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Representatividade preta no time olímpico brasileiro

Representatividade preta no time olímpico brasileiro

Inicialmente programados para julho e agosto de 2020, e cancelados por causa da pandemia de coronavírus, os Jogos Olímpicos de Tóquio vão acontecer entre os dias 23 de julho e 8 de agosto de 2021. Mesmo com a vacinação “adiantada” em diversos países, ainda existe preocupação com a segurança sanitária durante o evento esportivo. Por precaução, os atletas terão de fazer teste diário de COVID e manter o distanciamento de outras delegações. Esta edição atípica com o público limitado a 10 mil espectadores terá a participação de mais de 11 mil atletas de 205 países, que vão competir nas 46 modalidades em 42 locais da capital japonesa.

Apesar de todas as dificuldades na preparação, inclusive para participar de pré-olímpicos classificatórios (pela restrição de entrada de voos saídos daqui), quase 310 atletas do Brasil  já garantiram suas vagas em esportes individuais e coletivos. Uma pesquisa feita pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) apontou que o isolamento afetou a eficiência de 56% dos competidores. Os brasileiros foram os que mais responderam ao estudo: 12%. Mesmo assim, conseguiram superar a quantidade de classificados da última Olimpíada. “O Brasil quebrou o recorde de classificação, comparando com a quantidade dos que foram aos jogos de Pequim na China, que era o melhor resultado até então (277). Nesses jogos, o Comitê Olímpico Brasileiro também está oferecendo pela primeira vez premiação em dinheiro de R$ 250 mil reais para os campeões”, diz Diogo Silva, MC do Senzala Hi Tech e ex-lutador de Taekwondo, que representou o Brasil em duas Olimpíadas (Atenas 2004 e Londres 2012).

A representatividade negra também estará presente em diversas modalidades. Provavelmente, o atletismo é a categoria que mais tem esportistas pretos. Destaque para o medalhista mundial Paulo André, uma das apostas nos 100m rasos e grande no revezamento 4x100m; Alison dos Santos, principal nome nos 400m com barreiras; Vitória Rosa, velocista representante na prova dos 200m rasos e do revezamento 4x100m rasos; Aldemir Gomes, medalha de bronze na disputa dos 200m rasos da etapa de Londres da Diamond League 2019; Almir dos Santos, competidor do salto triplo, que conquistou a medalha de prata no Campeonato Mundial Indoor de Atletismo de 2018; e Chayenne Pereira, também velocista que representará o país nos 400m com barreiras. Esses são apenas alguns dos que têm chances de se destacar. No Badminton masculino, o medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2019, Ygor Coelho, defenderá o verde e amarelo. Já no feminino, Fabiana da Silva (também bronze no Pan de 2019) é quem será a responsável pela missão.

Para Marcos Lucas Valentim, jornalista esportivo da Rede Globo e Sportv, um dos que tem chances de garantir medalha é Isaac Souza, dos saltos ornamentais. “Ele foi ouro no GP de Saltos Ornamentais (2021) numa plataforma de 10 metros, em uma competição que teve a participação de boa parte dos melhores do mundo”, disse ao REcultura. “E o outro, que vai medalhar com certeza, é o Alisson dos Santos, dos 400 metros com barreiras. Elke é o terceiro no ranking mundial e chega entre os favoritos. São dois atletas que a gente fala pouco, mas que têm muitas conquistas”.

As possibilidade do boxe estão nas luvas do medalhista de bronze nos Jogos Sul-Americanos, em 2018, Hebert Conceição (até 75 kg); Jucielen Romeu (até 57 kg), medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de 2019; Keno Machado (até 81 kg); Wanderson Oliveira (até 63kg), Abner Teixeira (peso pesado, até 91 kg), medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Lima, e Bia Ferreira (até 60kg). As grandes apostas da ginástica artística são Rebeca Andrade e Flávia Saraiva. O medalhista olímpico Isaquias Queiroz é quase que garantia de medalha na canoagem de velocidade, junto com Jacky Godmann. Na categoria peso pesado do judô, Suellen Altheman entrará com força total no tatame. Os times de handebol estão muito bem servidos com César Augusto Almeida, Alessandra do Nascimento, Ana Paula Rodrigues, Bruna de Paula, Dayane Pires da Rocha e Tamires Morena Lima. E nas seleções de futebol a atenção estará voltada para a volante Formiga e a atacante Ludmilla, ambas no feminino, o meia Claudinho e o atacante Richarlison, no masculino. 

