Lendo agora
9 bandas brasileiras de afrobeat que você precisa conhecer

9 bandas brasileiras de afrobeat que você precisa conhecer

O Afrobeat é um dos mais atraentes gêneros africanos. Dificilmente alguém fica passivo ao ouvir as vibrações desse ritmo criado com fragmentos de diferentes vertentes da musicalidade do Continente Africano, jazz, highlife e funk. O multi-instrumentista nigeriano Fela Kuti, juntamente com o baterista Tony Allen, foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento e disseminação do Afrobeat ao redor do mundo a partir dos anos 1970. E apesar de ser majoritariamente instrumental, ela está alicerçada na política, na luta por direitos civis e no combate a injustiça social. 

Atualmente, uma versão mais moderna – chamada de afro-beat – tem conquistado os mais jovens. Essa vertente – não tão política quanto a sua raiz -, com elementos de rap, house e grime, tem sido impulsionada ao redor do mundo por Burna Boy, Olamide, Mr. Eazi, Yemi Alade e Wiz Kid. 

No Brasil, o Afrobeat ganhou uma identidade própria, sendo muito influenciada pela sonoridade de cada localidade onde as bandas estão estabelecidas. Para apresentar alguns, de diversos lugares do Brasil, a AUR teve a curadoria do baterista, beatmaker, pesquisador e produtor Jorge Dubman, que além de ser um dos fundadores da IFÁ possui diversos trabalhos solos assinando com Dr. Drumah e Nu-Konduktor. Os mais recentes deles são “The Confinement Vol. 01: Africa (2020)”, que bebe de várias fontes africanas, e “Nu-Konduktor” (2021), um álbum com influências de The Helliocentrics, Adrian Younge, Beastie Boys, library music, Tommy Guerrero e trilhas sonoras dos filmes blaxploitation da década de 70. 

 

IFÁ 

 

Parte de um movimento que tem ressignificado a música instrumental brasileira, a IFÁ é formada por músicos/pesquisadores de Salvador, na Bahia. O nome representa o oráculo africano, ao mesmo tempo que serve de sigla para a junção inventiva de ijexá, funk e afrobeat. Nos quase 10 anos de estrada, a banda tem no currículo um EP com a cantora nigeriana Okwei Odili, parceria com o rapper Blitz The Ambassador, o álbum “Ijexá Funk Afrobeat” – que tem  “Quintessência”, concebida e presenteada pelo maestro Letieres Leite, fundador da Orquestra Rumpilez –  e uma série de performances, inclusive dividindo palco com Femi Kuti no Nublu Jazz Festival. Nos shows, eles colocam todos para dançar com suas próprias composições e releituras de Fela Kuti, Mulatu Astatke e Fred Wesley. E mesmo embrazada, a IFÁ não deixa de lado o ativismo político, que também faz parte da essência do afrobeat. 

 

Funmilayo Afrobeat Orquestra

 

Única banda de afrobeat no mundo formada somente por pessoas não binárias e mulheres negras (11 ao todo), a Funmilayo Afrobeat Orquestra vem quebrando paradigmas desde 2019. Ela foi batizada com o nome de Funmilayo Kuti, nigeriana, professora, ativista dos direitos das mulheres e mãe de Fela Kuti, um dos precursores do ritmo africano que começou a ser popularizado (a partir da Nigéria) nos anos de 1970. Pela sua quebra de paradigmas, o grupo foi apadrinhado pelo músico Seun Kuti, filho de Fela. E apesar de ter apenas um Single gravado, “Negração”, estão conquistando inúmeros espaço com suas jam sessions, que faz une o groove com poesias reflexivas sobre gênero, raça, diferenças sociais,  sexualidade. Com esse trabalho “embrionário”, elas inspiram outras mulheres a ocuparem cada vez mais espaço em todos os setores da sociedade.

 

Bixiga 70

 

Do tradicional bairro do Bixiga, em São Paulo, a Bixiga 70 faz a junção de elementos da musicalidade latina e africana com experiências sonoras das religiões afro-brasileiras. Pela singularidade do trabalho que faz, ganhou destaque ao debutar em 2011 com o disco que carrega o nome da banda. O vinil logo se esgotou, entrou para diversas listas de melhores do ano, e tocaram em vários festivais no Brasil e no mundo, junto com Tony Allen, Jungle By Night e Woima Collective. Também receberam diversos prêmios e excursionaram pela Europa. O mesmo aconteceu com seus álbuns subsequentes: Bixiga 70 (2013 e 2015), “The Copan Connection: Bixiga 70 Meets Victor Rice” e “Quebra Cabeça” (2018). Somente no Spotify, alguns dos seus singles ultrapassam os milhões de plays, feito importantíssimo para um grupo brasileiro de música instrumental. Mostram que existe um grande público consumidor aqui, e pode explorar ainda mais lá fora.

