100 reais no BADBADNOTGOOD

Eu sou um cara enrolado, confesso. Seria muito mais fácil se para tudo o que fizesse, eu me programasse direitinho. Em todo show de algum artista que gosto essa desorganização me atrapalha. Perdi o Kamasi Washington por conta disso e até hoje não me perdoo. Com o BADBADNOTGOOD eu me prometi que não iria dar esse mole.

Conheci a banda a mais ou menos 1 ano, através do meu ídolo mór no momento, Kaytranada. No seu primeiro e incrìvel CD que foi lançado no início do ano passado, uma faixa me chamou bastante atenção. “Weight Off” começa com um loop bem arrumado e viciante de baixo e logo depois aparece uma bateria bem orgânica, juntamente com as linhas groovadas clássicas de teclado do Kaytranada. Ali eu reparei que ele não estava só naquele som. A partir daí comecei a estudar, me interessar pelo BBNG e ver o quão incrível era a banda e a proximidade entre o Jazz e o HIP HOP.

Eu sei, isso não é novidade para nenhum amante da cultura. Robert Glasper, para o canal do Youtube “Jazz Night in America”, disseca alguns beats clássicos do J.Dilla e mostra na prática que o Jazz é a mãe do HIP HOP , veja o vídeo abaixo:

Tanto pelos inúmeros samples clássicos que foram reaproveitados, quanto pela origem como músicas de protesto que nasceram como uma voz genuína na opressão do estado americano contra o gueto. Se eu tivesse nascido em 1961 ao invés de 1991, muito provavelmente seria um viciado em Jazz, assim como hoje sou pelo HIP HOP. A sorte de ter nascido na minha época é a de conseguir enxergar de onde todas as minhas referências surgiram e o quão rica é a história da música negra universal.

BADBADNOTGOOD é perfeitamente definida como um quarteto de HIP HOP e Jazz. Por não ter um formato de big band como Snarky Puppy e até mesmo o próprio The Roots, isso faz com que o seu som seja mais reto e direto, não perdendo o groove e tendo sempre uma visão futurista para as suas músicas. Além do Kaytranada, eles já contribuíram com Daniel Caesar, Mac Miller, Rihanna e produziram uma faixa pro mais recente trabalho da Mary J. Blige. Além de produzirem algumas tracks, eles geralmente são a banda de apoio de alguns integrantes da ODD FUTURE, como Earl Sweetshirt e do criador da crew, Tyler, the Creator. Já lançaram 3 álbuns, um deles inclusive com a lenda Ghostface Killah, e o último deles “IV” é um trabalho extremamente interessante e que mostra perfeitamente o porquê deles serem tão respeitados na gringa e toda a visão futurista que eles passam nos seus sons. (spotify:album:6uqcZu1it9k6zz3UVKZzPo).

Agora voltando para a minha desorganização, no sábado passado (06/05) aconteceu o show do BBNG aqui no Rio. Os caras do “Queremos!” fizeram aquele corre avançado de sempre e com a ajuda dos fãs, eles vieram pra uma única apresentação na nossa cidade. Deixei passar o tempo e só decidi ir no show no dia. Com isso, aquela facadinha de 100 pratinhas pra ensinar o garoto aqui a se programar antes de um evento como esse. Do pagamento do ingresso até o início do show, aquela dúvida do “será que vai valer a pena” tava persistindo em martelar a minha cabeça. A partir da entrada deles no palco e do primeiro acorde de “Chompy’s Paradise”, todo o prazer de escutar uma banda que sigo e admiro tomou conta do meu coração e os 100 reais viraram só um detalhe. Dinheiro perto de música boa é só um detalhe.

imagem: Red Bull Sound Select

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