A lista de participantes (em todos os  esportes) considerados pretos e/ou não brancos é grande – e não poderia ser diferente, considerando que mais de 50% da sua população brasileira é negra. Destacá-los se faz necessário pela invisibilidade que atinge a grande maioria deles, pela cultura tupiniquim de não investir efetivamente no esporte, principalmente os não tradicionais, e pela cobrança (em especial nas redes sociais) que sempre vem quando um erro é cometido – como aconteceu com a judoca Rafaela Silva nas Olimpíadas de Londres, em 2012 – ou a expectativa não é atingida. 

“Os atletas negros em grande parte são as estrelas e são cobrados não pelos resultados, mas na pós competição, em suas opiniões e posturas sobre política e racismoComo se a cor da pele deles simboliza-se o nível intelectual e o engajamento político”, observa Diogo.

Para combater o racismo entre os desportistas, técnicos, médicos, nutricionistas e dirigentes, o COB criou um treinamento online de 30 horas para mostrar que o racismo é um problema estrutural do Brasil, explicar como ele acontece no esporte e como denunciá-lo. A torcida é que nessa Olimpíada não haja qualquer caso de discriminação, e que efetivamente o “Time Brasil” surpreenda positivamente em relação às edições anteriores, saindo das posições intermediárias do ranking. 

ATLETAS PARA FICAR DE OLHO

Felipe Bardi

Felipe Bardi dos Santos tem 22 anos e é velocista de atletismo. Nas últimas competições, focou nos 200 metros e no salto em distância. O atleta ficou em 4º lugar no salto em distância no Campeonato Brasileiro de Sub-18 de 2014, e subiu para vice-campeão no ano seguinte. Ele vai competir nas Olimpíadas de 2021 nas categorias de 100 e 200 metros rasos.

Paulo André Camilo de Oliveira

Mais um representante do Brasil no atletismo, Paulo André Camilo de Oliveira, 22 anos, se destacou vencendo o mundial de revezamento em 2019, sediado em Nápoles. No mesmo ano, foi ao Campeonato Mundial de Atletismo no Qatar e venceu a eliminatória dos 100m rasos, sendo o primeiro Brasileiro em duas décadas a conseguir o feito. 

Vitória Rosa

Velocista, Vitória Cristina Rosa, de 25 anos, representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 na prova de 200 metros do atletismo. A atleta irá competir na modalidade de 200 Metros Rasos em busca do ouro para nossa nação.

Grazieli de Jesus

A boxeadora Graziele de Jesus tem 29 anos, e é uma das grandes apostas para as Olimpíadas de 2021. Ela fará sua estreia em Jogos Olímpicos na categoria até 51kg. 

Jucielen Romeu 

Jucielen Romeu é mais uma das grandes apostas do Brasil no boxe. Disputando na categoria até 57kg, a atleta que foi prata no Pan-americano de Lima (2019), no Peru, está focada na vitória. Aos 25 anos a boxeadora carrega grande responsabilidade e com certeza irá em busca do outro.

Aldemir Gomes Junior 

Aldemir Gomes da Silva Junior é velocista, e aos 29 anos vai competir na modalidade de 100 e 200 metros.  Ganhou três medalhas de ouro no Campeonato Sul-Americano Júnior de atletismo (2011) e três medalhas no Campeonato SUl-Americano sub-23 (2012).

Gabriel Constantino

Gabriel Oliveira Constantino é um dos nomes promissores do atletismo brasileiro. Competindo na modalidade 110 metros com barreira, foi finalista nos 60m com no Campeonato Mundial Indoor de 2018, terminando em 6º lugar. Ele tem 26 anos e foi ouro em Nápoles (2019) e visa repetir o feito nas olimpíadas de 2021.