 

Abeokuta 

 

Para criar o seu suingue, a Abeokuta (nome inspirado na cidade natal de Fela Kuti) agrega às células do afrobeat a cultura popular dos ritmos pernambucanos (maracatus, caboclinhos e afoxés). Essa soma gera uma identidade regional com uma pegada que agrada os ouvidos mais críticos. É clássico e, ao mesmo tempo, contemporâneo. De forma enérgica, a banda segue o mesmo direcionamento do precursor do gênero, executando composições que expõem críticas sociais na língua Yorubá (dialeto africano) e inglês. Impossível não absorver as vibrações transmitidas majoritariamente pela percussão e os naipes de metal.

 

ÉKÓ Afrobeat

 

Na ativa há 15 anos, a ÈKÓ Afrobeat tempera o seu som com elementos da afro-brasilidade, funk, yoruba, soul, ska e free jazz. Essa fusão cria uma estética distinta, mas não menos envolvente. Diferente da grande maioria, a banda paulistana mescla instrumentais e canções com teor crítico, político e poético. O trabalho autoral também se funde a versões de obras consolidadas, como “Macô”, de Chico Science e Nação Zumbi, e “A Carne”, composta por Seu Jorge, Ulises Capelleti e Marcelo Yuka, e mundialmente conhecida pela interpretação de Elza Soares. Ambas fazem parte do autointitulado álbum de estreia (2017) da ÈKÓ. 

 

Iconili

 

Tendo o rock como parte da estrutura, a Iconili possui uma estética peculiar e experimental. Foge dos padrões, mas entrega. As fusões são alucinógenas, que fazem o ouvinte viajar para outra atmosfera. Esse diferencial tem cada vez mais elevado o status da banda mineira e expandido os horizontes. Os riffs de guitarras indicam o caminho, e no meio dele recebem o complemento dos tambores e sopros. É uma explosão de cores para meter dança assim que os primeiros acordes começam a ecoar.

 

Veja também

Zebrabeat Afro-Amazônia Orquestra

 

Assim como as demais, a Zebrabeat Afro-Amazônia Orquestra não é “purista”, pois carrega componentes da cultura local. Inserem no afrobeat a música tradicional paraense, como o carimbó e a guitarrada. O resultado dessa mistura de ingredientes é uma musicalidade percussiva de fácil apreciação por qualquer “paladar”, em qualquer lugar do mundo. É possível sentir o toque amazônico, e as notas da ginga africana. Quando o som toca, o corpo imediatamente responde. 

 

Afroelectro

 

A Afroelectro usa sonoridades da cultura brasileira para se conectar com o mundo. Na sua rítmica estão o coco e embolada, que também dialogam com o rock e tradições populares, principalmente nos partes cantadas, que pegam referências de cantos de de capoeira, de candomblé, de Tambor de Crioula de Taboca, do Maranhão (trazidos para São Paulo pelo Pai Euclides da Casa Fanti-Ashanti), versos de Cavalo-Marinho, originários de Nazaré da Mata (Pernambuco). Toda essa união do clássico com o contemporâneo, está presente no álbum que carrega o nome da banda e também no EP “Mocambo”, que foi gravado ao vivo e mostra de uma forma amplificada o poder da música que fazem.

 

Abayomy Afrobeat Orquestra

 

Com quase 13 anos fazendo o corpo dançar e a cabeça pensar, a Abayomy Orquestra promove o encontro da brasilidade, muito presente nos tambores e vocais, com o vigor do afrobeat e improvisações de jazz e funk. Essas experimentações estão presentes nos dois primeiros discos da banda “Abayomy” e “Abra sua cabeça”, mas para o próximo (que pode chegar ainda em 2021) o objetivo é música é testar outras possibilidades dentro da música africana e se aprofundar nos ritmos do norte e nordeste do Brasil, sempre enfatizando nas letras a crítica social, porém, não deixando de lado sua verve dançante e divertida.

 

Foto da capa: Glauco Neves

Ver comentários (0)

Deixe uma resposta

Seu email não será publicado.


© 2021 POTÊNCIA CULTURAL. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.