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9 artistas da América Latina que você precisa conhecer

9 artistas da América Latina que você precisa conhecer

A América Latina (AL) tem uma riqueza musical incomparável. Mas raras vezes valorizamos o que temos no nosso quintal. Geralmente, as atenções só se voltam para artistas latinos depois que ficam em evidência no mercado norte-americano ou na Europa. Isso acontece de tempos em tempos. Exemplos não faltam: Daddy Yankee, Karol G, Ozuna J Balvin, Bad Bunny e Luis Fonsi (dono do hit mundial “Despacito”). É por isso que reunimos 9 potências musicais da AL, que estão em plena ascensão artística, mas são poucos conhecidos pelos brasileiros. 

O foco é  mostrar a diversidade de sons feitos por vizinhos, que vivem uma realidade bem próxima do Brasil e possuem experiências culturais da diáspora africana. Obviamente, estes são apenas alguns de um “universo” musicalmente rico. Cada um tem sua particularidade, mesmo vivendo no mesmo país. E todos se conversam, por terem raízes de um mesmo lugar: o continente africano.

Daymé Arocena [Cuba]

Considerada uma garota com prodígio, Daymé Arocena começou a cantar profissionalmente aos 8 anos de idade. E não foi somente a sua voz doce e marcante que chamou a atenção. Ela é versátil [no sentido mais amplo da palavra]. Consegue fazer diferentes variações, indo facilmente da rumba para o jazz, e se estende ao mambo e salsa com uma impressionante delicadeza. É daqueles raros casos que não se pode definir em qual padrão se encaixa. Isso também fica evidente nas suas composições. Mesmo abordando temas relacionados aos amor, Daymé presa por compartilhar suas raízes cubanas e a fé que tem nas divindades da Santeria, religião afro-caribenha baseada nos princípios iorubás. Impossível deixá-la passar despercebida. Inspiração não falta.

N. Harden [Colombia]

De Bogotá, na Colombia, o MC, beatmaker e produtor Nelson Martinez, conhecido artisticamente por N. Hardem, tem fundindo boombap com jazz, movimentando o rap underground do seu país e fugindo das armadilhas do mercado. Nos seus quase 10 anos de música, ele tem no currículo os EPs Cine Negro (2014) ao Tambor (2015), Lo Que Me Eleva (2017), Tambor II e Rodésia (ambos 2019), e o álbum Verdor (2021). Seus raps (feitos em espanhol) são profundos. É um poeta que tem muito a dizer sobre diversas questões, algumas não muito digestivas. Como um bom adepto do rap dos 90’s, os versos de N. Hardem são sinceros, verdadeiros, combatentes e, na maioria das vezes, densos. Mas precisa ser ouvido. 

Calma Carmona  [Porto Rico]

Myraida Desireé Carmona Díaz, a Calma Carmona, é uma das representantes do soul e R&B latino. Pelo timbre de voz agudo, a cantora e compositora porto-riquenha (de San Juan) consegue atingir diferentes alturas e tons. A forma suave de interpretar, em inglês ou espanhol, também dá um toque de sensualidade às canções. Unindo essa habilidade com as experimentações decorrentes de distintas influências culturais, Carmona mostra toda a autenticidade que possui. Em 2013, ela teve a oportunidade de abrir para Beyoncé durante a passagem da Mrs. Carter Show World Tour por Porto Rico. Paralelamente à música, Calma Carmona trabalha com Hemp Farms na criação de uma linha de cremes a partir da cannabis, para aliviar dores musculares e cólicas menstruais, e os chás “CalmaTé te Calma”.

El Individuo [Cuba]

Fundindo diferentes elementos da música caribenha com o rap dos 90’s e reggaeton, El Indivíduo A.K.A de Rafael Bou Lemus tem um estilo envolvente. Seus versos afiados estão sempre acompanhados de batidas acentuadas, que não deixam a cabeça parar de balançar. Na maioria das vezes também te faz dançar. Como um bom cubano amante do jazz, o MC presa por colocar na estrutura dos instrumentais naipes de metais, favorecendo o trompete e trombone, e percussão. Esse tempero apimentam os sons, e ajudam a criar uma identidade própria (e local) pouco explorada por rappers de países com uma gigantesca diversidade musical, como o Brasil. El Indivíduo aproveita muito bem a herança musical dos seus antepassados. 

