De Belém para o mundo: Conheça Isabella Pamplona

Vir de Belém do Pará para o Rio de Janeiro viver do que se ama é uma experiência gigantesca. Todos os dias a sociedade tenta nos impor questões sobre a vida humana que não nos pertencem. 

A voz das minorias nos espaços de troca cultural é um importante fragmento daquilo que a sociedade precisa para evoluir e, com isso, as barreiras serem quebradas e modificadas. A vida é incrível. 

 

Isabella Pamplona de Araújo Tourinho é seu nome, você pode chamá-la de Bella, mas a respeite. Respeite a escolha de seu nome. Ela me diz que a maioria dos artistas que decidem seu nome tem um sentimento profundo por trás do mesmo, o que define seu comportamento. 

 

O nome Bella surgiu por meio de uma performance de identidade, durante suas apresentações como Drag Queen nas noites de Belém. Durante esse período, sua vontade e sua necessidade de passar pela transição aumentaram de forma exponencial, quebrando tabus  principalmente nos locais em que a figura da mulher trans não possui espaço. 

Em 2015, Bella participou de um concurso e descobriu duas coisas que a marcaram para sempre: a primeira é que ela sempre se viu como uma mulher — e linda, como é. Então decidiu que nunca mais sairia dos palcos, da noite, do brilho de seu talento.

 

Nessa fase, ela sai da casa dos pais e começa a se envolver mais com as produções. Bella fica mais experiente nos trabalhos de performance, produção de looks e beleza, e passa a montar amigas e clientes para a cena noturna.

Um dos momentos mais importantes de sua caminhada foi quando ela participou do comercial contra a LGBTfobia do Governo do Estado do Pará. Nessa situação, ela viu a proporção de sua voz tomando forma, o que influenciou sua família a ouvi-la falar sobre militância e a luta da mulher trans. 

 

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Bella atualmente está engajada em apresentar cada vez mais seus projetos para o Rio de Janeiro. Ela é produtora de moda, maquiadora, está alinhada com performance e a produção noturna como um todo. Utiliza o Instagram como uma ferramenta de trabalho útil e ao seu favor, mais uma vez fugindo do estereótipo da mulher trans só trabalhar tendo a noite como palco.

 

Bella está ativa no estudo sobre moda e sobre como as sensações e experiências da mulher trans podem ser transmitidas a partir do seu trabalho. Roupas, vivências, lugares, dores, sentimentos que crescem e florescem assim como ela, que continua buscando seus sonhos e escolhendo viver como sempre quis ser: livre.

 

Coluna Radar de Matheus Ieti

Fotos de Edson Jonathan

View Comments (2)
  • A Bella tem uma beleza desconcertante. Da última vez que a vi fiquei tão impactada que não consegui pedir pra tirar uma foto com ela. Ela foi pro Rio e eu fiquei sem a foto. Poxa!

    Fico feliz com esse post e o reconhecimento. Ela merece!

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