Sensibilidade e maestria: A volta de Little Brother em May The Lord Watch.

Postado por 26/08/2019

16 anos após The Listening o primeiro álbum do trio e 9 anos após o último lançamento Leftback (LP) Little Brother nos apresenta um novo clássico, May The Lord Watch. Com requinte de sabedoria e postura o grupo apresenta uma obra ampla que passeia entre o puro Neo Soul, Rap e R&B, sem perder a essência e soando mais atual do que nunca.

Contextualizando:

Little Brother nasceu na Carolina do Norte como um trio, os nomes você provavelmente conhece, sendo eles: 9th Wonder, Big Pooh e Phonte. O nome surge como uma menção honrosa a três grupos: A tribe called quest, De La Soul e Public Enemy, os quais o trio considerava com irmãos mais velhos dentro do jogo. Curiosidades a parte, Little Brother produz seu primeiro disco The Listening e é aclamado pela crítica, um clássico que com certeza deve fazer parte da cartilha de todo amante da cultura.

Os anos passaram e como uma sacada pessoal e original o grupo decide se afastar das grandes gravadoras e produzir seu material de forma independente, onde chegam em um consenso para a separação o duo e 9th Wonder.

 

Seguindo essa linha de produções independentes a carreira do Little Brother  também continuou a todo vapor. Phonte, renomado dentro do jogo, se une a Nicolay e forma o The Foreign Exchange. Big Pooh trabalha em seus álbuns solos, como Sleepers e a mixtape The Purple Tape enquanto 9th Wonder colabora com uma série de artistas do jogo, como Jay-Z, Kendrick Lamar, Wale, Sean Price, Rapsody entre outros.

 

Em 2009 o duo Little Brother  anunciou um Hiato após o lançamento de Leftback que veio a ser disponibilizado apenas em 2010, onde ambos decidiram trabalhar em seus projetos pessoais deixando o nome do grupo de lado para que pudessem desenvolver novos planos.

 

Em 2018 os três se reencontram em um evento na Carolina do Norte o Art Of Cool Festival realizando uma grande apresentação, até que em maio deste ano (2019) anunciam a volta do grupo, porém, sem 9th Wonder, o que foi o bastante para que o público ficasse esperançoso por mais um clássico, este, que chegou às ruas no último dia 20 de agosto.

 

Considerações sobre o disco:

 

May The Lord Watch tem uma sonoridade única que o duo consegue desenvolver, principalmente por falarmos na produção e arranjos refinados de Nicolay e uma série de colaboradores à altura como o próprio Phonte, Black Milk, Abjo, Khrysis, Notzz, Blaaq Gold, Focus entre outros.

 

A lírica do álbum é refinada, abordando temas como à vida, amor, liberdade e a sociedade e tudo aquilo que acontece ao seu redor. Com maturidade e muitos temas para abordar Little Brother não apostou em um disco curto feito para os streams, trouxe um material amplo, para os fãs e os novos tripulantes que surgiram conforme os anos de hiato se passavam.

Phonte e Big Pooh passeiam nos sons, como nas linhas de Good Morning Sunshining:

Good morning sunshine

I love to reach you when we wake up

Starin’ at you, no makeup

You make me wanna cook breakfast for you/ 

 

O álbum é recente mas o sentimento de nostalgia alcança cada uma das faixas, nos colocando em algum período entre a primeira década dos anos 2000, mostrando que ainda é possível mesclar a velha e a nova escola com um trabalho profundo e sincero.

 

May The Lord Watch em uma faixa: Black Magic (Make It Better)

 

 

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