ChocQuibTown [Colombia]

O trio formado por Carlos “Tostao” Valencia, Gloria “Goyo” Martínez e Miguel “Slow” Martínez carrega no nome o lugar de onde veio: Quibidó, uma cidade do estado colombiano de Chocó. Por isso, ChocQuibTown (Choc = Chocó, Quib = Quibdó , Town = nuestro pueblo). Musicalmente falando, os três fundem rap com funk, reggae, jazz, salsa, reggeaton e elementos da música local, direcionados por congas, tímbales e bongos.  Protestos contra o descaso em diversas regiões da Colombia estão presentes na grande maioria de suas letras. Mas eles também falam sobre o amor e festa. Fazem dançar, e refletir sobre os problemas de quem vive nas periferias. Essa fácil mobilidade entre múltiplos temas e a inserção de doses excessivas de ginga e suingue garantiu que a ChocQuibTown expandisse o seu raio de extensão e ganhasse o mundo. Foram duas vezes indicados ao Grammy Awards e ganharam o Grammy Latino de 2010 e 2015.

Cimafunk [Cuba]

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Inovador. Cimafunk (Erik Rodriguez) consegue unir funk e salsa de um jeito único. Quando começa a tocar, ninguém fica parado. Essa capacidade chegou a levantar comparações entre o cubano, de Pinar del Río, interior de Cuba, com o James Brown. Pode até ter um certo exagero nessa ligação entre os dois, porém, o Cimafunk está no caminho para chegar no mesmo patamar (com as devidas considerações) do Mr. Dynamite. Não por acaso, a Billboard o elegeu em 2019 como um dos 10 artistas latinos para ficar de olho. Na participação dele no Tiny Desk Concert (2020) é possível sentir todo o groove e ter uma visão geral das suas capacidades artísticas. Impressiona, e te faz dançar mesmo sem querer. 

Ghetto Kumbé [Colombia]

Uma viagem às raízes afro-caribenhas da Colômbia através do poder hipnótico das batidas do house africano. Esse é o objetivo principal da Ghetto Kumbé, formada por Edgardo Garcés (E Guajiro), Juan Carlos Puello (El Chongo) e Andrés Mercado. Para desenvolver os sons psicodélicos, os três unem batidas orgânicas de bateria e instrumentos percussivos – como djembe africano e  dundun – com batidas de house e samples. É pulsante. Algumas cadencias se assemelham a batucada das celebrações dos terreiros de candomblé do Brasil. O Ghtetto Kumbé é um grupo afro-futurístico majoritariamente instrumental, mas em algumas músicas eles inserem vozes digitalizadas, principalmente nos refrões, com mensagens sobre os problemas enfrentados no país pela população mais pobre. Nesses momentos, a intenção é transmitir uma mensagem direta para que as pessoas realmente entendam e cause impacto. Faz o corpo mexer e a mente pensar. 

Yendry [República Dominicana]

Após participar da sexta edição do X Factor italiano (2012), Yendry Cony Fiorentino (YEИDRY) ganhou popularidade na Itália. Três anos depois, ela integrou o grupo Materianera. Porém, em 2020 ficou conhecida mundialmente com os singles “Barrio” e “Nena”. Apesar do pouco tempo de carreira solo, que soma apenas 5 singles, ela tem conquistado espaço com a sua elegância musical. Suas canções variam entre flamenco, R&B e pop e abordam autoconfiança, violência doméstica, relacionamentos fracassados.Todos os seus sentimentos são compartilhados com sensibilidade. Yendry tem uma voz suave, acentuada e potente. Ainda vai se ouvir muito do trabalho dela.

Dawer X Damper [Colombia]

Da estética ao som que produzem, os irmãos Dawer e Damper são diferenciados. Agitadores da cena urbana de Cali, na Colombia, eles exploram toda a diversidade rítmica da diáspora africana. O flow segue um curso diferente do que se está acostumado, pois se não respeitam as regras. Com sensualidade, questionam os padrões de beleza, gênero, raça e também o jeito de se fazer música, criado para manter a indústria.  Dawer X Damper focam na arte, prezando por um visual com cores radiantes, danças envolventes e uma sonoridade inflamada. É o que chamam de Afro-futurismo Tropical!


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