Uma mulher atrás do CDJ: Jacquelone.

Jacqueline Gomes da Costa tem 24 anos. Mas você provavelmente vai ouvir sobre ela com o nome artístico e apelido pessoal: Jacquelone. Moradora da baixada, Jacqueline é resistência e de grande valor para a representatividade em seu espaço: uma mulher negra nascida em Caxias, tem sua função dentro da arte como DJ e comunicadora e passa para frente sua visão de mundo, mas sem esquecer de suas raízes, sua família.

A família de Jacqueline sempre teve relação com a música e com a arte; sua avó Maria José Rodrigues foi cantora por décadas. Além disso, seus pais, Gilma da Costa e Marco Antônio, têm uma história que Jacqueline se orgulha de contar. Ambos viveram a época dos bailes, seu pai era DJ e sua mãe uma amante da música.

 

Apesar de não lembrar exatamente de toda sua infância, Jacqueline percebeu sua vida indo em direção à música, além da descoberta por coisas maiores com muita influência positiva dos seus pais.

 

No decorrer dessa busca, Jacqueline passou pela frustração das experiências no mercado de trabalho, sabendo que ali não era seu lugar, entendendo que seu talento estava na pesquisa musical e, principalmente, na representatividade que ela tem.

 

Tempos depois, Jacqueline tem experiências com a cultura através de oficinas e o curso de Letras na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o que a motivou a buscar cada vez mais seus objetivos, aprender mais sobre a música e a mixagem dos sets. Jacqueline se aventura em softwares, mixtapes e trabalhos mais intimistas, utilizando suas redes sociais para compartilhar este conteúdo.

Sempre perseverante e, em um primeiro momento correndo sozinha, Jacqueline passa a conhecer pessoas importantes em sua trajetória. Ela cita Alceu, do Ujima Gang, coletivo que hoje faz parte e que a indicou para tocar na primeira edição da festa Sky High. Uma outra pessoa importante no seu corre foi Breno Barreto, que sempre a incentivou a tocar.

 

Vale lembrar que antes de Jacqueline se lançar dentro da profissão de cabeça ela teve um baque. Sua avó faleceu aos 92 anos, o que a desmotivou profundamente em um primeiro momento, já que era sua maior inspiração de vida, uma verdadeiro incentivo para sua força.

O ponto de virada desse momento triste veio a partir do convite de Larissa Dias (Lary Hill), que a convidou para uma oficina de beats, abrindo seus horizontes para o futuro e, apesar da perda de sua avó, Jacqueline se fortaleceu profissionalmente e pessoalmente, ocupando sua mente com trabalho e grande amor por ser DJ e produtora.

 

Jacqueline no período dos últimos dois anos vem se destacando como uma das melhores DJs, iniciando os trabalhos em um eixo amplo: Arrastão, Wobble, Bruk, Batekoo, I hate Mondays e até em seu quintal de casa, tocando na Papa Bass, Velcro e o Baile do Faraó, entre outros.

 

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Jacqueline cita eventos grandes que já tocou como a FAU, por exemplo, e expande a minha visão sobre a necessidade de homens enquanto produtores de cultura estarem conectados com mulheres DJs. Mulheres que vêm se provando diariamente como igualmente importantes como os DJs e produtores homens que ocupam a maioria dos eventos.

Este ano, Jacqueline foi selecionada para participar do ASA (Arte Sônica Amplificada), um projeto da Oi Futuro em parceria com empresas britânicas, que tem como objetivo principal servir de residência artística para mulheres profissionais da música e do som contribuindo ainda mais para o seu crescimento artístico.

 

Atualmente, Jacqueline segue em sua busca para se tornar uma DJ cada vez com mais experiência, abrindo espaço para sua voz por meio da forma como se comunica. Afinal, como a mesma me diz, a música preta é infinita, incrível e faz parte de tudo ao nosso redor. 

 

Seguimos.

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