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IZRRA: “A parada é falar de amor”

IZRRA: “A parada é falar de amor”

Dos púlpitos da igreja, IZRRA foi para o metrô do Rio de Janeiro, onde ficou conhecido depois que suas apresentações viralizaram na internet. Mas os vagões eram pequenos para o talento do tímido cantor de apenas 23 anos. De estação em estação, chegou ao palco do The Voice Brasil. Conquistou os ouvidos dos brasileiros e – sob a direção de Carlinhos Brown – disputou as finais das edição de 2020.

Agora, ele estreia oficialmente com o single e o vídeo “Refém”, uma mistura de R&B, neo-soul e elementos da MPB. Na letra, IZRRA fala de amor, mas se engana quem a define apenas como uma música romântica direcionada unicamente aos casais. É muito mais profundo que isso. Na conversa que tivemos  via Zoom, o artista carioca fala sobre o seu processo de criação da música, carreira e expectativas.

“Eu quero poder ser um instrumento para poder falar coisas do bem, coisas do amor. Quero fazer show, sentir o contato, o calor de todos, voltar pra minha vida real. É colocar nas mão s de Deus e deixar a parada fluir… se dedicar bastante, ter foco… no momento que a chave virou, que eu pensei que estaria cantando novamente para as pessoas, aí tudo mudou”. 

 

 

Você canta desde a infância?

Comecei cantando na igreja com quatro anos de idade. Acho que a maioria dos que vivem de música deu os primeiros passos na igreja… Eu nasci no mundo gospel, minha mãe e meu pai foram notando ali que o meu caminho ia ser música. Cantava nos grupos da igreja, depois me apresentei nos projetos das escolas… todas que eu passava, eu cantava. Todo mundo que me ouvia cantar, pedia pra eu me apresentar no Dia das Mães e festas de final de ano… Até que um dia eu cantei no metrô e o bagulho ficou diferente.

A igreja é meio que uma formadora de artistas, principalmente na periferia. Me fala dessa experiência de cantar no metrô e de se desvincular para seguir uma carreira fora da comunidade cristã? 

Quando essa chave virou, eu não tinha muita pretenção. Fui dar um rolê com os meus amigos na época das Olimpíadas (do Rio, em 2016)… aí o vídeo viralizou na internet, eu cantei com o Jorge Vercilo pra 13 mil pessoas, e eu me perguntei: “cara, o que tá acontecendo?” Como aquilo era muito novo pra mim (ainda é), eu tinha muita vergonha… mas é uma parada que tem sido construída, que está sendo linda. Mas é algo que eu nasci pra isso. Hoje tenho certeza disso, independente de estar na igreja ou não. A parada é falar de amor. É falar de música.

Depois de viralizar no metrô e participar do The Voice Brasil, você está fazendo sua estreia oficial com o single “Refém”. Bateu aquela ansiedade pra colocar esse som no mundo, tornar seu trabalho tangível?

Sim. Antes de entrar para o The Voice, eu já tinha lançado minha primeira composição (Fico Até Tarde). Mas está sendo diferente, porque é algo muito maior. Depois de passar pelo programa, eu estou lançando meu trabalho por uma gravadora grande, que tem me acolhido muito e tem me dado a liberdade pra poder colocar minha arte pra fora da melhor forma. Isso tem sido muito lindo e tem feito eu ficar mais tranquilo. 

Assim, você também consegue dar um direcionamento naquilo que você acredita, sem ficar engessado… 

Real!

 

IZRRA | Foto: Igor Freitas

 

E pensando nisso, tem algum artista em quem você se espelha e tem como referência artística?

Tenho muitas referências de fora, mas muitas daqui também (musicalmente). Eu tenho essa mistura de gospel, neo-soul, R&B, MPB (que é a nossa música rica)… mas tenho como referência Erica Baduh, Lauryn Hill, Michael Jackson, Liniker, Yoùn, Milton Nascimento,  Djavam, Jorge Vercílo… Isso é o que me faz ser o IZRRA, sabe!? Juntando essa mistura toda e colocando pra fora.

Falando mais sobre “Refém”… você desenvolveu ela recentemente ou já tinha no seu repertório?

