AfroVibez

Postado por 23/06/2017

A gente aqui da AUR, acredita muito no coletivo, no fortalecimento e na certeza de que se um um dos nossos cresce, estamos crescendo também. Foi com muita alegria que sabemos no nascimento da AfroVibez, um coletivo composto por Rachel Oliveira, Romualdo Miranda a.k.a. Roma e Sandro Demarco e agregando o bonde pesadão, Tamyris Reis, Tago Oli, Pandro Nobã, Kíssila Rangel, Beatriz Silva e João Assis.

Mas você deve estar se perguntando, o que é a AfroVibez? E pra te responder convocamos Rachel Oliveira, uma das mentoras do projeto:

“AfroVibez é um coletivo para além de uma festa. Ele é um coletivo preto, criado por pessoas pretas para pessoas pretas. Entendemos assim como Cheikh Anta Diop que o primeiro homem do planeta foi preto, e que o berço da civilização é em África. Então a nossa filosofia tem base em um adinkra, um sistema de linguagem e filosofia africana, com vários símbolos e significados, o nosso em questão é o Sankofa, onde procuramos olhar para trás para ressignificar o futuro. Para nós é impossível que o nosso povo consiga uma emancipação e libertação da escravidão mental a qual somos condicionados e que leva a extensão e perpetuação da escravidão de nossos corpos, enquanto nossas bases sociais forem greco-romanas. Sociologia, filosofia, ciências sociais, ciências políticas, economia e até mesmo outros campos como matemática, medicina e arquitetura têm origem em África, origem social, essa que serviu de base para a cultura nórdica, só que nesse caso moldada a seus interesses e perspectiva (branca), então não faz nenhum sentido para qualquer povo preto, seja em África ou em diáspora, ter uma base social escravocrata. Isso resulta no nosso atraso e na nossa escravidão eterna. E tocando nesse assunto, a melhor maneira de se escravizar um povo, é não deixar que o mesmo saiba quem é e não conheça suas origens e potencialidades, o que explica a dificuldade de reconhecimento de unidade familiar em diáspora, porque somos mais da metade da população no Brasil, por exemplo, mas não conseguimos nos unir de fato, por conta de toda uma estrutura que trabalha na nossa fragmentação.

Nossa história ao contrário do que contam os livros de história das escolas, não começou com a escravidão. Durkheim, Foucault, Marx, Platão, Darwin, entre outros, jamais poderiam servir de norte para nós. Mas são os únicos a serem vistos nas escolas e na academia, a África então se torna um buraco vazio na história, na história sobre a qual ninguém fala, ninguém conhece.

Em algum momento da vida, todos tiveram parentes vindos do Continente mãe, mas estão todos procurando saber sobre a possibilidade de tirar uma dupla cidadania européia. Se eu lhe perguntar de que parte da Europa vem a sua família, você tem mais chances de me dizer do que se eu perguntar de que lugar da África você veio.

Bom, AfroVibez problematiza tudo isso e se preocupa com tudo isso, e existe uma parte muito bonita em ser preto, o que nos enche de orgulho, de sermos quem somos, parte essa que não está na televisão porque lá nós somos traficantes, escravos e bandidos, não está nas escolas e faculdades porque lá só entramos como objeto de estudos relacionado a miséria para gozo intelectual da branquitude.

AfroVibez é a criação de espaços pretos necessários, para que em forma de entretenimento possamos passar aos nossos a parte boa sobre ser preto, pegamos como referência a oralidade dos griots que tinham como compromisso preservar a história e transferimos aos nossos rappers, mcs, djs, articuladores sociais, produtores, jornalistas, publicitários e contadores de histórias que nos ajudam a preservar e a contar a nossa versão, uma história narrada em primeira pessoa, livre do olhar antropológico branco”.

A AfroVibez já chega pesada e colocando na pista um encontro, ou melhor O encontro, que acontecerá dia 08 de julho. se liga no evento.

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