Alison dos Santos

Alison Brendom Alves dos Santos (21 anos) é um dos grandes competidores nas Olimpíadas de 2021. O atleta competiu na modalidade de 400m com barreiras e foi prata no Mundial de Revezamentos em Chorzów, ouro no Pan em Lima (2019) e ouro em Nápoles (2019).

Marcio Teles 

Marcio Soares Teles faz parte da modalidade de atletismo com barreiras, competindo nos Jogos Olímpicos de 2016 na prova de 400 metros, visando as Olimpíadas de 2021 como uma forma de conquistar o tão sonhado ouro para nossa seleção.

Andressa Oliveira de Moraes

Atual recordista sul-americana na prova de lançamento de disco, Andressa Oliveira de Morais é um dos nomes cotados à medalha de ouro. Aos 30 anos, a atleta carrega 10 medalhas de ouro (2009-2012), 5 de prata (2009-2019) e uma de bronze (2014). Natural de João Pessoa, ela visa quebrar seus próprios recordes, além de trazer mais uma medalha para sua coleção.

Chayenne da Silva

Chayenne da Silva tem 21 anos, e irá competir na modalidade de 400 metros com Barreira. Competindo em busca de uma vaga para as Olimpíadas, ela conquistou uma medalha de ouro (2019), duas pratas (2018) e três bronzes (2019-2021). É uma das atletas mais promissoras do Brasil.

Formiga

Formiga, 43 anos, já esteve em todas as competições olímpicas de futebol feminino. A edição de Tóquio será a sua sétima participação em Olimpíadas. Sendo uma das mais experientes, ela será uma das comandantes do time.

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Alexsandro Melo

Alexsandro do Nascimento de Melo, de 25 anos, competirá na modalidade de salto triplo. O atleta ganhou medalha de bronze em 2018 nos jogos Sul-Americanos e foi um dos quatro atletas a chegarem na final nos jogos Pan-americanos de 2019 no salto em distância.

Flávia Saraiva

Aos 21 anos, Flávia Saraiva obteve o primeiro lugar de classificação na sua primeira apresentação. Conquistando a Medalha de Bronze individual e também na modalidade por equipes no Pan Americano de 2015, atingiu o feito que desde a década de 90 não era conquistado. 

Almir Cunha dos Santos

Almir Cunha dos Santos também é um dos nomes do atletismo no salto triplo. Vencedor da medalha de prata no Campeonato Mundial Indoor da IAAF em 2018, chega nas Olimpíadas de 2019 em busca do ouro, somando forças ao forte time de atletas brasileiros.

Wanderson Oliveira 

Wanderson Oliveira, o “Sugar”, é pugilista e compete na categoria de até 75 kg. Um dos nomes de peso e força dentro da seleção nacional de boxe, o atleta conquistou seis medalhas nos jogos Sul-Americanos, possui uma medalha de prata e três de bronzes. Aos 24 anos, a frase que define o esporte para o atleta é: “O boxe representa muito. Muda a sua mente toda, você amadurece”.

Isaquias Queiroz 

Isaquias Queiroz é um dos nomes mais promissores do Brasil para conquistar medalha de ouro na canoagem de velocidade. Ele possui três medalhas nos Jogos Olímpicos de 2016, sendo duas de prata e uma de bronze nas provas de Canoa Individual e Canoa de Dupla. 

Keno Machado

Aos 21 anos, Keno Machado é uma das grandes apostas para o boxe nas Olimpíadas de 2021. O atleta disputa na categoria de até 81 kg, sendo medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru.

Abner Teixeira

Abner Teixeira tem precisão e força nos seus golpes. Campeão duas vezes no nacional juvenil e duas na categoria elite, o boxeador foi reconhecido pela CBBoxe e se tornou um dos nomes para defender o verde e o amarelo. Aos 24 anos, o objetivo do atleta é ser campeão olímpico e conseguir comprar uma casa para sua mãe.

Rebeca Andrade

Rebecca Andrade é atleta do Flamengo e compete nas Olimpíadas na modalidade de Ginástica Artística. Sua especialidade é o salto e barras assimétricas e aos 22 anos conseguiu ouro na Copa do Mundo – Stuttgart.

Com informações da BBC Brasil, Sportv, Olimpíada Todo Dia, Gazeta Esportiva

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