Assertividade: CHS Lança o Seu Novo Álbum “Tudo Pode Acontecer”

“Tanto faz o que ‘cê faz da vida, objetivo vai ser sempre um, dar conforto pra minha família meu patrão, não acredito em nenhum…” Assim CHS abre seu novo projeto oficial –  Tudo pode acontecer – (2020) Pirâmide Perdida.

Contextualizando:

Se você não está familiarizado com o rapper, posso te apresentar algumas faixas importantes ao longo de sua trajetória desde Seguimos na Sombra – (2015) Café Crime pelo Néctar Gang, até a mixtape Vol.7 – (2016) Pirâmide Perdida

Nessas e outras faixas, CHS colaborou com uma lírica impecável e um flow único mas é nos seus trabalhos solo que vemos uma originalidade ainda maior, como é o caso do seu EP de estreia Chaos – (2018) Pirâmide Perdida.

Seu primeiro projeto (Chaos) se difere do álbum deste ano (TPA). Chaos é um projeto mais intimista e dialoga com uma estética visual interessante que é a principal marca do artista que antes de MC é Grafiteiro e Designer.

Apesar de intimista, Chaos possui ótimos singles dos quais podemos citar: Ponteiros, Futura Ex e O Mestre Mandou, o que com certeza preparou terreno para um amadurecimento pessoal e artístico dando vida a seu mais novo trabalho.

Troquei uma idéia com o CHS antes dele finalizar o TPA e a intenção era produzir um material sobre sua trajetória enquanto Grafiteiro e Designer mas logo vi que todas essas nuances do seu projeto enquanto artista fazem parte de algo ainda maior, que é sua visão sobre o mundo a partir da ótica de um morador do Centro da Cidade do Rio, mais precisamente na Lapa.

Gustavo desenha desde pequeno e foi pai aos 17 anos. Ele me relata que logo nessa época precisou conciliar a música com três empregos e mesmo hoje aos 29 ainda continua acumulando vivência.

CHS me conta que seu primeiro clique para trabalhar com arte foi através do design. No meio desse tempo Gustavo passa a aplicar sua arte na música, conhecendo e fazendo contato junto do Néctar (Bk’ Bril, Jonas) e ele me conta que o principal foco dele e do grupo nessa época era focar no trabalho e abranger os contatos.

As artes visuais sempre fizeram parte da proposta de CHS enquanto artista, ele me conta que sua perspectiva de transformar imagem em letra favoreceu desde a estética de seus clipes até a forma como ele agregaria ao público sua visão.

Nessa conversa que tivemos, perguntei também o que o mais interessa na arte visual e ele me conta que os principais são o graffiti e o uso tag, já que são as referências mais claras disso em seu trabalho. 

Perguntei também sobre qual diferencial ele nota entre um ser um MC e também Grafiteiro e ele me respondeu que essa diferença é vista justamente na hora da criação, já que compondo ele emerge na vibe do beat e interage com o assunto unindo as duas partes e desenhando qual o público que aquele desenho alcançará e qual o objetivo de seu uso.

A título de curiosidade, CHS me disse também sobre alguns grafiteiros que ele curte como: Mike giant, Marcelo ment, Airá o crespo, Ira e Remella.

Sobre o album:

Fala aí CHS, tranquilo? Notei que você utilizou boas linhas melódicas no álbum, como foi pra você esse processo na criação do Tudo pode Acontecer?

CHS: Foi de boa, eu sempre quis fazer uns sons com mais melodia tipo Futura Ex mas é difícil compor para esse tipo de música, a ideia era deixar o disco bem dinâmico mesmo com vários estilos.

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Percebi também uma perspectiva abrangente sobre a cidade e como você está inserido nela, me fala um pouco sobre?

CHS: Faço minhas rimas sempre falando sempre algo da cidade, características boas e ruins. Depois de um tempo fazendo rap eu fui acumulando outros tipos de vivência, então o processo de criação foi isso, falar sobre a situação atual que eu vejo.

Apesar das participações estarem sempre próximas eu senti que você colocou muito bem cada Feat, me fala um pouco sobre a organização dos beats e das participações?

CHS: Os beats do fil (El Lif) e do Jonas são mais comuns até pela aproximação. A maioria dos outros produtores já estavam no EP Chaos meu antigo trabalho; Fui convidando os artistas que achei que combinava com cada track e pronto. Queria ter chamado mais gente mas fiquei com medo de atrasar o lançamento do disco .

Para terminar, a referência da capa é Pesada. Liquid Swords do GZA (Wu-Tang Clan) deu uma estética irada pro projeto, me conta como você chegou nessa ideia?

CHS: A referência ao Liquid Swords foi pura estética visual. A ilustração dos personagens em conflito e tal por ser já uma capa também conhecida no público do rap. Eu escolhi fazer uma releitura e na parte sonora a referência foi pelo estilo de rimar mesmo.

CHS finaliza me contando que em breve ele irá disponibilizar o clipe da faixa “Me arrumei” com feat do Bk’.

Com certeza esse trabalho apresentou um amadurecimento no artista não só na forma criativa quanto a forma que ele insere seu trabalho no rap. Se você não ouviu o Tudo Pode Acontecer completo até agora ouça faixa por faixa. Com certeza esse é um trabalho que mostra de forma clara a vida de quem faz arte e mora no Rio de Janeiro. 

Tudo pode acontecer em três faixas: Tudo pode acontecer, KGL, Ghost Town, Segunda Ft. Juyè.

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