Eu já tinha um pedaço da música pronta, mas o outro pedaço veio mais recentemente. Eu estava escrevendo, aí fui na cozinha e minha mãe estava lá cozinhando. Dessa visão, veio a segunda parte, tá ligado!? Aí teve a reunião para escolher as faixas e o processo todo. Apresentei essa música e todo mundo gostou. Aí produzi com Alexandre Castilho e o Marcel. O Alexandre também esteve comigo no The Voice… ele é um cara que sempre quis ter a mão dele nas minhas coisas, porque me tratou com tanto carinho e me deu tanta liberdade… Eu escrevi olhando pra minha mãe. Foi algo bem natural, sem presença nenhuma de querer que algo saísse. Eu sou muito assim de deixar vir. Eu escrevo algumas coisas e vou deixando no cantinho. Depois paro um tempo pra ler aquilo, refletir e espero vir. 

Você segue diferentes vertentes na mesma música. Não podemos considerar que é muito  R&B nem MPB…

Eu tenho essa mistura… Eu quero falar ali sobre um amor universal. Não é um amor de apenas um casal, nem amor de filho e mãe, sabe!? É algo mais além daquilo. Então, poder ter todas essas vertentes, tudo isso acontecendo… estou falando de quebrar amarras, de quebrar correntes, mas de ser um refém do amor também, né!? Aí, eu falo pra minha mãe que vou sempre ser um refém do amor dela. Então, é isso que quero levar.

 

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Minhas músicas não são direcionadas a uma pessoa específica. É pra todos. Acho que isso te torna diferente demais, quando você consegue atingir e falar pra todo mundo.

Cabe em qualquer tipo de amor… e você falando dessa relação com sua mãe, dá para entender essa visão que você quer passar na música.

Sim. Até porquê,  a segunda parte foi toda pensada nela e eu tenho certeza que vai chegar nos ouvidos de várias formas. Vai ter a hora que um casa vai estar conversando e vai sentir aquela parada, ou de uma amizade… São vários tipos de amor que essa música quer passar. Isso tem sido irado demais.

Dá pra sentir essa paixão que você quer transmitir e as referências que são usadas. Mas queria saber qual é o seu principal diferencial (do que já tem sido feito na música brasileira)?

Agora você me pegou hein!? (risadas) Eu não prendo a nada… Minhas músicas não são direcionadas a uma pessoa específica. São pra todos. Acho que isso te torna diferente demais, quando você consegue atingir e falar pra todo mundo. Mas não sou eu que falo. É a música que tem esse poder. Sou apenas um instrumento para ser usado e transmitir isso.

É aquela coisa de não ficar preso em caixas…

Eu sou carioca, né!? A minha família é bem louca, mas são pessoas maravilhosas. Então, eu aprendo muita coisa no lugar que eu vivo. Também sou brasileiro… então, tem a mistura do pagodão da Bahia que eu gosto, o funk aqui do Rio que eu gosto… mas tem também a musicalidade que eu venho aprendendo desde o gospel, desde pequeno. E tudo isso faz eu ser diferente. A diferença está quando você começa a executar tudo que aprendeu. É um aprendizado de cada lugar. É igual matéria de escolaL: são várias que juntas terão um sentido no futuro.

E falando de futuro, o que podemos aguardar daqui pra frente?

Espero que todo mundo esteja vacinado para que eu possa estar fazendo muito show. E que a galera consuma bastante as minhas músicas, porque eu não estou fazendo isso só pelo fato de me aparecer. Eu quero poder ser um instrumento para poder falar coisas do bem, coisas do amor. Quero fazer show, sentir o contato, o calor de todos, voltar pra minha vida real. É colocar nas mão s de Deus e deixar a parada fluir… se dedicar bastante, ter foco… no momento que a chave virou, que eu pensei que estaria cantando novamente para as pessoas, aí tudo mudou. Mas esse momento tem sido um aprendizado pra todos. E eu espero estar fazendo isso da melhor forma, pra eu saber como é que é (porque ainda noa sei). Sai do The Voice  não pude fazer show. Então é esperar e se dedicar bastante.

 

 

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