Um papo com o Coletivo Rato Preto sobre moda, linguagem e autoestima | AUR, Radar

“O grafismo de Raphael e Rack soam como a liberdade em forma de arte. Mãos sujas de tinta e corações preenchidos com aquela curiosidade da infância. Indo cada vez mais fundo naquilo que ambos acreditam, formam o coletivo Rato Preto, um verdadeiro laboratório de experiências artísticas, quase uma dimensão paralela dentro do estado caótico do Rio de Janeiro atualmente.” Escrevi no último Radar onde apresentamos o Raphael Cruz e seu grafismo. Veja aqui:  https://aurculture.com/aur-radar-o-grafismo-de-raphael-cruz/

 

A arte e o vandalismo estão envolvidas desde que o mundo existe. A capacidade do ser humano dialogar com o próximo sobre aquilo que pensa nasce a partir da comunicação, da linguagem e da interação com o próximo. Essa ação pode ser observada a partir da música que ouvimos, da roupa que vestimos, das gírias que utilizamos e das pessoas que temos ao nosso redor, o que abre espaço para a visão que o Coletivo Rato Preto composto por Rack e Raphael Cruz representam.

Leonardo Oscar da Silva tem 31 anos. Nasceu em Santo Aleixo e hoje mora no Complexo da Maré, no seu próprio laboratório artístico e de produção, dividindo esse espaço com Cruz seu irmão de vida  de longa data.

Rack é introspectivo e apesar de calmo apresenta muita presença no discurso, fala sobre questões importantes que circulam o nosso espaço sem a necessidade de perder palavras para tal. Sua arte fala por si só.

 

O nome Rack nasce como uma evolução de Racso, Oscar de trás para frente, uma linguagem comum para a cultura do xarpi e interessante para o público que deseja aprender mais sobre essa interpretação.

 

Leonardo é um artista plástico não institucionalizado com percepção de espaço e vivência urbana. Cria atenções durante os lugares que passa através de suas produções artísticas, principalmente nos locais desagregados pela ação do tempo e do descaso.

 

Para o artista, produzir é uma válvula de escape para o processo criativo, onde em diferentes momentos esses sentimentos podem soar de forma positiva ou negativa, todos influenciando naquilo que o autor externaliza. Rack me diz a importância de utilizar nossos problemas para criar de forma mais livre.

 

O artista plástico me conta que o projeto de maior importância em 2019 foi o Verdejando, uma ação que visou acabar com um lixão dentro do Complexo da Maré trazendo de volta o verde, limpando o local e colocando sua arte de forma expressiva, iluminando esse espaço segregado.

 

Uma amiga e talentosíssima artista que também está associada ao coletivo Rato preto e esteve presente no dia do bate papo é Marcela Lisboa Rodrigues da Silva. Aos 28 anos, Marcela levanta a bandeira do Complexo da Penha bairro que é cria e produz cultura.  

Atualmente Marcela se organiza politicamente com o Fórum de Performance Negra fazendo parte da equipe de coordenação que tem como função a busca por direitos institucionais para artistas, cineastas e comunicadores negros. 

 

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Marcela durante sua adolescência fez parte de um projeto chamado One Day, esse projeto reunia diferentes grupos para realizar projetos sociais e desenvolvimento artístico com outros artistas abrindo seus horizontes. Ela comenta sobre a importância de entender política e como sua relação com o PSOL foi de grande contribuição para seu amadurecimento pessoal entendendo o que ela quer e o que não quer fazer parte tanto na questão de organização de grupo, como através da comunicação. Além disso, esteve presente também no coletivo CRUA, dialogando com outros artistas e produtores de diferentes coletivos que com certeza colaboraram para sua formação enquanto pessoa.

Marcela Lisboa está presente no cinema negro, articulada com diferentes produtores e nesse momento ela comenta sobre a iniciativa do Instituto Black Bom, que funciona como um braço do Baile Black Bom para captação de dinheiro dando suporte para produtores negros no Centro da Cidade do Rio de Janeiro. Marcela ressalta a necessidade de evidenciar a autonomia financeira para produtores pretos.

Ela também coordena a Naya uma agência de publicidade que pensa favela dentro da comunicação, indo na contramão do estereótipo estabelecido socialmente. A agência trabalha em colaboração com o Gato Mídia dirigida por Thamyra Thamara sua parceira dentro da agência. 

O incentivo de Marcela vem da autoestima de fazer arte. Sua família teve grande influência na sua formação pessoal e na busca por comunicação subjetiva passeando entre artes visuais, digitais e todas as esferas que fogem do óbvio.

 

Atualmente, está diretamente ligada ao cinema, a moda, a arte de rua, a construção do pensamento humano como um veículo para o processo de criação, sentindo, vendo e experienciando autoestima. 

 

Um de seus principais projetos de 2019 foi a direção do programa de viagem Favelados Pelo Mundo gravado em São Tomé e Príncipe país localizado na África Central. Ela também cita duas participações mais institucionais esse ano, sendo a primeira com a L’Oréal Anywhere, coordenando uma equipe que fará parte do reposicionamento da marca para 2020 pensando em fazer publicidade sem estereótipos, e o segundo o Sevirologia com a Rede Globo tendo um retorno positivo para seu estudo como cineasta. 




*Todas as fotos são de Edson Jonathan.

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