016 fui pra Salvador e depois de infinitas conversas virtuais, conheci Luma Nascimento que me recebeu em sua casa, em sua cidade. A mina é porreta demais, uma cabeça que não para, vários projetos, desejos e quereres e um deles junto com a Incrível Yasmin Reis saiu do papel e arrebatou a cidade de Salvador no fim de 2016.


O Circuito Rolezinho é um movimento cultural que enxerga futuros possíveis, que se propõe pensar e discutir novas ocupações de espaços, novas narrativas, diálogos, protagonismos, conteúdo audiovisual nos ciberespaços, retirando os corpos negros do lugar de marginalização em que foram alocados.  

São encontros de Diáspora Negra, com Trocas, Debates, Rodas, Aprendizados e Shows em Três pilares: Moda, audiovisual e política.

As novas baianas já chegaram.

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