Arte e mobilidade urbana: Esse é o corre da 3galo. 

Pensar em um coletivo é entender que quando se faz sozinho a conta não bate. Estar ativo criativamente durante uma das fases mais cinzentas que nosso país já passou representa a força do subúrbio, o ímpeto dos artistas que se concentram nas zonas periféricas para fazer a diferença, como vem sendo o corre da 3Galo.

 

O coletivo 3Galo nasceu em Dezembro de 2016. O nome pode parecer incomum mas se você mora na Zona Norte do Rio de Janeiro ou conhece parte do subúrbio logo vai entender que essa nomenclatura nada mais é que uma alusão ao 350, ônibus que inicia seu trajeto em Irajá e termina no Passeio, no centro carioca. 

Dentro desse contexto o coletivo apresenta um conceito interessante que gira em torno do movimento pendular. Explicando de maneira simples essa ação se encontra deslocamento dos indivíduos, trabalhadores, estudantes, civis em geral que fazem essa conexão para trabalhar, estudar, enfim, cumprir suas tarefas diárias. 

No espaço que existe entre Irajá e o Passeio inúmeras produções acontecem diariamente, desde os espaços isolados até os mais vistos como o xarpi, o grafite, as ilustrações, feiras, movimentos, rodas de rima, interações culturais, músicos de rua, ambulantes e habitantes da metrópole que vivem suas vidas em prol de um objetivo: Conquistar algo. 

A solução no final das contas seria apenas correr e chegar em um objetivo financeiro? O coletivo me mostra que não. Onde é a partir da viagem de signos comuns a circulação urbana e a música produzida pelos mesmo, que a representação da rua não se limita apenas a essa parcela, já que o trânsito faz o indivíduo beber e encontrar infinitas fontes de experimentação. 

Sobre o evento: 

No último sábado a convite do Grifo Tattoo o coletivo produziu uma imersão aos seus conceitos junto de diferentes expositores, Dj’s, produtores, tatuadores e artistas em geral que se reuniram para se comunicar e trocar linguagem. 

Mamute editor de vídeo e um dos primeiros membros do coletivo me fala sobre a importância de todos terem crescido no subúrbio como uma influência positiva na apresentação dos projetos e até mesmo a realização do primeiro evento no Centro de Arte Maria Teresa Vieira cerca de três anos atrás. 

Lucão outro membro do coletivo que é tatuador e ilustrador comenta sobre a necessidade de unir ilustração, tatuagem e moda dentro dos conceitos do evento, aliando essa noção com a missão do coletivo que é de realizar ações dentro do movimento urbano que nasce no subúrbio e vai para outros espaços. 

Sh1ft, Victor Vics, Yuri Hang e Benedicto também fazem parte do coletivo, totalizando 6 membros principais fora seus agregados, todos com produções interessantes e importantes para a cena do Rio de Janeiro atualmente. 

Os convidados do evento foram produtores de arte interessantes, um deles já entrevistado por nós da AUR, Felipe Combo com seu projeto fotográfico Blues das ruas que mescla o cotidiano do cidadão com o urbano de forma simples e sincera, um olhar bem sensível para a caótica cidade que nos rodeia. 

Além do fotógrafo, Freak Field, Pita, Massive Mia, ink Mujo, Carolina Navarro, Katia Fire e Ivanno José também trouxeram suas exposições se alinhando perfeitamente a proposta do evento, todos com suas particularidades e olhares próprios, mostrando uma percepção sobre a arte que há tempos não víamos em um espaço. Todos artistas incríveis. 

No primeiro andar a exposição de Flash Tattoo aconteceu junto da música e do espaço para a roda de conversa, saindo do estereótipo de apenas um mediador que controla a mesma, dando espaço para a liberdade do diálogo durante todo o evento. 

No segundo andar da casa aconteceu o procedimento de tattoo comandado por Eloy Zombie, Lucas Duarte, Kamukuaka, Tatuagem Doi, Cartoon Bandido e clara Chousa, apresentando os trabalhos que estavam disponíveis no primeiro andar. 

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No terceiro andar um espaço interessante foi dedicado para a mostra de curtas feitos na rua, com a curadoria do Festival Cine Urbano tendo os filmes da Massive Mia, Nogenta, VakGang, Lucan Piai sendo a curadoria feita por Choco, além dos incríveis curtas Fio Submerso por Beatriz Leonardo, Ivan Ignacio, Lucas Bártolo e Luiz Felipe dos Santos e Limão Forte dirigido por Mamute. 

A realização deste evento teve toda produção desde os profissionais que atuaram na assistência ao público e bar escolhida pelo coletivo, colaborando para uma realização intimista e de sucesso. 

No final das contas não é apenas sobre criticar o sistema de forma direta, é sobre ser sublime e apresentar arte que inclua não apenas aponte os erros que todos nós enquanto cidadãos estamos acostumados, é trazer inspiração no diálogo e abrir as portas para que a conexão entre os convidados ocorra, dando vida a novos projetos realizando esse movimento que dialoga entre a arte e o espaço urbano. 

 

As fotos foram cedidas por ED

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