A rainha Lia de Itamaracá e sua riqueza cultural

A riqueza de uma cultura é medida pelo impacto que os seus representantes causam no público e na relevância que esse artista consegue através dos tempos. Através de muito esforço, dedicação e amor por aquilo. Lia de Itamaracá representa muito bem a riqueza artística e cultural que a cerca. Patrimônio vivo de Pernambuco, Lia tem 75 anos e desde os 19 defende a cultura da ciranda com unhas e dentes. Muito antes de fazer sucesso, Lia levava a profissão como merendeira em paralelo a música, fato que perdurou até pouco tempo atrás, e essa profissão garante sua aposentadoria até os dias atuais.

Lia pode falar como ninguém sobre os problemas e obstáculos que um artista passa. Ela é a rainha de um dos maiores movimentos culturais do país, a ciranda, e é muito pouco reconhecida na sua região. Já fez mais de 5 turnês pela Europa, ganhou prêmios, teve um livro lançado em comemoração aos seus 75 anos e foi homenageada pelo homem da meia noite e o galo da madrugada, o maior bloco de carnaval do mundo. A importância de ser uma mulher negra, de pele retinta, no alto dos seus 1,80 metros e que defende com toda força a sua cultura, a faz ser uma das maiores representantes de cultura regional do país.

Tentando dar de fato a reverencia que essa artista merece e valorizar a cultura brasileira como um todo, a Festa Cyranda traz Lia de Itamaracá como atração principal de sua festa que abre a temporada de festas juninas da cidade. Além de Lia, Sexteto Sucupira, Rio Maracatu e os DJs Luana Flores, LP, Nepal, 440, Raiz e Mam completam o line e focam nas tradições regionais do país. Um ponto extremamente fora da curva dentro das proposições atuais rasas do atual mainstream carioca e que promete criar um legado sobre a cultura da cidade.

 

 

Não vai ter funk, hip hop ou qualquer outro tipo de cultura que não seja a que naturalmente seja nascida e criada nesse país. Merecidamente, teremos uma rainha de verdade nos palcos da nossa cidade. Quem gosta de arte e entende que a música é muito maior do que toca nas rádios, precisa ir e entender um pouco melhor o que é o nosso país. Quem tem a cabeça fechada para a nossa história, é melhor ficar em casa e perder a melhor festa junina da cidade. 

 

 

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