Não é sobre religião, é sobre a vida. Jesus Is King está entre nós.

Postado por 31/10/2019

Everybody wanted Yandhi, then Jesus Christ did the laundry/ They say the week start on Monday, But the strong start on Sunday (…) Rima Kanye West na faixa Selah, segunda do disco que se inicia logo após um incrível coral em Every Hour, apresentando um Yeezy que sabe trabalhar atrás dos pianos e utiliza sua voz quando necessário mas principalmente sabe orquestrar a genialidade dos artistas.

 

Jesus Is King não é apenas sobre a religião, muito pelo contrário, nessa obra composta por 11 faixas ele dialoga sobre diferentes temas tendo como uma base a figura quase que alegórica de Jesus Cristo. E como isso nos afeta no mundo atual?

 

Pensar em um disco feito por um artista que sempre trouxe consigo a temática cristã e gospel (vide Jesus Walks entre outras), é em algum momento esperar um trabalho voltado com criatividade para esse lado. 

 

Kanye aqui se mostra mais ligado à figura divina como antes, ele tira o gigante ego como mola propulsora e dá vida a indagações. Diferente de Ye – 2018 a bipolaridade da vazão a um artista temente a sabedoria divina em um momento de falta de paz, amor, empatia vindo do próximo. 

 

Em Jesus Is King o termo religião não deve ser abordado sobre nossa perspectiva enquanto Brasileiros, o gospel norte americano é essencialmente criado por negros e evidenciar esse local de fala é mais do que necessário, independente da postura de West como indivíduo.

 

A título de curiosidade, a obra possui um coral arrojado, alinhado com todas as reuniões do Sunday Service que além de movimentar culturas locais vem parando a internet ao longo do último ano, mais uma vez apresentando a cultura como ela é e deve ser vista, tudo sob os olhos de um produtor por natureza, Kanye West em diversos momentos sai de seu papel de rapper e volta para sua raíz.

 

A faixa Everything We Need já tinha sido vazada na internet, tendo Ty dolla $ign, Ant Clemons e XXX Tentacion, este, que foi removido da faixa na versão final abrindo espaço para um som mais sentimental, menos violento e incisivo.  

 

Um outro single já disponibilizado mas dessa vez pelas plataformas de streaming foi a faixa Water, que conta com arranjos impecáveis e versos que grudam na cabeça, assim como God Is e Hands On com participação de Fred Hammond, cantor e produtor gospel.

 

Um outro feat inesperado está em Use This Gospel, onde Kanye West mais uma vez se destacou, unindo o duo Clipse composto por Pusha T e No Malice, este segundo que já havia se aposentado e Kenny G, trazendo uma verdadeira obra de arte sonora em um som calmo e limpo.

 

O disco termina com Jesus Is Lord e versos que definem como um todo a visão de kanye neste trabalho: Jesus is Lord, Every knee shall bow, Every tongue confess, Jesus is Lord (…).

 

Para finalizar, a internet se divide em opiniões de repúdio e agrado ao novo trabalho de West e aqui fica uma questão: Quando isso foi diferente? 

 

Seja quando faz o bem ou quando apronta alguma declaração negativa ele é questionado, pois esse é o seu papel na terra, intrigar e alfinetar toda a indústria e por isso, é importante separar o Kanye artista do Kanye ser humano, por mais que ele quase que suplique para ser entendido mesmo afirmando que não liga para as opiniões alheias.

 

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