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O Peso que Djonga Carrega

O Peso que Djonga Carrega

O disco “Nu”, de Djonga, já está na pista há um mês. É o quinto da sua carreira e brotou pra continuar o legado tradicional que o rapper mineiro vem trilhando dentro da arte.

Pedro Bonn foi direto na análise que disponibilizamos no nosso Instagram. Com certeza os principais acertos dentro do projeto são suas rimas de força e a maturidade de entender que esse caminho não foi construído apenas por ele, que o amor de sua esposa, filhos e família são o que o mantém como um dos grandes símbolos da nossa cultura nos dias de hoje.

“Nu” é composto por 8 faixas que transitam entre rimas cotidianas e a visão do artista sobre o peso que carrega e como sua contribuição para a cultura é forte, sem medir esforços para dizer o que é real. OR rapper junto de Coyote e Mdn Beatz, Doug Now, Thiago Braga e Budah cria um universo que não funciona apenas como um projeto solitário das demais obras, muito pelo contrário, “Nu” funciona quando o ouvinte o enxerga na perspectiva de continuidade.


Em Nós Djonga rima:

Quanto mais sucesso, menos divertido / Eu não era assim, sou fruto do meio / Meu coração parece um balde furado / Acho que o vazio me pegou em cheio…

A criatividade é sagaz. Conseguir passar de forma popular sentimentos profundos é uma forma de humanizar nossas relações e fugir um pouco do complexo e científic, como em Ó quem chega: Eu não larguei o curso de História, é que último período eu tô fazendo ainda (…)

Se a carreira do rapper é marcada por uma série de conquistas desde Heresia (2017), Nu (2020) mostra o peso de ser um artista consistente, que além de ajudar a movimentar uma juventude pensante precisa lidar com o próprio aprendizado diário, carregando um fardo que vai além de beat e rima. O peso de ser um homem preto que constrói diariamente seu legado.

Nu é um projeto importante, afinal não é todo artista que consegue manter um padrão de produção nesse nível, uma agenda de trabalho lotada, que é mais uma vitória não só para o artista mas para toda à cultura.

Um ponto crítico a ser analisado talvez seja o que movimentou Djonga até aqui, sua constância. É importante olhar para trás e ver o aprendizado. Que o artista se concentre e volte com projetos mais distantes um do outro, como o próprio rima em Vírgula:

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É que eu tô pique mestre dos mago’ Já fiz minha parte, eu vou sumir, mano (…)

Djonga é um artista que já se provou e agora é nossa vez de aproveitar suas obras antigas e aguardar que o rapper continue marcando seu nome na história.

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