Série Cara Gente Branca

Postado por 01/05/2017

Dear White People. Se você não sabe o que é, procure saber.

Justin Simien, escritor e diretor do filme e da série era estudante da predominantemente branca Universidade de Chapman em 2006. E durante a sua graduação, Justin soltou várias pérolas no twitter sobre as piadinhas, expressões e comportamento racistas que percebia na Universidade, após um expressivo engajamento viu que ali existia material vasto para o que viria ser o filme, ele fez uma campanha de crowdfunding onde era esperado a arrecadação de 25 mil dólares e acabou alcançando mais de 40 mil.O filme estreou em 2014 e ganhou diversos prêmios, entre eles, o Festival de Sundance e o Festival de São Francisco e a série com 10 episódios de aproximadamente 30 minutos estreou na Netflix na última sexta feira (28/04).

A série passou por mudanças de elenco em pelo menos 3 personagens: a personagem Sam White que era interpretada no filme pela atriz Tessa Thompson, na série é interpretada pela atriz Logan Browning, o jornalista Lionel que antes era interpretado por Tyler James Williams, na série é interpretado pelo DeRon Horton e a personagem Colandrea Conners que no filme era interpretada pela Teyonah Parris e na série é interpretada pela atriz Antoinette Robertson e com episódios que são dirigidos pelo próprio Justin Simien e dirigidos também por Tina Mabry (escritora e diretora de alguns episódios de Queen Sugar) e Barry Jenkins (Moonlight).

A série é o filme até o terceiro episódio, quando Justin Simien escolhe contar a mesma história do filme, para que quem não tenha visto o filme consiga entender o que ele irá aprofundar nos episódios seguintes. Justin justifica a série dizendo que Sam White é o fio que liga os demais personagens, porém ela não é a protagonista, e isso fica explícito na série inteira, onde em cada episódio é mostrado de forma mais ampla um personagem diferente.

A série já começa com uma aspas de James Baldwin – veja o doc Eu não sou seu Negro – “O paradoxo da educação é que ao se ter consciência passa-se a examinar a sociedade onde se é educado”.

Mas saindo do aspecto técnico e indo pra uma impressão bem pessoal…

Dear White People é sobre as infinitas possibilidades de ser negro. Sem caixas, sem estereótipos, sem caricaturas. A série discute identidade, como somos e como nos apresentamos pro mundo. Como somos contraditórios e humanos, militantes ou não. Negros com pensamentos múltiplos, tons de pele diversos, participantes de grupos e coletivos diferentes, mas que se juntam quando a luta é pelo fim das práticas racistas na Universidade de Winchester.

DWP discute relação interracial, colorismo, o peso da militância diária, hipersexualidade, construção de masculinidade e as diversas formas que o racismo se manifesta – seja estruturalmente ou no âmbito das relações interpessoais. Seja na absurda festa de black face ou quando acusam Sam White do infame “”””racismo reverso””””. Ela, de uma forma tensa e bem cruel mostra que um diploma ou dinheiro, não livra o corpo negro de ser vítima de violência policial, como tantas e tantas vezes já vimos na vida real, e que a cor da pele chega antes de qualquer discurso ou abrir de carteiras.

A série coloca o negro (sujeito) – e aqui temos 95% de personagens pretos – como indivíduo e não como uma grande massa amorfa onde todos pensam, se comportam e agem da mesma forma, ela nos permite perceber por exemplo que, a amizade entre um cara hipersexualizado hétero e um menino gay é perfeitamente possível e sem direitos a quaisquer piadinhas, nos permite perceber também, que é possível, normal, natural, não ser violento somente por ser militante.

Um dos momentos mais divertidos da série é a sátira de Scandal – série da magistral Shonda Rhimes que já está na 6ª temporada e que eu não perco nenhum episódio.

Cara Gente Branca incomoda a branquitude – vide o boicote que a netflix sofreu e a quantidade de negativações que o trailer teve no youtube (mais de 420 mil) pq pela primeira vez ela, a branquitude, é vista como o outro, não como centro. Pela primeira vez ela é a parte e não o todo, incomoda porque por dez episódios inteiros, essa(s) história(s) não é(são) sobre ela.

O Peso que Djonga Carrega

Por Matheus Iéti 15/04/2021

O disco “Nu”, de Djonga, já está na pista há um mês. É o quinto da sua carreira e brotou pra continuar o legado tradicional que o rapper mineiro vem trilhando dentro da arte. Pedro Bonn foi direto na análise que disponibilizamos no nosso Instagram. Com certeza os principais acertos dentro do projeto são suas […]

Guia completo sobre POSS

Por Pedro Bonn 08/02/2021

Um conteúdo completo sobre a maior movimentação artística brasileira dos últimos anos (TESTE) TESTE

Assertividade: CHS Lança o Seu Novo Álbum “Tudo Pode Acontecer”

Por Matheus Iéti 04/05/2020

“Tanto faz o que ‘cê faz da vida, objetivo vai ser sempre um, dar conforto pra minha família meu patrão, não acredito em nenhum…” Assim CHS abre seu novo projeto oficial –  Tudo pode acontecer – (2020) Pirâmide Perdida. Contextualizando: Se você não está familiarizado com o rapper, posso te apresentar algumas faixas importantes ao longo de sua […]

Rico além do dinheiro: Filipe Ret e Imaterial

Por Matheus Iéti 26/04/2021

Depois de Audaz (2018), álbum que encerra uma trilogia muito consistente dentro do rap, que ainda conta com Vivaz (2012) e Revel (2015), Ret mostrou um crescimento fora da curva. Diferentemente do caminho que trilhou em seus três primeiros projetos, que somados a mixtape Numa Margem Distante (2009) fundamentaram sua carreira, o rapper entra em […]

Conheça Bryan AVS

Por Matheus Iéti 26/04/2021

Sempre que um nome interessante surge no nosso radar, buscamos saber suas inspirações e o que levou esse artista a construir pontes com o público. Hoje vamos falar de Bryan AVS: DJ e produtor que acaba de anunciar seu segundo projeto, a mixtape “Peças”. Sobre vida, arte e primeiras produções: “A arte está na minha […]

A indústria da música precisa do The Weeknd

Por Matheus Iéti 17/04/2021

Não é como se Abel Makkonen Tesfaye A.K.A The Weeknd fosse apenas um cantor pop que a cada lançamento arrasta multidões. A linguagem em todos os projetos, desde Echoes of Silence e Thrusday (2011) ou até mesmo Trilogy (2012) são marcados por uma linguagem suja e totalmente desproporcional ao que é vendido pela indústria dos […]