Mano Livre Brown

Postado por 24/05/2017

O maior objetivo de um artista é ser livre. Livre pra mostrar sua obra, seus sentimentos, suas ambições e devaneios. E essa liberdade é acompanhada pela vontade do artista em ser unânime. Dizemos que não mas ligamos muito para a opinião alheia. No final das contas, ser compreendido é basicamente o que queremos. Tudo aqui é tão denso e tão intenso que achamos que todos tem que aceitar e agregar aquilo que estamos jogando para fora.

Fui ver o show incrivelmente bonito do Mano Brown, que apresentou o seu mais novo trabalho “Boogie Naipe”, e no meu rolé pela Lapa pós Circo Voador fiquei me perguntando por quanto tempo Brown segurou esse trabalho e aqueles sentimentos para si. Eu vi um Mano Brown sorrindo no Circo Voador. Alguém tem a verdadeira noção disso? Quem realmente o acompanha e segue a história e a luta dos Racionais, sabe o quão difícil seria ver aquela cena de um Mano Brown livre, sem amarras e demonstrando sentimentos que a gente não conhecia. Ou não queria conhecer.

Mano Brown é uma espécie de Mandela do Rap nacional. Sério. Mandela abdicou da sua vida pessoal e dedicou os seus esforços e sua luta a uma causa que era muito maior do que ele próprio. Acredito que se você quer ser referência e entrar realmente na história por ter deixado alguma verdadeira marca no mundo, algum grande sacrifício você terá que fazer. Algum preço alto você terá que pagar. Qual é o tamanho do seu sonho? Será que vale passar 27 anos na cadeia por ele? Será que vale a pena deixar seus sentimentos de “stand-by” por alguns longos anos até que chegue a hora certa de soltá-los para um público que você dedicou sua vida e que provavelmente não te entenderia?

Pro Mandela valeu a pena. Pro Mano Brown acho que tá valendo também. Ele tá menos agressivo, menos sisudo, menos intempestivo. Mas meu coração e intuição me dizem que ele está 10 vezes mais perigoso hoje, pelo simples fato de ter evoluído. Brown hoje ocupa espaços, atinge pessoas que quem tinha medo da mudança e revolução que o poder da palavra dele poderia causar não imaginaria. E é aí que tá o verdadeiro perigo para eles. Quando eles menos esperarem, Mano Brown assume de novo o seu papel revolucionário – que nunca deixou de existir – e passa essa mensagem de uma nova forma. Sempre eficaz e direta.

Tudo tem a hora exata para acontecer. Deixe o seu mito ser humano. Deixe o artista ser artista. Não fique esperando muito dele. Deixe ele sair da sua zona de conforto pra te tirar da tua zona de conforto. Todo mundo merece ser o que quiser e ser minimamente respeitado e admirado por isso. Se o seu sonho não te exige sacrifícios, alguma coisa tá errada por aí. Mandela se sacrificou e virou um mito. Mano Brown se sacrificou, virou um mito e tem a coragem de pôr isso em risco justamente para ser o que Mandela demorou 27 anos para ser. Livre.

Foto: Lucas Sá

O Peso que Djonga Carrega

Por Matheus Iéti 15/04/2021

O disco “Nu”, de Djonga, já está na pista há um mês. É o quinto da sua carreira e brotou pra continuar o legado tradicional que o rapper mineiro vem trilhando dentro da arte. Pedro Bonn foi direto na análise que disponibilizamos no nosso Instagram. Com certeza os principais acertos dentro do projeto são suas […]

Guia completo sobre POSS

Por Pedro Bonn 08/02/2021

Um conteúdo completo sobre a maior movimentação artística brasileira dos últimos anos (TESTE) TESTE

Assertividade: CHS Lança o Seu Novo Álbum “Tudo Pode Acontecer”

Por Matheus Iéti 04/05/2020

“Tanto faz o que ‘cê faz da vida, objetivo vai ser sempre um, dar conforto pra minha família meu patrão, não acredito em nenhum…” Assim CHS abre seu novo projeto oficial –  Tudo pode acontecer – (2020) Pirâmide Perdida. Contextualizando: Se você não está familiarizado com o rapper, posso te apresentar algumas faixas importantes ao longo de sua […]

O corre do DJ: Conheça Diniboy

Por Pedro Bonn 13/05/2021

Meu primeiro contato com o Diniboy foi em 2015, quando eu ouvia falar muito de um DJ que mesclava trap, dubstep e umas sonoridades diferentes. Procurei por um set no Soundcloud e comprovei que ele era diferenciado em relação ao que a galera mais nova vinha fazendo. Fiz um convite para ele tocar no meu […]

Rico além do dinheiro: Filipe Ret e Imaterial

Por Matheus Iéti 26/04/2021

Depois de Audaz (2018), álbum que encerra uma trilogia muito consistente dentro do rap, que ainda conta com Vivaz (2012) e Revel (2015), Ret mostrou um crescimento fora da curva. Diferentemente do caminho que trilhou em seus três primeiros projetos, que somados a mixtape Numa Margem Distante (2009) fundamentaram sua carreira, o rapper entra em […]

Conheça Bryan AVS

Por Matheus Iéti 26/04/2021

Sempre que um nome interessante surge no nosso radar, buscamos saber suas inspirações e o que levou esse artista a construir pontes com o público. Hoje vamos falar de Bryan AVS: DJ e produtor que acaba de anunciar seu segundo projeto, a mixtape “Peças”. Sobre vida, arte e primeiras produções: “A arte está na minha […]