Mercedes Baptista

Pouca gente sabe mas, em 1947 por meio de um concorrido concurso, Mercedes Baptista, chega ao topo. Ela é a primeira bailarina negra a compor o corpo de baile do Teatro Municipal e uma das precursoras da dança afro-brasileira pelo mundo.

Mercedes Baptista foi responsável e idealizadora da Ala de passo marcado/coreografada das escolas de samba do Rio de janeiro, através de movimentos ritualísticos e corporeidades do candomblé. Uma mulher negra que abriu portas e caminhos e que por ser negra, se viu relegada a pouquíssimos papéis nas artes cênicas, lhe cabendo apenas aqueles onde eram reforçados estereótipos.

Mercedes baptista conhece Abdias do Nascimento e entra para o TEN – Teatro Experimental do Negro, onde logo depois se torna membro do Conselho de Mulheres Negras e ao fim da década de 50, segundo o site Wikidança: “foi escolhida pela coreógrafa, antropóloga e militante afro-americana Katherine Dunham para estudar dança nos Estados Unidos junto à sua companhia, Mercedes se licencia temporariamente do Teatro Municipal e viaja para Nova York onde passa aproximadamente um ano e meio, tendo aulas de dança moderna, danças do Haiti e participou do processo de luta pela valorização racial que era a especialidade de Katherine, além de lecionar balé clássico para o grupo de bailarinos”.

Mas porque eu estou falando isso tudo? Porque a história de Mercedes Baptista pode enfim ser conhecida e reconhecida, através da peça com o mesmo nome realizada pelo grupo EMÚ.

O grupo EMÚ é “formado por artistas interessados em investigar e aprofundar uma ótica negra no cenário artístico contemporâneo e o grupo leva aos palcos uma linguagem cênica peculiar à estética negra como resultado da pesquisa das movimentos coreográficos criados pela bailarina Mercedes Baptista”.

São 11 atores em cena e 5 músicos com uma sonoridade que vai do piano a percussão passando por violino e violoncelo, com danças que passeiam pelo balé clássico e pela dança afro, danças que se mesclam, como foi na carreira de Mercedes Baptista.

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Impossível não se emocionar ao ver Sol Miranda dando vida a uma Mercedes jovem e cheia de sonhos, não chorar com Reinaldo Junior dando corpo a um Abdias combativo, sorridente e com ideais que fazem dos nossos caminhos hoje sejam continuidades de quem veio antes.

Imagem: Grupo Emú

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