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“Minha arte é sobre liberdade”, diz Luthuly

“Minha arte é sobre liberdade”, diz Luthuly

Luthuly

Mesmo conseguindo alcançar os objetivos primários com o álbum Pele, Luthuly decidiu atualizá-lo com mais três músicas inéditas. Fazer a versão deluxe foi necessário para complementar o que ele considerava faltar um toque especial. Não Existe Amor”, “Bomba Relógio” e Paralelo” são as peças que preenchem a lacuna que o cantor e MC da Rocinha, Rio de Janeiro, queria preencher

Assim como aconteceu com a grande maioria dos artistas no início de 2020, ele não fazia ideia de que uma pandemia estava para acontecer. Logo depois de fazer sua estreia solo, teve que se trancar em casa. Recebeu um banho de água fria, porque estava na expectativa de ir pra rua e sentir a energia do público, além de observar de perto a recepção do trabalho que fez com tanta paixão.

“Não ter o calor humano e estar perto das pessoas deixa a gente um pouco ansioso”, diz ele à AUR. “Estamos vivendo um momento diferente que temos de se adaptar, mas não se acostumar. Eu vou tentando levar esse momento da melhor maneira possível”. 

Hábil na escrita, inquieto e cheio de ideias para compartilhar, Luthuly se manteve ativo, porque na visão dele “viver (para o artista) é estar em atividade criativa”. Por isso, reacender a chama do seu primeiro disco solo se tornou uma opção para adicionar sons que estavam na gaveta, mas não saíram do papel. O plano inicial era fazer um EP, mas mudou para apresentar o que já tinha para um público que não teve acesso à edição original – e os que já conheciam, ouvirem novamente.

“Não tenho limite. Acho que o artista tem que viabilizar a sua liberdade, fazendo com que pessoas também façam parte da sua liberdade, desde que o espaço esteja aberto pra isso. E minha arte é sobre liberdade”.

 

 

A temática usada para expressar essa perspectiva está relacionada à proteção e também opressão. “É uma dualidade muito forte quando se fala de pele. Ao mesmo tempo que nos protege, é o que mais faz nós sermos agredidos sem termos culpa alguma”. Apesar das dores sofridas na própria pele e visualizadas (principalmente da sua área) estarem presentes, o amor (em todos os sentidos) é o que direciona, carregado de diferentes influências.

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“É muito louco porque eu cresci num circulo musical muito diversificado, ouvindo desde rock in roll europeu e estadunidense à música preta raiz. Minha mãe ouvia muito Erykah Badu, Lauryn Hill, Marvin Gaye… Meu pai ouvia muito samba, MPB, reggae”, observa. “Eu tive diversas referência. Fui alimentado de muita música, independente do gênero e isso reflete nas músicas que escrevo”. 

Das três inéditas de “Pele Deluxe” (slap/Som Livre), Luthuly Ayodele diz que “Bomba Relógio” é a mais representativa desse “recomeço”. Tem um mistura de sentimentos, que reflete as características do artista e do seu projeto como um todo. “Foi uma história muito louca. Me deixou meio pirado em relação ao amor e eu me fiz muitas perguntas, me questionei em muitos lugares… então, trouxe muito entendimento de mim, de entender minha fragilidade, de entender o meu lugar da loucura, do delírio, de entender a linguagem do amor, que para nós pretos é muito complexo”.

Nesse processo de novas descobertas, a voz doce e potente do cantor expõe as vivências do dia a dia que são identificáveis com a realidade da maioria dos brasileiros. A esperança dele agora é que todos estejam vacinados para que os shows voltem e toda a intensidade guardada nesse período seja dividida.

“É importante que todos se vacinem para que nós artistas e todos os trabalhadores que estão em volta da gente voltem para as ruas de maneira segura. Esse é um tipo de trabalho que muita gente precisa, não somente na forma poética da música, mas em questão de emprego. E a gente precisa um dos outros pra isso”.

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